2.3. İran ve Türkçe Öğretimi
2.3.3. İran'da Türkçe Öğretimi
2.3.3.3. Yabancı Dil Olarak Türkçe Öğrenen İranlılar ve Yazılı
A realidade educacional brasileira nos revela que as formas de regulação institucional estão se transformando de forma acelerada. As tecnologias da performatividade e, em um sentido mais amplo, as práticas disseminadas a partir do NPM (BALL, 2005) implicam o desenvolvimento de um modelo de gestão que, para além de alterar as práticas, penetram de forma avassaladora nas instituições com a lógica de criação de um novo sujeito. “A reforma [do setor público] não muda apenas o que fazemos. Ela também procura mudar aquilo que somos, aquilo que poderíamos vir a ser” (BALL, 2005, p. 546). Compreender, portanto, a dimensão dessas transformações e suas implicações na constituição das subjetividades dos(as) DMEs torna-se uma tarefa crucial para o enfrentamento das formas de sujeição, das formas de subjetivação; é um importante elemento na luta “contra aquilo que liga o indivíduo a si
mesmo e o submete aos outros (...) e, atualmente, as lutas contra as formas de sujeição – contra a submissão da subjetividade – estão se tornando cada vez mais importantes, a despeito das lutas contra as formas de dominação e exploração não terem desaparecido” (FOUCAULT, 2010, p. 278).
Ball (2004; 2005) argumenta que os processos gerados pelo NPM buscam criar uma cultura empresarial competitiva no setor público, incutindo uma performatividade que desempenha um papel fundamental na configuração das políticas públicas, pois permite que o Estado se insira profundamente nas culturas, práticas e subjetividades das instituições do setor público, fazendo com que o trabalho com o conhecimento das instituições educativas transforme-se em resultados, níveis de desempenho, formas de qualidade (BALL, 2004). Busca-se a introdução de modelos de gestão de empresas privadas no setor público. É uma mudança lenta e gradual. “O trabalho do gerente envolve incutir uma atitude e uma cultura nas quais os trabalhadores se sentem responsáveis e, ao mesmo tempo, de certa forma pessoalmente investidos da responsabilidade pelo bem-estar da organização” (BALL, 2005, p. 545).
Segundo Ball (2005), as mudanças não são direcionadas somente às organizações, mas introduzem mecanismos que visam transformar os profissionais do setor público. As reformas não mudam apenas o que fazemos, mudam o que somos. A partir dessa ideia, o autor define seu objetivo como sendo não as análises das estruturas e práticas, mas a reforma de relações e subjetividades (novos valores, novas identidades, novas formas de interação). “Na base disso tudo está o mito político eficiente que celebra a ‘superioridade’ da gestão do setor privado em ‘parceria’ com o Estado, sobre e contra a modalidade conservadora, burocrática e apática de administração do setor público” (BALL, 2004, p. 1117). Nesse modelo, surge um ator identificado com a figura do gestor, que traz consigo novas tecnologias da gestão pública, mas que, por outro lado, não abandona simplesmente um discurso centrado na universalidade de direitos; é, portanto, uma figura compósita, que carrega consigo as contradições e as tensões próprias de um processo de mudança de valores na gestão dos serviços públicos.
O que queremos destacar na análise da literatura selecionada são as implicações desse movimento de ideias sobre a constituição de subjetividades dos(as) DMEs. Para tanto, é necessário perceber de que forma essas noções, ideias e práticas são incorporadas em seus discursos.
Ao tratar das transformações políticas ocorridas em Portugal, Lima (2011) sinaliza tendências que dependem, de fato, de pesquisas empíricas relacionadas à realidade de cada país. Na busca de esclarecer a gênese das políticas públicas inspiradas no NPM, o autor
destaca a centralidade dos organismos internacionais, que faz com que estados nacionais integrem-se em dinâmicas transnacionais e supranacionais que os obrigam, através de tratados e convênios, a adotarem determinadas políticas, criando um ambiente de aparente adaptação ao ambiente político-educacional, muitas vezes aceito de forma naturalizada e despolitizada; a centralidade do Estado-nação, contudo, não foi afastada, mas reconvertida. O Estado passa a reconhecer como interlocutores novos setores da sociedade e novos parceiros oriundos do mercado, passando a “contratualizar novos processos de governação e provisão da educação, de organização curricular, de avaliação de alunos, professores e estabelecimentos de ensino, de organização e gestão das escolas” (LIMA, 2011, p. 3-4). O Estado, sob essa perspectiva, ainda é uma categoria analítica incontornável, pois atua, segundo o autor, como uma instância de metarregulação e supervisão.
