• Sonuç bulunamadı

Çalışma Alanına Göre Farklılıkların İncelenmesi

4.7. Araştırmanın Uygulaması

4.7.7. Ölçeklere İlişkin Farklılık Testleri

4.7.7.9. Çalışma Alanına Göre Farklılıkların İncelenmesi

“Líder do povo guarani assassinado na Guerra das Missões, no século XVIII. Em fevereiro de 1979, na localidade de São Gabriel, em sua homenagem e organizada pela CPT, inicia-se a 1a Romaria da Terra no Rio Grande do Sul, que segue depois para todo o Brasil.” (FERNANDES, 1999: 22)

Hoje, em 2007, a romaria da terra está em sua 30a edição.

Alargamento dos Contextos28

Se o Brasil foi, oficialmente descoberto em 1500, por Pedro Álvares Cabral, o MST somente começa a listar suas resistências históricas a partir de 1629, com a criação do Quilombo de Palmares. Esse seu esquecimento de 129 anos de branco social brasileiro parecem ser recuperados, como que por um sentimento de culpa histórica, a partir da 1a Romaria da terra organizada pela CPT em homenagem a Sepê Tiaraju, a partir de 1979.

28

O alargamento dos contextos faz referência á uma noção de Milton Santos que busca olhar para o uso do território, para além de sua aparência. “Na medida em que se multiplicam as interdependências e cresce o número de atores envolvidos no processo, podemos dizer que não apenas se alarga a dimensão dos contextos como aumenta a sua espessura”. (SANTOS, 1996 apud 2003: 254)

De 1500 a 1629, bem antes dos primeiros escravos aqui chegarem, o Brasil foi colonizado por bandidos, prostitutas, ladrões, piratas e corsários. Enfim, todos os que foram exilados das metrópoles européias por razões morais, éticas, políticas, econômicas ou religiosas. Inclusive, os territórios de presídios, conventos e mosteiros inteiros foram transferidos para o Novo Mundo a fim de evangelizá-lo ao aqui reproduzir o Velho Mundo em novas terras reais.

Esse fenômeno não aconteceu unicamente no Brasil, assim, na vizinha Guiana Francesa29, foi construído o maior sistema penitenciário francês, para homens, mulheres e famílias inteiras: o bagne. Aqui, o castigo dos parias da civilização ocidental era outro. Não se era mais preso, mas, além de ter sofrido uma viagem longa e difícil para aqui chegar, quando sobrevivente, ficava-se na impossibilidade de nunca mais poder voltar atrás. Julgado como exilado do Mundo Velho. Condenado a ser criador do Novo Mundo.

Assim, se as lutas de resistência são supostamente iniciadas pelos escravos e os quilombolas, a partir de 1629, na região Nordeste, quando Salvador30, na Bahia, ainda era o centro das capitanias Brasileiras. Esse acontecimento é simultâneo ao desaparecimento de um outro elemento perturbador para a paz da colônia: as lutas de resistência indígena que parecem ter levado a grande cidade dos capitães e dos cortesãos a deslocar-se, em 1763, para o Rio de Janeiro.

Ao serem perseguidos pelos bandeirantes, os índios brasileiros iniciaram sua longa peregrinação para o Sul gaúcho (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), em busca da Terra Sem Males; enquanto, os escravos começavam a desembarcar em terras nordestinas.

Naquela época, o escravo não era considerado gente, mas visto como uma prolongação, quase que uma ferramenta, ligada á um produto agrícola em plena expansão: a cana de açúcar. Assim é que, os primeiros escravos, enquanto únicos depositários do saber de uma técnica agrícola florescente, foram exportados das colônias africanas para serem importados pelos engenhos do Brasil com as primeiras mudas de cana. Daí o território africano ter, ainda hoje, o pressentimento de que se não foram somente os maiores de seus elementos que para cá foram enviados; pelo menos, os melhores é que

29

Pela extensão territorial de sua fronteira com o Brasil, e porque a Guiana Francesa é um Departamento e não só um Território de Ultramar, o primeiro país vizinho da França é o Brasil. Recentemente, o recém eleito presidente da república francesa, Nicolas Sarkozy, fez a proposta de que o Brasil seja integrado a Organização do Tratado do Atlântico Norte - OTAN. O que parece ser uma aberração geográfica tem, no entanto, uma lógica sócio-espacial coerente e evidente.

