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1.2. KÜLTÜREL BAĞLAMDA OTOBİYOGRAFİK BELLEK

1.2.4. Benlik Kurguları

Os parques públicos começaram a aparecer na Europa, devido ao crescimento das cidades, com o objetivo de não ser apenas um local como fonte de lazer, mas também para amenizar a poluição urbana.

Segundo Fortaleza (2004, 2009a), foi a partir da década de 70, do século XX, que se iniciou a implantação dos parques públicos, praças e pólos de lazer na cidade, com dupla

Figura 9 - Área circunvizinha à lagoa do Opaia atendida pela rede de esgotamento sanitário.

LEGENDA: Rede de esgoto

47 função: garantir proteção das margens dos recursos hídricos e a drenagem natural das águas pluviais, bem como, propiciar áreas de lazer público à população.

Em 1968, o percentual de cobertura verde na cidade era de 65,79%; pelos dados apontados pelo Inventário Ambiental de Fortaleza (2003). Em 2008, restam apenas 7,06%, uma média de 4m2 de área verde/hab - um terço do mínimo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 12 m2 (FORTALEZA, 2008a).

Conforme mostra a Tabela 10, a área da cidade correspondente à área verde é de apenas 2,35%, no entanto, dentro da Lei de Uso e Ocupação do Solo Lei N° 7.987 de 16/01/1996, 15% do solo da cidade é para ser destinado às áreas verdes.

FONTE: Fortaleza, 2004

De acordo com Fortaleza (2008a), a PMF administra apenas nove parques: Adahil Barreto, Rio Branco, Pajeú, Parreão, Liberdade, Parque Municipal das Dunas de Sabiaguaba, Horto Municipal Falconete Fialho, Lagoa do Opaia e Pólo de Lazer Sargento Hermínio, dos quais três deles estão situados dentro da área da sub-bacia B1conforme apresentado na Tabela 11.

Praças, Áreas Livres, Áres Verdes e Parques Territorial

I 62,9 2.538,20 2,48 II 217,94 4.933,90 4,42 III 67,64 2.777,70 2,44 IV 47 3.427,20 1,37 V 144,24 6.346,70 2,27 VI 246,31 13.492,50 1,83 TOTAL 786,03 33.516,20 2,35 REGIONAL % ÁREA (hectare)

48 Fonte – Fortaleza, 2002 apud Lima, Rocha (2009) (modificado)

O cotidiano de Fortaleza tem também, gradativamente, gerado outros impactos socioambientais, afastando a sociedade do convívio com a natureza, distanciando-a de modelos de desenvolvimento sustentável (FORTALEZA, 2008a). O que se verifica é a constante subutilização quanto às principais finalidades do parque, quais sejam, o lazer, o descanso, serventia como ponto de encontro para a comunidade circunvizinha, local para exercícios físicos, entre outros (FORTALEZA, 2009a). O lazer, a segurança, os encontros e namoros, as atividades culturais e esportivas, e até mesmo o verde, são aspectos que, no todo ou em parte, estão se afastando do cenário das praças. Além da degradação das praças e áreas verdes ainda ocorre a privatização das áreas públicas por ocupações irregulares.

3.4.5.1 Parque Rio Branco

O Parque Rio Branco foi criado a partir do Decreto Nº 4628, de 30 de janeiro de 1976, sendo a área destinada à Zona de Preservação Paisagística ZE-3, definida pelos seguintes limites: Começa na Av. Visconde do Rio Branco com a rua Castro Alves, segue pela rua Castro Alves, Rua Cap. Gustavo, Rua Antônio Furtado, Rua Frei Vidal, Av. Pontes Vieira, Rua Barros Leal, Rua Antônio Furtado, Av. Visconde do Rio Branco até o ponto inicial (ANEXO D).

PARQUE BAIRRO SER ÁREA CRIAÇÃO

Rio Branco Joaquim Távora II 75.825m2

Decreto Nº 8960 de 6/11/1992 - Declaração de utilidade pública para desapropriação e

denominação. Nº 10789 de 16/06/2000 –Declaração de utilidade pública para desapropriação

(ampliação)

Parreão Parreão IV 31.582m2 Decreto Nº 8890 de 25/08/1992- -Declaração de utilidade pública para desaprorpiação e

denominação Parque Lagoa do Opaia Vila União IV 159.37m2

Decreto Nº 3.172, 10/02/1969 e Nº 5640 de 14/08/1980 - Declaração de utilidade pública para desaprorpiação

49 A lei Nº 5122A/79 define a área do Parque Rio Branco como Zona Especial de Proteção Verde Paisagística e Turística, sendo regulamentada pelo Decreto Nº 5592 de 09 de junho de 1980.

