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Belgede BARTIN ÜNİVERSİTESİ (sayfa 72-78)

Como observado anteriormente, a personagem na literatura tem sido objeto de análise desde Aristóteles. Para o autor Tennessee Williams (2009, p. 77)24, suas personagens eram o centro de suas peças:

sempre começo com elas, que se formam em espírito e em corpo na minha mente. Nada que dizem ou fazem é arbitrário ou inventado. Elas constroem a peça ao seu redor como aranhas tecendo suas teias, como animais marinhos

23 BASSNETT, 1998, p. 106, “we need to let go of the old confusion of roles for the translator. The translator cannot hope to do everything alone. Ideally, the translator will collaborate with the members of the team who put a playtext into performance. If such an ideal situation does not happen, then the translator should still not be expected to produce an hypothetical performance text or to second guess what actors might want to do to the translation once they start to work with it.”

24 WILLIAMS, BAK, 2009, p. 77, “My characters make my play. I always start with them, they take spirit and body in my mind. Nothing that they say or do is arbitrary or invented. They build the play about them like spiders weaving their webs, sea creatures making their shells. I live with them for a year and a half or two years and I know the far better than I know myself, since I created them and not myself.”

criando suas conchas. Vivo com elas por um ano e meio ou dois e as conheço muito melhor do que me conheço, já que eu as criei e não criei a mim mesmo.

De fato, como destaca Anatol Rosenfeld (CANDIDO et al., 1992, p. 23), no teatro a personagem não só constitui a ficção, mas “funda” o próprio espetáculo através do ator: “é que o teatro é integralmente ficção, ao passo que o cinema e a literatura podem servir, através das imagens e palavras, a outros fins (documento, ciência, jornal)”.

Segundo Almeida Prado (CANDIDO et al., 1992, p. 84), enquanto que em um romance a personagem é um elemento entre vários outros, ainda que seja o principal, “no teatro, ao contrário, as personagens constituem praticamente a totalidade da obra: nada existe a não ser através delas”. Ambos esses gêneros, romance e teatro, “falam do homem – mas o teatro o faz através do próprio homem, da presença viva e carnal do ator”.

De acordo com Beth Brait (1990, p. 11), já que esses são “seres de papel”, suas existências são puramente no âmbito linguístico e não existem fora das palavras. Quando se quer saber qualquer coisa a respeito das personagens, deve-se “encarar frente a frente a construção do texto, a maneira que o autor encontrou para dar forma às suas criaturas, e aí pinçar a independência, a autonomia e a “vida” desses seres de ficção”. Só então, se for útil e necessário, seria possível analisar a existência e o espaço da personagem enquanto representações da realidade externa ao texto.

Ainda segundo Brait (1990, p. 66),

quando pensamos nas personagens que povoam a tradição literária e que nos tocam tão de perto que temos a impressão de terem existido numa dimensão que as torna imortais e capazes de falar eternamente das inúmeras possibilidades de existência do homem no mundo, tocamos necessariamente no poder de caracterização de seus criadores.

Através da composição de suas personagens, articula-se verbalmente “a sensibilidade de um escritor, a sua capacidade de enxergar o mundo e pinçar nos seus movimentos a complexidade dos seres que o habitam” (BRAIT, 1990, p. 66).

Normalmente, não há narrador no teatro, portanto, a personagem teatral se dirige ao público de forma direta, sem mediação. De acordo com Almeida Prado (CANDIDO et al., 1992, p. 86):

no teatro […] torna-se necessário, não só traduzir em palavras, tornar consciente o que deveria permanecer em semiconsciência, mas ainda comunicá-lo de algum modo através do diálogo, já que o espectador, ao

contrário do leitor do romance, não tem acesso direto à consciência moral ou psicológica da personagem.

Um desses mecanismos de revelação interior é o monólogo, uma longa fala expressa por uma única personagem sem interrupção. Em alguns monólogos, uma personagem se dirige diretamente ao público, em outros, pode estar sozinha, falando consigo mesma (um solilóquio). Também podem ocorrer quando uma personagem fala com uma pessoa (ou pessoas) imaginária(s), bem como quando está em interlocução com outra personagem (ALTERMAN, 2005).

Em geral, segundo Glenn Alterman (2005), monólogos bem escritos narram experiências significativas de um modo altamente condensado, sendo assim, eles podem ser pensados como os equivalentes no teatro de poesia (a forma mais condensada de expressão literária). Eles também têm a capacidade de transmitir uma sensação de isolamento e, até, de indicar insanidade por parte da personagem (os solilóquios de Hamlet são bons exemplos).

Há teóricos que definem o teatro como a arte do conflito, pois, segundo Almeida Prado (CANDIDO et al., 1992, p. 92), “somente o choque entre dois temperamentos, duas ambições, duas concepções de vida [...] obrigaria todas as personalidades submetidas ao confronto a se determinarem totalmente”. Por esse viés, os tipos de personagens que podem ser classificados de acordo com suas funções na narrativa são três, de acordo com Cândida Vilares Gancho (1991, p. 14): protagonistas, antagonistas e secundários.

Protagonistas são personagens principais e podem ser classificados ainda como heróis (com características superiores às de seu grupo) ou anti-heróis (com características iguais ou inferiores às de seu grupo). Ainda de acordo com Gancho (1991, p. 15), o antagonista “é o personagem que se opõe ao protagonista, seja por sua ação que atrapalha, seja por suas características, diametralmente opostas às do protagonista. Enfim, seria o vilão da história”. Os personagens secundários são menos importantes na história e têm uma participação menor ou menos frequente no enredo.

De acordo com Almeida Prado (CANDIDO et al., 1992, p. 92), a função das personagens antagonistas e secundárias é serem colocadas ao lado da protagonista para dar- lhe relevo e destaque. Desse modo, Antígona não seria a mesma se não tivesse como contraponto a prepotência de Creon e a passividade de Ismene.

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