III. Aristoteles ve İbn Rüşd’ün Yaşadıkları Ortamların Karşılaştırılması
2.1. İbn Rüşd Metafiziğinin Kavramları
2.1.8. Oluş ve Yok Oluş(Kevn ve Fesad)
Germer (2004) ao analisar a evolução da base econômica e das representações político-ideológicas na agricultura verifica que a agricultura brasileira “ainda sofre um profundo processo de transformação capitalista e, portanto de formação do capitalismo no seu interior” (GERMER, 2004, p. 262. Grifos no original.). Nesse processo de transformações, as perspectivas das lutas sociais agrárias para os anos 1990 serão reorganizadas entre os atores sociais que se dividem entre capitalistas agroindustriais e o campesinato. Esse último composto por “pequenos agricultores, que deverá prosseguir na sua rota de empobrecimento e proletarização (ou semiproletarização)” (p. 266). Nas análises de Germer sobressaem na agricultura brasileira dois processos em curso:
Uma destas particularidades da agricultura brasileira são os diversos tipos de pequenos agricultores autônomos e principalmente os semi-assalariados e o papel revolucionário da sua proposta de reforma agrária. Considerando as questões expostas, fica claro que há, não só uma realidade de tipo capitalista já estabelecida, na agricultura, mas também um processo de transformação em curso, no sentido capitalista, da realidade agrária herdada do passado. Estes dois processos continuarão em curso durante os anos 90, submetidos às particularidades assinaladas acima (GERMER, 2004, p. 265).
Dentre os destaques feitos por Germer (2004) procurando antever a evolução capitalista na década de 1990 realça o papel dirigente dos grandes empresários agrários “estreitamente vinculados à estrutura agroindustrial e ao mundo empresarial em geral (p. 265). A estrutura agroindustrial deverá ampliar-se e consolidar-se por causa dos novos empreendimentos tecnológicos na produção agrícola. Grande parte dessa produção agrícola permanecerá direcionada para a exportação, tal como vinha num crescente nas décadas anteriores. O ponto de controvérsia consiste na falta progressiva de alternativas de sobrevivência do campesinato além dos esquemas de integração com o processo de contratualização, como explica Germer (2004):
Ao contrario do segmento empresarial, a grande massa de pequenos agricultores prossegue em sua trajetória de empobrecimento e proletarização (integral ou parcial), ao mesmo tempo que os segmentos intermediários lutam para sobreviver e integrar-se estavelmente à estrutura comercial cada vez mais competitiva da agricultura. Dada esta complexidade da realidade agrária atual, pode-se afirmar que as perspectivas de evolução da agricultura brasileira nos anos 90 só podem ser adequadamente avaliadas desde que se leve em conta a estrutura capitalista de classes que está em formação e os conflitos fundamentais de interesses que ela encerra (GERMER, 2004, p. 267).
Germer (2004) enfatiza uma nítida polarização no plano econômico identificando em um dos pólos, a grande burguesia agrária que já concluiu sua auto- identificação e, de outro, o campesinato estruturalmente fragmentado, dificultando o desenvolvimento e a consolidação da sua identificação como ele explica:
A este respeito é importante destacar o fato de que a classe-pólo dominante – a burguesia, especialmente a grande burguesia agrária – já completou a sua auto-identificação, no plano político-ideológico, enquanto classe dos capitalistas, ou dos empresários rurais, portanto se reconhece explicitamente como classe de capitalistas rurais. Isso significa que ele se reconhece e se apresenta como classe empresarial e identifica os seus próprios interesses empresariais com toda a clareza. [...] No extremo oposto da estrutura de classes, conforme já foi dito, a força de trabalho assalariado está dividida em dois grandes segmentos: o proletariado propriamente dito e o semiproletariado. O primeiro segmento, embora numeroso, é de formação recente, está disperso pelo território e ainda não desenvolveu a sua auto- identificação político-ideológica como classe assalariada, embora este processo já tenha se iniciado. O segmento semiproletariado é formado por um contingente também numeroso de pequenos agricultores, recenseados pelo censo agropecuário, arrolados na listagem dos produtores. Entretanto, a análise mais detalhada da sua situação revela que se trata, na realidade, de produtores semi-autônomos, pois a precariedade da terra e demais recursos produtivos que eventualmente possui, os obriga a recorrer ao trabalho assalariado, fora do seu pequeno estabelecimento, a fim de complementar a manutenção familiar (GERMER, 2004, p. 270-271).
