İkinci Bölüm
2.3. ARAŞTIRMADA KULLANILAN VERİ TOPLAMA ARAÇLARI
2.3.2. Weinberger Uyum Envanteri
Este sistema é formado por três pontos localizados na rotatória da Avenida Aguanambi: o P12 corresponde ao exutório do Canal da Avenida Eduardo Girão, também conhecido por riacho Tauape; o P13 corresponde ao exutório do Canal da Avenida Aguanambi; e no P14 é onde está localizada a confluência entre os dois pontos, continuação do riacho Tauape que irá convergir com o rio Cocó após a Avenida Governador Raul Barbosa (Figura 53).
No APÊNDICE N, apresentam-se os resultados das análises da amostras de água coletadas nos pontos 12, 13 e 14.
Fonte: Fortaleza, 2003 e Google Earth Modificado, 2011. Figura 53 - Delimitação do sistema rotatória.
114 A temperatura não sofreu variação para nenhum desses pontos entre os dois períodos monitorados, o que pode ser devido os percursos destes canais serem totalmente descobertos e absorver grande quantidade de calor, mesmo no período chuvoso (Figura 54 a e b).
O P12 é onde se observa maior redução do pH dentre os três pontos que compõem o sistema (7,09 e 5,08 para os períodos seco e chuvoso, respectivamente). É visto que na quadra invernosa o valor encontrado é inferior ao limite mínimo legal, o que pode ser devido ao comprimento do canal da Avenida Eduardo Girão, de aproximadamente 2,2 Km (Google, 2011), constituindo o maior recurso macrodrenante dentro da sub-bacia B1 (Figuras 54 a e b) e assim o maior responsável em drenar grande quantidade de água pluvial, que possui valores baixos de pH devido à presença de ácido carbônico.
a
Fonte: Do Autor.
Figura 54 - Variação média da temperatura e pH ao longo do sistema Rotatória (a) durante o período seco (set- dez/2010) e (b) período chuvoso (jan-abr/2011).
115 Com relação aos sais dissolvidos (Figuras 55 a e b), o ponto 13 é o único onde se observa aumento do teor, no período chuvoso. O mesmo comportamento ocorre para os sólidos dissolvidos totais (513mg/L), que, em média, ultrapassam o padrão estabelecido pela legislação vigente (500mg/L). Em todos os pontos que compõem o sistema, ocorre o aumento dos íons cálcio e magnésio no período chuvoso. No entanto, no P13 é onde mais se observa esse incremento, mostrando que o canal da Avenida Aguanambi recebe teores de sais dissolvidos, possivelmente provenientes da construção civil. Com relação ao material em suspensão, é o P12 onde se constata maior incremento na quadra de inverno. Os valores de turbidez e sólidos suspensos totais aumentam na ordem de 512% e 60%, respectivamente, devido o P12 apresentar vazão superior ao P13. O mesmo comportamento ocorre no P14 (Figuras 56 a e b).
a
Figura 55 - Variação média dos sais dissolvidos ao longo do sistema da Rotatória (a) durante o período seco (set-dez/2010) e (b) período chuvoso (jan-abr/2011).
Fonte: Do Autor.
116 Quanto à matéria orgânica, o ponto 13 é onde há maior redução para as duas
frações, 23% para DBO5, 26% para DQO e juntamente com óleos e graxas que reduz 71%, e,
por isso, o oxigênio dissolvido passa de 4,9mg/L, no período seco, para 7,1mg/L, no período chuvoso, atendendo o limite estabelecido pela legislação vigente no último trimestre monitorado. No entanto, para os pontos 12 e 14, somente onde ocorre redução na quadra invernosa é para a fração inerte, devido a fração biodegradável permanecer inalterada. O oxigênio dissolvido permanece inferior ao limite mínimo ( 5mg/L). No P14, o teor de óleos e Figura 56 - Variação média de turbidez e sólidos suspensos totais ao longo do sistema da Rotatória, (a) durante o período seco (set-dez/2010) e (b) período chuvoso (jan-abr/2011).
a
Fonte: Do Autor
117 graxas praticamente não teve redução, o que é devido a um lançamento contínuo, de origem doméstica, bastante próximo ao ponto de coleta (Figura 57 a e b).
Dentre as frações nitrogenadas (Figura 58 a e b), os pontos que integram esse sistema apresentam comportamento bastante distinto. Os pontos 12 e 14 possuem elevado teor de amônia total, no período seco, ultrapassando o padrão vigente. No período chuvoso, ocorre a redução e seu respectivo enquadramento. No entanto, o P13 apresenta elevado grau de nitrificação, sendo o teor de nitrato de 7,456mg/L para o período seco e 10,533mg/L para o
b
Figura 57 - Variação média da matéria orgânica e oxigênio dissolvido ao longo do sistema da Rotatória (a) durante o período seco (set-dez/ 2010) e (b) período chuvoso (jan-abr/2011).
