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1.2. KÜLTÜREL BAĞLAMDA OTOBİYOGRAFİK BELLEK

1.2.2. Sosyal Kimlik ile Özdeşleşme

Segundo Botelhos (1999), considerar a bacia hidrográfica como elemento natural de análise da superfície terrestre permite analisar de forma indissociada o complexo sistema de relações existentes entre os diversos componentes da paisagem e seus processos de esculturação.

De acordo com Mota (2006):

Uma bacia hidrográfica pode ser entendida como a área geográfica que drena suas águas para um determinado recurso hídrico principal. Geralmente, é constituída por um recurso hídrico principal, que recebe água de seus afluentes, os quais podem integrar sub-bacias. É uma área com limites definidos, composta pelos recursos hídricos, solo, vegetação, meio construído pelo homem (antrópico) e por outros componentes ambientais.

Segundo Boscardin (2008), os sistemas urbanos são caracterizados por elevada densidade populacional aliados aos processos biofísicos com origem e alcance muito maior do que a área urbana demarcada.

33 Bacias e microbacias hidrográficas são unidades obrigatórias para a abordagem do planejamento urbano, na medida em que os resíduos gerados pelas aglomerações urbanas interferem na vida de todos os usuários da mesma bacia (MARICATO, 2001; Von SPERLING, 2005) como é ilustrado pela Figura 1.

FONTE: von Sperling, 2005.

A cidade origina uma das maiores alterações da paisagem produzidas pelo homem, através da dinâmica da própria natureza, através do jogo de relações de forças naturais, sócio-econômicas e culturais. As águas urbanas tornaram-se um dos recursos naturais mais deteriorados ambientalmente. A Tabela 3 expõe os principais impactos nas águas urbanas durante diversas fases do processo de urbanização (BRAGA, 2003; COGERH, 2010; TUCCI, 2008).

Figura 1 - Interferência na qualidade de água a partir do uso e ocupação do solo de uma determinada bacia hidrográfica.

34 FONTE: Tucci, 2008

De acordo com Tucci (2008), Tundisi (2005); Rebouças (2003), infelizmente, no Brasil os quadros sanitários são os mais vexatórios do mundo, a água é ainda de má qualidade, ocasionada pela falta de tratamento de esgoto e ausência no controle dos resíduos sólidos. Determinadas regiões do país e muitas populações locais sofrem com o empobrecimento devido à degradação da qualidade da água. Desse modo, o Brasil ainda se caracteriza na fase higienista, enfrentando impactos em níveis nunca imaginados.

Antigamente, as bacias hidrográficas eram detentoras de um rico ecossistema circunvizinho e os componentes naturais encontravam-se em constante equilíbrio. Com o aumento da população, uso intenso dos recursos naturais e má ingerência da ocupação sobre a região atualmente habitada, o meio ambiente encontra-se em evidente risco de desequilíbrio ecológico. Por isso, a importância das bacias e de sua preservação (FORTALEZA, 2009a).

É necessário a gestão adequada da bacia hidrográfica urbana integrada com a ordenação do processo do uso e ocupação do solo, visto que esses instrumentos de gerenciamento se revelam imprescindíveis, dada a própria e evidente escassez de tais ecossistemas hídricos urbanos (BRAGA, 2003; FORTALEZA, 2009a).

Tucci (2008) afirma que na gestão do ambiente os condicionantes externos buscam evitar os impactos e/ou minimizar e melhorar a qualidade da água no conjunto da bacia, além das condicionantes internos que tratam de evitar os impactos à população da

FASE CARACTERÍSTICAS CONSEQUÊNCIAS

Pré-higienista

até inicio do século XX

Esgotos em fossas ou na drenagem, sem coleta ou tratamento e água da fonte mais próxima, poço ou rio.

Doenças e epidemias, grande mortalidade e inundações

Higienista: antes de 1970

Transporte de esgoto distante das pessoas e canalização do escoamento

Redução das doenças, mais rios contaminados, impactos nas fontes de águas e inundações

Corretiva:

Entre 1970 e 1990

Tratamento de esgoto doméstico e industrial, amortecimento do escoamento

Recuperação dos rios, restando poluição difusa, obras hidráulicas e impacto ambiental

Desenvolvimento sustentável: Depois de 1990

Tratamento terciário do escoamento pluvial, novos desenvolvimentos que preservam o sistema natural.

Conservação ambiental, redução das inundações e melhoria da qualidade de vida Tabela 3 - Fases do desenvolvimento das águas urbanas.

35 própria cidade. Para esses dois espaços existem gestores, os instrumentos utilizados e as metas da gestão, como estão descritos na Tabela 4.

Fonte: Tucci, 2008

O Plano Diretor do município de Fortaleza dividiu a área natural em quatro bacias hidrográficas, Bacia A – Vertente Marítima; Bacia B – Rio Cocó; Bacia C – Rios Maranguapinho e Ceará e Bacia D – Rio Pacoti, as quais, juntas, somam uma extensão de 336 km2 (FORTALEZA, 2008).

O Plano Diretor Participativo do município de Fortaleza (Lei Nº 62, 02/02/09), sobre o monitoramento dos recursos hídricos, propõe:

Artigo 22 - São ações estratégicas do monitoramento dos recursos hídricos: I — conservar os recursos hídricos superficiais e subterrâneos visando ao aumento da sua disponibilidade, desenvolvendo ações capazes de prevenir a escassez e a diminuição da qualidade da água nos mananciais;

II — recuperar, revitalizar, preservar e conservar, de forma integrada, as bacias hidrográficas que drenam o território municipal[...];

A qualidade e a quantidade da água dos recursos hídricos dependem dos usos e atividades que se desenvolvem em sua bacia hidrográfica, sendo necessário um plano de gestão que englobe os recursos hídricos, ambientais e o meio antrópico. Só assim, é possível melhorar a qualidade e a quantidade das águas que integram a bacia (MOTA, 2008).

ESPAÇO DOMÍNIO GESTORES INTRUMENTOS CARACTERÍSTICAS

Bacia Hidrográfica Estado ou Governo Federal

Comitês ou

Agências Plano de Bacia

Gestão da quantidade e da qualidade da água nos rios da bacia hidrográfica, sem transferir impactos

Município Município ou região metropolitana Município

Plano Diretor Urbano e Plano Integrado de Esgotamento, Drenagem Urbana e Resíduos Sólidos

Minimizar os impactos dentro das cidades, nas pequenas bacias urbanas e não transferir para o sistema de rios Tabela 4 - Espaço de gestão das águas urbanas

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