Tema 2 Örtük Program ve Estetik Değerler:
4.3. Üçüncü Alt Amaçla İlgili Bulgular:
De acordo com Mike Robinson (2002, p. 54), uma das maiores forças da literatura é a maneira em que se pode combinar a realidade física/estrutural em que se vive com as imensas possibilidades de ação e caracterização de narrativas. Já é bem reconhecido que autores se baseiam em experiências pessoais ao compor suas obras. Suas vivências em determinados lugares são fontes ricas para o desenvolvimento de seus textos que refletem a relação que o escritor tem com aquele local. Desse modo, é bastante legítimo se utilizar de uma localidade verdadeira na literatura, afinal, a ficção não existe de modo isolado do mundo real, ela faz parte dele.
Segundo Robinson (2002, p. 54), alguns exemplos de como lugares reais podem ganhar vida na literatura é Ulysses (1922), de James Joyce, que pode até ser usado como um guia da cidade de Dublin e Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, obra em que é recriada uma imagem bastante precisa de Londres.
Como ressalta Robinson (2002, p. 55), nada na literatura é neutro e descrições de lugares reais em ficção são passíveis de inúmeras interpretações. Ao serem retratados em romances, poemas ou peças teatrais, esses lugares ficam suspensos no tempo e ganham importantes significações. Isso é de grande valor especialmente para o turista literário, que busca, ao visitar esses locais de verdade, vislumbres do passado do autor e vestígios das ruas e dos prédios que suas personagens habitaram.
Cynthia Beatrice Costa (2013) afirma que na tradução (ou não tradução) de nomes próprios, entre os tantos desafios enfrentados pelo tradutor, um desafio parece ser particularmente controverso:
na história ocidental, houve uma longa tradição, iniciada com os primeiros textos traduzidos de que se tem conhecimento – menos adotada atualmente – de se traduzir nomes de pessoas e lugares, sobretudo nos campos da história da religião, o que resultou em figuras relevantes conhecidas por múltiplas alcunhas. (…) Essa prática mostra que a cultura tradutora tendia (e, por vezes, ainda tende) a apagar traços da cultura traduzida, como que adaptando o texto à sua realidade e facilitando-o para o seu leitor.
De acordo com André Luiz Batista (2013), a tradução de topônimos (nomes próprios de lugares), é uma questão delicada devido à carga cultural contida nesses termos que vai além do campo lexical. Segundo Batista (2013, p. 4),
os motivos pelos quais as cidades, países, ruas, casas comerciais, entre outros locais, tem determinado nome são diversos. Muitas vezes, o nome está
diretamente ligado à História do local, como o bairro do Pelourinho, em Salvador, local onde ficava o tronco em que escravos eram açoitados.
Ainda segundo Batista (2013, p. 6),
embora inúmeros locais tenham sido nomeados em tempos remotos e os aspectos históricos e culturais de seus nomes não sejam de conhecimento da população, esses lugares não receberam seu nome ao acaso. A tradução desses topônimos, portanto, torna-se uma questão mais complexa do que a dos demais itens lexicais, pois, por vezes, se faz necessário um trabalho de pesquisa por parte do tradutor. Quando se sabe a origem e a razão do nome da localidade, é possível facilitar ou tornar menos complicada, a tarefa de decidir entre a domesticação e a estrangeirização do termo, ou ainda sua supressão.
Batista (2013) investiga a tradução do português para o inglês de topônimos presentes no romance Tenda dos milagres (1969), de Jorge Amado, que se passa sobretudo no Centro Histórico de Salvador, na Baixa dos Sapateiros, no Pelourinho e no Terreiro de Jesus, onde fica a Faculdade de Medicina em que o personagem principal, Pedro Archanjo, exerce a função de bedel: “as ruas, vielas, praças e estabelecimentos comerciais daquela região da cidade aparecem diversas vezes na obra, gerando necessidade de um posicionamento por parte da tradutora”.
Sobre a tradução de nomes próprios de lugares, Peter Newmark (1988, p. 35) sugere que os tradutores pesquisem todos os nomes que não conhecem e que verifiquem a existência verdadeira de qualquer nome mencionado em ficção. Além disso, o autor chama atenção para a questão da naturalização, a prática de se adaptar a pronúncia e a morfologia do termo de partida na língua de chegada através da qual München se torna Munich, em inglês, e Munique, em português. Segundo Newmark (1988), essa prática não deve ser perpetuada e deve-se respeitar o desejo de um território de determinar o seu próprio nome.
Como destaca Battista Mondin (1986, p.154), o ser humano é essencialmente um ser gregário e sociável, pois tem a “propensão para viver junto com os outros e comunicar-se com eles, torná-los participantes das próprias experiências e dos próprios desejos, conviver com eles as mesmas emoções e os mesmos bens”. Pertencer a um grupo ou a uma sociedade significa compartilhar valores e costumes, sendo que língua e linguagem são importantes
fatores a serem compartilhados considerando a necessidade de comunicação e diálogo em qualquer âmbito da convivência humana.
Segundo Philippe Chassy (2015, p. 47), ao adotar a identidade, os valores e os códigos de um grupo, o indivíduo passa a perceber o mundo através dos conceitos que sustentam esse grupo e seu mundo social se torna estruturado por esses conceitos. Para o autor, a essência da concepção de identidade está no fato de que, quando se estabelece normas e regras sociais dentro de um grupo, aqueles que alinham seu comportamento e ações a elas são bem-aceitos e acolhidos. Caso isso não ocorra, ou ocorra em grau menor, há o risco desses membros serem considerados indesejáveis.
Robert Le Page e Andrée Tabouret-Keller (1985, p. 181) veem o ato de fala, a produção linguística, como importantes marcadores que revelam as afiliações sociais de indivíduos. Para os autores, o comportamento linguístico se baseia em uma série de “atos de identidade” em que falantes revelam sua identidade pessoal em busca por identidades sociais. Em outras palavras, padrões de comportamento linguístico são criados para que se pareçam ou que se diferenciem dos comportamentos dos grupos com os quais indivíduos querem se identificar ou dos quais querem se distinguir.
Partindo de estudos sobre os aspectos sociais de línguas crioulas nos antigos territórios coloniais ingleses e sobre o plurilinguismo na França e em seus domínios, os autores propõem que o indivíduo, com seus objetivos e aspirações sociais e pessoais, é o centro da variação linguística. Essas hipóteses de Le Page e Tabouret-Keller (1985) representaram um novo paradigma na área da sociolinguística que investiga como o comportamento linguístico é determinado pelo meio social.
Aspectos como sexo, profissão, posição social e grau de escolaridade são fatores que contribuem para a identidade linguística do falante, haja vista que diferenças linguísticas estão relacionadas a diferenças sociais e culturais. No capítulo 4 desta dissertação, essas questões serão retomadas para se analisar a linguagem de Blanche Dubois, bem como a diferença entre seu discurso e o de Stanley Kowalski.