Fonte: Do Autor
118 período chuvoso, ultrapassando o padrão legal ( 10mg/L) no último período, indicando poluição antiga.
Nenhum ponto atende à legislação vigente para fósforo total ( 0,03mg/L). De acordo com as frações, é visto que é nos pontos 12 e 14 que há maior contribuição de esgoto sanitário, pois é onde se observam, em média, os maiores teores de polifosfato e fósforo orgânico. (Figura 59 a e b).
Figura 58 - Variação média das frações nitrogenadas ao longo do sistema da Rotatória, (a) durante o período seco (set-dez/2010) e (b) período chuvoso (jan-abr/2011).
a
Fonte: Do Autor.
119 Durante o período seco, existe maior quantidade de fitoplâncton nos canais (Figura 60a). Somente no P14 ocorre incremento no teor de clorofila “a” no período chuvoso, mostrando que algum agente tóxico inibidor do seu crescimento pode ter efeito de diluição. No entanto, nenhum valor ultrapassa o padrão legal (Figura 60b).
Figura 59 - Variação média das frações fosfatadas ao longo do sistema da Rotatória, (a) durante o período seco (set-dez/2010) e (b) período chuvoso (jan-abr/2011).
Fonte: Do Autor
a
120 Quanto à colimetria, todos os pontos encontram-se bastante impactados durante os
dois períodos monitorados. O teor mínimo encontrado para CTT e Ec ficou na ordem de 104
NMP/100mL, enquanto que o limite para balneabilidade é de 1000NMP/100mL (Figura 65 a e b).
a
Fonte: Do Autor
Figura 60 - Variação média de clorofila “a” ao longo do sistema da Rotatória (a) durante o período seco (set- dez/2010) e (b) período chuvoso (jan-abr/2011).
121 a
Figura 61 - Variação média da colimetria ao longo do sistema da Rotatória (a) durante o período seco (set- dez/2010) e (b) período chuvoso (jan-abr/2011).
Fonte: Do Autor
122
5.4 Avaliação do Índice de Estado Trófico dos Dois Principais Ecossistemas Lênticos Integrantes da Sub-bacia B1 (Lagoa do Opaia e Lagoa do Porangabussu)
A avaliação temporal do IET médio para os dois índices determinados é apresentada nas Figura 62 a e b. As estatísticas descritivas estão nas Tabelas 16 e 17, e os resultados encontrados para os pontos de amostragem são apresentados na Tabela 15 (Ver página 126).
Toledo Lamarelli Toledo Lamarelli Toledo Lamarelli Toledo Lamarelli Toledo Lamarelli Toledo Lamarelli Toledo Lamarelli
IET (Transp) 81 91 79 88 70 79 68 77 66 75 81 91 72 81 IET (PT) 86 80 88 81 84 79 91 82 67 72 80 77 77 76 IET (Cl"a") - - 69 69 - - 64 67 - - 78 74 79 74 IETM 84 83 78 78 80 79 75 75 67 73 79 78 77 77 IET (Transp) 77 86 76 86 70 79 74 83 66 75 76 85 66 75 IET (PT) 89 81 89 81 82 78 87 80 76 76 90 82 77 76 IET (Cl"a") - - 66 68 - - 83 77 - - 76 73 74 72 IETM 85 83 77 77 78 78 83 79 73 75 82 79 74 74
LEGENDA: Índice de Estado Trófico calculado a partir do valor de transparência. Índice de Estado Trófico calculado a partir do valor de fósforo total. Índice de Estado Trófico calculado a partir do valor de Clorofila "a". Valor Médio do Índice de Estado Trófico.
P1
P7
set/10 out/10 nov/10 dez/10
IET (PT) IET (Cl"a") IETM PERÍODO SECO IET (Transp) PERÍODO CHUVOSO
jan/11 mar/11 abr/11
Tabela 15 - Classificação do estado trófico da lagoa do Opaia e Porangabussu através do IET de Carlson modificado por Toledo Júnior e IET de Lamparelli, no período de set/2010 a abr/2011.
