AVRUPA TOPLULUKLARI İLK DERECE MAHKEMESİ'NİN YARGI YETKİSİ VE YARGILAMA USULÜ
A. DAVANIN AÇILMASI VE YARGILAMANIN AŞAMALAR
3. Usul Organizasyonu Tedbirleri ve Soruşturma Tedbirler
O imaginário social, na concepção de Diaz (1996, p. 13), revela a construção de modelos sociais concebidos de forma padronizada. “O imaginário social é uma complexa rede de relações entre discursos e práticas sociais” que interage com as individualidades e se constitui com base nas coincidências valorativas das pessoas. “Instala-se nas distintas instituições que compõem a sociedade e atua em todas as instâncias sociais”.
No caso da sociedade contemporânea, aqui compreendida como digital, o imaginário é fomentado pelos meios de comunicação de massa, referindo-se às
ideias que coincidem entre diferentes tipos de pessoas a respeito de determinado assunto. Na atualidade, essas coincidências estão ligadas às formas como a mídia repassa as informações. É importante levar em conta, no entanto, que o imaginário social considera a atuação das individualidades, pois é aí que ele nasce e que atua constantemente. Em outras palavras, as ideias coletivas a respeito de determinados assuntos, assim como a maneira pela qual se instauram em relação aos acontecimentos cotidianos, nascem no indivíduo e estabelecem uma rede de conexões entre um indivíduo e outro, materializando-se nas ações socialmente aceitas.
A passagem entre o campo das individualidades, onde as ideias nascem, e a materialização das mesmas, percebida nas ações dos grupos que compõem a sociedade, ocorre nas instituições. Elas permitem que uma ação individual passe a ser aceita socialmente até o ponto em que não é mais questionada. Essas ações tomam corpo na vida das pessoas como se fossem naturais: a ação, de tão “normal” - no sentido de banal, de comum - normatiza-se8.
Essa normatização vai ao encontro de uma vida socialmente harmoniosa. Nossas atitudes dependem de determinados parâmetros, de regras de conduta, de crenças e de valores socialmente estabelecidos, mas que surgiram de individualidades. Tudo isso, quando toma corpo social, paradoxalmente, se esvazia de qualquer individualidade, embora ela seja necessária, inicialmente, para que as ideologias e as formas de comportamento nasçam. Indo mais adiante, aquele que não segue a tendência alimentada pelo imaginário social torna-se socialmente excluído (marginalizado).
A linguagem exerce papel fundamental na construção do imaginário social, uma vez que, por meio dela, a ação individual torna-se socialmente aceita e normatiza-se. Como o homem é o único animal que fala, a língua constitui-se o componente fundamental do imaginário social (Díaz, 1996). O uso da língua e da linguagem permite ao indivíduo, enquanto ser social, compartilhar com outro um sistema simbólico, estabelecendo uma rede de relações que possibilita a construção do imaginário social.
8 O conceito de norma foi proposto por Foucault (2011) na obra M icrofísica do Poder, na qual o autor explica que a normatização dos comportamentos ocorre a partir do estabelecimento de regras disciplinares, as quais estabelecem o que é tido como normal. A normatização, então, não se estabelece na forma da lei, mas a partir de um conjunto de dispositivos que impõem formas de comportamentos socialmente aceitáveis.
Ao estabelecer essa rede de relações, o indivíduo, inconscientemente, incorpora o imaginário social para fomentar a escolha do discurso utilizado com cada grupo social do seu métier. Assim, embora o imaginário social possa ser entendido como uma ideia a respeito de determinado assunto e, portanto, não tenha materialidade, ele é materializado em seus efeitos sobre a sociedade. A mídia atua como o locus principal da construção desse imaginário, pois a linguagem que ela usa é facilmente apreendida pelo indivíduo. Por meio dos recursos midiáticos os Estados Unidos, por exemplo, conseguem alimentar a sua posição imperial diante dos demais países:
Se o Império Romano dominou o mundo pela espada e pelos ritos, o Império Americano controla pelo capital e pela agenda midiática do democratismo comercial (informação, difusionismo cultural, entretenimento) (SODRÉ, 2011, p. 28)
Então, as ideias apresentadas pelos meios de comunicação sobre o terrorismo ganharam contornos bastante fortes para a construção de um imaginário social sobre o assunto, a partir do acontecimento de “11 de setembro”. Para Djik (2010), a mídia é responsável pelo controle do poder social, uma vez que pode usar a língua de maneira a formar uma visão coletiva a respeito dos assuntos:
O abuso de poder só pode se manifestar na língua onde existe possibilidade de variação ou escolha, tal como chamar uma mesma pessoa de “terrorista” ou de “lutador pela liberdade”, dependendo da posição e da ideologia do falante. (DJIK, 2010, p.13)
Díaz (1996, p.17, tradução nossa) fornece elementos para elucidar a questão, quando afirma que “o imaginário social funciona como parâmetro das condutas, das palavras e das expectativas”9. Ao fazer essa colocação, a autora mostra que é possível antever algumas reações coletivas a partir do imaginário social, sendo possível, então, questionar o posicionamento da mídia em relação ao modo como noticia os acontecimentos. Problematizando a questão, a leitura das revistas apontar-nos-á caminhos para entender de que modo a mídia pode funcionar como um veículo de transmissão não apenas de informações, mas de parâmetros de condutas e de controle da vida, ao construir um conceito de terrorismo, a partir das reportagens que noticiaram o “11 de setembro”. Assim, pode-se entender que os
9 Texto original: “el imaginario social funciona como parâmetro de las conductas, de las palabras y de
textos sobre o acontecimento de “11 de setembro” veiculados nas revistas propagam ideologias que são disseminadas e, com eficiência, alimentam o imaginário social a respeito do terrorismo. Nesse sentido, a mídia funciona como um instrumento que se estabelece na sociedade a partir de uma linguagem pedagógica.