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III. Aristoteles ve İbn Rüşd’ün Yaşadıkları Ortamların Karşılaştırılması

1.1. Aristoteles Metafiziğinin Kavramları

1.1.9. Tümeller

Nas análises de Wanderley (2009) podem ser encontradas algumas justificativas para compreender o desenvolvimento do campesinato, não mais como resíduo de relações pretéritas, “mas como um produto gerado pelas formas dominantes do próprio capitalismo brasileiro” (p. 13). E, como a tendência do capital consiste em estabelecer o domínio em todas as relações sociais e subordinar todos os setores da produção, a reprodução do campesinato tem com o capital uma relação indireta “cujos termos são dados pela polarização autonomia-subordinação, isto é, a busca incessante de um espaço de autonomia pelos camponeses, face aos mecanismos de subordinação do capital” (p. 15). A forma produtiva do campesinato extremamente heterogênea, diversa e flexiva contrasta frontalmente com o capital, que procura homogeneizar sua forma produtiva. Chama a atenção Wanderley para as sociabilidades distintas entre o capital e o campesinato,

[...], não é absurdo admitir que existam, vivendo no meio rural e/ou trabalhando na agricultura, categorias sociais que são diferentes entre si, no que se refere ao modo de vida, à forma de produzir, à visão do mundo, etc. Considerando a diversidade um atributo crescente das sociedades modernas, não é necessário negar a diferenciação que se encontra no meio rural, reduzindo-a a um denominador comum, que tudo homogeneíza, ou atribuí-la à “persistência” de formas sociais que escapam à própria dinâmica da sociedade. Compreender a diversidade supõe fundamentalmente desvendar os seus caminhos, isto é, compreender os processos sociais que a engendram, a partir dos quais é possível pressentir a tendência geral. Inverter o procedimento supõe uma visão absolutamente etérea, fora da História, por mais que se reclame dela, pois a imagina fatal e concluída. O estudo da diferenciação social, ao contrário de supor fatos isolados e desconectados, sugere a capacidade de apreender as razões pelas quais as classes, os grupos sociais e os indivíduos constroem sua própria trajetória, estabelecendo as ligações mais profundas de seus objetivos com a construção geral da sociedade. Estas podem revelar não só o esforço de adequação a exigências impostas, mas, igualmente, a busca de concretização de concepções de família, de trabalho, de bem estar, de sociabilidade, etc., que precisam ser apreendidas e compreendidas (WANDERLEY, 2009, p. 13-14).

Para Wanderley (2009) mesmo com integração à economia de mercado e à sociedade de consumo, o campesinato não rompeu com suas tradições e valores culturais. Para ela o agricultor familiar integrado no mercado permanece camponês, por causa da sua enorme capacidade de adaptação a contextos históricos, econômicos, sociais, culturais e ambientais distintos nos mesmos moldes em que defendia Veiga

(1991). Atribui essa adaptação às estratégias familiares que está na origem da heterogeneidade das formas sociais da agricultura familiar. Mais do que produtor de mercadorias o agricultor familiar é um ator social, um protagonista dos processos sociais, aquele que interfere na sociedade como produtor e consumidor e mais diretamente

das transformações da agricultura e do meio rural. Os agricultores familiares são percebidos, assim, como protagonistas dos processos sociais que vivenciam, e o lugar que ocupam na sociedade, longe de corresponder a um destino, definido ideologicamente de forma a-histórica, emerge como o resultado de sua capacidade e, em particular, do mercado e em função dos projetos familiares (WANDERLEY, 2009, p. 16).

Wanderley defende a tese, segundo a qual, a agricultura familiar não é incompatível com o desenvolvimento agrícola, isto é, de que os agricultores familiares são capazes de transformar seus processos de produção, no sentido de alcançar novos patamares tecnológicos que se traduzem em maior oferta de produtos, maior rentabilidade dos recursos produtivos aplicados e com plena valorização do trabalho.

Os agricultores familiares são portadores de uma tradição com fundamentos dados pela centralidade da família, nas formas de produzir e pelo modo de vida. Todavia devem adaptar-se às condições modernas de produzir, como ela enfatiza:

Há, portanto, a considerar a capacidade de resistência e de adaptação dos agricultores aos novos contextos econômicos e sociais. Não é mais possível explicar a presença de agricultores familiares na sociedade atual como uma simples reprodução do campesinato tradicional, tal como foi analisado pelos seus “clássicos”. Esteve e está em curso, inegavelmente, um processo de mudanças profundas, que afetam precisamente a forma de produzir e a vida social dos agricultores e, em muitos casos, a própria, importância da lógica familiar. Porém, parece evidente, como foi dito acima, que a “modernização” desta agricultura não reproduz o modelo clássico (refiro-me aqui aos outros “clássicos”) da empresa capitalista, e sim o modelo familiar. Mesmo integrada, ao mercado e respondendo às suas exigências, o fato de permanecer familiar não é anódito e tem como conseqüência o reconhecimento de que a lógica familiar, cuja origem está na tradição camponesa, não é abolida; ao contrário, ela permanece inspirando e orientando – em proporções e sob formas distintas, naturalmente – as novas decisões que o agricultor deve tomar nos novos contextos a que está submetido (WANDERLEY, 2009, p. 189-190).

Os mecanismos de subordinação e de enquadramento dos agricultores familiares impedem a estagnação na produção de subsistência por impulsioná-los, como forma de integração à economia de mercado, a desenvolver produtos aumentando a capacidade de investimento tanto maior quanto são efetivamente integrados aos mercados modernos. Desenvolvem suas iniciativas em continuidade com suas tradições e em luta contra as formas de dominação política ou econômica. Por essas razões o

principio do rendimento indivisível está mantido, como explica Wanderley (2009, p. 192):

Ao se integrar ao mercado, nas condições modernas de produção, a unidade familiar introduz, em seu funcionamento, a necessidade de pagamentos diferenciados – recursos que têm destinos diferentes, para compra de máquinas e insumos, para o pagamento de juros bancários e eventualmente da renda da terra ou do trabalho assalariado complementar à família. Vale lembrar que, para Marx, o sobretrabalho produzido nas condições capitalistas assume formas distintas e autônomas de mais valia, o lucro, o juro e a renda da terra. Pode-se concluir que o principio do rendimento indivisível, tal como proposto por Chayanov (1974), perde, neste caso, todo poder explicativo? Minha hipótese é que, embora autonomização das parcelas do sobretrabalho seja o mecanismo pelo qual o agricultor familiar se incorpora ao processo de acumulação através de sua atividade produtiva, internamente, os resultados da produção continuam sendo percebidos pela família como um rendimento indivisível.

A agricultura de base familiar assume seu próprio abastecimento, além de ser responsável por significativa produção de excedente. A produção de subsistência longe de ser expressão do atraso e de comprovação de ausência no mercado consiste na estratégia que visa garantir a autonomia relativa da família.

Outra estratégia desenvolvida pela agricultura familiar são as atividades assim denominadas de pluriatividade. Com a diversificação dos afazeres fora do estabelecimento com a ocupação da força de trabalho excedente, garante a reprodução e a sua permanência como ponto de referência central e de convergência para todos os membros da família.