4.5. Araştırmanın Analiz Yöntemi
4.5.2. Yapısal Eşitlik Modellemesi
Como nos primeiros encontros havíamos conversado com os participantes acerca de aspectos da linguagem audiovisual, na leitura dos diários, após essa conversa, identificamos que houve unanimidade dos estudantes em pontuar um suposto desconhecimento de características dessa linguagem, ou seja, dos códigos que constituem a ―linguagem fílmica‖ ou ―linguagem cinematográfica‖. Não houve, de maneira alguma, uma aula formal, mas procuramos discutir conceitos que pudessem estimulá-los a perceber os recursos expressivos da linguagem fílmica. Assim o fizemos por compactuar com o que observa Napolitano (1995): o professor que quer trabalhar com filmes em sala de aula ―[...] não precisa ser crítico profissional de cinema [...] mas se tiver conhecimento de alguns elementos de linguagem cinematográfica‖ haverá mais qualidade no trabalho; pois ―[...] existem elementos sutis e subliminares que transmitem ideologias e valores tanto quanto a trama e os diálogos explícitos‖ (NAPOLITANO, 1995, p.57).Vejamos alguns excertos:
S25
“A atividade foi útil e importante, pois através dela tive a oportunidade de conhecer detalhes e um pouco mais sobre a leitura audiovisual, sendo um assunto que conhecia apenas o básico, que foi apresentado nas aulas de tecnologia da educação no 1º ano, do curso de Pedagogia.”
“Falando sobre o meu conhecimento sobre a linguagem cinematográfica, sou leigo no assunto, muitas vezes costumo ver filmes, gosto de romance, mas quase não reparo como a história é contada (detalhes – cenas), apenas fico ansioso para ver o final
“Muito interessante, pois desperta nossa atenção para aspectos que normalmente não nos preocupamos em reparar, passa despercebido. Como espectadores, ao assistir filme, novela ou mesmo um programa de televisão, só interessa a história que está sendo contada. Aspectos como ângulo da câmera, fotografia, estrutura da história não nos chama a tenção. Na verdade, eu nem sabia exatamente o que era fotografia num filme [...].”
S45
“Achei muito interessante, pois não tinha conhecimento nenhum sobre esse assunto, e nada mais gostoso do que aprender algo do nosso cotidiano, pois quando assistimos aos programas de televisão não tínhamos essa visão de câmera, de aproximação, do foco de uma pessoa, do distanciar da câmera, entre outros.”
É preciso considerar o que ressalta Franco (1995) sobre a linguagem audiovisual ser aprendida ―sem a mediação do racional‖, porque ―foi construída para nos embriagar de emoção‖ ─ conforme S34 cita: ―passa despercebido‖─; assim, ―[...] uma vez cativos da história e das suas peripécias narrativas e técnicas, podemos ou não passar para um estágio de análise racional e crítica desse estado de emoção‖ (FRANCO, 1995, p.52 ). A autora afirma que essa é uma linguagem que aprendemos, de certa forma, pelo sensível, como espectadores desde a infância. Partilhamos da posição de Franco (1995), de que somos conhecedores da linguagem audiovisual mesmo que não tenhamos ciência desse fato. Por outro lado, tendo em vista o perfil cultural dos sujeitos que participaram da pesquisa, julgamos pertinente considerar a necessidade de ampliar seu universo linguístico, porque esse é o primeiro passo para a formação de novos conceitos (VIGOTSKI, 2009) Isso só acontece, sabemos, com a vivência e a prática, no caso, de assistir a filmes de diferentes cinematografias. Dessa maneira, quando o aluno afirma, em seus diários, que ―aprendeu a linguagem cinematográfica‖, reconhecemos que não houve, efetivamente, aprendizagem de conceitos naquele momento, uma vez que ―[...] o ensino direto de conceitos é impossível e infrutífero‖ (VIGOTSKI, 2004, p.104); todavia, houve um direcionamento da atenção. Esta, se orientada, com frequência, em uma mesma direção, constitui a ―apercepção‖ que ―[...] é a participação da nossa experiência anterior na formação da experiência atual‖ (VIGOTSKI, 2004, p.179).
