3.8. Sanal Tembellik, Yaratıcılık ve Stres ile İlgili Yapılan Çalışmalar
3.8.3. Stres ve Yaratıcılık ile İlgili Yapılan Çalışmalar
Entendemos que as técnicas disponíveis devem ser movimentadas em função de nosso objeto e que elas propiciam um recorte dos fatos ou fenômenos a serem transformados em dados. Portanto, não são neutras, continuam construindo o objeto tanto quanto as teorias o fazem. Cada técnica tem uma teoria por trás, ou seja, representa um modo de ver. Assim, tendo em vista o objeto empírico, entendemos que os métodos de observação dos fatos ou fenômenos mais adequados à nossa prática investigativa situam-se na perspectiva da observação-participante.
As ciências sociais não apresentam uma definição precisa da observação participante e, para melhor definir esse conceito, Haguette (2000, p.69) recorre a vários autores. Dentre eles, entendemos que a definição mais próxima de nossa linha de investigação é de Schwartz e Schwartz (1969), retomada por Haguette, (2000, p.69). Eles entendem ―a observação participante não só como um instrumento de captação de dados, mas também como instrumento de modificação do meio pesquisado, ou seja, de mudança social‖. Haguette (2000), ainda se referenciando em Schwartz e Schwartz (1969), aponta que a finalidade primeira da observação participante seria, pois, a coleta de dados; que o papel do observador pode estar revelado ou encoberto, ser formal ou informal, ser parte integrante ou periférico quanto à estrutura social; que o tempo necessário para a realização da observação pode ser mais curto ou mais longo; e, que o papel do observador é ativo, visto que ele tanto pode atuar como modificador do contexto quanto ser influenciado pelo contexto observado. De acordo com a autora, Schwartz e Schwartz sugerem que a questão de o observador ser mais passivo ou mais ativo depende da natureza dos dados desejados, e que eles não enxergam incompatibilidade entre ―objetividade‖ e ―intervenção‖ (HAGUETTE, 2000, p.74, grifo da autora). Ela afirma ainda que essa definição de observação participante aproxima-se muito do conceito de pesquisa-ação e pesquisa-participante.
Os principais pontos fracos da observação participante situam-se
[...] na ‗relação observador/observados‘ na ameaça constante de obliteração da percepção do primeiro em consequência do seu envolvimento na situação pesquisada, envolvimento este inerente à própria técnica, que lhe confere a natureza que a distingue de outras técnicas; na impossibilidade de generalização dos resultados (HAGUETTE, 2000, p.76).
Haguette (2000, p.77) chama nossa atenção também para o fato de a observação participante ser considerada, nas Ciências Sociais, como a técnica de captação menos estruturada, em virtude de não possuir instrumentos específicos para direcionar a observação. Dessa forma ―[...] a responsabilidade e seu sucesso pesa quase que inteiramente sobre os ombros do observador‖. Assim, a autora aponta ainda a ameaça de fatores que podem provocar distorções nos próprios dados adquiridos, tais como:
1) o viés sociocultural do observador, ou seja, o viés de partilhar a perspectiva e valores de sua própria cultura de seu tempo e de seu meio como desempenho do papel de pesquisador; 2) o viés profissional/ideológico, que induz à seletividade da observação, dependendo do quadro de referência ou do tipo de treinamento recebido pelo pesquisador; 3) o viés interpessoal do observador que moldará, a partir de sua emoções, defesas etc., o que ele ―verá‖ como significativo e a maneira
como ele perceberá a interação humana; 4) o viés emocional do observador
com relação às próprias necessidades como pesquisador; em outras palavras, a necessidade de confirmar suas hipóteses, de ―estar certo‖, pode levá-lo a forçar uma ―adequação‖ do real a suas teorias prévias sobre o fenômeno; 5) o seu viés normativo acercada natureza do comportamento humano pode conduzi-lo a juízos de valor que prejudicarão não só sua coleta de dados como sua análise e interpretação. (HAGUETTE, 2000, p.78, grifos da autora).
Portanto, a fim de evitar ─ ou no mínimo reduzir ao máximo possível ─ as distorções sobre as quais aborda a autora, utilizamos diferentes técnicas e instrumentos de coleta para melhor observar, descrever e analisar os fatos ou os fenômenos que nos interessam pesquisar. Consideramos, portanto, o que afirma Bachelard (2010, p.144); de que ―[...] por vezes, com métodos diferentes, as dificuldades mudaram, inteiramente de aspecto‖.
Logo, observamos os fenômenos a partir de:
a. perfil nacional dos alunos dos cursos de Pedagogia e Letras e do público-alvo pesquisado;
b. diários dos alunos participantes da pesquisa
c. gravação em áudio das discussões realizadas após as exibições dos filmes.
Como não foi possível realizar uma pesquisa longitudinal com o mesmo grupo de participantes, pelas razões já explanadas, não consideramos pertinente coletar dados a partir de um plano de aula elaborado pelos alunos. No entanto, seja nos relatos dos diários, seja durante as conversas que ocorreram após as exibições, os alunos sinalizaram como pensam
possíveis trabalhos com os filmes assistidos. Partimos também dessas respostas para uma tentativa de delinear o perfil de espectadores dos sujeitos de pesquisa.
Cumpre mencionar que, na primeira etapa, em virtude do grande número de alunos presentes, julgamos mais adequado considerar os dados oriundos dos diários dos participantes. Na segunda etapa, este ano, gravamos as discussões, mas alguns alunos também produziram diários.
Usamos o conceito de diário no sentido que propõe Tápias-Oliveira (2006). A autora afirma que um dos instrumentos para investigação da mudança e da construção dos indivíduos em formação profissional, quando em processo, é o diário. Ela defende o diário como ―ferramenta metacognitiva para reflexão‖ a fim de que os sujeitos possam tornar-se conscientes de sua própria aprendizagem e desenvolvimento. Ela cita Zabalza (2004) e Machado (1998) que também realizaram estudos com o diário. O primeiro dirigiu estudos com professores que elaboraram diários de aula. Zabalza (2004, p13) define diários de aula como ―[...] documentos em que professores e professoras anotam suas impressões sobre o que vai acontecendo em suas aulas‖.
Os diários não são necessariamente produzidos diariamente, e os conteúdos deles podem ser abertos ou delimitados por quem os solicita. Normalmente a demarcação espacial é a aula, por isso diário de aula; todavia, nada impede que se abranjam outros âmbitos da atividade docente. Já Machado (1998) trabalhou com diários de leitura. Sua proposta foi que os alunos de jornalismo escrevessem após realizarem suas leituras. Ela estabelecia objetivos de leitura (KLEIMAN, 1989) para os textos propostos. Machado (2004) acredita que esse instrumento pode ser eficiente para o aluno ter um controle mais consciente da própria ação e do seu desenvolvimento
Nesta pesquisa fizemos uso do diário. Pedimos aos alunos que, durante a semana seguinte às atividades, escrevessem suas impressões sobre os filmes e as discussões. A intenção era que os diários se constituíssem em instrumento de reflexão metacognitiva (KLEIMAN, 1989; TISHMAN et al, 1997) para os participantes a fim de que pudéssemos observar se os relatos apontavam para o tipo de conhecimento construído ( se de fato havia) a partir das exibições. A investigação de todo esse processo, conforme já afirmamos, teve também a função de pensar a constituição identitária do aluno-futuro-professor.
Na segunda etapa da pesquisa, em 2013, conforme assinalamos, após as exibições dos filmes, aconteceram discussões as quais foram gravadas. São os dados dos diários e das gravações que explicitamos neste relatório.