III. Aristoteles ve İbn Rüşd’ün Yaşadıkları Ortamların Karşılaştırılması
1.1. Aristoteles Metafiziğinin Kavramları
1.1.7. Hareket ve Değişim Öğretisi
Para as análises de Veiga (1991) a formação da agricultura moderna durante os séculos XVIII e XIX por meio das mudanças tecnológicas, sociais e econômicas, resultarou de um processo de maturidade de, no mínimo, dez séculos, pode propiciar o advento do capitalismo. A junção de duas atividades – agrícola e pecuária – se tornou cada vez mais complementares na produção de grãos e carne. Na gênese desse processo encontra-se o “pousio” como explica Veiga:
É de fundamental importância conhecer o estratégico papel desempenhado por um personagem muito corriqueiro, mas estranhamente esquecido por muitos de nós. Chama-se “pousio” e significa basicamente a interrupção do cultivo de uma área, por um ou mais anos, para que a fertilidade natural da terra possa se regenerar. A intensidade do uso da terra, extremamente variável, tanto no tempo quanto no espaço, pode ser aquilatada pela duração desse descanso da terra (VEIGA, 1991, p. 23).
O desenvolvimento industrial e os inúmeros instrumentos para o trabalho agrícola possibilitaram o cultivo ininterrupto da terra, via rotação com leguminosas. O processo de supressão do pousio desencadeou grande diversidade na evolução das estruturas produtivas impulsionando a transição da agricultura feudal européia para a agricultura capitalista. A evolução do capitalismo urbano-industrial foi sintetizado por Veiga (1991) em três padrões básicos: o inglês, o do leste e o do oeste. “E estes três modelos resultaram fundamentalmente de diferenças existentes nas relações de força entre nobres e camponeses no momento crucial do cercamento dos campos (Servolin, 1985)” (VEIGA, 1991, p. 24).
A proposta de Veiga (1991) está centrada na necessidade de favorecer o desenvolvimento da agricultura familiar pela pujança na sua forma de produzir alimentos e fibras, impulsionando o desenvolvimento do mercado, ao mesmo tempo em que se integra nele:
Com base na experiência histórica dos países do Primeiro Mundo, deve-se pensar que a passagem da economia capitalista para sua fase socialmente articulada de desenvolvimento dificilmente poderá prescindir de um conjunto de políticas públicas que venha fortalecer a agricultura familiar. E este é o argumento central deste livro: a necessidade de favorecer o desenvolvimento da agricultura familiar (VEIGA, 1991, p. 200-201).
O predomínio da agricultura familiar foi detectado no desenvolvimento agrário da Inglaterra, da Dinamarca e dos Estados Unidos, presentes nas análises de
Veiga (1991, p. 25-59), para explicar, por exemplo, que, “na Inglaterra, a decomposição do feudalismo gerou uma famosa trindade: o proprietário fundiário rentista, o arrendatário-patrão e o trabalhador agrícola assalariado” (p. 25). É neste contexto que diversas análises afirmam o desaparecimento do campesianto inglês. Ocorre que, parte dele foi integrado à economia de mercado, uma vez que a forma de produzir e o destino de sua produção se transformaram e sua produção mudou de natureza. Enquanto alguns pesquisadores entendem que essas transformações são suficientes para justificar a sucumbência do campesinato, outros tentam explicar, que o campesinato soube se recriar, se desenvolver dentro desse sistema, sem fazer parte da sua essência, porém se desenvolvendo nele. Essas discussões podem prosperar e serem proveitosas quando da utilização do nosso método de análise para refletir sobre a questão agrária, uma vez que, o confronto interpretativo proporciona, exatamente, conhecer as nuanças das análises e de suas perspectivas.
O desenvolvimento com ênfase na agricultura familiar em que o campesinato desaparece ficou conhecido como “via inglesa” que também foi transferido para os Estados Unidos. “A sociedade americana parece considerar a agricultura familiar como uma espécie de garantia de muitos de seus mais importantes valores e inspirações” (VEIGA, 1991, p. 111). Para demonstrar que ela teve grande importância na modernização, Veiga construiu o quadro abaixo com o número e distribuição dos estabelecimentos agrícolas familiares e patronais, nos Estados Unidos nos anos de 1949, 1959 e 1969: Tipos 1949 1959 1969 Familiares (milhares) 4641 3530 2580 Porcentagens 95% 95% 95% Patronais (milhares) 264 165 146 Porcentagens 5% 5% 5% Fonte: Nikolitch, 1972.
Segundo Veiga foi a agricultura familiar quem impulsionou a modernização constituindo-se num importante fenômeno e se firmando nas economias capitalistas mais desenvolvidas durante a primeira metade do século XX:
A agricultura familiar parece ter sido a forma mais adequada para o fornecimento de alimentos a preços constantes ou decrescentes porque não criava nenhuma dificuldade à intensificação da produção, incorporando todas as invenções tecnológicas, e porque mantinha em funcionamento o
treadmill de Cochrane. E as vantagens dessa forma de produção na
compatibilização dessa função crucial com as demais funções normalmente atribuídas ao setor agrícola parecem ter sido captadas, com muita argúcia, por Owen (1966) em artigo que pode ser considerado um clássico (VEIGA, 1991, 115. Grifos no original).
Para Veiga a noção “pequena produção” é demasiadamente vaga por entender que o tamanho da unidade produtiva não é a questão mais relevante.
O que surge com clareza quando se adota uma perspectiva histórica é a constante oposição e coexistência entre as formas “familiar” e “patronal” de produção no setor agropecuário. [...] Importante, sim, é tentar entender o sentido geral do movimento histórico que fez com que a agricultura familiar tenha predominado de forma nítida em todos os países capitalistas desenvolvidos neste século. [...] Durante o grande impulso do desenvolvimento capitalista (meados da década de 1930 ao início da década de 1970) foi a agricultura familiar que acabou se afirmando em todos os países do chamado Primeiro Mundo, inclusive no berço do belo high-
farming (VEIGA, 1991, p. 188. Grifos no original).
Veiga (1991) entende que, enquanto os camponeses freqüentemente se retiram do mercado, sem por isso deixarem de ser camponeses; os agricultores familiares operam em mercados de produtos e fatores completamente desenvolvidos atuando no bojo de uma verdadeira revolução tecnológica.
Como forma de diferenciar camponês de agricultor familiar Veiga destaca alguns argumentos e elementos tais como: a integração ao mercado, o papel determinante do Estado no desenvolvimento de políticas públicas e a incorporação de tecnologias. Para ele o governo federal elegeu o agricultor familiar como principal elemento do desenvolvimento rural impulsionando o progresso no campo pelo uso de tecnologia moderna.
Como novo personagem, diferente do camponês tradicional, que teria assumido sua condição de produtor moderno; propõem-se políticas para estimulá-los, fundadas em tipologias que se baseiam em sua viabilidade econômica e social diferenciada. A agricultura familiar que se reproduz nas sociedades modernas deve adaptar-se a um contexto sócio-econômico próprio, que a obriga a realizar modificações importantes em sua forma de produzir e em sua vida social.