Os extratos abaixo, além de confirmarem o desconhecimento dos alunos em relação à linguagem audiovisual, demonstram também a crença na importância da discussão. Isso indica possibilidade de mudança de postura em relação ao comportamento diante do audiovisual. Novamente reiteramos que isso não significa que supomos que houve
aprendizagem de aspectos da linguagem cinematográfica a partir da exibição de um filme e de uma discussão. Inclusive, conforme mencionamos, temos em conta que, por serem nossos alunos, talvez tenham imaginado que eram essas informações que queríamos ouvir.
Contudo, cremos ser interessante registrar que pode ter havido, sim, uma atenção aos aspectos da linguagem cinematográfica orientada de modo diferente da que tinham antes. Segundo Vigotski (2004, p.177), ―[...] do trabalho da atenção depende todo o quadro do mundo e de nós mesmos que observamos‖, isto é, ―a atenção levemente modificada nesse sentido muda de forma imediata o radical quadro‖. O autor alerta para o fato de que isso pode acontecer de forma natural ou artificial. Ou seja, observar um mesmo objeto com atenção orientada de outra perspectiva, altera a percepção desse mesmo objeto, e passamos a percebê- lo em um aspecto totalmente novo.
Quanto às implicações do papel da atenção para a educação, o autor defende que esse papel vai além de considerá-la um meio para a realização de uma tarefa. A questão é de outra ordem: perceber a atenção como objetivo em si. Ele afirma que ―[...] ela nunca passa sem deixar vestígios, sempre deixa atrás de si um resultado‖ e que ―[...] ao orientarmos a atenção, tomamos em nossas mãos a chave para a constituição da formação e do caráter do indivíduo‖ (VIGOTSKI, 2004, p. 180). Desse modo, apesar de julgarmos que, naquele momento, não houve aprendizagem em si, acreditamos que a orientação da atenção ―para‖aspectos da linguagem cinematográfica ─ que talvez eles já soubessem, porém sem ciência disso ─ constitui um ponto de reflexão positivo aos nossos propósitos de pensar estratégias para um trabalho com o audiovisual nas Licenciaturas .Observemos os extratos:
S13
“A atividade foi útil para mim, pois não tinha o costume de reparar na posição das câmeras e não tinha nenhum conhecimento de linguagem cinematográfica, quando assistia a um filme ou a uma novela nunca percebi o uso das câmeras [...] estava mais interessada no conteúdo mesmo, no desfecho da trama, do filme, ou no estiver assistindo.”
S16
“A atividade me despertou a atenção para a linguagem cinematográfica, até então desconhecida, pois nunca reparei a fundo as histórias e imagens, analisando-as podemos compreender melhor.”
“Eu não tinha conhecimento sobre linguagem cinematográfica. Aprendi a dar mais atenção às cenas, como: distância de câmera, personagens e o ambiente, foco no personagem, ângulo de câmera. [...]”.
S24
“A atividade [...] audiovisual foi muito útil para meu entendimento. Pois antes de ter participado da atividade nunca tinha prestado atenção e não tinha nenhum entendimento sobre ângulos, planos etc.”
S36
[...] “Ficamos tão focados nos personagens, na história e nas paisagens, por exemplo, que não nos damos conta o quanto foi trabalhoso fazer aquela cena, o quanto os movimentos e posições das câmeras contribuem para expressar as “emoções” de cada cena.”
Os extratos seguintes também evidenciam que os alunos reconhecem a necessidade da compreensão de uma leitura audiovisual. Além disso, parecem revelar que reorientar a sua atenção para outra forma de observar o audiovisual tem implicações para eles próprios, ou seja, para pensar nas próprias escolhas e percepções. Isso talvez signifique que tenha havido uma centelha, ainda que não totalmente consciente, de percepção da centralidade dos meios nas nossas vidas e da importância de conhecer a linguagem dos meios a fim de nos tornarmos mais cientes desse mundo que nos entregam editado (BACCEGA, 1994, 2001). Vejamos:
S17
[...] “proporcionou uma nova perspectiva na maneira de olhar, ou seja, de interpretar o “olhar” de quem está filmando ou fotografando.
Podemos analisar a perspectiva de quem filma e com o nosso entendimento e tirar as nossas próprias interpretações do contexto”.
S46
“Considero importante aprender sobre isso[...].
Portanto, para ter opinião, para compreender o conteúdo que estou vendo e ter direito de escolha perante situações como as eleições é essencialmente importante notar o que ocorre atrás das câmeras”.