30

“Fundada em 1549 por Tomé de Souza, o primeiro governador-geral do Brasil, Salvador foi o centro do poder nacional até 1763, quando a honra passou ao Rio de Janeiro. O fato de ter sido por mais de duzentos anos a capital federal conferiu ao território uma magnitude da qual ainda há resquícios”. Luiz Souza, “As sete maravilhas da Bahia”, TAM Magazine, Ano 4, No 40, Junho de 2007, p.41.

aqui chegaram. Pois, não esqueçamos de que só metade dos escravos importados aqui chegou. A outra metade tendo falecido em porões, motins e naufrágios.

Porém, se a má consciência dos conquistadores espanhóis foi representada, a partir de 1511, pelo dominicano Bartolomeu de Las Casas. Ao denunciar, a partir de Cuba, a injustiça que estava na origem da nova prosperidade espanhola no Novo Mundo, com o menosprezo radical dos Índios, sua exploração e o extermínio de mais de 70 milhões deles. Pois, Las Casas, preocupado em converter e proteger os Índios, respeitava neles os homens dotados de uma alma, mas não de uma civilização. Para protege-los, Las Casas até foi o primeiro a propor a substituição sistemática da mão-de-obra indígena pela mão-de-obra de escravos negros importados da África31. O que lhe valeria a honra de ser o primeiro bispo de Chiapas, entre o México e a Guatemala. (LANEYRIE-DAGEN, 1997: 316-317) As “Leyes Nuevas” decretadas por Carlos Quinto, em 1542, sob influência de Las Casas, ao considerar os Índios como “um novo meio para regenerar o cristianismo”, vão provocar, como no Peru, revoltas dos colonos espanhóis. (IDEM)

Aqui, no Brasil, é somente “a partir do contexto barroco ibérico do século XVII, com a pregação no âmbito institucional da Companhia de Jesus, relacionada com um determinado conceito de oratória e de prática missionária jesuítica, e a própria vida do padre Antônio Vieira””- (SALOMÃO, 1997: 8) - que a má consciência dos colonizadores brasileiros nasce como fruto dos “Sermões” do criador da Teoria da Recepção.

Aqui, também vale lembrar o mimetismo com Olívio Dutra, ex-prefeito da cidade de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, ex-governador do RS e ex- ministro das cidades do 1o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sempre fiel ao Partido dos Trabalhadores – PT. De origem indígena, nascido e criado na região das Missões, Olívio Dutra aproveitou sua notoriedade pública para valorizar e divulgar amplamente as lutas sociais e históricas de sua região natal.

Na realidade, não se sabe muito bem se foi a CPT que ajudou a divulgar o Olívio Dutra das Missões, ou se foi o Olívio Dutra que ajudou a divulgar As Missões como berço do PT riograndense. Uma coisa está clara, no Rio Grande do Sul, em território de Sepê Tiaraju, As Missões, Olívio Dutra, a CPT e o PT estão ligados por laços geográficos.

É o que o professor Milton Santos chama de rugosidades territoriais.

31

Em 1520, Las Casas obtém a autorização para experimentar o projeto de uma colônia de um novo tipo na costa de Cumana, Venezuela, onde índios e europeus viveriam novas relações sociais. A experiência termina num banho de sangue respectivo. Em 1533, Las Casas renova a experiência, mas desta vez, com maior sucesso, na Nicarágua. (LANEYRIE-DAGEN, 1997: 316-317)

2o Capitulo

- Território Usado na Formação do Brasil –

Rugosidades na disputa atual pelo território brasileiro32

Durante todo o século XX, o Brasil passou por 2 ditaduras políticas. Neste caso, quer dizer que não há eleições, que o parlamento ou o congresso33 de nada servem. Somente para manter o espetáculo de sucessivas ocupações de espaços: ocupar o tempo televisivo, radiofônico, preencher colunas de jornais, criar Comissões Parlamentares de Inquérito – CPIs - e nada mais. Todas as decisões políticas, econômicas, culturais, trabalhistas, etc... foram tomadas por um só homem (Getúlio Vargas) ou por uma só elite (militar).

Lembro-me que em Portugal, durante a ditadura de Antônio Salazar (1926 –1974), o país estava nas mãos da Igreja e que a religião católica era religião de Estado. Quer dizer que se não fosse católico nenhum português tinha direito à certidão de batismo, casamento ou óbito. Ou seja, sem ser católico não se pertencia, oficialmente, ao estado Português. Não havia cidadania civil. A Igreja é que determinou a entrega do país nas mãos de uma dezena de famílias, cada uma especializada num setor específico da economia.

