I. BÖLÜM
4.5. Araştırma Bulguları
4.5.3. Hipotez testleri
4.5.3.2. Modele İlişkin Hipotez Testleri
A economia criativa, em uma perspectiva mais ampla, se mostra como estratégia de desenvolvimento econômico, social e cultural devido ao seu potencial para gerar renda e ocupações ao mesmo tempo em que estimula a preservação do patrimônio cultural e o desenvolvimento local.
Segundo a UNCTAD (2008), os países desenvolvidos e em desenvolvimento podem encontrar maneiras de aperfeiçoar o potencial da economia criativa para gerar crescimento socioeconômico, criar empregos e exportar ganhos ao mesmo tempo em que promovem a inclusão social, a diversidade cultural e o desenvolvimento humano.
Reis (2008a) também enfatiza que o uso da criatividade, portanto do capital humano, para o fomento de uma integração de objetivos sociais, culturais e econômicos pode ser uma alternativa, diante de um modelo de desenvolvimento global pós-industrial excludente, portanto insustentável. Ainda conforme a autora, nesse antigo paradigma, a diversidade cultural e as culturas são vistas como obstáculos ao desenvolvimento e não como nutrientes de criatividade e de resolução dos entraves sociais e econômicos. Essa necessidade de mudança de paradigma, do social versus econômico para um modelo inclusivo, é reforçada também por Kovács (2008, p. 99) quando este afirma que o modelo de desenvolvimento
predominante “ignora as realidades, as tradições e as especificidades do ambiente sociocultural e das populações locais. Nas culturas gerais, as diversidades culturais e as tradições foram negligenciadas, quando não consideradas obstáculos para o desenvolvimento”.
Em termos econômicos, Reis (2008a) explica que as mudanças econômicas e em especial as novas tecnologias alteraram os elos de conexão entre a cultura (das artes ao entretenimento) e a economia, abrindo um leque de oportunidades econômicas baseadas em empreendimentos criativos. Assim, o grande potencial para gerar ocupações e renda (DCMS, 2001; UNCTAD, 2008) faz das indústrias criativas e da economia criativa a base para uma estratégia de desenvolvimento alicerçada essencialmente em atributos humanos, como talentos, criatividades e habilidades, os quais, segundo Batista, Gomes e Vieira (2006) são muito provavelmente melhor distribuídos populacional e espacialmente do que as infra- estruturas e os equipamentos industriais.
Ainda conforme Reis (2008b), além do óbvio impacto econômico setorial usualmente mencionado (o faturamento da indústria do software, o número de empregos gerados pelo cinema, por exemplo), a economia criativa também se destaca por outros dois modos menos evidentes de incorporação do valor intangível cultural nos bens e serviços criativos. Primeiramente, ela inspira outros setores econômicos, pois, ao motivar novas dinâmicas e processos na economia como um todo, a economia criativa promove spin offs das indústrias criativas para outros setores econômicos. Além disso, a economia criativa ainda impulsiona arranjos produtivos locais (APL‟s) baseados em atividades culturais ou artísticas.
Do ponto de vista local, Florida (2003) salienta que a criatividade e o talento podem contribuir para o desenvolvimento econômico regional. Conforme a UNCTAD (2008), a economia criativa contribui para a vitalidade e o crescimento das economias locais diretamente através da produção dos bens e serviços criativos, da geração de renda e ocupações ou, indiretamente, ao contribuir também para a expansão do turismo local, incentivando os turistas a experimentarem as atrações culturais locais. Adicionalmente, as cidades com vida cultural ativa podem atrair investimentos de outras indústrias.
É neste contexto que surgiu o conceito de cidades criativas, definidas como
cidades capazes de encontrar dentro de si a solução para seus problemas. São cidades que transformam o tecido socioeconômico urbano com base no que têm de mais singular, criativo e específico e em um profundo entendimento de sua identidade cultural. Uma cidade criativa é capaz de atrair empreendedores,
investimentos e um perfil de turista que respeita e aprecia a cultura local, entendendo a cidade como sua anfitriã (REIS, 2008b).
No território nacional, é possível constatar vários exemplos de pequenas cidades criativas brasileiras. Reis (2008b) cita a cidade de Parati, no Rio de Janeiro, conhecida por abrigar um patrimônio arquitetônico colonial de valor inestimável e por ser o local onde é realizada a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip); Batista, Gomes e Vieira (2006) citam a cidade de Guaramiranga, no Ceará, a qual abriga eventos como o Festival Nordestino de Teatro, Festival de Vinhos, Festival de Gastronomia e Cultura e o Festival de Jazz & Blues, que assumem hoje grande dimensão e integram o calendário turístico e cultural do Estado do Ceará; e Santos e Judice (2007) citam a cidade de Diamantina, em Minas Gerais, palco da Vesperata de Diamantina que se tornou um produto cultural que atrai turistas de todas as regiões do Brasil e do mundo.
Para Florida (2003), a chave para a compreensão da nova geografia econômica da criatividade e seus efeitos nos resultados econômicos reside no que ele denominou de 3Ts do desenvolvimento econômico: tecnologia, talento e tolerância. Criatividade e pessoas que atuam profissionalmente no âmbito das indústrias criativas procuram se estabelecer em lugares que possuem estes três fatores críticos. Cada um deles é necessário e insuficiente se considerado isolado dos demais. Portanto, para atrair pessoas criativas, gerar inovação e estimular o desenvolvimento econômico, um lugar precisa ter todos os três fatores:
Tolerância – abertura, inclusão e diversidade em relação à aceitação de etnias, raças e modos de vida.