[...] “achava que somente a atuação dos autores era importante para nos causar certos impactos, reações, emoções, agora compreendi que a maneira como as cenas são dirigidas e o foco na câmera é essencial para perfeição de um bom trabalho e do que se pretende causar nos telespectadores”.
Ademais, encontramos também certa confusão terminológica, tal como podemos perceber em S11, que demanda refletir se não seria essencial incluir também na formação do pedagogo o que Meyrowitz (2001) denomina ―As múltiplas alfabetizações midiáticas‖:
S11
“Todos nós sabemos que tudo o que assistimos é produzido por uma „indústria cinematográfica‟, onde profissionais de diversas áreas estudam o melhor conteúdo de forma [...] atingir seu público-alvo, pois a indústria produz o „produto‟ cinematográfico que pode ser um filme, um documentário ou uma simples propaganda com o objetivo de „vender‟, um produto[...].”
Interessa mencionar também que no 1º ano do curso de Pedagogia da UNITAU há uma disciplina denominada ―Tecnologias Educacionais‖, cujo objetivo é ―[...] discutir questões referentes aos usos das novas tecnologias da educação oferecendo subsídios teórico-práticos para que o futuro pedagogo familiarize-se com a utilização das tecnologias da informação e da comunicação41‖. Ao observarmos a ementa e os conteúdos, podemos perceber que existe uma preocupação em discutir o uso das tecnologias na educação; entretanto, em virtude da carga horária, não há tempo para vivências práticas. Mesmo assim, um aluno se lembrou de que havia tido contato com o assunto na disciplina em questão. Vejamos esse excerto:
S25
A atividade foi útil e importante, pois através dela tive a oportunidade de conhecer detalhes e um pouco mais sobre a leitura audiovisual, sendo um assunto que conhecia apenas o básico, que foi apresentado nas aulas de tecnologia da educação no 1º ano, do curso de Pedagogia.
Falando sobre o meu conhecimento sobre a linguagem cinematográfica, sou um leigo no assunto, muitas vezes costumo ver filmes, gosto de romance, mas quase não reparo como a história é contada (detalhes – cenas), apenas fico ansiosa para ver o final.
Conforme afirmou o Prof. Adilson Citelli em entrevista concedida à UNIVESP, sobre a educomunicação, ―[...] muitas vezes, as pessoas formadas no âmbito da educação não têm condições de entrar nesse mundo da comunicação, nem tem obrigação‖.O mesmo se passa como o comunicador, que não é obrigado a discutir questões relativas à educação. Estamos trazendo esse ponto para a discussão em virtude de acreditarmos, em consonância com Citelli (2011), Imbernón (2006) e outros autores elencados no quadro teórico, que é preciso atentar para a formação docente na atualidade, a fim de que os futuros professores tenham oportunidade de participar efetivamente dessa discussão sobre a urgência em repensar novas formas de educar. Afinal, não é uma questão instrumental, isto é, de uso das tecnologias na educação, é muito mais, é preciso desvendar como as linguagens dos meios são construídas, (FÍGARO, 2001) e promover um diálogo de saberes (BACCEGA, 2011). Logo, estamos considerando que esse olhar envolve a atenção das políticas públicas para o fato de que o preparo dos professores para lidar com temas que envolvem a educação e a comunicação requer um profissional que possa transitar com segurança pelas duas áreas. Consideramos que esse preparo precisa iniciar-se na formação docente.
Ainda sobre as atividades dos primeiros encontros, nos fragmentos que seguem, percebemos os posicionamentos dos alunos em relação ao que não gostaram. Durante a parte da discussão acerca de aspectos da linguagem cinematográfica, usamos vários trechos de filmes (recentes e antigos). Reparamos que os alunos ficaram mais atentos durante a exibição de trechos que eles conheciam. A intenção de apresentar cenas de narrativas antigas foi proposital, para podermos comentar um pouco sobre alguns diretores e filmes marcantes da história do cinema mundial. Contudo, talvez, a estratégia não tenha sido muito adequada para o primeiro dia. Vejamos:
S40
“Durante o encontro, assistimos vários trechos de diferentes filmes, mas penso que deveriam ser filmes mais atuais.”
No comentário acima, o sujeito destaca a inadequação em relação aos trechos exibidos. Já S47, pontua as poucas horas destinadas às atividades desenvolvidas com eles.
“Apesar de ser pouco tempo de curso e não ter sido algo tão claro, deixou aquele recado de quero mais.”