1.2. KÜLTÜREL BAĞLAMDA OTOBİYOGRAFİK BELLEK
1.2.5. Otobiyografik Bellek ve Kültürel Değişkenler
No sistema do Porangabussu foram coletadas amostras em: sangradouro da lagoa do Porangabussu (P1), localizado na microbacia B1.1, e o riacho sangradouro da lagoa (P5), inserido na microbacia B1.3 (Figura 21). O sangradouro da lagoa do Porangabussu segue canalizado até a avenida Eduardo Girão.
Os resultados das análises nesses dois pontos de coleta constam no APÊNDICE H.
Fonte: Fortaleza, 2003 e Google Modificado, 2011. Figura 21 - Localização do sistema Porangabussu.
79 Na Figura 22b mostra que no período chuvoso a temperatura sofre redução, em média, de 2°C para os dois pontos. Devido o curso do riacho ser totalmente descoberto e apresentar pouca vazão, a sua temperatura (P5) é sempre superior ao sangradouro do Porangabussu (P1), independente do mês monitorado. Em ambos os pontos ocorre redução dos teores de cor verdadeira devido à diluição ocasionada pela intensa precipitação. No período seco (Figura 22a), os valores de turbidez são sempre maiores no sangradouro da lagoa (40 NTU, em média), o que é explicado pela maior presença da biomassa algal (36,2 µg/L e 14,5µg/L, para os pontos P1 e P5, respectivamente); no entanto, com as chuvas esse comportamento se inverte, os valores de turbidez no riacho ultrapassam o da lagoa, devido à ausência de mata ciliar ao longo do percurso, que, juntamente com a disposição de resíduos em suas margens, contribuem sensivelmente para esse incremento (P1 = 27NTU e P5 = 35NTU). No período chuvoso, os valores de pH reduzem-se nos Ponto 1 (de 8,15 para 7,15) e Ponto 5 (de 7,50 para 6,33), por haver maior disponibilidade de ácido carbônico nas chuvas e pela diminuição da atividade fotossintética. Toda a alcalinidade corresponde à fração de bicarbonatos.
80 Os teores de condutividade elétrica, sólidos dissolvidos totais e cloretos concentram-se ao longo do sistema para os dois períodos estudados (Figuras 23 a e b). Esse mesmo comportamento foi evidenciado por Girão (2007) no rio Jaibaras, o qual é decorrente de ações antrópicas, como o lançamento de efluentes sanitários, que possui elevado teor de cloretos devido ao sal utilizado no preparo dos alimentos. As concentrações de sais dissolvidos aumentam no período chuvoso; no entanto, em média, no P5 o valor de sólidos dissolvidos totais ultrapassa o padrão estabelecido pela legislação vigente (500mg/L).
Fonte: Do Autor
Figura 22 - Variação média dos parâmetros físicos ao longo do sistema do Porangabussu (a) durante o período seco (setembro a dezembro de 2010) e (b) durante o período chuvoso (janeiro a abril de 2011).
a
81 Com relação à matéria orgânica (Figura 24 a e b), é visto que, ao longo do trecho, no período seco, a fração biodegradável diminui, em média, cerca de 26%, acompanhada da DQO, que reduz em 28%. No entanto, o teor dos óleos e graxas sofre leve incremento de 3%.
No período chuvoso ocorre a redução dos valores de DBO5 e DQO, porém as concentrações
de DBO5 (P1 = 12mg/L e P5 = 14mg/L) continuam acima do limite legal ( 5mg/L). Os óleos
Fonte: Do Autor.
Figura 23 - Variação média dos sais dissolvidos ao longo do sistema do Porangabussu (a) durante o período seco (set - dez/2010) e (b) período chuvoso (jan-abr/11).
b a
82 e graxas sofrem diluição no período chuvoso, no entanto recebem maior contribuição ao longo do sistema (P1 = 13,8mg/L e P5 = 21,9mg/L), acompanhado do teor de DQO, que concentra em torno de 35% e DBO, apenas, 17%. Logo, a origem desses óleos e graxas é mineral, o que é justificada pela presença de postos de gasolina, estacionamento de ônibus, várias oficinas mecânicas e revendas de carro situados ao longo do canal.
a
Fonte: Do Autor
Figura 24 - Variação média da matéria orgânica ao longo do sistema do Porangabussu (a) durante o período seco (set-dez/2010) e (b) durante o período chuvoso (jan-abr/11) .
