BÖLÜM II: BĠR SĠSTEM OLARAK ÇEVĠRĠBĠLĠM VE ÇEVĠRĠ
2.4. Çiçero‟nun Çeviri Yöntemiyle BaĢlayan ĠĢlevsel Çeviri AnlayıĢının GeliĢimi
2.4.6. Toury‟nin Betimleyici Kuramı
Apresento a concepção de História e de seu ensino que se faz presente nesta pesquisa. É importante dizer que enquanto disciplina, esta estuda a vida humana através do tempo. Ao propor estudar o que os homens fizeram, pensaram ou sentiram enquanto seres sociais compartilho com estudiosos da História como Le Goff (1924) e outros autores que dizem que ao estudar História, se adquire consciência da trajetória humana, consciência do que fomos, para transformar o que somos.
Neste sentido, o presente trabalho tem referencial conceitual na História Nova. A partir publicação dos Annales, a História deixa de ser uma disciplina que trata unicamente de ações políticas, para assumir as questões sociais, dessa maneira preocupa- se em entender a sociedade, as formas de sociabilidade, nos diversos tempos vividos pela humanidade. (DOSSE, 1950, p. 255-256).
Cabe lembrar que foi resistindo a mera explicação política dos fatos históricos e ampliando as análises econômicas, que surge o movimento dos Annales, que lança sua revista em 15 de janeiro de 1929, intitulada “Annales d’histoire économique et sociale”, tendo como fundadores os historiadores Marc Bloch e Lucien Febvre. Seus textos correspondiam aos períodos da História Antiga e Medieval, avaliando e seguindo o anunciado no título, questões econômicas, sociais e do quotidiano. (DOSSE, 1950, p.21-22).
Compartilho com a concepção da História Nova, porque a partir desta perspectiva surge a possibilidade de: homens, mulheres, negros, indígenas, jovens, idosos e idosas e outros inferiorizados historicamente de se verem enquanto agentes históricos,
partícipes do fazer da História de seu país, de sua cidade, de seu bairro, pois esta concepção histórico reconhece que todos fazem História.
Segundo Oliveira:
Está história dá voz aos segmentos populacionais então silenciados, através de fotos, diários, filmes, jornais, depoimentos”. Inclui também ai, a voz do pesquisador, porque sabe que a interpretação e a compreensão do emergir dos dados, passa pela sua visão de mundo. Oliveira (2002, pg.106)
Cabe dizer que ao reconhecer que as pessoas denominadas comuns são agentes históricos, a História Nova não rompe totalmente com a perspectiva da História positivista, pois não deixa de valorizar feitos de algumas pessoas, que na maioria das vezes são apresentadas como heróis.
Não abandonou a idéia da existência de hierarquias na sociedade, fundamentadas em relações de superioridade e inferioridade, o que conseqüentemente tenta fazer acreditar que há uma maior importância nas ações feitas por parte de algumas pessoas no fazer histórico.
Diante disso, destaco que o importante da perspectiva da História Nova é que ao aceitar que todas as pessoas fazem História, abre a possibilidade de rompimento com o eurocentrismo tão presente na História do Brasil e mesmo na História universal.
Acredito que com essa perspectiva surge a possibilidade de superação da História que tem por núcleo os “grandes homens”, desconsiderando os que não fazem parte de seu grupo que na maioria das vezes é constituído de homens e mulheres brancos, ricos e cristãos.
Daí a importância da História Nova para que se tenha uma melhor compreensão de como se dá à aceitação do pertencimento racial de negros. Por conta disso, a ênfase neste trabalho, na perspectiva da História Nova valoriza a micro-história, ao invés de ater-se à macro-história, que na maioria das vezes omite a participação das pessoas comuns tais como: negros, indígenas, mulheres, crianças, idosos, idosas e pobres,
no fazer histórico, favorecendo a história dos grupos detentores do poder que até agora exercem influencia na historiografia e no ensino de História, ainda em pleno século XXI.
A omissão persistente acerca da História das pessoas comuns ajuda a manter as tensões permanentes entre os diferentes grupos étnico-raciais na sociedade brasileira, que é fortemente influenciada pela historiografia oficial, a qual exclui, as pessoas comuns fazendo com que não se sintam e nem se vejam enquanto agentes ativos partícipes no fazer da História.
