O sistema Opaia é composto pelos pontos de coleta no sangradouro da lagoa do Opaia (P7), localizado na microbacia B1.5, e no riacho Opaia/Parreão, canal sangradouro da lagoa (P9), inserido na microbacia B1.6 (Figura 34).
O sangradouro da lagoa do Opaia (P7) segue seu curso natural, isto é, sem canalização e impermeabilização, até confluir com o riacho Parreão (P9), que está localizado na Avenida Borges de Melo. Ao longo do riacho sangradouro várias atividades antrópicas são desenvolvidas, além da ocupação por residências e comércios, também estão presentes a criação de animais (cavalos, bois, vacas, carneiros, entre outros) e uma horticultura às margens do riacho.
No APÊNDICE J são apresentados os resultados da análise de amostras de água
coletadas nos Pontos 7 e 9.
Fonte: Fortaleza, 2003 e Google Earth Modificado, 2011. Figura 34 - Delimitação do sistema Opaia.
94 De acordo com as Figuras 35 a e b, a temperatura diminui na quadra invernosa nos dois pontos que constituem o sistema. A cor verdadeira também sofre redução com as chuvas, no entanto, na lagoa (P7) esse comportamento se dá de forma mais acentuada, o qual é devido à uma pequena porção de mata ciliar que resta em parte da sua margem, funcionando como uma barreira para os sedimentos que poderiam ser carreados pelas chuvas, reduzindo a possibilidade de contaminação do ecossistema (BRITO et. al, 2009). Este comportamento não é evidenciado no P9, pois a CV aumenta com a intensidade pluviométrica.
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Figura 35 - Variação média da temperatura e cor verdadeira ao longo do sistema Opaia (a) durante o período seco (set-dez/2010) e (b) durante o período chuvoso (jan-abr/2011).
a
95 O material dissolvido aumenta ao longo do sistema, principalmente no período chuvoso; o teor de SDT aumenta (de 344 para 474mg/L, no período seco e 159 para 208mg/L,
no período chuvoso). Esse incremento deve-se, principalmente, aos teores de Ca, Mg e Cl-,
que aumentam ao longo do sistema, devido, tanto à disposição inadequada de rampas de resíduos da construção civil à margem do riacho quanto à lançamentos de origem doméstica (Figuras 40 a e b).
Como a quantidade de chuvas excedeu à média histórica, os valores de matéria orgânica sofrem acentuada diminuição. No entanto, ao longo de todo o sistema, devido o mau
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Figura 36 - Variação média dos sais dissolvidos ao longo do sistema Opaia (a) durante o período seco (set- dez/2010) e (b) durante o período chuvoso (jan-abr/2011).
96 uso e ocupação do solo, esses teores tendem a aumentar. Os valores de óleos e graxas aumentaram 91% e 125% para os períodos seco e chuvoso, respectivamente, ao longo do
sistema. Segundo Von Sperling (2005), a relação DQO/DBO5 varia de 1,7 a 2,4 para esgotos
brutos. Nesta pesquisa, os valores se mantêm durante todo o monitoramento acima de 3,1,
demonstrando que a fração biodegradável não é elevada, apesar de nenhum valor de DBO5
atender à legislação vigente (DBO5 5mg/L) (Figura 37 a e b).
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Figura 37 - Variação média da matéria orgânica ao longo do sistema Opaia (a) durante o período seco (set- dez/2010) e (b) durante o período chuvoso (jan-abr/2011).
a
97 No mês de outubro, aconteceu um fenômeno atípico, no P9; o teor de sulfeto foi bastante elevado (21,13mg/L); no momento da coleta, apresentava odor bastante forte. Segundo Pohling (2009), a presença de sulfeto é facilmente detectada por essa característica. A maior concentração de sulfeto ocorre no ponto 9, durante o período seco, enquanto que na ocorrência das chuvas o comportamento se inverte (Figura 38 a e b).
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Figura 38 - Variação média do sulfeto ao longo do sistema Opaia (a) durante o período seco (set-dez/2010) e (b) período chuvoso (jan-abr/2011).
b a
98 O teor de amônia total aumentou na ordem de 4939% do P7 para o P9, em média, no período seco (Figura 39a). Dois fatores podem ter contribuído para esse incremento. Um deles pode ser devido à horticultura, localizada à margem do riacho, que utiliza como adubo o
esterco de galinha, que possui a composição de 22,09g/dm3 para N e 17,18g/Kg para P2O5
(OLIVEIRA et al, 2001), o qual pode ter atingido e contaminado o riacho pelo excesso de água aplicada na área irrigada, ocorrendo o escoamento superficial ou sub-superficial (BERNARDO, 1995). Como a lagoa, no período seco, não apresentava vazão no sangradouro, o fluxo de água presente no córrego pode ser originado de efluentes de origem doméstica lançados de forma clandestina, pois a concentração de amônia (11,277mg/L) é superior a de nitrato (0,026mg/L), constituindo a outra forma de contaminação. No período chuvoso ocorre a redução do teor de amônia, o que é devido à diluição pela presença das chuvas. Também observou-se pequeno incremento no teor de nitrato (Figura 39b).
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Figura 39 - Variação média da amônia total e nitrato ao longo do sistema Opaia (a) durante o período seco (set- dez/2010) e (b) durante o período chuvoso (jan-abr/2011).
a
99 Com relação às frações fosfatadas, o teor de PT aumenta ao longo do sistema, no período seco (Figura 40a). Nesse mesmo período, o teor de OPS é maior no P9, devido à lançamentos de esgotos ricos em fósforo. Por causa dos diversos impactos ocasionados pelo antropismo, ocorre a inibição do crescimento de diversas espécies fitoplanctônicas, apesar de haver incidência luminosa e fonte de alimento. Por isso a biomassa algal é menor no riacho (P7=111,1µg/L e P9 = 12,11µg/L), contribuindo para o baixo valor de OD (0,7mg/L).
No entanto, apesar de no período chuvoso a lagoa sangrar e, dessa forma, transportar toda a diversidade fitoplanctônica para o córrego, somente os organismos mais resistentes sobrevivem, já que os impactos são contínuos. Assim, a biomasa algal sofre redução ao longo do sistema, de 87%, e o teor de OD permanece baixo (2,7mg/L), não atendendo a legislação vigente em todo o monitoramento ( 5mg/L) (Figura 40b).
Figura 40 - Variação média de fósforo total, ortofosfato solúvel, oxigênio dissolvido e clorofila “a” ao longo do sistema Opaia (a) durante o período seco (set-dez/2010) e (b) durante o período chuvoso (jan-abr/2011).
a
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100 Com relação à colimetria, a lagoa do Opaia apresenta-se no limite (1000NMP/100mL) estabelecido pela Resolução para Balneabilidade CONAMA 274. No entanto, no córrego o valor aumenta bastante para os dois períodos (Figuras 41 a e b). Todos os Coliformes Termotolerantes correspondem à Escherichia coli, na estiagem.
b
Figura 41 - Variação média de Coliformes Termotolerantes e Escherichia coli ao longo do sistema Opaia (a) durante o período seco (set-dez/ 2010) e durante o período chuvoso (jan-abr/2011).
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