As ditaduras brasileiras duraram de 1930 a 1945 (Vargas) e de 1964 a 1985 (ditadura militar). Getúlio Vargas voltou ao poder pelas urnas de 1951 a 1954. Por isso ele é considerado na sua ditadura como “mãe dos ricos”; e no seu mandato presidencial como “pai dos pobres”. Pois, criou todo um sistema de proteção e direitos trabalhistas. Vargas não concluiu seu mandato. Suicidou-se após fortes pressões nacionais e norte-americanas.

O interessante, para as elites dominantes, foi que quando o processo democrático voltou ao Brasil (1945), as elites brasileiras refugiaram-se em Portugal. Onde fortaleceram a ditadura portuguesa ao juntarem-se a suas famílias de origem. Em 1964, quatro anos antes do acidente cardiovascular de Salazar (1968) - que ficou ligado, por dois anos, por

32

Aqui falamos do que vivenciamos, uma disputa pelo território brasileiro entre Portugal e França. Porém, existem outras mais. Como a antiga disputa entre Portugal e Espanha, pelo território brasileiro. Ou a nova disputa entre Estados-Unidos e União Européia pelo etanol brasileiro. Daí a excelente provocação de José Sarramago, em pleno período da presidência da União Européia pelo poder executivo português: “Portugal deveria integrar-se à Espanha”. O que conta é que: “Os “esboços simbólicos”, providos pelo movimento de cooperação, prolongam a atividade própria do sujeito e abarcam a totalidade da tarefa comum, levando cada sujeito a tomar consciência de que a universalidade é o verdadeiro sentido de sua existência singular”. (Tran- Duc-Thao, apud SANTOS, 1996 apud 2003: 316).

33

Hoje, enquanto o salário mínimo do trabalhador brasileiro é de 380 reais por mês, para 44h de trabalho semanal, cada deputado federal do congresso nacional tem o direito de gastar 51.000 reais por mês. Com direito a 26 assessores políticos. Trabalhando, em Brasília, 3 dias por semana.

aparelhos até sua morte cerebral (que nem o 1o ministro de Israel, hoje) -; estas retornaram ao Brasil. Não mais como famílias mas enquanto empresas transnacionais (a partir do capital financeiro anônimo e internacional). Trazendo para cá a mão-de-obra de milhares de migrantes portugueses fugindo de duas situações insuportáveis. A guerra das colônias (1960 – 1974) na qual Portugal engajou-se, enquanto aliado dos Estados-unidos, na luta contra o “perigo comunista”. Até cedemos os Açores como base aérea da Central Inteligence Agency - CIA, durante toda a guerra fria. Hoje, os Açores são base aérea da Organização do Tratado do Atlântico Norte - OTAN. E, o exílio econômico de um país “atrasado” e isolado do resto da Europa. Fisicamente, Portugal carrega a Europa nas costas e tem a cara virada para o Atlântico.

De fato, manter Salazar sobre vida vegetativa era manter o sonho, coletivo e inconsciente, de um império que também estava na Unidade de Tratamento Intensivo - UTI. Estávamos vivendo numa guerra de guerrilhas contra todas as ex-colônias. Menos o Brasil. Metade dos jovens estava fora do país defendendo o território nacional. A outra metade exilou-se como migrante “político e econômico” até onde foi possível chegar. O período militar obrigatório dos jovens soldados era de 24 meses de treino, 24 meses de serviço e mais 24 meses renováveis. Durante quase 14 anos, Portugal foi um país de viúvas. De filhas que perderam seus pais. De mães que perderam seus filhos. Lembro-me da propaganda de uma famosa marca de vinho do Porto que ficou durante anos nos outdoors dos pontos de ônibus, na periferia da capital francesa: “Portugal: le Seul pays oú le noir est couleur!34”

Em 1974, foi a vez das elites portuguesas pedirem refúgio ao Brasil. Seguindo Marcelo Caetano, sucessor de Salazar e sua corte, as famílias portuguesas tradicionalistas migraram para o único país onde se falava português e que ainda mantinha uma certa “paz social” onde suas empresas de pessoas anônimas poderiam prosperar. Com a inclusão de Portugal na União Européia, e, mais tarde na Comunidade Econômica Européia – CEE - essas famílias retornaram ao seu país de origem, não mais enquanto empresas nacionais mas como empresas transnacionais. Algumas até conseguiram recuperar quase todo o seu patrimônio, inclusive, as antigas terras devolutas que tinham sido atribuídas à última reforma agrária da Europa.

34

O interessante é que, se durante o século XIX o Brasil foi terra de asilo dos pobres; no século XX, ele se torna refúgio, por ondas sucessivas, das extremas esquerdas e das extremas direitas européias.

