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Danimarka’ya Gelen ve Ayrılan Vatandaşlarımızın Sayısı

Belgede DİYİH 2014 Yılı Raporu (sayfa 168-175)

İşletmede 01.12.2011 tarihi itibarıyla 01.12.2013 tarihi itibarıyla Çalışan İşçi

B. Danimarka’ya Gelen ve Ayrılan Vatandaşlarımızın Sayısı

Dia 11/06/2007 – 11º Parada do Orgulho GLBT de São Paulo:

Nelson Matias, presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT) abriu a coletiva [de imprensa] intensificando a luta dos GLBT na conquista da aprovação do projeto de lei 122/2006 que criminaliza a homofobia. ´Este é um dia significativo para a cidade de São Paulo. Tomamos uma das principais avenidas do mundo para solicitarmos nossos direitos. A Parada não representa apenas uma luta dos GLBT, é uma luta de todos os cidadãos de vanguarda, que não querem uma sociedade intolerante, que desejam uma sociedade sem machismo, sexismo, racismo e homofobia. Na rua são milhares de pessoas mostrando que é possível. Ainda há uma dicotomia inaceitável onde perante a legislação somos todos iguais em direitos, mas todos sabemos que não somos. É por isso que estamos aqui hoje, ainda falta muito pra lutar. Temos que aprovar a lei contra a homofobia`. O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab destacou a importância da Parada GLBT para a cidade de São Paulo e parabenizou-a por, segundo ele, celebrar a liberdade e o combate à discriminação. ´A cidade de São Paulo tem na Parada o evento que traz maior número de turistas para a cidade` . (site: APOGLBT).

Neste trecho publicado no sítio da Associação da Parada GLBT de São Paulo ressaltam-se não só as contradições apresentadas por Matias (sobre o Direito, de fato) como os pontos que o militante e o prefeito elegem como foco do discurso - um foca a luta e o outro o produto turístico. Nenhum outro evento no país mobiliza tantos participantes, no entanto chamá-lo de evento de protesto e/ou reivindicação é ainda ponto polêmico. Apesar do forte discurso reivindicatório que abre o evento, o que mais se destaca é o seu caráter lúdico - a festa. O aumento do número de participantes não mobilizou o poder legislativo a aprovar leis que interessam ao movimento.

O evento continuava crescendo, com 3,5 milhões de pessoas. Municípios de todo país criam, aos poucos, suas coordenadorias e/ou grupos especiais de trabalho em secretarias para tratarem de questões LGBT. O mercado, mesmo o não segmentado, também começa a colaborar com a manifestação, ainda que ainda sejam as empresas estatais: “Foi também o ano dos grandes apoios, financiamentos e parcerias: Caixa Econômica Federal, Petrobrás, Ministérios da Cultura, do Turismo e do Esporte, Embratur, entre outras empresas privadas, organizações e coordenadorias” (site APOGLBT), e também marcas sem foco específico no público gay, como a vodca Smirnoff Ice, o energético Flash Power e as sandálias Goóc, que compraram cotas de R$ 10 mil a R$ 50 mil.

O tema de 2007 foi “Por um mundo sem machismo, racismo e homofobia!”. Tal amplitude do lema reivindicatório parece mesmo colocar o discurso em um nível do supra ideal: “O tema serviu para aproximar esses três segmentos [mulheres, negros e gays] na luta

contra o preconceito e a intolerância, a favor de um mundo mais justo, livre de ódio”. (site da APOGLBT/SP, grifos meus, Idem). Afora os habitantes de São Paulo, estima-se que a Parada trouxe cerca de 230 mil turistas, isto contando somente os que vieram pelas agências de viagem, o que aquece significativamente o mercado de turismo, ainda mais nesta época do ano. Ativistas já declaravam já algum tempo que a Prefeitura da cidade só investia em infra- estrutura turística, apoiando muito pouco os outros eventos culturais e intelectuais que eles acreditavam dar o tom político ao evento. As falas dos últimos Governos também tangem sempre a importância da Parada como atração para trazer recursos e dinheiro. Ou seja, os discursos vão em sentidos aparentemente opostos, e na “conversa” uma mensagem fica clara (ainda que não explícita): peçam o quiserem, não interessa quão utópico seja, o importante é que venham e gastem!

