3. LOJİSTİK: TANIM VE KAVRAMLAR
3.1. Yük Akımı Kavramı ve Lojistik
Na tentativa de mostrar exemplos que possam contribuir com o desenvolvimento de novas práticas pedagógicas para o ensino superior, alguns autores têm realizado estudos que tem como propósito a formação multi, inter e transdisciplinar, em cursos de diversas áreas do conhecimento.
O programa de graduação em Ciência da Sustentabilidade da Universidade, de Tókio, é referência de iniciativa que mostra como os cursos de graduação estão buscando lidar com as questões da sustentabilidade de forma interdisciplinar e desenvolver as habilidades de seus alunos (YARIME et al, 2012). O programa é operado conjuntamente por seis departamentos distintos e esta estrutura interdepartamental permite ao programa oferecer um currículo que cobre uma variedade de disciplinas relacionadas à sustentabilidade, incluindo ciências naturais, ciências sociais e humanas.
O currículo do curso consiste em: (i) disciplinas com temas gerais e especializados, que abrangem questões-chave relacionadas à sustentabilidade; (ii) treinamento realizado no mundo real (real world training) e exercícios práticos visando a melhorar habilidades como comunicação, pensamento sistêmico, pesquisas sociais e análise de dados; e (iii) desenvolvimento de pesquisas realizadas pelos alunos por meio de dissertações de mestrado e testes de doutorado.
O curso fornece uma visão holística aos alunos e abordagens que permitem olhar para questões atuais da sustentabilidade, por meio de estudos de casos com variedade de problemas reais: conservação do Templo Horyuji, competição entre comida e energia, gerenciamento de áreas verdes, gerenciamento de recursos hídricos do nordeste da China, sistema de transportes da cidade de Kamakura, sendo que os estudantes ainda têm a oportunidade de visitar os locais onde os projetos serão desenvolvidos, aprendendo, na prática, como atuar com o pensamento sustentável, por meio das experiências vivenciadas.
Como a academia possui a tendência de priorizar um ensino fragmentado em vez de uma conexão e integração entre as perspectivas disciplinares, por meio dos estudos de caso desenvolvidos e vivenciados na prática no curso, os estudantes desenvolvem uma visão integrada
e, consequentemente, formam um novo ponto de vista e criam novas soluções para os problemas enfrentados (YARIME et al, 2012).
Complementando as ideias de Barbieri e Silva (2011), Yarime et al (2012) defendem que a interdisciplinaridade não é apenas uma combinação de abordagens disciplinares, mas também torna possível questionar as suposições criadas e reformular os problemas originais.
Tratando especificamente de cursos de graduação em administração, Demajorovic e Silva (2012), em um artigo sobre os desafios de incluir a sustentabilidade nos currículos dos cursos de administração, fazem uma análise da proposta pedagógica de um curso de administração com linha de formação específica em gestão ambiental.
Composto por um corpo docente com formação em diversas áreas do conhecimento, o curso exigia que todas as disciplinas dialogassem com as questões da sustentabilidade. Desde o primeiro semestre, já se buscava levar aos alunos algum conhecimento das ciências administrativas e socioambientais, bem como adotava, em sua estrutura curricular, uma variedade de conteúdos multidisciplinares, fazendo relação com os diferentes campos do conhecimento.
Demajorovic e Silva (2012, p. 59) salientam o fato da falta de aprofundamento em conceitos de administração por parte dos alunos deste curso, quando comparados aos cursos tradicionais, e observam a superficialidade na abordagem de outros temas importantes. Na tentativa de munir os futuros administradores com conhecimento sobre as questões da sustentabilidade, alguns professores acabam deixando de lado os temas essenciais das disciplinas de administração e focam apenas na sustentabilidade.
Corre-se o risco então de deixar de incluir a sustentabilidade de forma transversal e contínua nas disciplinas de administração, para torná-las disciplinas específicas de sustentabilidade, tratando a temática de forma pontual e contribuindo de forma periférica para uma transformação efetiva das propostas pedagógicas.
Os autores apostam que a colaboração e o diálogo entre os diversos campos do conhecimento constituem meios de construir uma formação interdisciplinar, sendo que interdisciplinaridade como base pedagógica pode integrar de forma mais efetiva os conteúdos disciplinares e responder aos desafios econômicos e socioambientais de uma sociedade cada vez mais complexa. Assim, a pesquisa confirmou que o desenvolvimento de práticas pedagógicas interdisciplinares colabora com a formação de um administrador mais comprometido com a sustentabilidade (DEMAJOROVIC; SILVA, 2012).
Autores como Izberk-Bilgin et al (2012) apresentam um modelo interdisciplinar para um curso de graduação em administração voltado para o desenvolvimento sustentável, baseado em uma abordagem team-teaching ou team-taught.