Velhas técnicas e novos usos

Um fato curioso é que o presidente Fernando Henrique Cardoso35 (FHC), ao reiniciar o processo democrático brasileiro, usou uma técnica ditatorial, a de Antônio Salazar. Pois Salazar entrou no governo parlamentarista como ministro da economia para erradicar uma inflação galopante. Fruto do fim da monarquia, do estado de guerra que Portugal vivenciou durante toda a 1a guerra mundial e de uma sucessão de governos de uma jovem república parlamentarista em busca de si mesma. Como ministro da economia, Salazar foi excelente: criou um novo plano econômico, ressuscitou a moeda nacional (o escudo) e exterminou os males inflacionários. O salvador da pátria tornou-se, então, um chefe de conselho absoluto. Ora, FHC entrou como ministro da economia no governo de Itamar Franco (o vice de Fernando Collor que teve seu mandato cassado por corrupção). Como ministro, FHC criou o plano Real, tranqüilizou a febre da inflação e tornou-se presidente da República Federativa do Brasil por dois mandatos (1994–1998-2002) sob a sigla do PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira.

Outros tempos, outras épocas. Mas, o que teria acontecido se o candidato Lula (Luiz Inácio Lula da Silva) de 2002 ainda fosse o mesmo candidato Lula de 1989? O que talvez possibilitou a pró-ativa salvação do “Lula Lá” foi o povo brasileiro ter reafirmado, em plebiscito, o seu compromisso com o presidencialismo36 e não com o parlamentarismo nem o monarquismo. Pois, no final de seu 1o mandato, antes de sua reeleição em 1998, porque será que FHC propôs um referendum nacional sobre o tema, em pleno final do século XX?

Por outro lado, outro fato curioso, a estratégia do Partido dos Trabalhadores – PT - assimila-se a estratégia do Partido Socialista Francês - PS - mas numa tremenda aceleração contemporânea. Pois, o candidato François Mitterrand participou quatro vezes da corrida presidencial. Tal qual o Lula (1990, 1994, 1998, 2002). Só que a Constituição Francesa

35

Sociólogo, professor da USP, foi senador da República por São Paulo (1983-94), ministro das Relações Exteriores (1992-93) e ministro da Fazenda (1993-94), no governo Itamar Franco, e presidente da República (1995-1998), reeleito em 1998-2002. Aluno de Florestan Fernandes, é um dos mentores e fundadores do PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira (FERNANDES, 1999: 24).

36

O presidencialismo brasileiro é quase absolutista. Não há presidente do conselho nem 1o ministro. Não há reuniões regulares de todos os ministérios. É quase uma monarquia presidencial. Lula está em toda parte, fala de tudo, pensa em tudo. Onipotente, onipresente, onisciente. O desgaste presidencial é absoluto. Quase voltamos ao regime da monarquia absolutista de Louis XIV: “L’Etat c’est moi!”.

determinava, então, mandatos setenais37 (de 7 anos). Ou seja, Mitterrand levou 28 anos para alcançar o poder, enquanto Lula demorou 16 anos.

Se o PS começou seu percurso de ascensão política com um candidato que evoluiu da Francisque (medalha de honra da presidência do Maréchal Pétain, sob o governo de Vichy, em plena colaboração fascista) ao Programa Comum da esquerda (programa estabelecido entre o PS, o Partido Comunista Francês – PCF - e todos os partidos populares e movimentos sociais de esquerda); paradoxalmente, o PT parece ter seguido o mesmo caminho. O candidato Lula iniciou sua 1a campanha eleitoral nas ruas, durante as greves operárias do final dos anos 70, início dos anos 80, em pleno processo de redemocratização brasileira; enquanto sua reeleição unificou, por falta de outra alternativa, frente ao risco do retorno liberal ortodoxo, toda esquerda brasileira. Para isso, na França, o PS usou imagens subliminais para alcançar a vitória; enquanto, no Brasil, o PT usou agências de publicidade para manter sua vitória. Ou seja, além dos fatos, o PS se mitterrandizou e o PT se lulizou.

Se o povo Francês levou 7 anos para desvendar a mistificação, com a ajuda do escândalo do sangue contaminado pelo vírus HIV e distribuído grátis, sem aquecimento prévio, por parte do ministério da saúde38; o povo Brasileiro, durante 4 anos, desvendou todo processo de corrupção ligado ao Congresso Nacional, em Brasília, através dos escândalos do Mensalinho e do Mensalão39. Ou seja, mesmo nos maiores fracassos e nas maiores mistificações, os povos tiram de letra as lições dadas pelos seus presidentes.

