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Leta e Cruz (2003) estudaram a produção científica brasileira utilizando a bibliometria como ferramenta na construção e análise dos dados decorrentes da publicação brasileira presente na base ISI – Institute for Scientific Information. Esse estudo não utilizou as mesmas categorias do Collaborative Approaches to Research (2000), e sim as medidas de co-autoria com o objetivo de estimar a colaboração entre o Brasil e outros países.

Concluíram que houve crescimento absoluto da produção científica brasileira no período de 1980 a 2001; tal crescimento tem referência no esforço que foi empreendido pelo governo brasileiro nos últimos 50 anos.

Além disso, constatou-se o crescimento relativo da produção científica no mesmo período; essa participação tem sido em números superiores aos da produção científica de todos os países. Considerando sempre os que estão presentes no ISI, foi constatado também que alguns estados e instituições, na região sudeste principalmente, são responsáveis pela maioria das publicações que se encontram indexadas no ISI. Já em relação à qualidade das publicações, tendo como parâmetro as citações, mostrou-se uma tendência de crescimento no valor absoluto das mesmas refletindo, assim, no impacto crescente da ciência brasileira.

Os dados apontam para um crescimento geral da ciência brasileira; porém, somente os dados de co-autoria, citações coletadas através de estudos bibliométricos não são suficientes para a confirmação de que houve colaboração entre os autores. É necessário o uso de outras metodologias, como, por exemplo, entrevistas com os pesquisadores envolvidos na bibliografia analisada, análise de redes sociais tendo como ponto central a rede de assuntos que assim trarão novos subsídios para

análises de colaboração científica. Para compreendermos melhor o motivo pelo qual não devemos considerar apenas a co-autoria como sinônimo de colaboração científica, veremos a seguir quais são as várias razões para citar um trabalho.

Weinstock (1971) apud Brambilla et al (2006) enumerou em seu estudo 15 razões para citação: prestar homenagem aos pioneiros; identificar metodologias e equipamentos; oferecer leitura básica; retificar o próprio trabalho; retificar o trabalho de outros; analisar trabalhos anteriores; sustentar declarações; informar os pesquisadores de trabalhos futuros; dar destaque a trabalhos pouco disseminados, inadequadamente indexados ou desconhecidos; validar dados e categorias de fatos; identificar publicações originais nas quais uma idéia ou um conceito é discutido; identificar publicações originais que descrevam conceitos ou termos epônimos; dar crédito a trabalhos relacionados; contestar trabalhos ou idéias; debater a primazia das declarações de outros autores.

As razões para citação estão ligadas a questões psicológicas, sociológicas, políticas e históricas. É através da citação que o autor identifica novas metodologia que podem ser incorporadas em suas pesquisas, assim como também pode citar determinado autor somente por amizade, nesse caso seria uma homenagem. A identificação de publicações originais que trazem no seu bojo novos conceitos é um fato relevante para citação, pois aponta novidades para o campo científico. Como o campo científico é sempre um local de disputa, seja de ordem política, social ou intelectual, citar um trabalho para debater a primazia das afirmações de outros autores é um recurso utilizado, visto que o caminhar da ciência é pautado na afirmação ou refutação de teorias e metodologias. Outro ponto positivo para a citação é o destaque dado a trabalhos pouco disseminados ou que foram indexados de forma inadequada, ou até mesmo que não são conhecidos no meio acadêmico, sem nos esquecermos também de uma razão positiva da citação que é a validação dos dados e categorias de fatos. Portanto, ter somente a co-autoria como único indicador de colaboração entre os pares não é suficiente, pois como vimos, as razões são as mais diversas e passam principalmente por cunho psicológico e social.

Além desses dados de co-autoria revelados pela pesquisa, nesse mesmo estudo os autores verificaram quais áreas na base de dados ISI apresentavam maior índice colaborativo, o que trouxe o seguinte resultado: o crescimento da área de ecologia e meio ambiente – 1981 a 2000 – 630%, a área de maior representatividade na base foram as ciências agrárias – 3,07%. Comparando os totais brasileiros, as áreas que publicam mais são a física, com 17%; a clínica médica com 14,6% dos artigos indexados; e a química, com representatividade de 13,5%. A área de bibliotecas e ciência da informação não aparece na pesquisa, revelando o baixo impacto dessas pesquisas.

Os fatores que estavam presentes no período analisado são: variação dos números de pesquisadores e estudantes, de investimentos, do número de periódicos indexados no ISI e das taxas de colaboração.

Outro estudo que confirma a pouca visibilidade da ciência da informação nas bases de dados internacionais é mostrado no trabalho realizado por Mattos & Dias (2007). Os autores fizeram um estudo acerca da presença de artigos de autoria brasileira em periódicos internacionais no período de 1970 a 2006. Consideraram aqueles incluídos na categoria temática ciência da informação, para os autores a baixa visibilidade da ciência da informação brasileira se deve ao fato da barreira linguística e da baixa visão estratégica dos pesquisadores no momento da escolha dos periódicos onde pretendem publicar suas pesquisas.

Após leituras e verificação de estudos acerca de colaboração científica e impacto da ciência em bases de dados, verificamos que a barreira linguística não é o fator para que a ciência da informação não apareça na base de dados do ISI. A questão central é que a ciência da informação no Brasil reflete somente sobre seus problemas locais sem dialogar com o que está acontecendo no cenário internacional conjugando, assim, uma reflexão mais verticalizada do impacto do que ocorre no âmbito internacional e como há o diálogo entre esses dois pontos.

O interesse de pesquisa no âmbito internacional está relacionado à aplicabilidade dos estudos da ciência da informação no Brasil, ou seja, quais as novas metodologias e arranjos teóricos que são experimentados e que dão resultados de

vanguarda em pesquisas inéditas. E nos falta também um posicionamento estratégico no que diz respeito tanto à pesquisa quanto à publicação; a área não se mostra ainda madura nesses quesitos, tendo em vista que nos últimos anos tem se voltado para si como objeto de estudo produzindo, assim, revisões de literatura.

Diante do exposto e discutido acerca da produção colaborativa em todos os seus aspectos, a questão internacional exemplificada no relatório do Reino Unido e o contexto da produção científica brasileira, veremos no próximo capítulo os sistemas de colaboração científica com suas especificidades e sua contribuição no direcionamento do fluxo informacional na comunicação científica.