BÖLÜM II: BĠR SĠSTEM OLARAK ÇEVĠRĠBĠLĠM VE ÇEVĠRĠ
2.4. Çiçero‟nun Çeviri Yöntemiyle BaĢlayan ĠĢlevsel Çeviri AnlayıĢının GeliĢimi
2.4.8. Çeviri EleĢtirisi Kuramları
2.4.8.8. Werner Koller EĢdeğerlik Modeli
Destaca-se que foi aprovado e homologado recentemente o Parecer nº: CNE/CP 003/2004 Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnicos- Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana regulamentado o dispositivo na lei 10639/2003. Nessas Diretrizes fica claro o propósito de desconstruir os mitos que passam pela ideologia do branqueamento e pelo mito da democracia racial.
Tais Diretrizes apresentam que é necessário valorizar, divulgar e respeitar os processos históricos implementados pela resistência negra desde os que acontecem de formas individuais até as coletivas.
Essas propostas propõem também o rompimento com o ensino de História que vem sendo criticado desde o início desse trabalho, pois com sua implantação têm-se possibilidades de rompimento com as teorias racistas que ainda, em pleno século XXI, permeiam o ensino da disciplina de História e até mesmo de outras áreas de conhecimento. As Diretrizes Curriculares não é a solução definitiva para a superação das ideologias que desfavorecem a aceitação do pertencimento racial de afro-descendentes.
Não é a solução definitiva, mas acredito que possa servir como mais uma frente na luta contra as discriminações, racismo, muitas vezes, reafirmados em currículos e conteúdos escolares, que só beneficiam os interesses dos grupos que sempre estiveram no
poder e, em sua maioria, descendentes da etnia branca européia que não representam os povos indígenas, africanos e seus descendentes da diáspora.
A educação das relações étnico-raciais não é exclusividade da História, mas de todas as áreas de conhecimento, pois todas fazem História e podem contribuir para superação dos problemas que possam surgir na temática das relações étnico-raciais ligados ao ensino de todas essas áreas.
Com a proposta das Diretrizes Curriculares surge uma nova possibilidade para o ensino de História e outras disciplinas em todos os sentidos, pois a partir desta proposta pode-se evitar as distorções praticadas no ensino brasileiro e também em outras áreas do conhecimento, que acabam por prejudicar os afro-descendentes na aceitação de seu pertencimento racial, já que não apresenta seus antepassados de forma positiva, o que compromete a ação desse grupo na luta por seus direitos de cidadãos que deve acontecer com indígenas, asiáticos e europeus. Compreende-se que:
O parecer procura oferecer uma resposta, entre outras, na área da educação, à demanda da população afrodescendente, no sentido de políticas de ações afirmativas, isto é, de políticas de reparações, e de reconhecimento e valorização de sua história, cultura, identidade. Trata, ele, de política curricular, fundada em dimensões históricas, sociais, antropológicas oriundas da realidade brasileira, e busca combater ao racismo e a discriminações que atingem particularmente os negros. Nesta perspectiva, propõe à divulgação e produção de conhecimentos, a formação de atitudes, posturas e valores que eduquem cidadãos orgulhosos de seu pertencimento étnico-racial - descendentes de africanos, povos indígenas, descendentes de europeus, de asiáticos – para interagirem na construção de uma nação democrática, em que todos igualmente tenham seus direitos garantidos e sua identidade valorizada. (PARECER n.º: CNE/CP 003/2004, p.10)
Tal proposta mostra que para evitar as distorções é necessário uma articulação entre passado, presente e futuro no âmbito de experiências, construções e pensamentos produzidos em diferentes circunstâncias e realidades do povo negro. É significativamente privilegiado para a educação das relações étnico-raciais e têm por objetivos o reconhecimento e valorização da identidade, história e cultura dos afro- brasileiros, garantia de seus direitos de cidadãos, reconhecimento e igual valorização das
raízes africanas da nação brasileira, ao lado das indígenas, européias, asiáticas. (PARECER n.º: CNE/CP 003/2004 p.20)
Observa-se que os objetivos apresentados nessas Diretrizes visam a afirmação positiva dos afro-descendentes que foram prejudicados na constituição do que foi e do que é a sociedade brasileira. Por isso se propõe que:
O ensino de História Afro-Brasileira abrangerá, entre outros conteúdos, iniciativas e organizações negras, incluindo a história de quilombos, a começar pelo de Palmares, e de remanescentes de quilombos, que têm contribuído para o desenvolvimento de comunidades, bairros, localidades, municípios, regiões (Exemplos: associações negras recreativas, culturais, educativas, artísticas, de assistência, de pesquisa, irmandades religiosas, grupos do Movimento Negro). Será dado destaque a acontecimentos, realizações próprios de cada região, localidade. (PARECER n.º: CNE/CP 003/2004, p.21).
As propostas destacam avanços para o ensino de História por não se fecharem em uma perspectiva positivista da História, ou apenas que se limite ao horizonte das classes sociais, pois propõem tratar a partir da realidade cotidiana de pessoas e de fatos que passam pela historicidade dos afro-descendentes e de outros grupos prejudicados ao longo de nossa História.
Tal proposta aponta para que:
O ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana se fará por diferentes meios, em atividades curriculares ou não, em que: - se explicite, busque compreender e interpretar, na perspectiva de quem o formule, diferentes formas de expressão e de organização de raciocínios e pensamentos de raiz da cultura africana; - promovam-se oportunidades de diálogo em que se conheçam, se ponham em comunicação diferentes sistemas simbólicos e estruturas conceituais, bem como se busquem formas de convivência respeitosa, além da construção de projeto de sociedade em que todos se sintam encorajados a expor, defender sua especificidade étnico-racial e a buscar garantias para que todos o façam; - sejam incentivadas atividades em que pessoas – estudantes, professores, servidores, integrantes da comunidade externa aos estabelecimentos de ensino – de diferentes culturas interatuem e se interpretem reciprocamente, respeitando os valores, visões de mundo, raciocínios e pensamentos de cada um.(PARECER n.º: CNE/CP 003/2004, p 20)
Cabe destacar que as propostas apresentadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnicos-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana não são a solução definitiva para a superação das relações étnico-raciais tensas entre negros e brancos, pois essas Diretrizes Curriculares não garantem o rompimento com a visão de mundo predominante européia que, ao longo de cinco séculos, tem se sustentado principalmente pela educação aplicada nas escolas, que sempre reproduziram perspectivas únicas de História e cultura com bases no que se tem produzido na Europa.
Concluo ressaltando que a discussão das relações étnico-raciais deve acontecer entre negros, indígenas, asiáticos e brancos, sendo estes crianças, jovens, adultos ou idosos, onde quer que estes se encontrem, ou seja, nos terreiros de macumba ou candomblé e outros, nos templos cristãos católicos ou protestantes, nas mesquitas mulçumanas, nos templos budistas, nas escolas, nas famílias, no ambiente de trabalho, em todos os lugares que mantém-se relações com outras pessoas as quais nos identificamos ou não. Penso que há condições de construir o pertencimento étnico-racial favorável, diferentemente do que pode-se observar por meio do que se encontra na História oficial e no ensino desta, que valoriza apenas o sentimento de pertença de pessoas brancas e européias.