Uma polêmica marcou o evento este ano, trazendo de volta os argumentos e estereotipias que maculam historicamente os gays: para uma parte da sociedade, os homossexuais carregam algo de mais perverso, e por mais que tentem se adequar, em algum momento retorna a “verdadeira faceta”. Tal fantasia fica clara na confusão que gerou os panfletos que seriam distribuídos na Parada orientava sobre a redução de danos na utilização de drogas:

Impresso em 40 mil exemplares, um panfleto produzido para ser distribuído na Parada do Orgulho GLBT de São Paulo orienta os participantes sobre o uso de cocaína. ‘Para cheirar, prefira um canudo individual a notas de dinheiro’, diz o material, que também traz dicas sobre outras drogas: ‘Faça uma piteira de papel se for rolar um baseado’; ‘Compartilhe a droga, nunca o material a ser usado’. A cartilha estampa o selo colorido do governo federal, aquele do slogan ‘Brasil - Um País de Todos’. O Ministério da Saúde confirma que os dados utilizados no texto são coerentes com a sua política de redução de danos. Também estão impressos na cartilha logotipos dos programas contra DST/Aids do governo estadual e da Prefeitura de São Paulo, do Ministério do Turismo e da Embratur. Entretanto, segundo as respectivas assessorias de imprensa, os órgãos não tiveram participação na elaboração do material. (Bergamasco, FSP: 08/06/2007).

A repercussão foi grande; o Jornal Nacional da Rede Globo de televisão – que via de regra, nunca tinha em pauta a Parada Gay – anuncia que a organização da Parada Gay de SP estaria incentivando o uso de drogas. O delegado Wuppslander Ferreira Neto, do Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos), disse à imprensa que investigaria o evento para checar a existência de facilitação ou omissão ao tráfico de drogas (idem). Ninguém, nas três esferas do governo assumiu a parceria com a APOGLBT na elaboração do panfleto, sendo que a diretoria da Associação teve de responsabilizar-se sozinha e suspender a distribuição dos panfletos já impressos. O programa e as técnicas de redução de danos são

amplamente utilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas neste episódio tanto a Imprensa quanto o Governo fez questão de ligar tal “ação indigesta” ao movimento gay.

A “Identidade Gay” continua sob especulações e avaliação social, além de uma forte generalização na criação do “o gay”, como um personagem uniforme. A fantasia sobre este público aposta em na marginalidade e na recusa da política, como ilustra a matéria de Sampaio (FSP, 10/06/2007): “Entre os gays, o céu é o limite. Embora a esmagadora maioria vá acabar com o tórax de fora, ao chegar eles vestem camisetas muito justas e decotadas, com nomes de estilistas famosos em letras garrafais, ou números grandes, e grifes, muitas grifes; casacos com peles, eventualmente óculos escuros e boné (por causa da calvície)”.

A Matéria faz todo tempo um paralelo entre o estilo de vida gay masculino e o estilo de vida lésbico, destacando como estas últimas são mais “tranqüilas”: “O ritmo faria uma lésbica cervejeira bufar de exaustão logo nos primeiros passos .Justiça seja feita: enquanto boa parte dos rapazes está aditivada com ecstasy, cocaína, ‘K’ (alucinógeno), GHB (euforizante) e Ice (estimulante cerebral), as moças se arriscam na pista só com espetinho de picanha e cerveja no estômago” (Idem). Sem contextualização e sem cuidado em não confundir um por todos, o jornal preferiu atacar os gays pela parte de mais difícil aceitação da Identidade Gay e o estilo de vida impregnado à ela.

Tais comportamentos reportados estão em plena concordância com os princípios de modus vivendi gay específico, recortado à uma parcela da população, negligência outra (e certamente a maior) parcela da população LGBT que estão em todas as esferas sociais (família, educação, trabalho e lazer). No mesmo dia, o jornal foca o potencial de compras dos turistas gays que vem para cidade, apontando como eles impulsionavam, sobretudo, o mercado de luxo. Futilidades e ataques seguiram durante o mês do Orgulho Gay na maioria das matérias em jornais e revistas com reportagens que destacam o insignificante número de roubos de celulares – se considerarmos a dimensão do evento - e os preconceitos de um subgrupo para com o outro. Eram pequenas as notas que discutiam o tema eleito para reflexão da Parada, frente às páginas que destacam os incidentes do evento.

Belgede DİYİH 2014 Yılı Raporu (sayfa 168-175)