• Sonuç bulunamadı

III. Aristoteles ve İbn Rüşd’ün Yaşadıkları Ortamların Karşılaştırılması

1.1. Aristoteles Metafiziğinin Kavramları

1.1.2. Madde-Form (Suret) Öğretisi

Para Lamarche (1993, 1998) o grau de diversidade das formas sociais de produção na agricultura apresenta uma paisagem de confusão e de incerteza como se colocasse o pesquisador num caminho repleto de armadilhas e ciladas, muito das quais, advindas da própria definição conceitual. Diante dessas constatações, Lamarche quer compreender a “enorme capacidade de adaptação deste objeto sociológico que é a exploração familiar. Estamos seguros de que esta heterogeneidade reflete também as diferentes faces de um mesmo objeto e não de objetos intrinsecamente diferentes” (LAMARCHE, 1993, p. 13). Seu estudo proporcionará discussão “através da confrontação de situações diferentes” (p. 14), dentre as quais a exploração familiar foi escolhida como conceito de análise definida da seguinte forma:

A exploração familiar, tal como a concebemos, corresponde a uma unidade de produção agrícola onde propriedade e trabalho estão intimamente ligados à família. A interdependência desses três fatores no funcionamento

da exploração engendra necessariamente noções mais abstratas e complexas, tais como a transmissão do patrimônio e a reprodução da exploração (LAMARCHE, p. 1993, p. 15. Grifos no original).

Como forma de minimizar possíveis ambigüidades Lamarche estabelece distinções entre exploração camponesa e exploração familiar. A primeira “é um conceito de análise que define um modelo de funcionamento bem particular de exploração agrícola” (p. 16). Caracteriza-se pela inter-relação entre produção e consumo; a força de trabalho é familiar e os objetivos da produção referem-se a valor de uso e não de troca. Exploração familiar refere-se à forma de organizar a produção agrícola que se caracteriza pela transmissão dos traços socioculturais como explica Lamarche:

Distintamente da maioria dos setores de produção, a agricultura faz apelo a grupos sociais limitados que têm em comum associar estreitamente família e produção, mas que se diferenciam uns dos outros por sua capacidade de se apropriar dos meios de produção e desenvolvê-los. As explorações familiares

agrícolas não constituem um grupo social homogêneo, ou seja, uma formação social que corresponda a uma classe social no sentido marxista do termo. Deste modo, a exploração familiar não é, portanto um elemento da diversidade, mas contém nela mesma toda esta diversidade (LAMARCHE, 1993, p. 18).

É importante verificar a preocupação de Lamarche em privilegiar o conceito de exploração familiar em detrimento do de exploração camponesa. Na compreensão dele, esse conceito evoca o passado, a estagnação, o modelo tribal de subsistência, o tipo selvagem, o resíduo feudal. A evolução social não admite um atraso assim, um estorvo como esse, é “quase” um recuo atávico, por isso a exploração familiar

se organiza em torno de um eixo definido pelo grau de integração na economia de mercado [...] é evidente que a um determinado grau de integração no mercado corresponda uma determinada relação com a sociedade de consumo, um determinado modo de vida e de representação (LAMARCHE, 1993, 18-19).

Para Lamarche é o grau de integração na economia de mercado e na sociedade de consumo que define se o modelo a ser analisado é familiar ou camponês. O familiar indica integração e desenvolvimento. O camponês indica “estagnação, diminuição ou mesmo sua eliminação” (p.19). A evolução da exploração familiar depende da sua integração ao mercado e da sua excepcional capacidade de adaptação “às exigências impostas por situações novas e diversas às instabilidades climáticas, à coletivização das terras ou à mutação sociocultural determinada pela economia de mercado” (p. 21).

Esse critério forneceu sustentação metodológica na coleta dos dados e da organização da base empírica da pesquisa internacional. Para interpretar o conjunto de informações a cerca da exploração familiar e suas capacidades de adaptação Lamarche (1993, 26-32) trata de sociedades e não de países. Quatro tipos de sociedades são suficientes para caracterizá-las quanto aos critérios da economia do mercado: as sociedades no sistema capitalista avançado; sistema capitalista dependente; sociedades em via de desenvolvimento e sistema coletivista.

