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III. Aristoteles ve İbn Rüşd’ün Yaşadıkları Ortamların Karşılaştırılması

1.1. Aristoteles Metafiziğinin Kavramları

1.1.14. Âlem

A pluriatividade e as condições de vida dos agricultores familiares são analisadas por Schneider (2006) num contexto de inserção-integração controlada pelo modo desigual em que se desenvolve a mercantilização. Schneider entende mercantilização como resultado de relações sociais que expressa a luta entre os diferentes atores pelo controle de recursos e processos. Ela foi responsável por inserir os agricultores familiares em nova atmosfera de relações sociais. Todavia, esses produtores continuam pertencendo ao campesinato segundo Schneider (2006) por guardar as tradições organizativas do trabalho e da produção, por isso

[...] pouco acrescenta ao entendimento da diversidade das formas familiares de produção e trabalho, das suas dinâmicas territoriais de diferenciação social. Na realidade o estudo da agricultura familiar requer uma análise sociológica multidimensional sobre a diversidade das formas sociais familiares, que pode começar pelo estudo da organização do trabalho e da produção e sua relação com a natureza, mas passa pelo entendimento dos mecanismos de construção das estratégias de interação como o ambiente social que caracterizam as suas relações domésticas (parentesco, gênero, etc.) assim como os múltiplos meios de exercício da ação política (SCHNEIDER, 2006, p. 9).

O estreitamento das relações entre agricultores familiares e os mercados não impôs correspondência entre cada unidade familiar com uma única estratégia desconsiderando sua diversidade. A interconexão de estratégias com os estilos de agricultura familiar propiciada pela mercantilizaçao classifica, segundo Conterato (2008, p. 234-244) cinco grupos de estabelecimentos agrícolas familiares: agricultores familiares altamente descapitalizados e economicamente vulneráveis; agricultura familiar capitalizada, altamente especializada e mercantilizada; agricultura familiar descapitalizada e dependente da produção de commodities; agricultura familiar voltada para o autoconsumo e dependente das transferências sociais e agricultura familiar diversificada na perspectiva não-agrícola e altamente capitalizada.

Para Schneider (2001) a combinação de atividades agrícolas e não- agrícolas dentro de um mesmo estabelecimento configura característica intrínseca do modo de funcionamento de unidades de trabalho que se organizam sob a égide do trabalho familiar, e não demonstração de fraqueza ou definhamento desta formação social. A pluriatividade é a alternativa aos problemas que afetam as propriedades rurais

como a sazonalidade das rendas agrícolas e o seu decréscimo ao longo das últimas décadas e resulta no fortalecimento da própria atividade agrícola e das condições de vida dos agricultores familiares.

A expansão da pluriatividade no meio rural, no entender de Schneider (2006) também pode ser atribuída à dinâmica do mercado de trabalho não-agrícola através de processos de descentralização industrial onde a industrialização descentralizada em área não-urbanas permite o crescimento de atividades não-agrícolas nos espaços rurais. Trata-se, portanto, de estratégia de reprodução social com potencialidade para liberar o agricultor familiar, pois seus membros ampliam o orçamento doméstico através do recurso por meio de atividades realizadas fora da propriedade, em tempo integral ou parcial.

As atividades não agrícolas desenvolvidas são variadas, dependendo do contexto na qual as unidades familiares estiverem inseridas. A adesão à pluriatividade, algumas vezes, pode provocar modificações na organização da unidade produtiva agrícola, estimulando o uso da terra para cultivos permanentes, como o reflorestamento, ou a agricultura de subsistência. Outras vezes, a pluriatividade de membros da família não afeta a produção agrícola, caracterizando-se basicamente como estratégia de emprego de mão-de-obra excedente na agricultura. Esta delimitação da problemática social exige melhor investigação para fornecer a moldura e o escopo da discussão teórica desenvolvida nos debates acadêmicos sobre o significado da pluriatividade numa sociedade capitalista, com base principalmente na contribuição marxista e neomarxista ao estudo da questão agrária.

