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Yabancılara Uygulanan İdari Gözaltı Süresi

Belgede DİYİH 2014 Yılı Raporu (sayfa 138-143)

İşletmede 01.12.2011 tarihi itibarıyla 01.12.2013 tarihi itibarıyla Çalışan İşçi

E. Yabancılara Uygulanan İdari Gözaltı Süresi

Cansados de esperar pela aprovação do PCR, e buscando aproveitar os avanços do Judiciário, a APOGLBT cria o Livro de Registro de União Estável Homossexual, que serve como documento para que os casais homossexuais provem na justiça e no INSS a existência da relação, conseguindo alguns dos mesmos direitos que os casais heterossexuais. O tema deste ano da Parada marcava a questão da ausência de avanços no âmbito nacional: “Construindo Políticas Homossexuais”. A matéria da FSP de 04 de Junho de 2003 anunciava: “Parada Gay cresce e ganha versão mais politizada”. O jornalista Pedro Sanches basicamente apresenta os eventos paralelos ao dia da Parada: são debates, shows, mostra fotográfica, festival de cinema. Renato Baldin (apud Sanches, FSP 04/06/2003) coordenador de educação, cultura e eventos da APOGLBT na época fala de uma “guinada rumo à politização”. É interessante notar neste momento e mesmo em momentos posteriores que a

politização é sempre entendida como um momento de debate/ discussão, ou período mais “intelectual”, mostrando o que parece ser impossível fazer discursos ou reflexões mais pungentes no dia em que a Parada ocorre, ainda que Baldin (idem) rebata este tipo de crítica: “Todo tipo de evento é político, sempre, e a política não precisa ser necessariamente chata. Ele pode estar relacionada com orgulho, com direitos humanos, com o ganho de auto-estima que a parada significa para muitas pessoas”. Na mesma matéria a APOGLBT destaca ainda a necessidade de políticas gays similares as que o país dispõe para mulheres, negros e adolescentes. Ainda sobre a questão paradoxal sobre festa e política Baldin afirma acreditar que o caráter festa da Parada convoca as pessoas a ingressarem na militância.

A relação tradicional com Marta Suplicy do PT se torna menos harmoniosa do que transparecia nos outros anos. Agora que a ex-deputada é prefeita, João Silvério Trevisan escreve o pequeno manifesto “À prefeita de São Paulo” (Trevisan, FSP 04/04/03) onde acusa Marta de promessas não cumpridas e de má vontade política para com a comunidade GLBTs. Trevisan reclama à petista: “Não adianta ir à Parada Gay dizer palavras bonitas. Palavras uma vez por ano não bastam”. No dia seguinte o vereador Ítalo Cardoso, outro petista tradicionalmente envolvido com o movimento, saí em defesa da prefeita.

Um dos pontos de discussão entre Trevisan e Cardoso, seria o projeto do Autorama. O Autorama é um estacionamento ao lado do Parque do Ibirapuera (SP), utilizado em provas para carteira de habilitação de motorista. Á noite, já há vários anos, tem sido utilizado como ponto de convivência entre homossexuais. Pessoas param ou circulam com seus carros e se paqueram. Alguns se laçam a ter contato sexual nos cantos do estacionamento ou dentro dos veículos, e é possível perceber também a presença de raros garotos de programa, até mesmo menores de idade. Nas noites de verão, o Autorama é certamente uma boa opção para aqueles com pouco ou nenhum dinheiro para se divertir. É possível encontrar amigos, paqueras, escutar o som dos auto-falantes dos carros sem pagar ingresso e podendo consumir a bebida que trazem de casa. Os moradores ao lado do parque, que se localiza em um bairro de classe alta, reclamam da presença do gueto, fazem abaixo-assinados e sempre pressionaram a prefeitura para que feche o local, ainda que se trate de um espaço aberto e público. O Autorama resistiu à administração conservadora de Paulo Maluf e Celso Pitta e na gestão Marta o Movimento esperava que o espaço fosse reconhecido como espaço de convivência homossexual institucionalizado, enfim, que o espaço “saísse do armário”.

Da sopa de letrinhas as lésbicas resolvem fazer uma semana e uma parada “a parte” da Parada Gay de São Paulo, alegando buscar uma visibilidade própria para questões específicas,

revelando na concepção destes eventos a velha insatisfação de se localizarem ao lado dos gays masculinos.

Sobre a criação do estilo de vida e a formação e manutenção de uma comunidade gay, a região em volta da Rua Frei Caneca é reconhecida cada vez mais como um excelente point gay, com maior tolerância à expressão do estilo de vida gay, o que significaria mais liberdade, a exemplo de outros bairros localizados em grandes cidades do mundo como o Village em Nova York e Ipanema no Rio de Janeiro. Corroboramos com Nunan (apud Carvalho, FSP 22/06/03) quando aponta que estas áreas são apenas uma extensão do gueto, que pode trazer implicações negativas como isolamento, ilusão de liberdade e falta de troca com a cidade, ou seja, a delimitação do espaço específico marca a intolerância.

No dia 22 de junho de 2003 ocorre a Sétima Parada do Orgulho Gay com o recorde de um milhão de pessoas. A agência de propaganda Almap BBDO patrocinou parte do evento com 300 mil reais. Alguns veículos de comunicação e pessoas da própria APOGLBT elogiaram o apoio da agência, pois significaria um ainda incipiente, mas exemplar sinal de amadurecimento do mercado nacional. Na verdade, tal patrocínio foi arrancado na esteira do politicamente correto, como revelou a colunista Mônica Bergamo no Caderno Ilustrada da FSP:

(...) irritados com um anúncio da montadora, feito pela Almap, que mostrava um gay [de maneira pejorativa]24, dirigentes da parada ameaçavam fazer piquete em frente à fábrica. (...) Como forma de retratação, eles [APOGLBT] pediram R$800 mil para a parada. Levaram R$300 mil. As empresas não comentam. (Bergamo, FSP, 17/08/2003).

Não é só o grande mercado que expõe conflitos e preconceitos contra a diversidade. França (2005) conta em seu artigo um conflito dentro do meio gay, em que travestis são impedidos de entrar em espaços (mais especificamente saunas) destinados ao público homossexual. Um grupo de travestis cria a “Blitz Trans” (um trocadilho com as blitz policiais de que comumente são vítimas). Asseguradas pela lei anti-discriminatória do Estado de São Paulo, elas tentam entrar em comércios gays, e com isso geraram polêmica na comunidade. Para a autora os travestis trazem o que é de “universal” no movimento na medida em que lutam pelo direito de ser, de ir e vir, ao mesmo em que são subversivos e instauram um questionamento e uma atitude crítica à normativa imposta. Neste episódio os comerciantes, considerados por parte do MHB como aliados, mostram sua faceta mais preconceituosa.

24 O comercial mostrava uma moça que, aparentemente, estava sendo seduzida por um rapaz. Ele elogia a boca

da mulher e pergunta onde ela tinha comprado o batom que estava usando. A moça, ao perceber que o rapaz era homossexual, fez uma cara de decepção.

Mesmo quando não obstruem a entrada das travestis explicitamente, criam artifícios ainda mais jocosos, como cobrar até 10 vezes mais para a entrada de uma travesti ou de uma mulher em um ambiente predominantemente gay masculino. O impressionante é que a maior parte do público freqüentador destes locais, ou seja, gays que sofrem exclusão e descriminação, são coniventes com as atitudes acima descritas. Vê-se que uma politização se faz necessária também no intragrupo.

Belgede DİYİH 2014 Yılı Raporu (sayfa 138-143)