Na maioria das sociedades que fazem parte do sistema capitalista avançado, “a agricultura conheceu um amplo desenvolvimento simultaneamente fundado nas capacidades produtivas da exploração individual e na concentração dos meios de produção” (LAMARCHE, 1993, p. 26). Para estudar essas sociedades foram escolhidos dois países: Canadá e França. Nas sociedades do sistema capitalista

dependente registra-se a presença de “um impulso socioeconômico irregular [...] e muitas desigualdades sociais no próprio interior dessas relações sociais” (p. 27). O Brasil foi o país escolhido para estudar essas abordagens.

Nas sociedades em via de desenvolvimento são aquelas que deparam com restrições naturais e, além disso, “devem suportar um índice de crescimento demográfico bastante acentuado numa conjuntura de baixo crescimento econômico” (LAMARCHE, 1993, p. 29). Com a Tunísia foram analisadas essas informações. As sociedades no sistema coletivista apresentam “uma agricultura coletivizada (cooperativas e arrendamentos do Estado). A Polônia é um caso particular no Leste da Europa, pois, apesar da coletivização das terras, ela conservou um grande número de explorações individuais” (p. 31).

Como as questões em torno da agricultura familiar, “alcançaram uma dimensão universal” (LAMARCHE, 1998, p. 17), Lamarche quer compreender as razões e as formas através das quais ela evoluiu e transformou as unidades de produção nas várias dimensões. Tendo como critério de análise o grau de integração à economia de mercado e na sociedade de consumo, a agricultura camponesa ou de subsistência é considerada residual e tende ao desaparecimento, “por não permitir acesso suficiente à sociedade de consumo” (p. 328). Enquanto que “a agricultura familiar se organiza em torno de um eixo definido pelo grau de integração à economia de mercado” (p. 62). Portanto, é imprescindível a capacidade de adaptação às exigências impostas pelo mercado, como enfatiza Lamarche:

As explorações familiares que sempre se mantiveram em seus lugares são as que souberam – ou puderam – adaptar-se às exigências impostas por situações novas e diversas às instabilidades climáticas, à coletivização das terras ou à mutação sociocultural determinada pela economia de mercado. Nos países industrializados, muitos exploradores desapareceram porque não puderam, quando foi preciso, modificar seu sistema de produção e adaptá-lo às novas exigências do mercado, sem dúvida por serem muito dependentes de seu “Modelo Original” (LAMARCHE, 1993, p. 21. Grifos no original).

A agricultura camponesa, segundo Lamarche, não apresenta possibilidade de desenvolvimento que assegure seu fortalecimento e reprodução:

Precisamos admitir que os modelos originais, tais como definidos no primeiro volume, isto é, modelos nos quais o produtor encontra suas referências históricas e aos quais permanece mais ou menos ligado, não representam mais, na maior parte dos casos, e qualquer que seja sua forma, uma alternativa no contexto atual de desenvolvimento das sociedades. Precisamos admitir, também, que os modelos ideais imaginados por esses mesmos produtores não representam, como os anteriores, uma solução perene e, portanto, aceitável pela maioria deles. Com efeito, a partir do

momento em que, lembremo-lo, nossa análise das unidades de produção situa-se no contexto de sua integração numa economia de mercado e na sociedade de consumo resultante, é pouco provável que estas unidades de produção possam desenvolver-se, fortalecer-se e reproduzir-se nas bases de um modo de funcionamento de tipo camponês ou de subsistência; quando muito, esses modelos de funcionamento encontram a justificativa de sua presença em contextos socioeconômicos específicos, caracterizados, na maior parte dos casos, por um subdesenvolvimento das atividades ou uma crise de desenvolvimento. De forma que a existência desse modelo, seja ele

camponês ou de subsistência (e constataremos que ainda está bastante

representado, já que agrupa um grande número de unidades de produção de nossa amostra), significa mais um meio de gerir da melhor forma uma situação de crise, do que uma solução suscetível de assegurar o desenvolvimento das unidades de produção do quadro de uma economia de mercado (LAMARCHE, 1998, p. 304. Grifos no original).