As dinâmicas do desenvolvimento rural e as estratégias de reprodução da agricultura familiar nos estudos de Schneider demonstram as diversificações e os padrões de autonomia e dependência. Visando compreender a produção da autonomia, Gazolla e Schneider (2007) analisam a produção do autoconsumo dos agricultores familiares do Rio Grande do Sul e verificam que não se trata de uma produção que se reveste de um caráter de atraso e anti-econômico. Ela está entre as questões ligadas ao saber-fazer e demonstra como a produção do autoconsumo pode gerar sociabilidade com as trocas de alimentos e sementes.

Gazolla e Schneider (2007) ao discutir o papel da produção do autoconsumo na agricultura familiar entendem que se trata de uma forma de proteção frente ao mercado de compra de alimento e um meio de garantir a segurança nutricional.

Como produção de alimentos, bens, ferramentas de trabalho ou outros produtos gerados na unidade familiar são utilizados pelos seus membros para suprir suas necessidades com independência frente ao mercado e suas flutuações.

Com as contribuições de Chayanov (1974) e Wolf (1976), Gazolla e Schneider (2007) tentam demonstrar que a produção de autoconsumo é constitutiva do campesinato, como explicam:

Quando se trata do tema da produção para o autoconsumo entre agricultores, torna-se obrigatório retomar as reflexões teóricas desenvolvidas por autores clássicos que trataram do tema, tais como Chayanov (1974) e Eric Wolf. Para ambos, o auto consumo é uma característica que pode ser descrita como

genuína as formas sociais familiares, pois este é uma dimensão constitutiva do

campesinato que o define e o caracteriza em todas as sociedades tanto nas já não mais existentes como nas contemporâneas. Entre os camponeses o auto consumo possui as mais diversas denominações, sendo descrito como nível de subsistência, mínimo calórico como descreveu Wolf (1976), como agricultura de “subsistência” como foi chamado por muito tempo no Brasil e, como consumo propriamente dito que é o termo clássico cunhado por Chayanov (1974) que sintetiza e sustenta a maioria dos estudos sobre campesinato no país (GAZOLLA e SCHNEIDER, 2007, p. 3. Grifos no original).

Outro teórico consultado por Gazolla e Schneider (2007) é Frank Ellis cuja compreensão sobre a produção para o autoconsumo versa sobre as estratégias de reprodução do campesinato por reduzir a vulnerabilidade dele frente ao mercado, como consta nas explicações de Gazzola e Scheneider (2007):

Segundo Frank Ellis (2000) as estratégias de vivência podem ser classificadas em dois tipos principais, dependendo do contexto em que a unidade doméstica está inserida, o nível de riscos e choques a que esta está submetida. Estas podem ser de escolha e adaptação em um contexto no qual o grupo doméstico está condição de ascensão social e até de acumulação. Neste caso, as estratégias de vivência como escolhas postas em prática se referem a uma reação voluntária e proativa para chegar à diversificação dos ativos, fontes de renda e acessos a estes. Ou, podem ser definidas como estratégias de adaptação em um processo contínuo de mudança das estratégias de vivência, em que qualquer melhoramento existente traz segurança e riqueza para tentar reduzir a vulnerabilidade e a pobreza (Davies e Hossain: 1997 apud Ellis: 2000, p. 63) (GAZOLLA e SCHNEIDER, 2007, p. 5-7(Grifos no original).

Gazolla e Schneider (2007) enfatizam que a produção de autoconsumo da agricultura familiar gera segurança nutricional das famílias e funciona como uma forma de manobra da unidade produtiva frente ao mercado, diminuindo sua dependência das constantes flutuações das suas condições de troca. Gera também autonomia da agricultura familiar pelo principio da alternatividade produtiva e pelo principio da flexibilidade garantindo a reprodução social e a inserção-integração na economia de mercado.