Saliento a importância da perspectiva da micro-história, aqui entendida conforme Levi (1992, pg.133) “A micro-história é essencialmente uma prática historiográfica
em que suas referências teóricas são variadas e, em certo sentido, ecléticas”.
Por conta disso, “... a micro-história em si nada mais é que uma gama de
possíveis respostas que enfatizam a redefinição de conceitos e uma análise aprofundada dos instrumentos e métodos existentes”. Levi (1992, p.135). Essa análise toma mais força
por conta de basear-se na observação, em análise microscópica de realidades e em um estudo intensivo do material documental. Levi (1992, p.136)
Ao adotar a corrente histórica na perspectiva da História Nova, não desconsidero as contribuições das concepções positivista e marxista de História.
Compartilho com Wedderburn (2005, p.134) Quando diz que “Como todas as
disciplinas humanísticas, a história é um campo movediço prestando-se a múltiplas distorções”.
Julgo necessário aqui destacar que as criticas por mim levantadas acerca da concepção positivista de História em vários momentos deste trabalho, não significam afirmação de que com ela, muitas vezes restrita a conteúdos que fazem referência a heróis, datas e outros, não se aprenda História.
O problema dessa concepção de História aparece nos dizeres de Oliva (2003, p.425): “Todos esses conteúdos eram apresentados com pouco ou nenhum perfil critico e
a dificuldade para que eu me vice na História, tal como apresentei no primeiro capítulo deste trabalho.
Outra concepção de História presente nas escolas é a que segue a perspectiva marxista a qual trata a História com uma abordagem das relações entre classes sociais. A essa visão teço critica por não trazer referências ao povo negro, restringindo suas condições de participação social a problemas econômicos vividos, ainda hoje por este grupo na sociedade brasileira.
É interessante observar que os problemas dos negros não estão restritos a questões econômicas, conforme muitos insistem em afirmar cotidianamente. Ao restringir-se a este entendimento, não se favorece a superação das ideologias de inferiorização, do preconceito racial e do racismo contra os negros.
Diante desse quadro compartilho com a posição de Borges quando fala que a História:
É a história do processo de transformação das sociedades humanas, desde o seu aparecimento na terra até os dias em que estamos vivendo. Desde o inicio, portanto, pode-se tirar uma conclusão fundamental: quer saibamos ou não, quer aceitemos ou não, somos parte da história e temos então todos, desde que nascemos, uma ação concreta a desempenhar nela. São os homens que fazem a História; mas, evidentemente dentro das condições reais que encontramos já estabelecidas, e não dentro das condições ideais que sonhamos. Eis aí a razão de ser, a justificativa da história,...o conhecimento histórico serve para nos fazer entender, junto com outras formas de conhecimento, as condições de nossa realidade, tendo em vista o delineamento de nossa atuação na história. (BORGES, 1980, p.45).
A Historia Nova possibilita o rompimento com a História dos “vencidos e
vencedores”, conforme se vê em (OLIVEIRA, 2001, p.107). Possibilitando assim atingir os
objetivos propostos nesta pesquisa que busca compreender como ocorre a aceitação ou não do pertencimento racial de alunos afro-descendentes a partir do que se conhece e se estuda no ensino da História.
Com essa perspectiva tem-se a possibilidade de superação da História tradicional por mim entendida conforme se vê em (Sharpe, 1992, p.40):
“Tradicionalmente, a história tem sido encarada, desde os tempos clássicos, como um relato dos fatos dos grandes. O interesse na história social e econômica mais ampla desenvolveu-se no século dezenove, mas o principal tema da história continuou sendo a revelação das opiniões políticas da elite”.
Segundo LE GOFF (1994, p.477). “A memória onde cresce a História, que por
sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro. Devemos trabalhar de maneira que a História sirva para a libertação e não servidão dos homens”. É
isto que desejo do ensino de História.
Não busco apenas contrapor a visão construída ideologicamente pela historiografia brasileira e universal em que são exaltados heróis, os feitos dos denominados
“grandes homens”. A História que valoriza aspectos econômicos como mais relevantes na
História, é preciso levar em consideração aspectos ligados a ideologias racistas, preconceituosas e discriminatórias que atingem ainda hoje os descendentes de africanos no Brasil, já passados mais de um século de abolição legal da escravatura.