A burguesia agrária, durante a década de 1980, desenvolveu a sua estrutura de representação e a sua influência sobre o aparelho de Estado, fortalecendo, segundo Germer (2004), o empresariado agrário. Para ele (p. 273-274),
Duas entidades simbolizam, no plano político-ideológico, o fortalecimento do empresariado agrário: a FAAB- Frente Ampla da Agropecuária Brasileira – e a UDR – União Democrática Ruralista. [...] Portanto, do ponto de vista organizativo, das estruturas de representação e do projeto político- ideológico, as classes dominantes agrárias também ingressam na nova década fortalecidas. Possuem sólida implantação no aparelho de Estado e ampla representação legislativa, além de estarem integradas na estrutura agroindustrial e, mais ainda, nos circuitos econômicos, industriais e financeiros do país.
Mantida essa base econômica e esse quadro atual é previsto por Germer as condições favoráveis para a realização dos projetos do empresariado agrário nos anos vindouros. Quanto ao campesinato, durante a década de 1980, o número total de sindicatos de trabalhadores rurais expandiu-se em meio às articulações dos movimentos populares no campo e na cidade e da luta pela terra tendo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST se consolidado a partir de 1985. Trata-se da reação das massas excluídas e das demandas das vítimas como ele compreende,
As lutas dirigidas por estas entidades eram motivadas pela reação das massas de pequenos agricultores contra o processo cada vez mais acentuado
de empobrecimento do qual eram vítimas, e apoiavam-se na ampla legitimidade conquistada por todos aqueles que lutavam contra a ditadura militar, pela restauração da democracia e, no interior destas lutas, pela legitimidade pública conquistada pelos movimentos populares de base. [...] As organizações dos pequenos agricultores e do proletariado rural, atingidas pela crise crônica na base econômica da pequena produção agrícola, pela ofensiva conservadora do governo da “Nova República” e pela repressão privada da grande burguesia agrária, entraram em processo de progressiva desagregação e estreitamento dos seus espaços (GERMER, 2004, p. 275).
As grandes dificuldades para o campesinato consolidar sua identificação e manter a articulação política necessária para o embate com a luta de classes, segundo Germer (2004), advém da sua dispersão pelo território nacional e da diversificação que atrapalha seu avanço no processo de convergência nos anos vindouros. Para avaliar a diversificação
é aconselhável examinar as bases sociais de cada uma das entidades mais importantes da classe trabalhadora rural. O MST tem a sua base social predominante no semiproletariádo agrário, isto é, entre os pequenos agricultores semi-autônomos (aqui também denominados semi- assalariados), cuja área total é menor que 20 hectares e que ou não têm terra própria, ou não têm sequer equipamentos de tração animal para o seu trabalho, ou não possuem ambos. Este é o segmento em que as contradições com o desenvolvimento capitalista da agricultura são mais acentuadas, o que origina uma postura mais contundente de contestação ao sistema estabelecido. [...] O sindicalismo rural, ao contrário, possui uma base social essencialmente heterogênea. Atualmente delineia-se, com clareza, a existência de dois grandes campos de atuação dos sindicatos de trabalhadores rurais: os pequenos agricultores autônomos (em seus diversos segmentos), por um lado, e os assalariados rurais puros, ou seja, o proletariado do campo, por outro (GERMER, 2004, p. 276-277).
Para Germer (2004) o movimento sindical não tem conseguido articular as lutas imediatas ao objetivo estratégico da luta anti-capitalista. O avanço das lutas dos trabalhadores na agricultura depende da forma como será rompida a distância que separa o proletariado do semiproletariado. A direção da luta “só pode ser dada pela camada que, devido à maior intensidade da sua contradição com a ordem capitalista” (p. 280). Lutar contra o capitalismo é condição que qualifica a atuação do proletariado rural e “é essencial que a unidade política com as camadas de pequenos produtores de mercadorias se dê sob a direção político-ideológica do proletariado e do semiproletariado” (GERMER, 2004, p. 283)
O esforço de antever, segundo Gemer (2004), o desenvolvimento das lutas de classes na agricultura, durante a década de 1990, requer a análise de diversos aspectos da realidade social, da qual a agrária possui particularidades que ainda estão em formação. O processo de formação capitalista em curso indica um segmento
empresarial composto por grandes proprietários de terra e sua influência sobre o aparelho de Estado e o campesinato composto por pequenos produtores de mercadorias, o proletariado propriamente dito e o semiproletariado dispersos pelo território e numa diversificação cada vez maior.