Hipotez 1: YTZY faaliyetlerinin (yeşil satın alma, eko-tasarım, müşterilerle işbirliği ve yatırımın geri kazanılması) işletme performansı üzerine pozitif etkis
3.2. Araştırma Verilerinin Analiz ve Bulguları
3.2.2. Veri Toplama Aracının Güvenirlik ve Geçerliğ
3.2.2.2. Veri Toplama Aracının İçerik ve Yapısal Geçerliğ
De acordo com a teoria social do letramento, podemos compreender melhor as práticas de letramento quando fazemos uma distinção crucial entre práticas e eventos de letramento. Conforme já apontado anteriormente em Street (1993), e corroborado por Barton, Hamilton e Ivanic (2000), o conceito de práticas de letramento é abstrato. As práticas são meios culturais de utilização do letramento, não podendo estar inteiramente contida em atividades e tarefas
observáveis.
Conforme Prinsloo et al (2008), o conceito de práticas de letramento aproxima-se do conceito de agência, conceito abordado na seção 3.2, no qual os indivíduos garantem a continuidade da estrutura social, ao (re)produzirem modos de agir no mundo (GIDDENS, 2003). As práticas de letramento organizam as estruturas sociais porque, qualquer que seja a agência, ela somente se concretiza via discurso.
As práticas de letramento impulsionam todas as atividades sociais, mas é um erro associá-la a técnicas de ‘aprendizagem por repetição’, ou ainda, associá-las a ‘tarefas ou atividades comuns’. Os conceitos de práticas de letramento e agência são conceitos intercambiáveis quando observamos que toda agência só existe por intermédio do discurso (PRINSLOO et al, 2008). Tal como a agência, o envolvimento contínuo das pessoas com práticas de leitura e escrita desenvolve capacidades cognitivas que agem de forma cumulativa, ampliando essas competências por seu caráter rotinizado e transformador. Resumidamente, podemos afirmar que práticas são meios culturais de utilização do letramento e essas práticas ocorrem em eventos de letramento.
Para Barton e Hamilton (2000), se as práticas de letramento são os meios culturais, os
eventos de letramento são as atividades em que o letramento tem um papel social; são
episódios observáveis que nascem das práticas de letramento e são modelados por elas como, por exemplo, a participação das pessoas em grupo de jovens, envolvidos com atividades de organização e atribuição de responsabilidade.
Eventos de letramento, na concepção de Heath (1982, p. 93 apud SOARES, 2002, p.
145), “[...] é qualquer situação em que um portador qualquer de escrita é parte integrante da natureza das interações entre os participantes e de seus processos de interpretação”. De outra forma dito, os eventos de letramento são: 1) ocasiões em que podemos observar pessoas interagindo por meio da escrita; 2) ocasiões em que o texto escrito conduz às pessoas a
atribuir significações àquilo que elas próprias realizam; 3) ocasiões que possibilitam o surgimento de novas estratégias comunicativas de forma a dinamizar as interações; 4) são ocasiões que permitem diferentes formas de interpretar e compreender modos diferentes de ser no mundo.
O que é central nessas ocasiões é a configuração da agência, suas múltiplas maneiras de acontecer em contextos distintos. Disso, temos que a noção de eventos de letramento enfatiza a natureza situada do letramento, pois ocorrem rotineiramente ao mesmo tempo em que modelam as práticas sociais. O caráter rotineiro das práticas sociais não implica em engessamento das atividades desenvolvidas.
É preciso considerar dois aspectos relativos à manutenção das práticas sociais: o primeiro diz respeito ao fortalecimento dos aspectos culturais quando da manutenção de certos aspectos da tradição, principalmente os relacionados às regras de conduta como, por exemplo, a obediência aos rituais associados aos eventos sociais; o segundo diz respeito ao caráter dinâmico das relações sociais, o qual possibilita o surgimento de novas formas de agir, compreender e interpretar as ações sociais. É nesse ‘espaço’ entre a reprodução das normas estabelecidas e a possibilidade de pensar e agir diferente que surgem novas formas de compreender as relações sociais.
