8. HAFTA: SENSÖRLERİN BİRLİKTE KULLANIMI
1.4. Uygula: OR (Veya) Mantık İşlemi
A Constituição Federal de 1988 considera que “as universidades passam a ter autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, obedecendo ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”. Porém, o cenário da Educação Superior no Brasil na década de 1990 não se mostrava condizente com o princípio constitucional relativo à indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, inclusive em relação à formação acadêmica do fisioterapeuta que segundo Dourado (2002), as universidades e demais Instituições de Educação Superior (IES), disponibilizavam uma formação acadêmica baseada apenas no ensino o que resultou em prejuízo na qualidade da formação acadêmica em diversas áreas do conhecimento, entre elas a Fisioterapia.
Dourado e Oliveira (1999), consideram que o processo de globalização e a revolução tecnológica imersos num projeto neoliberal requerem uma nova concepção de formação profissional voltada às leis do mercado, e ainda, a exigência de um novo perfil do profissional, ou seja, um novo modelo de formação profissional que responda as demandas do mercado. Estando a universidade inserida nesse contexto, sua função básica de
produção de conhecimento volta-se a criação de capital intelectual, a formação de competências e a elevação da qualificação profissional o que torna a economia mais competitiva. Já sua função de formação profissional, centraliza-se na operacionalização do ensino, nas leis do mercado, em consonância ao capitalismo. Percebemos a prioridade ao ensino em detrimento de pesquisa e extensão, o que tornou a educação superior, nesse cenário, uma via de certificação (DOURADO, 2002). Nesse contexto, as instituições tendem a não formação de profissionais críticos e reflexivos, mas sim, meros reprodutores de técnicas com base no ensino e transmissão de conhecimento.
Percebe-se então que tal sistema educacional centrava-se na operacionalização (reprodução de técnicas), certificação (para atender às demandas de mercado), banalização (do conhecimento) e aligeiramento (no processo) da formação acadêmica. Desse modo, para se alcançar a expansão qualitativa da educação superior no país, os princípios da Universidade – ensino, pesquisa e extensão – deveriam ser de fato indissociáveis.
Assim, a aprovação e instituição das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Fisioterapia sinalizou um crescimento no âmbito qualitativo na formação acadêmica do Fisioterapeuta.
A Reforma do Estado Brasileiro, nos anos noventa, proveniente da implantação de políticas públicas propôs a efetivação de exigências provenientes de organismos internacionais e que acarretaram mudanças significativas nos rumos da saúde e da educação. Rebelatto e Botomé (1999) descrevem a legislação da Fisioterapia com base nos principais documentos existentes desde a década de sessenta até o final da década de noventa. Foram analisados:
a) o Parecer nº 388/63, do Conselho Federal de Educação – CFE. Um dos primeiros documentos oficiais que definem a ocupação do fisioterapeuta e os limites de sua atuação, na época (BRASIL, 1981);
b) o Decreto-lei nº 938/69, de 13 de outubro de 1969, que regulamenta a profissão de Fisioterapia. Assim, o profissional fisioterapeuta passa a ter formação em nível superior agora regulamentada;
c) a Lei nº 6.316, de 17 de dezembro de 1975, decretada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo então Presidente da República, Ernesto Geisel, que se referia à criação dos Conselhos Federal e Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (BRASIL, 2002);
d) a Resolução 10, do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO, de 3 de julho de 1978, publicado no Diário Oficial da União em 22 de setembro de 1978, que aprovou o Código de Ética do profissional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (BRASIL, 2001).
Importante salientar que a referida Resolução, estabelece a função do fisioterapeuta, que deve ser de assistência ao ser humano, contemplando a promoção, o tratamento e a recuperação de sua saúde. Considera ainda que este profissional deve direcionar sua atuação a fim de prevenir e minimizar o sofrimento humano, através de conhecimentos técnicos e científicos. O referido documento, também menciona a participação do fisioterapeuta em programas de assistência à comunidade sejam em âmbito nacional quanto internacional.
De acordo com Rebelatto e Botomé (1999) as limitações que o Currículo Mínimo colocava ao profissional fisioterapeuta se davam quanto à concepção do objeto de trabalho e do nível profissional do fisioterapeuta; e ainda em relação à conduta terapêutica seja durante o tratamento de indivíduos já doentes, ou cuidados com a saúde da população em geral. A vigência do Currículo Mínimo do Curso Técnico em Fisioterapia foi de 1964 a 1983, enquanto o Currículo Mínimo do Curso de Graduação em Fisioterapia vigorou de 1983 à 2001. Consideramos que muitas foram as limitações sofridas pelo profissional de Fisioterapia durante a vigência do Currículo Mínimo e que estavam associadas a uma não definição em relação à profissão, o que pode ter resultado numa atuação voltada à aplicação de técnicas, desconsiderando um saber-fazer crítico e reflexivo. A partir desse contexto, o perfil do fisioterapeuta se delineava baseado numa visão de mundo fundada numa concepção cartesiana e mecanicista que não favorecia uma atuação que desse conta dos problemas de saúde da sociedade.