83 Com relação às frações nitrogenadas (Figura 25 a e b), a amônia e o nitrato apresentam o mesmo comportamento para os dois períodos, concentrando-se ao longo do percurso, apesar de sofrer diluição com as chuvas. É notório que no canal (P5) ocorre o processo de nitrificação, pois o teor de nitrato aumenta significativamente nos dois períodos. Nesse mesmo ponto, o valor de amônia aumenta em menor proporção, pois uma parte é convertida a nitrato e a outra é obtida por lançamentos de esgoto doméstico próximo ao ponto de amostragem. Nos meses de novembro/10 (11,078 mg N/L) e março/11 (10,950 mg N/L) os teores de nitrato no canal ultrapassam o padrão estabelecido pela legislação vigente (10mg N- NO3-/L).
Para as frações fosfatadas (fósforo total, polifosfato e fósforo orgânico), nos dois períodos monitorados, os maiores valores estão compreendidos no período de estiagem (Figura 25a). Esse mesmo comportamento foi evidenciado por Pequeno (2009) na lagoa de Maraponga, e seus teores aumentam ao longo do percurso. No período chuvoso (Figura 25b) as concentrações na lagoa (P1) diminuem na ordem de 55% para fósforo total, 73% para os polifosfatos e 43% para o fósforo orgânico. Ao longo do curso do canal os teores aumentam, no entanto, as frações de fósforo orgânico e polifosfato foram as que mais cresceram (49% e 117%, respectivamente), demonstrando lançamentos de origem doméstica que são ricos em excretas humanas e produtos de limpeza. A lagoa ultrapassa em 1.673% no período seco e 693% no período chuvoso o padrão de fósforo total para ambientes lênticos (0,03mgP/L) e o canal ultrapassa em 1.312% no período seco e 570% no período chuvoso o padrão de fósforo total para ambientes lóticos (0,05mgP/L).
O oxigênio dissolvido, no período seco (Figura 26a), aumenta ao longo do sistema
(P1 = 4,5mg O2/L e P5 = 6,3 mgO2/L); o teor de oxigênio dissolvido no sangradouro da lagoa
é inferior ao limite legal ( 5mgO2/L). O fato do canal possuir bastante resíduos sólidos e a
vazão do sangradouro da lagoa ser muito pequena, favorece os recalques hidráulicos, que contribuem para aeração do meio. A baixa oxigenação da lagoa pode ser explicada pelos
elevados valores de matéria orgânica (DBO5 = 39mg/L), que favorecerem a atividade
heterotrófica. No período chuvoso (Figura 26b) o oxigênio dissolvido da lagoa é superior ao do riacho. Nesse período, no ponto 1, houve menor disponibilidade de matéria orgânica
(DBO5 = 12mg/L) e a clorofila “a” aumentou na ordem de 223% na lagoa. Com o
crescimento da biomassa algal a fração fosfatada solúvel sofreu redução na ordem de 73% na lagoa.
84 a
Figura 25 - Variação média dos nutrientes ao longo do sistema do Porangabussu (a) durante o período seco (set- dez/2010) e (b) durante o período chuvoso (jan-abr/11).
Fonte: Do Autor
b a
85 Ao longo do sistema é visto que a clorofila “a” reduz-se nos dois períodos, mesmo havendo disponibilidade de alimento (incremento no teor de ortofosfato solúvel) e incidência solar (canal totalmente descoberto). Isso é justificada pelos diversos impactos gerados pelas atividades antrópicas, que não favorecem o seu crescimento. Durante todo o estudo, somente o ponto 5, no período seco, esteve com concentração inferior (14,5 µg/L) ao padrão ( 30µg/L). A lagoa no período chuvoso ultrapassou em 290% o limite legal.
a
Fonte: Do Autor
Figura 26 - Variação média dos parâmetros limnológicos e ortofosfato ao longo do sistema do Porangabussu (a) durante o período seco (set-dez/2010) e (b) durante o período chuvoso (jan-abr/11).
86 Com relação à colimetria, verifica-se que o teor de coliformes fecais aumenta ao longo do sistema e não sofre diluição entre os dois períodos. Com exceção do P1, no período chuvoso, todos os Coliformes Termotolerantes correspondem à Escherichia coli,
demonstrando que o esgoto é lançado de forma contínua e sua origem é sanitária (Figura 27 a e b).
Fonte: Do Autor
Figura 27 - Variação média da colimetria ao longo do sistema do Porangabussu (a) durante o período seco (set-dez/2010) e (b) durante o período chuvoso (jan-abr/11).
a
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