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Vatandaşlarımızın İdari Bölgelere Göre Dağılımı

Belgede DİYİH 2014 Yılı Raporu (sayfa 81-86)

Haftalık 40 Saat Çalışma (avro/saat)

B. Vatandaşlarımızın Yönetime (Genel ve Yerel) Katılımı ile İlgili Bilgiler

3.3.1.3. Vatandaşlarımızın İdari Bölgelere Göre Dağılımı

Há avaliações diferentes da situação do MHB realizadas no início dos anos 90. Parte dos grupos considera que, com a questão da Identidade mais bem definida, no sentido de ser cada vez mais adotada; a distribuição dos anti-retrovirais e um sistema de saúde para AIDS que já “caminhava sozinho”; e uma “abertura” política “completa”, com a consolidação da democracia que temos, o Movimento Homossexual chega reflorescido aos anos 90. Sem dúvida, os encontros dos grupos são muito mais numerosos, com periodicidade anual, notórios, e com muito mais participantes, o que demonstra maior crescimento e distribuição

por todo país. A relação com Esquerda parece se tornar menos temerosa, e mesmo partidos políticos antes não simpáticos à questão se mostram mais tolerantes à “causa gay”.

Outra parte dos ativistas parece chegar aos anos 90 constatando o que definem ser um saldo melancólico (Trevisan, 2000), sobretudo decepcionado com um público apolítico: “Ao contrário do que certos setores do ativismo guei ingenuamente sonhavam (e eu entre eles), descobriu-se que a subversão não está embutida na vivência homossexual da mesma forma como os gregos se esconderam no cavalo de Tróia”. (Trevisan, 2000:365). O autor lamenta a falta de solidariedade até mesmo entre os “sexualmente oprimidos” (sic), e aponta que as reivindicações foram cada vez mais se tornando um discurso de absoluta exclusividade dos grupos ativistas.

Até mesmo a militância, que antes, pelo menos parte, almejava alguma maneira anárquica de protesto, se consagra partidária, se filiando definitivamente aos partidos de Esquerda que estariam “... mais modernizados e sensíveis aos novos tempos”. Os resultados para estes partidos foram bastante proveitosos, afirma Trevisan, para depois lamentar: “Não creio que o movimento homossexual poderia dizer o mesmo”. (Trevisan, 2000:366). A avaliação do autor é de que a autonomia política teria ficado extremamente prejudicada, mas, não podemos dizer que a Esquerda é nos anos 90 é a mesma dos 70, uma vez que agora estaria “muito mais ao Centro”; tampouco o MHB tinha a mesma aspiração revolucionária dantes.

Os conflitos no interior do Movimento demonstram o quanto se trata de um grupo heterogêneo, com formações distintas, idéias e bases políticas muito diferentes e que ainda tentava aprender como lidar com a construção de um “nós”, para lutar na arena política contra “eles” (Facchini, 2005). Para a autora, havia troca de acusações que além de serem resultados de visões comunitaristas por parte dos militantes, refletiam também o fato de que ter atividades financiadas era algo ainda mal-digerido, por parte dos grupos que recebiam e, sobretudo, pelos que não conseguiram ou se recusaram a receber.

Anarcopunksgays, Cybbers Clubs, Cybbers Manos, Ravers, e outros “modernos” são subgrupos do grande grupo que vai se filiando, com menos ou mais afinco ao movimento, sobretudo nas manifestações:

Eventos como a Parada do Amor de 1997, - rebatizada posteriormente de Parada da Paz, passaram a ocorrer anualmente, unindo ingredientes como: trios elétricos de casas GLS tocando variações de música eletrônica: público que, na maioria, usa roupas, acessórios e cabelos multicoloridos e elementos body art, como piercings e tatuagens, além de muita bebida energética e/ou drogas alucinógenas ou estimulantes; distribuição de preservativos e celebração de idéias como amor, paz, tolerância, diversidade, respeito às diferenças. Adolescentes de

ambos os sexos passam a se identificar como mix, o que, até onde posso entender, significa estar mais ou menos aberto à experimentação sexual com pessoas do mesmo sexo ou do outro sexo sem recorrer à classificação hetero, homo ou bissexual. Ainda na esteira do GLS, drag queens, personagens que cruzam as fronteiras de gênero e podem ser identificadas pela ênfase nas idéias de ‘performance’ e ´montagem´, tornam-se ingredientes em casas noturnas e eventos GLS e mesmo do movimento. (Facchini, 2005:178).