123
Média Mediana DesvPad CV (%) Mín Máx n Média Mediana DesvPad CV (%) Mín Máx n
IET(Transp) 75 75 6,5 8,7 68 81 4 73 72 8,0 10,9 66 81 3 IET(PT) 87 87 2,8 3,2 84 91 4 75 77 6,5 8,7 67 80 3 IET(Cl"a") 66 66 3,4 5,1 63,9 69 4 78 78 1,0 1,2 78 79 3 IETM 75 76 2,8 3,8 72 78 4 68 71 8,0 11,8 59 74 3 IET(Transp) 74 75 3,4 4,5 70 77 4 69 66 5,8 8,4 66 76 3 IET(PT) 61 59 6,0 9,8 56 70 4 57 61 9,3 16,3 46 64 3 IET(Cl"a") 87 88 3,6 4,1 82 89 4 81 77 7,9 9,8 76 90 3 IETM 74 74 12,4 16,6 66 83 4 75 75 1,5 1,9 74 76 3
LEGENDA: Índice de Estado Trófico calculado a partir do valor de transparência. DesvPad Desvio Padrão
Índice de Estado Trófico calculado a partir do valor de fósforo total. CVCoeficiente de Variação Índice de Estado Trófico calculado a partir do valor de Clorofila "a". Mín Mínimo
Valor Médio do Índice de Estado Trófico. Máx Máximo
n Números de amostragens P1
PERÍODO SECO PERÍODO CHUVOSO
P7
IET (Transp) IET (PT) IET (Cl"a") IETM
Tabela 16 - Estatística descritiva dos IET estabelecido por Carlson modificado por Toledo Júnior analisados mensalmente nas lagoas do Opaia e Porangabussu no período de set/2010 a abr/2011.
124
Tabela 17 - Estatística descritiva dos IET estabelecido Lamparelli analisados mensalmente nas lagoas do Opaia e Porangabussu no período de set/2010 a abr/2011.
Fonte: Do Autor.
Média Mediana DesvPad CV (%) Mín Máx n Média Mediana DesvPad CV (%) Mín Máx n
IET(Transp) 84 84 6,5 7,8 77 91 4 82 81 8,0 9,7 75 91 3 IET(PT) 80 80 1,2 1,5 79 82 4 75 76 2,7 3,6 72 77 3 IET(Cl"a") 68 68 1,7 2,4 67 69 4 74 74 0,5 0,6 74 74 3 IETM 79 78 3,4 4,4 75 83 4 76 77 2,8 3,7 73 78 3 IET(Transp) 84 84 3,4 4,0 79 86 4 78 75 5,8 7,4 75 85 3 IET(PT) 80 81 1,5 1,9 78 81 4 78 76 3,3 4,3 76 82 3 IET(Cl"a") 72 72 6,0 8,4 68 77 4 73 73 0,7 1,0 72 73 3 IETM 79 79 2,7 3,4 77 83 4 76 75 2,4 3,2 74 79 3
LEGENDA: Índice de Estado Trófico calculado a partir do valor de transparência. DesvPad Desvio Padrão
Índice de Estado Trófico calculado a partir do valor de fósforo total. CVCoeficiente de Variação Índice de Estado Trófico calculado a partir do valor de Clorofila "a". Mín Mínimo
Valor Médio do Índice de Estado Trófico. Máx Máximo
n Números de amostragens PERÍODO CHUVOSO P1 P7 IET (PT) IET (Cl"a") IETM IET (Transp) PERÍODO SECO
125 A classificação do IET(m) de Carlson modificado por Toledo Júnior, para as duas lagoas, ao longo de todo o período monitorado, é enquadrada como eutrófica (IET > 55), sendo a classificação máxima proposta para essa metodologia. O maior valor de IET (m) para a lagoa do Porangabussu foi observado no mês de dezembro (78), justamente no único mês em que foi evidenciado mortandade de peixes. Com a quadra invernosa, ocorre redução nos valores dos índices, porém não é suficiente para haver mudança na classificação (Figura 62a).
O IET (m) de Lamparelli classifica as duas lagoas como hipereutrófico para todos os meses monitorados. Esse mesmo comportamento foi evidenciado nessas lagoas no estudo realizado por Sales (2010). Os valores médios obtidos por Sales (2010) no período de agosto de 2010 a julho de 2007 é inferior aos valores médios encontrado nesse estudo, demonstrando que esses ecossistemas estão recebendo maior aporte de efluentes de origem antropogênica. A lagoa do Porangabussu, no período seco, apresenta comportamento diferente quando comparada com IET(m) de Carlson modificado por Toledo Júnior. O IET (m) de Carlson modificado por Toledo Júnior aumenta gradativamente do mês de outubro para dezembro, enquanto que o IET(m) de Lamparelli tem os menores valores nos meses de outubro e dezembro. No período chuvoso, ocorre também a redução dos valores IET(m) de Lamparelli, porém em menor amplitude do que foi evidenciado por Toledo Júnior (Figura 62b).
De acordo com os dois índices avaliados, os dois principais ecossistemas lênticos integrantes da sub-bacia B1 (lagoa do Opaia e Porangabussu) estão em acelerado processo de eutrofização, mostrando que, apesar de serem enquadrados em níveis diferentes, não há diferença, pois ambos ocupam a classificação máxima proposta por cada metodologia. O mesmo comportamento foi evidenciado na lagoa da Parangaba, por Oliveira (2010).
126 Fonte: Do Autor
Figura 62 - Classificação das lagoas do Opaia e Porangabussu através da aplicação do Índice do Estado Trófico (a) de Carlson modificado por Toledo Júnior e (b) de Lamparelli.
b a
127