A pesquisa internacional demonstrou que agricultura familiar moderna “pode corresponder melhor e adaptar-se às novas exigências de produção” (Lamarche, 1998, p. 329) desenvolvendo melhor suas potencialidades, como nas sociedades capitalistas avançadas. No Canadá e na França, em que os modelos do tipo de empresa, familiar ou não, “representam as formas sociais de produção dominantes; podemos até dizer muito amplamente dominantes, já que 83% das unidades de produção pesquisadas nas áreas canadenses e francesas encontram-se nesses modelos.” (p. 328). Nestas sociedades capitalistas os estabelecimentos do tipo camponês tende a desaparecer como explica Lamarche:

Existem muito poucos estabelecimentos de tipo camponês nas sociedades capitalistas. É importante observar que eles são exclusivamente franceses e que estão presentes nas três áreas de pesquisa francesas. Esses estabelecimentos, muito tradicionais, são encabeçados por responsáveis idosos e sem sucessor; a quase totalidade deles vai desaparecer com a aposentadoria do atual responsável do estabelecimento (LAMARCHE, 1998, p. 328. Grifos no original.).

Nas sociedades capitalistas dependentes o modelo agricultura familiar moderna domina amplamente; como é o caso do Brasil, onde “as unidades de produção desse tipo representam 45% das unidades de produção brasileiras pesquisadas e 43% da totalidade das unidades de produção do modelo agricultura familiar moderna” (LAMARCHE, 1998, p. 330. Grifos no original). A presença do modelo camponês em 18% das unidades de produção é interpretado por Lamarche “como conseqüência de uma ausência total de política [...]” bem como, “a atração muito forte das populações rurais pela cidade” (p. 330). A perspectiva dependerá da evolução da economia de mercado, do aumento da capacidade de consumo e da interferência do Estado brasileiro em adotar políticas agrícolas. Segundo Lamarche:

Podemos então nos perguntar em que medida esses produtores familiares brasileiros prefiguram a forma social de produção do futuro, isto é, o modelo mais apto a responder as necessidades da sociedade brasileira. Não seria apenas uma situação conjuntural, que desaparecerá com o tempo em proveito dos modelos clássicos, do tipo empresa caso a sociedade brasileira evolua para um capitalismo cada vez menos dependente, ou do tipo

camponês no caso de uma evolução recessiva? Tudo depende do progresso

econômico destes próximos anos e da capacidade do Estado brasileiro de dotar-se de uma política agrícola e de impô-la aos diversos parceiros sociais (LAMARCHE, 1998, p. 332. Grifos no original).

As sociedades no sistema coletivista apresentam os seguintes percentuais: 36% dos produtores poloneses “estão classificados no modelo agricultura

familiar moderna, o que representa um terço das unidades de produção deste grupo”

(LAMARCHE, p. 1998, p. 332. Grifos no original). Todavia, o grupo mais importante na realidade polonesa é o do modelo agricultura camponesa com “78 unidades de produção, ou seja, 52% das unidades de produção polonesas” (p. 332).

A agricultura familiar moderna nos países em desenvolvimento, como no caso da Tunísia em que emergiram dois modelos principais: o modelo empresa familiar com 56% das unidades de produção pesquisadas e o modelo camponês ou de subsistência com 27% das unidades de produção pesquisadas.

Apesar de concordarmos com a ênfase dada por Lamarche (1993; 1998) em relação a evidenciar a necessidade do debate teórico como condição para compreender o processo de mudanças que afetam a forma de produzir e a vida social dos agricultores, discordamos dele quanto às perspectivas do campesinato. Entendemos que a recriação do campesinato avança pela disputa do domínio e controle do seu território. A disputa territorial tende a acirrar-se na medida em que são implementadas políticas públicas que priorizam o desenvolvimento de commodities promovendo o tão almejado equilíbrio da balança de pagamento. Os territórios estão sendo disputados pelo agronegócio e seu acesso a volumosos recursos públicos e pelo campesinato que conhece bem os enormes obstáculos que, historicamente, o impede de que esse mesmo acesso lhe seja franqueado. Portanto sua perspectiva dependerá dessa disputa. Se ele permanecer lutando aumentarão as possibilidades de sua condição de autonomia (mesmo que relativa). Caso contrário, as condições de subordinação se imporão, pois, as políticas de subordinação do agronegócio são inflexíveis.

5.TEÓRICOS CONTEMPORÂNEOS E CONTRIBUIÇÕES AO PARADIGMA