III. Aristoteles ve İbn Rüşd’ün Yaşadıkları Ortamların Karşılaştırılması
1.1. Aristoteles Metafiziğinin Kavramları
1.1.8. Oluş ve Yok oluş(Kevn ve Fesad)
Nas análises de Silva (1981) são destacadas as mudanças do padrão tecnológico na agricultura, partindo do principio de que a terra se constitui em um elemento importante do próprio capital. Para Silva o sentido fundamental do desenvolvimento do capitalismo no campo é a própria industrialização da agricultura, “o significado do desenvolvimento das forças produtivas no campo não é outro senão o de transformar a terra, de uma dádiva da natureza, num elemento do próprio capital, produto das relações sociais de produção” (p. 45).
Por entender que o campesinato está inserido no capitalismo como parte dele, em que o capital encontra formas de se apropriar do excedente da produção camponesa, numa estrutura produtiva, por meio da qual atrela a produção camponesa à produção capitalista. Silva defende a hipótese de que não há alternativa ao camponês, a não ser contribuir com a reprodução do capital com sua produção ou com sua força de trabalho. Por isso,
A política tecnológica para o setor de pequenos produtores camponeses emerge como um elemento-chave no contexto da transformação dinâmica desse setor, no sentido de destruir, manter e elevar a economia camponesa a um patamar mais alto de integração com a economia global. Em outras palavras, a política tecnológica apresenta-se como de alta relevância no direcionamento dos processos de diferenciação e de decomposição do setor camponês em sentido ascendente e descendente, isto é, na direção de um processo de proletarização ou de capitalização (SILVA, 1999, p. 137-138).
Ao tentar interpretar a importância da pequena produção para o desenvolvimento da agricultura brasileira; ele reflete sobre a reprodução camponesa como reprodução do próprio capital. Assim, esclarece que o modelo de desenvolvimento agrário brasileiro sempre foi, na sua essência, concentrador de terras. Por conseguinte, a pequena produção tinha como principal função, na agricultura capitalista, a de ser produtora de alimentos, garantindo a sustentação do projeto maior que se assentava na grande produção, pois “a produção de alimentos no Brasil, exceto alguns casos particulares, não tem sido atrativa para o capital, na medida em que o mecanismo de fixação de preços a torna pouco ou nada rentável” (SILVA, 1981, p. 37).
Por imposição do capital industrial e comercial, a pequena produção torna-se compradora de insumos industriais e se transforma num setor tomador de empréstimos fazendo dela o maior setor de endividamento da agricultura. Além do que,
é com ela que ele acumula sua enorme reserva de mão-de-obra. Esses são um dos motivos para que o capital proporcione a recriação do campesinato, pois, com ele, visa atender seus interesses, ao mesmo tempo em que, por meio do campesinato, aumenta sua reprodução e se materializa na terra, nas máquinas, adubos, sementes e insumos químicos, etc, como explica Silva:
[...] a pequena produção está inserida no capitalismo como parte dele mesmo, como uma forma adequada (em determinadas circunstâncias e momentos concretos) ao movimento da acumulação. Em outras palavras, a “reprodução camponesa” não se prende a nenhuma lógica própria, nem a nenhuma superioridade técnica que lhe seja intrínseca, senão ao movimento do próprio capital, que a recria de acordo com seus interesses. Não é absolutamente a recriação de um produtor independente de mercadorias, muito menos de um produtor de valores de uso ou de um camponês no sentido clássico; é, pelo contrário, uma forma concreta de reprodução do próprio capital via um “novo camponês”, que nada mais é do que um trabalhador para o capital (Wanderley, 1979) (SILVA, 1981, 131).
Para Silva (1981) o avanço do capitalismo na agricultura brasileira defrontou com uma estrutura agrária extremamente concentrada e se desenvolveu majorando ainda mais essa concentração. A partir dela provocou uma transformação interna, via relações de produção (p. 47), para obrigar a agricultura a responder às necessidades da industrialização. A forma específica do desenvolvimento capitalista no Brasil reafirmou a grande propriedade como um dos seus baluartes e o próprio Estado, segundo Silva, criou mecanismos para favorecer a capitalização da grande propriedade.
