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1.2. KÜLTÜREL BAĞLAMDA OTOBİYOGRAFİK BELLEK

1.2.3. Kültürleşme Tutumları

Lagoas são corpos d’água rasos, podendo ser de água doce, salobra ou salgada, em que a incidência solar pode alcançar o sedimento, possibilitando, conseqüentemente, o crescimento de macrófitas aquáticas em toda sua extensão (ESTEVES,1998).

40 As lagoas desempenham importantes funções ecológicas no meio ambiente, além das funções sócio-econômicas. Ecologicamente, funcionam como importantes áreas de drenagem. Por estarem localizadas em níveis de base, elas reduzem os impactos provocados pela inundação, minimizam o superaquecimento do ar atmosférico, compõem a paisagem natural, além de serem "habitat" de inúmeras espécies da fauna e da flora (COGERH, 2010).

Segundo COGERH (2010), socialmente as lagoas geram diversas atividades, sendo algumas de cunho estritamente social e outras econômicas, como a pesca, a irrigação, a lavagem de roupas, a navegação esportiva, o lazer e a recreação. A Figura 3 ilustra algumas das principais utilizações desses ecossitemas urbanos.

A principal fonte de poluição desses ecossistemas urbanos se dá através de lançamentos de esgotos domésticos, comerciais e industriais, sem qualquer tratamento, ricos em matéria orgânica, materiais suspensos e compostos tóxicos. Adentram essas lagoas e canais através das galerias pluviais ou de forma difusa, por ligações clandestinas (Figura 4).

Fonte: Do Autor

41 Além destes impactos, também é observada a disposição inadequada de resíduos sólidos nas margens das lagoas e canais, como lixo doméstico, resíduos de construção civil e outros materiais dispostos inadequadamente pela população. Além de assorear a lagoa, reduzindo o tamanho de seu espelho de água, também são fonte de alimento para insetos e outros animais vetores de doenças que se encontram entre as principais endemias urbanas nacionais, como a dengue (FORTALEZA, 2008a).

Conforme Fortaleza (2008a), as principais causas relacionadas aos problemas com os resíduos sólidos no entorno das lagoas são: a rede insuficiente de coleta de lixo na cidade de Fortaleza, afetada principalmente pela falta de acesso ao interior de áreas de ocupação irregular; ineficiência na fiscalização de obras irregulares no meio urbano; falta de locais adequados para a disposição do lixo, como lixeiras nas calçadas; e a falta de educação da população em geral, que ainda tem o hábito de jogar lixo nas ruas e praças da cidade (Figura 5).

A mata lacustre ou mata ciliar praticamente não existe. As áreas de preservação do meio urbano encontram-se ocupadas. No entanto, o que cresce é uma pequena faixa de vegetação arbórea que, devido às ótimas condições hídricas e solos, desenvolve-se às margens dos rios, riachos e lagoas de Fortaleza (FORTALEZA, 2003).

Fonte: Do Autor

Figura 4 - Fonte de poluição difusa a partir de lançamento de esgotos (a) origem comercial e (b) origem residencial.

42 Além da poluição e urbanização inadequada do entorno das lagoas, a falta de segurança limita a utilização das lagoas como espaço público destinado a prática de atividades culturais, esportivas e de lazer (FORTALEZA, 2008a).

3.4.4.1 Lagoa do Porangabussu

A lagoa do Porangabussu está situada na porção centro-oeste de Fortaleza (Figura 6). A partir desta, origina-se o riacho Tauape, sendo considerado um dos principais cursos macrodrenantes da sub-bacia B-1, com um percurso aproximado de 5,46km, desaguando na margem esquerda do rio Cocó, a cerca de 3,5km da sua foz e atualmente encontra-se com maior parte canalizado a céu aberto.

Segundo Fortaleza (2007a), a lagoa está localizada no bairro Rodolfo Teófilo, pertencente à regional III, possuindo espelho d’água de 985m2, perímetro de 1.465m, profundidade mínima de 0,37m e máxima de 4,21m e armazena um volume de 155,17m3.

