• Sonuç bulunamadı

III. Aristoteles ve İbn Rüşd’ün Yaşadıkları Ortamların Karşılaştırılması

1.1. Aristoteles Metafiziğinin Kavramları

1.1.3. Güç (Kuvve)-Fiil Öğretisi

Para Abramovay (1998; 2003) a agricultura familiar é a principal forma social do progresso técnico no campo que se desenvolveu, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, e é a principal produtora de alimentos e fibras das nações mais desenvolvidas. A integração ao mercado, a capacidade de incorporar os principais avanços técnicos e a capacidade de responder às políticas governamentais são características da agricultura familiar, distinguindo-a da agricultura camponesa, como ele entende:

O ambiente no qual se desenvolve a agricultura familiar contemporânea é exatamente aquele que vai asfixiar o camponês, obrigá-lo a se despojar de suas características constitutivas, minar as bases objetivas e simbólicas de sua reprodução social. Aí reside então a utilidade da uma definição precisa e específica de camponês. Sem ela é impossível entender o paradoxo de um sistema econômico que, ao mesmo tempo em que aniquila irremediavelmente a produção camponesa, ergue a agricultura familiar como sua principal base social de desenvolvimento (ABRAMOVAY, 1998, p. 131).

Abramovay afirma que o camponês possui racionalidade econômica incompleta e é parcial sua inserção em mercados incompletos, pois, “o capitalismo é, por definição, avesso a qualquer tipo de sociedade e de culturas parciais” (p.129). Por conseguinte, o futuro do camponês consiste em se metamorfosear em agricultor familiar. “Aquilo que era antes de tudo um modo de vida converte-se numa profissão, numa forma de trabalho” (p.127).

Ele entende que não existe uma discussão especifica sobre o campesinato e a questão agrária nas obras de Marx, Lênin e Kautsky. Elas não são as obras mais indicadas para quem quer conhecer e compreender a questão agrária e suas dimensões, vez que, por intermédio delas, é impossível definir de forma cristalina a natureza e a origem dos rendimentos dos camponeses, pois “a atividade produtiva que dá origem a sua reprodução não tem o estatuto de trabalho social e é neste sentido que o campesinato só pode se constituir naquele grupo de bárbaros de que falava Marx” (p.36).

A razão da nossa discordância diante desse argumento de Abramovay pode ser demonstrada pelo método de análise que estamos propondo nesta tese, para estudar a complexidade da questão agrária. O debate paradigmático como propulsão do método demonstra de forma suficiente que nas análises de Lênin e de Kautsky há,

sobejamente, discussões sobre a questão agrária como questão estrutural engendrada pelo avanço do capitalismo.

Para Abramovay o mercado é o elemento de mediação e compreensão das relações sociais interessando apenas a produção de mercadoria, elegendo, portanto, critério predominantemente econômico “no qual a natureza dos mercados é um dos atributos microeconômicos mais reveladores da vida social” (1998 p.104). Neste contexto “nada mais distante da definição do modo de vida camponês que uma racionalidade fundamentalmente econômica” (p.115), fazendo Abramovay sentir-se autorizado em defender certas concepções como, por exemplo, a de que o camponês possui cultura e economia incompleta e parcial, impossibilitando sua participação em mercados completos desenvolvidos pela economia capitalista.

Abramovay entende que o camponês é a melhor definição de resto feudal, um resquício, classe que representa a barbárie, um estorvo, uma vez que “as sociedades camponesas são incompatíveis com o ambiente econômico onde imperam relações claramente mercantis” (p.130). Ele também defende que a perspectiva do campesinato é sua extinção, dando lugar a um novo personagem, que teria assumido sua condição de produtor moderno totalmente integrado ao mercado racionalizando ao máximo sua produção. Pela nossa proposta metodológica, é possível discutir que, o conceito de camponês e o de agricultor familiar são reveladores de conteúdos completamente distintos. São conceitos opostos, pois cada um deles direciona o olhar para uma realidade distinta. A utilização do nosso método de análise contribui para revelara essas nuanças.

Ao separar a unidade de produção da unidade familiar, como estratégia para compreender a forma de produção, Abramovay verificou que a unidade de produção possui uma natureza fundamentalmente empresarial, fazendo da agricultura familiar “a principal forma social do progresso técnico no campo” (1998, p. 20):

Uma agricultura familiar, altamente integrada ao mercado, capaz de incorporar os principais avanços técnicos e de responder às políticas governamentais não pode ser nem de longe caracterizada como camponesa. [...] Apesar da base familiar comum, é intransponível a distância social entre um suinocultor da Comunidade Econômica Européia, cuja renda depende em última análise dos acordos estabelecidos em Bruxelas e uma família rural na Índia [...]. É possível uma distinção conceitual entre estas duas formas fundamentais de produção familiar? A resposta a esta questão na primeira parte do trabalho é afirmativa, mas condiciona-se a que se busque a raiz da diferença fundamentalmente no ambiente social, econômico e cultural que caracteriza cada uma delas (ABRAMOVAY, 1998, p. 22-23. Grifos no original).

Abramovay tenta diferenciar a agricultura familiar da agricultura camponesa. Se de fato são duas formas completamente diferentes de produção agropecuária, será necessário demonstrar suas diferenças. Em que lugar se encontram as distinções conceituais entre estas duas formas fundamentais de produção familiar que ele prometeu na p.23 do seu livro? Essa separação conceitual entre agricultura familiar e agricultura camponesa consiste na origem de onde emanam os equívocos de Abramovay (1998). Basta constatar que p. 251 ele afirma: “não me pareceu necessário montar uma tipologia pela qual ficassem formalizadas suas diferenças com relação à agricultura familiar contemporânea dos países capitalistas centrais”. Entendemos que não só não é necessário como não é possível. E não é possível não só nos países capitalistas centrais como em qualquer parte do globo e em qualquer época histórica que se queira analisar a produção familiar. Pois a produção que se organiza tendo por base a mão de obra familiar seja em que país for, será aquela de quem o capital extrairá a renda fundiária. Logo, denominar essa forma de familiar ou de camponesa não altera a sua constituição. Aqui se encontra o equívoco de Abramovay (1998):

Explicar a existência camponesa a partir da “lógica do capital” é um equivoco que impede a compreensão do que há de mais importante na estrutura social da agricultura capitalista contemporânea: o peso predominante, em seu interior, de unidades produtivas que são familiares,

mas não camponesas (ABRAMOVAY, 1998, p. 22-23. Grifos no original).

Como ele entendeu não ser necessário montar uma tipologia com a qual pudesse demonstrar em quais unidades produtivas se configurariam aquelas unidades familiares, mas não camponesas, restou ao seu leitor apenas o registro de sua intenção. Entendemos que a tentativa de encontrar distinção entre o camponês e o agricultor familiar, presente nas teorias do paradigma do capitalismo agrário, constitui uma das estratégias que visa negar ao camponês, seu protagonismo.