• Sonuç bulunamadı

III. Aristoteles ve İbn Rüşd’ün Yaşadıkları Ortamların Karşılaştırılması

1.1. Aristoteles Metafiziğinin Kavramları

1.1.10. Varlık Öğretisi

Para Navarro (2010) a agricultura familiar não possui aptidão e não tem nenhuma potencialidade suficiente para ser a garantidora de boa parte da segurança alimentar da que a população de um país exige. Acreditar no contrário constitui num equívoco advindo de uma temerária proposição que cindiu em dois grandes grupos todas as unidades produtivas da agropecuária brasileira, pois,

No Brasil, à luz da gigantesca extensão das áreas rurais, do número de produtores existentes, da extrema heterogeneidade estrutural das diversas regiões e das variações quase ilimitadas de estilos de agricultura existentes, esta segmentação bipolar é uma temerária proposição, com diversas implicações na ação governamental e na implementação de políticas para o meio rural (NAVARRO, 2010, p. 188).

Os critérios utilizados para distinguir agricultores familiares dos não familiares, implantados pelo Censo Agropecuário 2006 são “inteiramente arbitrários, ainda que consagrados em lei” (p.187) e foram motivados por razões políticas, como esclarece Navarro:

No confronto com a concretude do mundo rural é muito provável que o tempo finalmente consiga demonstrar ser irrelevante esta algaravia em torno da expressão agricultura familiar, e inútil aquele volume específico do censo. Foram ambos motivados por razões meramente políticas, e sua reiterada ênfase na differentia specifica da agricultura familiar (como um suposto grupo homogêneo) vis-à-vis o grupo dos não familiares representa um equívoco na história institucional brasileira (NAVARRO, 2010, p.186. Grifos no original).

Navarro (2010, p. 188) entende que a noção agricultura familiar não possui “nenhuma sustentação teórica”, apesar de ter legitimidade política e sindical, pois, numa sociedade democrática, ela, como noção é profícua, no sentido de tentar abrir caminho para ter acesso aos fundos públicos. Ela “foi se contrapondo e substituindo o termo campesinato, consagrado pela antropologia para designar agrupamentos sociais rurais com débeis sinais de uma sociabilidade capitalista” (p. 188). Agricultura familiar possui dupla origem: uma norte-americana com “grande desenvoltura analítica entre os anos 1950 e meados dos anos 1980” (p. 189) e outra européia com “esforços de pesquisa que se concentraram em alguns poucos países, notadamente o Reino Unido e a França. O pensamento social sobre a agricultura familiar se desenvolveria depois das transformações produtivas, “especialmente a partir da década de 1950, quando igualmente se expandiu espetacularmente a modernização agrícola [...]” (p. 190).

A década de 1990 marca a incorporação da agricultura familiar à agenda política nacional e como expressão “institucionalizada pela primeira vez na historia brasileira” (NAVARRO, 2010, p. 192). Para Navarro dois eventos de relevância política da década de 1990 devem ser considerados como importantes para a disseminação do uso do termo agricultura familiar no Brasil: a assinatura do Tratado de Assunção, que deu origem ao MERCOSUL em 1991 e o lançamento do Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF – no segundo semestre de 1996. Em que pese os esforços para fornecer sustentação científica para essa expressão, Navarro (2010, p. 195-196) compreende que ela

[...] é limitadora, em face da heterogeneidade estrutural que caracteriza as áreas rurais. Ou seja, se a institucionalização de tal noção representou, em uma dada conjuntura, uma vitória política dos pequenos produtores, antes marginalizados da ação governamental, atualmente é expressão que vai restringindo, cada vez mais nitidamente, o aperfeiçoamento das políticas públicas para os produtores familiares. Assim, é urgente o debate sobre tal noção, expandindo-a em suas particularidades empíricas, com o intuito de demonstrar a imensa diversidade social e produtiva que caracteriza as regiões rurais – e, como conseqüência, permitindo o aprimoramento da ação pública em benefício deste imenso conjunto de produtores. Ainda mais grave, a sua institucionalização, seguida da criação do MDA (em 1999), alicerçando o bizarro hibridismo ministerial [...] duas políticas de financiamento à produção e dois ministérios criando políticas que pretendem disputar uma clientela (os produtores) que, na realidade do mundo rural, não competem entre si [...].

As análises de Navarro contribuem com o desenvolvimento do nosso método de análise, segundo o qual, o debate paradigmático, pode revelar as razões e as justificativas das interpretações sobre os desdobramentos do avanço do capitalismo na agricultura. Interpretação como a de Navarro, da ausência de conflitos entre os agricultores familiares e os não familiares. Ou seja, Navarro está entre os pesquisadores para os quais é equívoco pensar que há antagonismo entre o agronegócio e o campesinato. Portanto, não há questão agrária no capitalismo.

Advém daí dificuldades em explicar as causas e os motivos de ambos ocuparem o território com lógicas distintas. O acesso aos enormes recursos públicos e uma bancada ruralista respeitável a defender os interesses do agronegócio, contrasta com os parcos recursos públicos destinados ao campesinato. Por esse viés interpretativo é plenamente justificável a cisão ministerial, em que, na mesma plataforma ministerial um defende o agronegócio e outro o campesinato. Nessa luta de classe, ao campesinato resta ocupar cada vez mais quantitativa e intensamente a terra, pressionar com suas manifestações, marchas e ocupações de órgãos públicos visando obter acesso aos

recursos públicos necessários para seu desenvolvimento e aumentar cada vez mais sua organização para que a reforma e a questão agrária não seja retirada da agenda política nacional.

É de grande interesse de Navarro “explicar a diversidade social da agricultura familiar e assim, recusar o equivocado essencialismo contido na expressão agricultura familiar” (2010, p. 197). Diante dessa diversidade social os camponeses “ou são gradualmente integrados, radicalmente alterando os seus sistemas de produção sob os ditames da agricultura moderna”, ou, “engrossam as correntes migratórias e deixam o mundo rural” (p.198). A racionalidade da agricultura moderna é tão intensa que “acaba extinguindo as formas camponesas de produção” (p. 198), de sorte que, ou o camponês se transforma em agricultor familiar e se integra na agricultura moderna ou desaparece. Por conseguinte, Navarro compreende que o processo da recampesinização faz parte da “mitologia sociológica”, e, é um “contrassenso histórico” (p.200). É parte importante dos “discursos de fundo romântico que idealizam o mundo rural” (p. 201).

Estão presentes nas análises de Navarro as hipóteses defendidas nas teorias que compõe o paradigma do capitalismo agrário como a metamorfose do camponês em agricultor familiar; subordinação e integração da produção agropecuária; sucumbência dos grupos camponeses e defesa de uma agricultura de larga escala – agronegócio -. Está descartada dessas concepções a luta de classes, pois, as razões desenvolvidas com a tradição marxista “sobre as classes sociais no campo, com o desenvolvimento do capitalismo, não encontram correspondência nos padrões societários que foram constituídos historicamente e, portanto, são possibilidades analíticas descabidas para este texto” (p.199). Por optar por esse paradigma teórico Navarro (2008; 2010) e os demais teóricos do paradigma do capitalismo agrário continuam “insistindo não existir mais uma questão agrária do capital (BERNSTEIN, 2004, p. 201)”.