Também nos relatos de Trevisan (2000) a primeira manifestação do estilo parada aparece sob o título “Parada do Amor”, organizado em uma espécie de amálgama onde se misturou ativismo pelos direitos homossexuais, luta contra a AIDS e mercados alternativos (como fora o galpão de moda Mercado Mundo Mix). Certamente a experiência e o sucesso da Parada do Amor vislumbrou a possibilidade de uma Parada posterior e “mais assumida”. Na visão de Trevisan, o conceito S (simpatizante) do GLS, permitiu que aos poucos as pessoas fossem se colocando como G´s (Gays) e L´s (Lésbicas), e estes contextos possibilitaram que acontecesse no mesmo ano a Primeira Parada do Orgulho GLT de São Paulo, com 2000 pessoas:

Numa grande diversidade de idades, gostos e estilos, as pessoas presentes à Parada pareciam ter perdido o medo de ocultar suas identidades, ostentando rostos agora abertos, com alegria e descontração, e dançando ao som de carros de tipo trio elétrico, em meio à animação de vários carros alegóricos. Durante quatro horas, promoveu-se uma ampla visibilidade de massa, que tornou a Parada um evento político de maior importância, no contexto das lutas pelos direitos homossexuais no Brasil. (Trevisan, 2000: 379).

Para dar sustentação e apoio logístico, dois anos depois se cria a Associação da Parada do Orgulho GLBT de SP, e em 1999 cria-se a Associação Brasileiras de Gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT) “(...) procurando implementar políticas de liberação e coordenar ações em todo país”. (Trevisan, 2000:380). Voltaremos mais à frente, no segundo capítulo, a tratar do contexto que possibilitou a formação da Parada e da Associação.

No Rio de Janeiro, sob pressão dos militantes cria-se um disk-denúncia contra os crimes de homofobia, sobretudo porque a Baixada Fluminense apresentava os mais altos índices deste tipo de crime no mundo, maiores inclusive do que em países legalmente homofóbicos, como as nações islâmicas. Surgem também algumas igrejas que visam oferecer cultos ecumênicos voltados para o público homossexual.

No âmbito legislativo, o projeto de maior destaque foi o de Parceria Civil Registrada (PPCR ou PCR), que foi apresentado pela então deputada Marta Suplicy ao Congresso Nacional em 1995, em uma sessão de votação em que piadas homófobicas e ofensas pessoais à então deputada por parte de vários deputados não faltaram. A Bancada Evangélica se mostrou contra o projeto e depois de muito ser adiado, o PPCR foi engavetado e até hoje

aguarda votação. E os homossexuais não ligados ao ativismo nesta luta? Trevisan (2000) responde:

A mobilização de homossexuais em torno da Parceria Civil Registrada foi decepcionante, apontando para um baixo índice de consciência política. Isto só confirmava uma suspeita desanimadora, de que não existia relação proporcional entre o gueto homossexual expandido e o aumento da consciência dos seus direitos. (Trevisan, 2000:381).

Ainda no campo da política, desde 1993 vários candidatos vêm lançando plataformas que compreendem os direitos dos homossexuais, mas só em 1996 surgem alguns candidatos assumidamente gays. Nenhum deles consegue se eleger, mostrando a falência da idéia de “voto homossexual”. Apenas uma exceção: a candidata Kátia Tapeti, travesti assumida, líder comunitária, com marido e filhos adotivos, exercendo na sua cidade diversas funções - de parteira a dentista - é eleito o vereador mais bem votado de Colônia, no Piauí. No entanto, não parece que a vitória de Kátia tenha relação alguma como o fato dela ser travesti. Por outro lado, Trevisan (2000) levanta a hipótese de que boa parte dos votos que quase elegeram Marta Suplicy prefeita de São Paulo em 2000 teria sido de homossexuais.

A exemplo do que fez O Conselho Federal de Psicologia com a sua resolução 001/99, a Organização Mundial da Saúde retira o homossexualismo do Código Internacional de Doenças (CID). Portarias começam a garantir o direito a visitas íntimas por pessoas do mesmo sexo em presídios das grandes cidades. Os avanços são notórios, mais ainda incipientes, basta lembramos que o Brasil continua sendo o lugar onde mais se mata homossexuais no mundo. 11

Belgede DİYİH 2014 Yılı Raporu (sayfa 81-86)