Em 20 de janeiro de 1992, a lei Nº 7061, fixou os limites das Áreas Especiais de Preservação e Proteção para o trecho, em conformidade com a delimitação das faixas de 1ª e 2ª categoria da legislação estadual de proteção dos Recursos Hídricos. Assim, o parque foi enquadrado como área de proteção 1º categoria.

O Decreto Nº 8960, de 06 de novembro de 1992, declarou, para efeito de desapropriação, todas as faixas de terras, edificações e benfeitorias necessárias para a construção do Parque Rio Branco, de acordo com o projeto elaborado pela Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (EMLURB).

Em 1992, o Plano Diretor de Fortaleza estabeleceu a necessidade de uma lei para a criação das áreas de proteção. A Lei Municipal Nº 7893, de 02 de maio de 1996, declara que o Parque Rio Branco é uma área de proteção de Fortaleza.

Essas leis elaboradas foram necessárias para, além de delimitar o espaço do parque, cuja área era ocupada indiscriminadamente por construção de barracos, foi devido também ao desrespeito com as áreas verdes, tornando o parque subutilizado. A área compreendida atualmente pelo parque, localizado no bairro Joaquim Távora com área aproximada de 75.825m2 e pertencente à SER II, antes correspondia a quintais das residências e antigos sítios onde se desenvolviam atividades de criação de gado e horticultura. As primeiras casas a serem construídas tiveram que aterrar áreas por conta do relevo.

De acordo com Costa (2007), as residências construídas sobre nascentes fizeram diminuir o corpo d’água dos riachos que se originavam: (a) onde hoje ficam as esquinas da R. Capitão Gustavo com R. Castro Alves, (b) na R. Prof. Antônio Furtado e (c) no bairro São João do Tauape. Este último entra na área preservada, passando sob a Av. Pontes Vieira. Outra origem de água, ao Norte, é a galeria pluvial da Rua Pe. Antonino (d), que mais parece um riacho, posto drenar água o ano todo (Figura 10).

50 Fonte: Google Earth, 2011; COSTA, 2007

O parque já sofreu muitas agressões, por construtoras que despejaram toneladas de entulhos, ocasionando o aterramento de determinadas áreas, construção de casebres em cima da nascente e derrubada dos mesmos, sendo que os restos da construção civil encontram- se até hoje no local. Durante muitos anos, o local foi temido pelos moradores, pois era ponto de consumo de drogas.

Atualmente, uma estação elevatória da CAGECE (Companhia de Água e Esgoto do Ceará) lança periodicamente esgotos tratados dentro do Parque Rio Branco.

3.4.5.2 Parque Lagoa do Opaia

Em 1978, o prefeito José Walter começou o projeto de urbanização da lagoa do Opaia, desapropriando 15 ha. Somente no mandato de Lúcio Alcântara foi entregue à população o Pólo recreativo, em 13 de abril de 1980, com área de 11ha e estrutura sendo composta por: duas quadras de esportes, parque infantil, ancoradouro para pedalinhos, pista para ciclismo, amplos estacionamentos, passeios, restaurantes, prédio para administração,

(A) (C) (B) (D) a b c d

51 amplos espaços densamente arborizados, com estrutura para realização de pic-nics, como mostrado na Figura 11 (FORTALEZA, 1982).

Fonte: Fortaleza, 1982.

Hoje, grande parte da estrutura não existe mais e o que resta não dá para ser usado, devido ao estado de abandono em que está o parque. A população não desenvolve atividades sociais, devido o local ser utilizado por vândalos e ponto de uso de drogas.

Atualmente, no lado oposto ao Parque do Opaia, a faixa de preservação foi invadida, observando-se edificações residenciais em alvenaria. O resto da margem da lagoa está ocupado por pequenas residências que formam uma favela (COGERH, 2010).

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4 MATERIAL E MÉTODOS