É fácil comprovar que, diariamente, todos os nossos atos linguageiros se realizam em eventos de letramento. Eles são situações constitutivas das estruturas sociais, tais como: a conversa familiar no café da manhã acerca de fatos jornalísticos, a reunião na empresa para discussões de metas a ser cumpridas, a sala de aula e seus debates, o momento de oração familiar.
Conforme Barton e Hamilton (2000), o conceito de evento de letramento, assim como o conceito de evento social, apresenta propriedades linguísticas suficientes para ser tomado como ponto de partida para a análise textual. Segundo Prinsloo et al (2008), os estudiosos do letramento buscam observar como as pessoas conduzem suas práticas de letramento, ou ainda, como essas práticas são moldadas socialmente e em que ocasiões específicas elas respondem às necessidades comunicativas de um grupo social. A análise é feita observando-se os modelos a partir dos quais as pessoas ‘decidem’ seus papéis e o que cabe a cada um fazer, quando fazer e de que forma proceder e em qual contexto, “[...] em um nível epistemológico, o conceito de letramento como uma prática social fornece um quadro para análise da construção de significados” (PRINSLOO et al, 2008, p. 4 - 5).
Ancorados em Barton e Hamilton (2000), inferimos que os textos são uma parte crucial dos eventos de letramento, de forma que importa para a teoria do letramento como eles são produzidos e usados. Parafraseando, o letramento é mais bem compreendido como um conjunto de práticas sociais observáveis em eventos que são mediados por textos escritos. Ao discorrer sobre os estudos de práticas de letramento do cotidiano, devemos observar quais são os textos que permeiam a vida das pessoas e são significativos para elas, ou seja, quais são os textos que fazem parte de suas vidas rotineiramente, incluindo os textos produzidos pela oralidade (PRINSLOO et al., 2008).
Os estudos do letramento dedicam atenção especial aos letramentos locais, buscando identificar e descrever como as pessoas lidam com eventos mediados por textos na vida cotidiana. Enfatizamos que não se trata apenas de observar a concretude do ato, mas principalmente observar as relações de poder que aí se estabelecem. Por isso, para efeito de análise, devemos partir da observação das práticas, dos eventos e dos textos.
Apesar de não definirmos, categoricamente, o conjunto proposto abaixo, quadro 2, como elementos analíticos, é interessante observar que este conjunto proposto por Hamilton (2000) é contemplado em nossa análise, e seus elementos servem para caracterizar a natureza do contexto dos eventos de letramento. Esses elementos estão muito próximos do modelo proposto por Theo van Leeuwen14 (1993) para a identificação dos elementos constituintes das práticas sociais mais gerais.
Elementos visíveis dentro dos eventos de
letramento (capturados na descrição) Componentes não-visíveis dentro dos eventos de letramento (inferidos na descrição)
Os participantes: pessoas interagindo com textos
escritos Participantes ocultos: pessoas ou grupos de pessoas envolvidas em relações sociais de produção, interpretação, circulação e, de um modo particular, a regulação [controle de suas ações] a partir de textos escritos.
Os ambientes: circunstâncias físicas imediatas nas
quais as interações acontecem. O domínio de práticas dentro das quais o evento acontece, considerando seus sentidos e suas funções sociais.
Os artefatos: ferramentas materiais e acessórios envolvidos na interação (inclusive textos)
Todos os outros recursos que trouxeram à prática de letramento: valores não-materiais, compreensão, modos de pensar, sentidos, habilidades e conhecimentos.
As atividades: as ações executadas pelos participantes
no evento de letramento. Rotinas estruturadas e trajetos [no sentido de métodos] que facilitam ou regulam ações: regras de apropriação e elegibilidade – quem pode ou não engajar-se em atividades particulares.
Quadro 2 – Elementos básicos de eventos de letramento e de suas práticas.
14 van Leeuwen, T.J.2008, Discourse and Practice: New Tools for Critical Discourse Analysis, 2, Oxford University Press, New York, USA.
A importância dada a outras modalidades de linguagem, distintas da linguagem escrita, aponta para o reconhecimento de que devemos procurar entender a complexidade da comunicação na sociedade, e essa comunicação revela-se plural, daí a necessidade de integrar à linguagem escrita, vários outros sistemas semióticos.