O sistema de alimentação da lagoa é predominantemente pluvial. Sangra através de um canal impermeabilizado denominado Canal do Tauape, desaguando posteriormente no rio Cocó. (COGERH, 2010)

Fonte: Do Autor

Figura 5 - Disposição inadequada de resíduos sólidos na área da sub-bacia B1: (a) Disposição realizada pelos próprios moradores e (b) Presença de resíduos sólidos ao longo do Canal do Tauape.

43 Fonte: Google Earth, 2009

Por um longo período, a lagoa do Porangabussu esteve em completo estado de abandono. A população não conseguia enxergar o espelho d’água por estar coberto por macrófitas aquáticas e lixo. Em 2005, foi realizada uma grande limpeza, a qual resultou no recolhimento de toneladas de resíduos sólidos e aguapés (Figura 7) (PMF, 2009).

Figura 6 - Vista da lagoa do Porangabussu.

Fonte: Fortaleza, 2007

Figura 7 - Situação da lagoa do Porangabussu (a) antes da limpeza e (b) após a limpeza.

44 Em 2007, houve uma parceria entre a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Controle Urbano (SEMAM) e a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE), as quais, conjuntamente, realizaram a limpeza das galerias de águas pluviais e a vistoria de toda a rede de drenagem localizada no entorno da lagoa, havendo a desobstrução de 2,3km de galerias de drenagem, com a construção de 107m de novas galerias. Além disso, foram fechadas 1.812 ligações clandestinas de esgoto que desaguavam no manancial (PMF, 2009).

Devido a esses lançamentos diários, advindos de residências, comércios e hospitais, foi registrado, pelo estudo batimétrico realizado pelo LABOMAR/UFC, em 2007, que a lagoa possuía inúmeros bancos de areia, sendo mais evidente próximo às galerias (ANEXO C).

Em 05 de junho de 2009, foi inaugurada a urbanização da lagoa do Porangabussu, possuindo a seguinte estrutura: anfiteatro, dois quiosques para educação ambiental, três quadras de esporte, pista de skate, um playground, área de ginástica e o calçadão para a prática de cooper, além de uma cabine da guarda para garantir a segurança dos freqüentadores; e ainda houve a reconstituição da flora com espécies locais; construção de limites físicos (calçadas e gradis), respeitando o fluxo e refluxo da lagoa, sem obstruir a visão da paisagem (PMF,2009).

3.4.4.2 Lagoa do Opaia

A lagoa do Opaia localiza-se na sub-bacia B-1, próxima ao antigo Aeroporto Internacional Pinto Martins (Figura 8), sendo alimentada por pequenos córregos que formam sua bacia de drenagem. Suas margens acham-se parcialmente preservadas pela implantação do Parque Opaia (VIANA, 2000; FORTALEZA, 2003).

De acordo com Fortaleza (2007a), a lagoa está localizada no bairro Vila União, pertencente à regional IV. O espelho d’água possui extensão de 1100m2, seu perímetro é de 1455m, a profundidade mínima é de 0,37m e a máxima de 3,10m, e possui volume de 209,63m3.

45 Um dos maiores problemas da área é que somente a região leste da lagoa não é dotada de sistema de esgotamento sanitário (Figura 9). A ausência de rede de esgotos obriga a construção de fossas sépticas nas residências ou, em muitos casos, ocorre o aparecimento de esgotos a céu aberto, pelo lançamento direto dos dejetos nas ruas ou esses efluentes adentram o corpo d’água através de ligações clandestinas pelo sistema de drenagem – via galeria pluvial (COGERH, 2010; FORTALEZA, [entre 2005 e 2008])

Fonte: Google Earth, 2009

46 Fonte:Fortaleza, [entre 2005 e 2008].

A lagoa possui diversos usos. As crianças da própria área a utilizam para fins recreativos, sendo usada, também, para fins socioeconômicos - a pesca é praticada por moradores locais e de outros bairros, servindo de subsistência; a água da lagoa tanto serve para a lavagem de roupas e animais como é retirada em caminhões pipa a serviço da PMF, com a finalidade de irrigar as plantas e os canteiros de praças e vias públicas da cidade (COGERH, 2010).