Ambos desenvolveram as mesmas políticas econômicas da imposta “economia de mercado” e realizaram as mesmas reformas: trabalhistas, saúde, previdência, educação, política, etc... estabelecidas pelas instituições internacionais: o Fundo Monetário Internacional – FMI, a Organização Mundial do Comércio – OMC, e o Banco Mundial. Lula tenta apresentar o Mercosul como via alternativa, mas assina contratos bilaterais, tal qual Mitterrand apresentou a Comunidade Européia.

O que resta para História, são os percursos dos Homens que a escrevem junto com seus Povos. Ao evoluir da colaboração francesa com o nacional-socialismo dos fascistas e dos nazistas (como metade dos franceses) para a construção do estado de bem-estar social40 de uma democracia social democrata (como a outra metade francesa); Mitterrand

37

Desde 2000, uma modificação na constituição francesa levou os mandatos presidenciais de 7 para 5 anos. 38

Entre o dinheiro e a saúde dos franceses, o PS escolheu o mercado. Ao considerar o sangue como mercadoria e não como doação de órgãos.

39

Entre a corrupção e a democracia, o PT escolheu o pragmatismo. Ao comprar votos de políticos via agências de publicidade. Nestes dois casos não há mais diferença alguma entre as ações das empresas e as ações dos partidos políticos que acabaram tornando-se grandes empresas.

40

redimiu, ao caminhar com o povo francês, o inconfessável pecado histórico de uma França “fille ainée de l’église” et “mère de toutes les révolutions41”.

Ao evoluir da resistência brasileira contra a ditadura dos militares, disfarce do Plano Condor, (como metade dos brasileiros) para a colaboração com a intervenção das tropas neoliberais (Haiti e Etanol42); Lula desvenda as novas responsabilidades do povo brasileiro, ao caminhar com o Brasil, um país periférico que se quer hegemônico na sua região, - uma ex-colônia exportadora de produtos de “sobremesa” (açúcar, cacau e café) que está se tornando potência mundial da biomassa. O maior exemplo é o discurso da Petrobrás43 após a nacionalização do gás boliviano. Pois, a Petrobrás Holanda e não a Petrobrás Brasil foi a única empresa transnacional a defender os contratos e os interesses das empresas transnacionais em território boliviano. Nenhuma outra empresa transnacional abriu o bico, nem pediu arbitragem internacional por rompimento de contrato.

Disputa pelo território

Trouxemos os exemplos de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva para mostrar, no final do século XX, a atualidade da disputa entre Portugal e França pelo território Brasileiro. Pois, se Portugal “descobriu” o Nordeste em 1500 (Bahia - BA); a França “descobriu” o Sudeste em 1503 (Santa Catarina - SC). E Portugal (Rio de Janeiro - RJ) e França (Maranhão - MA) entraram várias vezes em guerra pelo Brasil. Assim como a Espanha (Rio Grande do Sul - RS) e a Holanda (BA e Pernambuco - PE). O Brasil até perdeu o Uruguai (Rio del Plata).

No entanto, a novidade maior neste início de século XXI é que o Brasil vai ter que decidir se será uma potencia oriental (como a maioria de suas populações) ou ocidental (como a maioria de suas empresas)? As inúmeras imagens de Bush e Lula, inclusive em Camp David, numa reunião de trabalho dos dois governos, sobre um programa de expansão do Etanol nas 3 Américas, até parece ressuscitar os acordos de paz, também de Camp David, assinados entre Israel e Palestina, durante o governo de William Clinton em tempos de 2a crise do petróleo.

Portugal nunca foi considerado Ocidente, mas sim Oriente da Europa, sua porta de entrada para África. Há 500 anos atrás, em Portugal, havia 900 mil portugueses e... 1

41

Uma França “filha mais velha da igreja” e “mãe de todas as revoluções”. 42

Pois a produção de Etanol não é exclusivamente restrita para automóveis de uso particular. Os Estados- Unidos também precisam do biodiesel e óleo-diesel para uso militar.

43

Empresa Nacional que estatizou o petróleo brasileiro durante a era Vargas. Tal qual a Bolívia que está estatizando o gás boliviano durante a presidência de Evo Morales.

milhão de escravos. Lisboa, até o terremoto de 1783, era território exótico e tropical. As cortes européias, através de seu ramo menos occitano, acharam imprescindível transformar a conquista, via marítima, do Condado Portucalense em Reinado (ocidental) de Portugal,