Fairclough (2001) define o conceito semiótico de linguagem como sendo qualquer forma de produção de significados, incluindo a linguagem verbal e outras semioses, tais como imagens, gestos e outras formas de linguagem não verbal. Dessa forma, o sistema semiótico é visto como um estrato da realidade e como um momento de prática social.
Se considerada a pluralidade de significados não apenas culturalmente situados, mas principalmente os modos distintos de agir em um mesmo campo social15 (SZTOMPKA,
2005), podemos afirmar que o letramento não é o mesmo em todos os contextos e, por isso mesmo, a noção de letramento assume muitos sentidos, e esses modos de agir estão intimamente relacionados com o conceito de identidade. Conforme Woodward (2000), os discursos na contemporaneidade estão fortemente associados à necessidade de validar pertencimentos identitários, direcionando grupos sociais distintos a adotarem determinados tipos de discursos como forma de reivindicar direitos e assumir posicionamentos em relação aos fatos sociais (SHOR, 1997).
O caráter reflexivo suscitado pelas ações desenvolvidas em situações de interação social contribui para o fortalecimento dos discursos de grupos minoritários que, de algum modo, se consideram marginalizados, seja por sua pobreza, seja por sua escolha religiosa, ou ainda, seja por sua escolha sexual. É interessante observar que o conceito de espaço/ambiente16, proposto em Lefebvre (1972, apud ROCHA, 2010, p.442), sinaliza para a
necessidade de compreender que toda produção social do espaço está associada às representações que atribuímos às coisas percebidas, concebidas e vividas em nossas práticas sociais. Isso significa que produzimos o espaço a partir de uma ideia de funcionalidade e esse espaço passa a refletir o modo de comportamento e as escolhas discursivas que as pessoas devem adotar quando estão em situação de co-presença, e, de modo semelhante, as pessoas, a
15Em Sztompka (2005, p.36), campo social refere-se à sociedade entendida como um tecido social específico (grupo, organização etc).
16 Henri Lefebvre (1972), em seu livro “A produção do espaço”, aborda a ideia de que a produção social do
espaço passa pela esfera da representação. A triplicidade vivido-concebido-percebido é parte constituinte da realidade espacial e representacional, imbricadas num intenso jogo dialético de construção. Para o referido autor, “conviria não apenas estudar a história do espaço, mas a das representações, assim como a dos laços entre
elas, com a prática, com a ideologia” (p.26). Assim, as representações devem ser analisadas em seus contextos
históricos e políticos, sendo relacionadas entre si, pois a construção da realidade espacial da sociedade acontece numa intensa disputa representacional.
partir de suas representações sociais, reconhecem em um determinado ambiente o lugar adequado para adotar comportamentos específicos direcionados ao fortalecimento do caráter identitário; aqueles que nesse espaço interagem o fazem de modo a consolidar esse pertencimento.
A esse respeito, é relevante citar a pesquisa de Jung (2002) sobre as relações de identidade de gênero e práticas de letramento em comunidades bilíngues. Esta pesquisadora mostra que a inserção ou exclusão de pessoas nas comunidades bilíngues está diretamente relacionada aos padrões comportamentais, principalmente, àqueles praticados em ambientes religiosos.
Em sua pesquisa, Jung (2002) descreve o poder exercido pelos rituais religiosos em duas comunidades rurais bilíngues, comprovando que a adesão ou não aos rituais já consolidados é indicativo de pertencimento identitário ao grupo de moradores. Fazer parte de um grupo implica, necessariamente, conhecer e praticar as normas, as crenças e os valores que estruturam esse grupo de pertencimento, de modo que somente se é aceito plenamente quando se partilha determinados gêneros discursivos.
Isso não implica dizer que as pessoas não possam interagir em comunidades discursivas distintas. Esse livre transitar entre diferentes domínios discursivos permite a construção de identidades múltiplas. Domínios públicos e privados exigem modos de comportamento e escolhas discursivas apropriadas como, por exemplo, as práticas linguageiras realizadas em casa, no trabalho, na escola, na igreja. Apesar das mudanças comportamentais e discursivas adotadas em domínios sociais distintos, os discursos e os eventos de letramento travados nesses domínios determinam as fronteiras discursivas.