Essa abordagem está sendo muito utilizada pela Universidade de Stanford, na Califórnia, e consiste em um ensino cooperativo entre professores ou em um maior engajamento em tal ensino, de forma que propicie vantagens pedagógicas e intelectuais, como criar um ambiente de aprendizado dinâmico e interativo, instruir professores de maneira a pensar em modelos que perpassem dentro ou por meio das disciplinas e também inspirar novas ideias de pesquisa e parcerias intelectuais entre os professores. O objetivo de um curso team-taught, a partir do ponto de vista educacional, é levar os alunos a alcançar níveis mais elevados de síntese e integração, permitindo que participem de debates de alto nível intelectual (THE CENTER FOR TEACHING AND LEARNING, 2013).
No modelo apresentado por Izberk-Bilgin et al (2012), um grupo formado por oito escolas (de Negócios, Engenharia, Artes, Ciências, Letras, Biologia, Empreendedorismo Social e Arquitetura) se uniu para formar um time interdisciplinar que seria responsável pelo curso. Formado por oito módulos (sistemas econômicos ambientais, sistemas socioeconômicos, perspectivas sócio-administrativas, marketing, cadeia de suprimentos, tecnologia e energia, sistema de informação, e finanças), o curso buscavam fazer com que cada módulo tivesse relação com os desafios da sustentabilidade.
Como resultado, o estudo mostra que adotar uma abordagem multidisciplinar torna-se interessante para os alunos e a variedade de disciplinas agrega conhecimento ao curso e propicia diversos pontos de vista advindos de diferentes professores, além de revelar uma dinâmica maior de aprendizado.
Entretanto, alguns alunos apontaram como pontos fracos do curso a grande quantidade de professores e matérias, o que fez com que os alunos ficassem apenas na superficialidade do tema, sem aprofundar muito nas questões da sustentabilidade, e também alertaram para o fato de que a abordagem team-taught proposta não formava realmente um time, mas professores visitantes que não tinham ideia do que era abordado nos outros módulos (IZBERK - BILGIN et al, 2012).
A dificuldade citada no primeiro curso – falta de aprofundamento em conceitos de administração, em comparação aos cursos tradicionais, e superficialidade na abordagem de outros
temas importantes –, também encontrada no segundo (alguns tópicos foram lecionados de forma muito genérica), demonstram uma falta de integração e equilíbrio entre as disciplinas.
Nota-se que ambos os exemplos apresentados buscam uma abordagem multi e interdisciplinar em sua essência. No entanto, a grande dificuldade está em ser interdisciplinar de fato, ficando apenas no campo da teoria e não passando para o campo da prática.
Jacobi, Raufflet e Arruda (2011) defendem que incluir a sustentabilidade no currículo do ensino superior de forma holística, contínua, interdisciplinar, e não de forma independente e isolada, configura-se como um dos grandes desafios da educação para a sustentabilidade, pois se esbarra em toda uma estrutura curricular que temos nas universidades.
A promoção da interdisciplinaridade como uma condição para a educação da sustentabilidade tem encontrado muita resistência nas instituições, por razões tanto administrativas como pela relutância de os docentes formados em uma visão disciplinar se engajarem com a interdisciplinariedade e com abordagens mais práticas relacionadas com a educação para a sustentabilidade (Jacobi, Raufflet e Arruda, 2011, p,33).
Neste contexto, no qual a dificuldade de tratar a sustentabilidade de forma integrada, contínua e interdisciplinar está presente dentro das salas de aula, as instituições de ensino superior (IES) passam a desempenhar um papel fundamental na promoção da sustentabilidade, tanto em seus projetos de greening seus campi, incluem a sustentabilidade em suas práticas pedagógicas e transformam a universidade em um espaço de aprendizado para a sustentabilidade.
Recentemente, diversas IES têm aceitado os desafios da Educação para a Sustentabilidade, adotando políticas sustentáveis, modificando seus currículos e criando planos de gestão sustentáveis (RUPPEL, 2012).
Mas além das instituições de ensino, alguns autores defendem o envolvimento de diferentes stakeholders neste processo. Jacobi, Raufflet e Arruda (2011) colocam a inclusão e a participação de uma gama de stakeholders como um dos grandes desafios da educação para a sustentabilidade.
A participação de diferentes atores na promoção do ensino da sustentabilidade já é reconhecida na literatura. Aliado a este fato, existe o interesse de uma instituição financeira, um stakeholder externo à universidade como o Banco Santander, em promover ações que busquem fomentar práticas de ensino em prol da sustentabilidade. Sendo assim, torna-se interessante analisar o que os diferentes autores descrevem sobre o papel destes agentes no contexto da
educação para a sustentabilidade para compreender qual o intuito e o papel do Banco Santander em promover uma iniciativa como esta.