Para Lima (2011), há uma relação tensa entre políticas e agendas globalmente estruturadas e as especificidades dos contextos locais de decisão; entretanto, seria possível identificar, nas palavras do autor, um “racional político-educativo dominante”, mas com grande capacidade de adaptação a contextos locais, o qual, não obstante, estaria, de fato, marcado pelo hibridismo. Lima (2011) designa esse conjunto de ideias como “cânone gerencialista na educação”; este está sob a influência do NPM, carregado de lógicas de ação do tipo empresarial, as quais “promovem o privado como política pública e subordinam a educação a objetivos econômicos, de empregabilidade, produtividade e competitividade, designadamente através dos discursos da qualidade e da excelência” (LIMA, 2011, p. 4). O autor apresenta uma extensa lista das características desse modelo, que pode ser utilizada como um referencial para se comprovar empiricamente como cada uma delas se efetiva ou não em contextos locais. Por fim, mesmo alertando para a necessidade de se evitarem generalizações simplificadoras do real, Lima (2011) argumenta que não seria possível estudar políticas educacionais de um país sem se considerarem as influências das orientações políticas de circulação internacional, o senso comum educacional.
Santos (2004) se propõe a analisar o processo no qual está sendo forjada a subjetividade docente, em que a performance se torna o ponto central para a ação do Estado avaliador. A partir das transformações no capitalismo, “se delineia uma nova arquitetura para o setor educacional, edificada a partir de critérios de eficiência e eficácia em consonância com os interesses do mercado” (SANTOS, 2004, p. 1146). Há no texto a argumentação de que existe um “estado avaliador”, surgido a partir de uma nova lógica de administração no setor público, oriunda do setor privado, garantindo a implementação de políticas de desempenho. Deve-se, no entanto, constatar até que ponto essas lógicas estão de fato presente nas ações
dos(as) DMEs. Trabalhamos com a hipótese de que essas novas tecnologias de gestão não geram apenas performatividade, mas geram, também, diferentes sociabilidades, que não estariam relacionadas apenas às lógicas de mercado.
Vieira, Hypolito e Duarte (2009) consideram que as condutas dos governos em relação à elaboração e implementação das políticas públicas oscilam entre o tradicional (neoconservadorismo) e o hipermoderno (neoliberalismo). Pensar as maneiras como os(as) DMEs transitam entre essas categorias apontadas pelos autores pode contribuir para a compreensão dos processos de constituição de suas subjetividades, pois são expressões de suas concepções, valores e escolhas.
O texto de Gillies (2010), ao analisar 16 sistemas educacionais europeus, problematiza de que forma o discurso da qualidade, com base em parâmetros de mercado, tem colonizado o discurso educacional nos países analisados. Termos como customização, clientes, missão, performance, excelência, dentre outros, oriundos do mundo empresarial, povoam o universo educacional. A forma como tais termos aparecem e em que contextos foi um dos aspectos analisados em nossa pesquisa, pois o estudo dos vocábulos utilizados aponta para valores e concepções de mundo, e, além disso, para as formas como esses mesmos termos são aclimatados às realidades locais.
Faria (2005) faz um breve mapeamento das formas de uso da avaliação e dos usuários em potencial dos estudos sobre avaliação de políticas públicas. Para o autor, a institucionalização da avaliação da atividade governamental na América Latina faria parte da última etapa do ciclo das políticas. Ele considera que há uma priorização dos aspectos mais técnicos da avaliação das políticas públicas, bem como uma ênfase em seu papel de instrumento gerencial, e que, sob a perspectiva do NPM, avaliadores acabam por se converter em auditores que privilegiam a medição de resultados. Ainda segundo Faria (2005), a avaliação das políticas públicas não teria despertado grande interesse na comunidade acadêmica, especialmente na ciência política e na sociologia, o que não ocorreria na seara da Administração Pública.
Para Faria (2005), há três dimensões do uso da avaliação: uma primeira instrumental, que serve de apoio às decisões e à busca de resolução de problemas; uma segunda conceitual, que teria uma função educativa; e uma terceira simbólica, que diz respeito ao uso político da avaliação. Em suas considerações finais, o autor destaca que a literatura especializada parece circunscrita ao modelo decisionista, com “ênfase quase exclusiva na utilização instrumental, intraburocrática, da avaliação das políticas públicas ou, quando muito, nas interações entre decisores, gestores e população beneficiária” (FARIA, 2005, p. 105). Para o autor, justamente
a literatura que adota o enfoque gerencialista é que acentua questões políticas mais abrangentes, como, por exemplo, o papel da avaliação na geração de accountability por parte dos agentes estatais. Em nosso estudo, buscamos nos informar como os(as) DMEs dos municípios selecionados fazem uso das avaliações em seus contextos de ação, visto ser um aspecto revelador de seus valores e concepções político-educacionais.