Talento – utilizado para se referir às pessoas que tenham, pelo menos o nível superior;
Tecnologia – concentração de inovação e atividades de alta tecnologia na região. Florida (2003) ainda ressalta que, conforme os resultados de suas pesquisas, indivíduos talentosos estão se movendo para locais que oferecem tolerância ao trabalho e ambientes sociais.
Além dos aspectos econômicos, Santos-Duisenberg (2008) enfatiza que a economia criativa também possui um relevante papel em termos sociais e culturais. Os aspectos sociais relacionados às economias criativas locais mostram-se relevantes devido aos seus efeitos positivos de longo alcance sobre o emprego e que podem ser usados como uma ferramenta
para a promoção da inclusão social. Ainda conforme a autora, as atividades criativas, especialmente as ligadas às artes e às festas culturais tradicionais, geralmente levam à inclusão das minorias e facilitam uma maior absorção de parcelas de jovens talentos marginalizados os quais, na maioria dos casos, envolvem-se com atividades criativas no setor informal da economia. Outro aspecto enfatizado pela UNCTAD (2008), é que, como muitas mulheres estão envolvidas na produção de artes e artesanato, áreas relacionadas à moda e à organização de atividades culturais, a economia criativa também promove um equilíbrio de gêneros na força de trabalho criativa.
Adicionalmente ao fato de contribuir para o crescimento econômico, a UNCTAD (2008) ainda reforça a contribuição da economia criativa para a sustentabilidade cultural. Segundo Deheinzelin (2006), as indústrias criativas favorecem a diversidade cultural ao incluir o uso de conhecimentos e técnicas tradicionais numa perspectiva contemporânea e este é um aspecto fundamental para países em desenvolvimento, os quais geralmente possuem enormes recursos culturais ainda pouco aproveitados. Assim, a UNCTAD (2008) destaca que a característica principal das indústrias criativas, que permite a ligação entre os saberes tradicionais e o consumidor, é a sua capacidade de, no processo de desenvolvimento, servir tanto aos objetivos culturais como econômicos.
Conforme Reis (2008a), embora não tenha receita de sucesso, a economia criativa parece apresentar de fato potencial significativo para promover o desenvolvimento socioeconômico, aproveitando um momento de transição de paradigmas globais para reorganizar os recursos e a distribuição dos benefícios econômicos. No entanto, faz-se necessário reconhecer que a criatividade é recurso necessário, mas não suficiente para que a economia criativa se desenvolva.
Neste sentido, Reis (2008a) sugere alguns alicerces que, segundo ela, podem contribuir para a concretização do potencial econômico da economia criativa: a conscientização dos gestores públicos, privados e a sociedade civil; definição e implementação de políticas de desenvolvimento transversais aos setores e interagentes; influenciar acordos internacionais que possibilitem a apropriação dos benefícios da economia criativa por parte das comunidades que os originaram; promoção do acesso adequado a financiamento; levantamento de estatísticas que monitorem o desenvolvimento das ações de políticas públicas; disponibilização de infra-estrutura suficiente de tecnologia e comunicações; estabelecimento de um modelo de governança coerente; análise do processo de geração de
valor não em uma estrutura de cadeia, mas de redes; garantia de educação e capacitação a par com novos perfis profissionais e novas profissões; e formação um ambiente que reconheça o valor econômico da criatividade e do intangível cultural.
Diante do exposto, constata-se o caráter político que também envolve o tema. Sobre este ponto, Lima (2005) ressalta a existência do entendimento de que o segmento das indústrias criativas não pode ser relegado apenas às regras de mercado e deve ser também objeto de políticas públicas. No início deste século, a cultura está definitivamente inclusa entre os fatores de desenvolvimento, em que as políticas culturais devem estar articuladas às econômicas e sociais. Assim, os elementos culturais passaram a ocupar posição estratégica na elaboração de projetos gerais de desenvolvimento (LIMA, 2007).
Reis (2008b) salienta que a economia criativa, como conceito e por suas características próprias, apresenta um grande potencial de transformação e inclusão socioeconômica para o Brasil, se o país souber compreender e se inserir nas novas dinâmicas e arranjos institucionais que se formam nessa economia (exemplos: processos colaborativos, redes, alianças entre agentes e setores, conciliação do tangível e do intangível, do econômico e do social, exigências de capacitação distintas). Conforme a autora, o debate e a conscientização são, portanto, fatores sine qua non para que a criatividade brasileira seja traduzida em resultados também econômicos.
De maneira geral, observa-se que as possibilidades de geração de renda, riqueza, desenvolvimento local, revitalização de cidades, inclusão de minorias, melhoria da qualidade de vida de artistas populares e comunidades, perpetuação de culturas tradicionais e o fato de basear-se principalmente em atributos humanos como criatividade, talento e habilidades, são alguns dos fatores que contribuem para que a economia criativa seja apontada como estratégia para o desenvolvimento inclusivo e sustentável, principalmente nas localidades que apresentam diversidade cultural e ricas tradições culturais.