É que a estrutura agrária continuou concentrada (e até mesmo o grau de concentração aumentou a partir dos anos 1960), mas houve uma transformação interna – ao nível das relações de produção – que permitiu que a agricultura respondesse às necessidades da industrialização. Ou seja, houve simultaneamente:
a. Um aumento da oferta de matérias-primas e alimentos para o mercado interno sem comprometer o setor exportador que gerava divisas para o processo de industrialização, via substituição das importações;
b. Uma integração maior da agricultura ao circuito global da economia, não apenas como compradora de bens de consumo industriais: houve também o que podemos chamar de uma verdadeira “industrialização da agricultura”, na medida em que esta passou a demandar quantidades crescentes de insumos e máquinas geradas pelo próprio setor industrial (SILVA, 1981, p. 39 e 47).
Simultaneamente a agricultura brasileira expandiu sua fronteira agrícola, aumentando a produção sem necessidade de redistribuir a propriedade agrária, como explica Silva (1981, p. 54-55):
Isso significa basicamente que a possibilidade de multiplicação da pequena propriedade só se materializa por ocasião da expansão da fronteira agrícola, sendo posteriormente engolida quando da consolidação da estrutura agrária nessas regiões, em função do movimento de ascensão cíclica da economia.
A dinâmica da recriação/destruição da pequena propriedade, portanto, é mais ou menos o seguinte: na fase da subida do ciclo econômico, as pequenas propriedades são engolidas naquelas regiões de maior desenvolvimento capitalista no campo e empurradas para a fronteira, na maioria das vezes na forma de pequenos posseiros. Na fase de descenso do ciclo, as pequenas se expandem, é verdade, mesmo em certas regiões de maior desenvolvimento capitalista e/ou de estrutura agrária consolidada. Mas essa expansão é sempre limitada em termos absolutos e quase nunca significa também um crescimento relativo, pois em termos mais gerais do país, ou mesmo das regiões, a grande propriedade no Brasil cresceu sempre a taxas superiores às das pequenas no período 1965-1975.
As transformações externas atingiram as pequenas unidades produtivas, as quais deixaram de ser produtoras de subsistências para dirigir sua produção para o mercado. Silva ressalta que a agricultura brasileira evoluiu basicamente daquilo que poderíamos chamar de vários complexos rurais, grandes fazendas, para aquilo que hoje se chama complexos agroindustriais. O processo agropecuário se industrializou formando os complexos da soja, do leite, da cana de açúcar, da laranja. Para possibilitar seu desenvolvimento começa se aprofundar uma integração entre capitais financeiros, industriais, tecnológicos dentro da agricultura. Neste cenário altera a função da pequena produção como ele explica:
A pequena produção perde também o seu papel produtivo, não só porque houve uma concentração da produção, fruto desse desenvolvimento capitalista, mas porque uma série de produtos de consumo típico da produção brasileira vem caindo rapidamente ao longo do tempo. Então, por exemplo, o consumo do feijão, consumo de mandioca, produtos típicos, consumo de abóbora, etc. vem decaindo rapidamente por força de um processo de urbanização e mudança dos padrões alimentares brasileiros (SILVA, 1988, p. 140).
As análises de Silva proporcionam um resgate histórico com o qual é possível refletir a complexidade do avanço do capitalismo na agricultura brasileira. Elas são importantes para o debate paradigmático, impulsionador do nosso método de análise, podendo, por exemplo, confrontar as compreensões de Silva (1981) com as de Oliveira (1981) sobre os complexos agroindustriais. São duas interpretações diante do mesmo fenômeno. Com a utilização do nosso método de análise esse confronte interpretativo poderá fornecer maiores recursos de inteligibilidade com o qual nos aproximaremos o quanto possível da complexidade da questão agrária.