Na vigência do Currículo Mínimo, o conhecimento era reproduzido e revelava que a visão de mundo na formação acadêmica em Fisioterapia, tendia a ser tradicional, cartesiana e mecanicista. Segundo Rebelatto e Botomé (1999, p. 74):
(...) quanto mais o conhecimento for apenas “reproduzido” e “transmitido”, ao invés de também produzido, levando-se em consideração a realidade circundante, mais distantes estarão os futuros profissionais de obterem a resolução dos problemas da população do país.
Assim, com a instituição das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Fisioterapia pode-se perceber um processo de mudança na formação acadêmica do fisioterapeuta que apontava para a superação da visão de mundo
fragmentada, cartesiana, reducionista e mecanicista, tão característica da formação acadêmica desse profissional (CAPRA, 2012).
Rebelatto e Botomé (1999) consideram que a universidade ao invés de ser considerada um local gerador de conhecimento, de debates acerca de soluções para os mais diferentes enfrentamentos pelos quais a sociedade passa e, de emancipação humana (alunos e instituição), revela-se reprodutora e transmissora de conhecimento.
Diante do exposto, percebemos que a partir da década de noventa, o cenário da educação superior no Brasil, corresponde a uma concepção de formação acadêmica pautada na reprodução e transmissão de conhecimento e de técnicas (onde o curso de graduação em Fisioterapia também faz parte de tal concepção). Tal cenário é reflexo da dissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, o que favoreceu a expansão da educação superior no país em termos quantitativos, consequência do grande número de Instituições de Educação Superior (IES) que se voltavam ao ensino.
Nesse contexto, consideramos, portanto que a formação universitária, volta-se de maneira geral, para as leis do mercado, ou seja, a formação profissional busca suprir as demandas mercadológicas através da reprodução do conhecimento técnico.
O transculturalismo foi proporcionado a partir da instituição das Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação nas diversas áreas do conhecimento e com o surgimento dos Programas de Mestrado no Brasil, uma vez que houve acesso a bibliografia nacional e estrangeira o que permitiu conhecimento e utilização de avanços científicos nas mais diversas áreas de conhecimento. Diante disso, Rebelatto e Botomé (1999), consideram imprescindíveis, além da assistência curativa e reabilitadora do fisioterapeuta, a promoção e a manutenção da saúde, e a prevenção de doenças, sendo, portanto inadequado atrelar a educação superior ao aprendizado e aplicação de técnicas. Os autores apontam que a superação de tal concepção somente será alcançada a partir de um saber crítico e reflexivo frente à realidade do mundo e da profissão inserida num dado contexto social e histórico.
Rebelatto e Botomé (1999) pesquisaram os Currículos Plenos em vigor de todos os Cursos de Fisioterapia existentes no Brasil bem como os planos de ensino das disciplinas que contemplavam a aprendizagem ou a definição do objeto de estudo da Fisioterapia. Perceberam que os objetivos propostos pelas disciplinas relacionadas ao objeto de estudo do Fisioterapeuta não eram condizentes com a forma como foram propostos, o que apontava uma ausência de objetivos de ensino. De acordo com os autores, o que precisa
estar claro é o que os alunos vão aprender nas atividades propostas, configurando assim, os objetivos de ensino.
Na medida em que não existe um consenso, um “eixo” mais ou menos comum ou uma maior clareza sobre as disciplinas ou classes de aptidões que deverão compor a formação profissional do fisioterapeuta, menores serão as probabilidades de se ter definidas as características (ou o objeto de trabalho) desses profissionais enquanto tais. Da mesma forma, a ausência de uma formação científica do profissional que permita a elaboração de pesquisas (inclusive sobre o próprio objeto de trabalho da profissão) diminui a possibilidade de um desenvolvimento da profissão que seja pensado, estudado, adequado e suficiente (REBELATTO; BOTOMÉ, 1999, p. 154).
Os autores concluíram que tanto o Currículo Pleno, quanto o Currículo Mínimo do Curso de Graduação em Fisioterapia, condicionam uma formação acadêmica com objetivo de ensino mal elaborados, o que pode ser aspecto determinante no que se refere às indefinições quanto a atuação profissional do fisioterapeuta. Consideram ainda que a ênfase na formação curativa e reabilitadora pode ser considerada insuficiente para a formação de um profissional da Área da Saúde. Tal aspecto é considerado nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Fisioterapia, ao mencionar que o profissional fisioterapeuta deve estar apto a atuar em todos os níveis de atenção a saúde.
Com o objetivo de favorecer a compreensão do documento das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Fisioterapia, descrevemos a seguir, os aspectos históricos presentes na trajetória de elaboração do documento.