İşletmede 01.12.2011 tarihi itibarıyla 01.12.2013 tarihi itibarıyla Çalışan İşçi
G. İstihdam Piyasasına İlişkin Gelişmeler
Desde quando o CORSA fora para os porões da Igreja em Santa Cecília já se sabia que tal situação teria que ser provisória. Os integrantes do grupo começaram a se articular para conseguir um lugar mais adequado. Foi quando um assistente social do Espaço Ação pela Cidadania – entidade criada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho – ofereceu uma sala no mesmo lugar em que funcionava o Ação para que o Corsa realizasse as reuniões.
Neste ínterim, o grupo Corsa também passou por outras mudanças. Começaram a surgir opiniões diferentes sobre qual deveria ser a atividade mais focada do grupo: “De um lado, um grupo mais político, que estava ligado à atividade do 28 de junho, e, de outro, um grupo, que entendia dever o Corsa dedicar-se mais a ser um espaço de socialização e de sociabilidade. Essa divisão acabou por afastar esse grupo menos político”. (Silva, 2006: 281). O que parte do grupo considerava como “mais político” eram atividades que focassem a visibilidade, dando maior destaque à continuação da Parada.
Dos grupos ativistas no começo dos anos 90 em São Paulo, o Corsa era o mais freqüentado, sobretudo porque tinham por ação fazer o “arrastão”, ou seja, distribuir panfletos em bares e boates do meio gay convidando os presentes para as reuniões do grupo. Afora isto, o grupo realizava jogos de vôlei no parque do Ibirapuera onde também acabava atraindo a atenção de mais pessoas, ganhando novos participantes. Ainda há de se considerar que o Corsa, apesar de ser o mais destacável, não fora o único responsável pela realização das duas Paradas, de maneira que para manter a autonomia que grupo estimava, separou-se as atividades e assim nasceu a Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas e Travestis.
Integrantes do grupo relatam na tese de Silva (2006) que as reuniões do Corsa destinadas à sociabilidade eram cheias, em contraponto as reuniões para se escrever o estatuto e estruturar a Parada, que eram vazias. No entendimento de Silva (2006):
Neste processo de construção da associação, fica marcado como o processo político está distante das bases, quem sabe em função de uma cultura política, na qual o cidadão e a cidadã brasileiros estejam inseridos e que se pauta pela atribuição a outrem, ao político, o dever fazer acontecer. A construção da associação se faz enfadonha, porque as pessoas não se reconhecem como sujeitos políticos da ação, como atores do processo. Delegar responsabilidades é uma prática, que revela a debilidade da consciência, a fragmentação da consciência de muitos que entendem que simplesmente é de sua responsabilidade cuidar de suas necessidades imediatas, como garantir espaços de sociabilidade imediata. (Silva, 2006:282).
Se analisarmos sob uma perspectiva histórica do MHB, certamente aquilo que o grupo Somos considerava como “mais político”, ou seja, politizar o pessoal, o convívio, o cotidiano, se recusando às institucionalizações e à prática da política formal, é considerado na visão de Silva como o mais apolítico ou falta de consciência política.
Em 1999 a associação recém-criada começa a fazer o maior número de eventos visto no país até então: encontros com grupos e ONGs, debates, encontros com entidades do Estado e de outros países, fazendo-se reconhecer. Tal projeção e mesmo o fato de ter um registro de Associação “(...) possibilitava o estabelecimento de uma relação diferenciada com o ‘mercado gay’, no qual toca o apoio material ao evento [Parada] no ano seguinte”.
(Facchini, 2005:243). Veremos que o relacionamento entre a APOGLBT e o “mercado gay” é de “namoros e brigas” durante os anos posteriores.
Os encontros e alianças da APOGLT formaram também o Fórum Paulista GLT. Os debates promovidos resolvem incluir o B na sigla da Associação que passa a considerar os bissexuais não mais como uma posição intermediária, mas legítima: agora seria APOGLBT. O grupo Corsa sofre ainda outros ‘rachas” e de tais fissões surgem outros grupos que hoje compõem o panorama do ativismo gay em São Paulo.
De acordo com o Estatuto da APOGLBT trata-se de uma instituição sem fins lucrativos, “destituída de natureza política partidária ou religiosa” (site: apoglbt – estatuto quarta alteração), que tem como objetivos:
Organização, realização e promoção do Mês do Orgulho LGBT de São Paulo; Mobilização social por direitos, legislação e políticas públicas; Reuniões temáticas abertas; Registro de declaração de convivência homoafetiva; Registro de ocorrências de discriminação e violência; Acolhimento e encaminhamento de casos de discriminação e violência; Capacitação de novos ativistas; Intervenções educativas em locais de freqüência LGBT; Prevenção primária e secundária às DST/Aids e hepatites; Promoção da saúde integral; Intervenções educativas em universidades, escolas e empresas; Suporte a pesquisadores e estudantes; Estágio supervisionado para universitários; Atividades culturais e incentivo à cultura LGBT”. (site: apoglbt – estatuto quarta alteração).
Atualmente a APOGLBT é composta por uma diretoria com presidente, vice- presidente, secretário adjunto e tesoureiro. Um conselho fiscal, um conselho de sócio- fundadores, um conselho de ética e três subsecretarias destinadas respectivamente à: grupos de lésbicas, de gays e de travestis e transexuais. Além disso, há reuniões quinzenais contemplam mães e pais de LGBTs e as reuniões do grupo JÁ! (Jovens Ativistas).
Os transexuais e os travestis provocam uma série de questões para a Parada e para o movimento em si. Primeiramente, é fácil observar o preconceito dentro do próprio “meio gay” que considera as travestis e trans exageradas e marginais. A elas também não cabem armários; a questão da visibilidade está dada, o que está em confluência com Movimento. Nas paradas elas são foco da imprensa, que na busca de esvaziar o evento de qualquer sentido político, utiliza as travestis para tornar caricato e estereotipado todo o público que freqüenta a manifestação. No entanto, os aspectos “marginais” e “exacerbados” das travestis é a própria contraversão de outro estereótipo que muitos dos homossexuais masculinos de classe média desejam transmitir como argumento de aceitação social: “bons moços, másculos, bem- sucedidos, cultos e modernos”. Cabe ainda apontar a ironia, como comenta Trevisan (2000), de que o estilo Barbie (com alterações do corpo e a ingestão de altas doses de hormônio)
apoteótica do masculino, é uma versão travesti, pois ainda que não mudem de gênero, também se moldam a um corpo performativo e idealizado.
O crescimento da APOGLBT se dá na medida em que o número de participantes aumenta nas Paradas. A atenção dadas pelos os órgãos públicos, sobretudo os municipais, também. A criação da Associação para coordenar o evento Parada vai mudar definitivamente daí para frente. O caráter mais político que marcou as duas primeiras manifestações fica atenuado ou nulo, o que vai gerar críticas ao sentido da Parada, que por muitas vezes será chamada de “festa” e “micareta à paulista”, como verificaremos nas edições posteriores. Para alguns, se altera a concepção política do evento (Silva, 2006); para outros, se perde toda a concepção de manifestação ou se confunde de maneira arriscada com o carnaval (Green apud Mena, FSP: 29/05/05).