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ATİDM KARARLARINA KARŞI BAŞVURULABİLECEK KANUN YOLLAR

B. TEMYİZ USULÜ

A respeito da sistematização de um conceito de terrorismo, Magnoli (2006) dá algumas pistas em relação às suas possíveis definições, lembrando o que ele chama de definição clássica de terrorismo, que seria “uma ação política que combate o poder estabelecido por meio de atos de violência dirigidos contra civis ou militares não combatentes.” (MAGNOLI, 2006, p.76). O autor enfatiza que, no entanto, essa definição foi deixada de lado pelos governos ocidentais após a “guerra ao terror”, uma vez que sua linguagem não fazia parte dos interesses dos governos ocidentais.

A partir daí, outros movimentos em torno da tentativa de estabelecimento de uma definição para o terrorismo foram feitos. Como exemplo, temos um relatório da ONU apud Magnoli (2008), escrito no ano de 2005, que apresenta o terrorismo como qualquer ação:

designada para causar morte ou sérios ferimentos a civis e não-combatentes com o propósito de intimidar uma população ou compelir um governo ou uma organização internacional a fazer ou deixar de fazer algo. (MAGNOLI, 2008, p.17)

O autor alerta para o discurso utilizado pela ONU, que não é o mesmo daquele adotado pelos Estados Unidos, principal “vítima” dos ataques de “11 de setembro”. O governo estadunidense entende como “atos de terror” os ataques a seus militares, referindo-se tanto àqueles que estão diretamente ligados às atividades militares, como àqueles que dão suporte a essas atividades. Na realidade, o governo estadunidense percebeu que qualquer definição bem articulada de terrorismo, iria depor contra seu próprio governo.

Foi a partir desse encaminhamento que o país acabou se apropriando de um discurso para convencer a opinião pública de que era vítima e para essa empreitada, a mídia se tornou sua grande aliada, noticiando o acontecimento de forma a enfatizar a necessidade dos Estados Unidos em revidar os ataques, pelo bem da nação estadunidense. Posteriormente isso abriu caminho para outras nações buscarem a mesma solução para seus conflitos internacionais. Não obstante, a busca pela definição de terrorismo continua, existindo dezenas de convenções internacionais sobre o assunto.

Com o propósito de ampliar a leitura sobre o assunto, iniciamos uma busca no site da ONU sobre possíveis definições a respeito do terrorismo, e encontramos respaldo na proposição apresentada acima. As discussões se intensificaram a partir de setembro de 2001 não havendo, ainda, uma definição aceita por todos os países que participaram das reuniões.

Na contramão dessa constatação aparecem os textos didáticos, que na maioria das vezes, apresentam definições bem delimitadas de terrorismo. Um exemplo é o livro Geografia Geral e do Brasil: espaço geográfico e globalização, que no capítulo intitulado “Conflitos armados no mundo” (como já apresentamos acima) expõe a definição de terrorismo, enquanto “prática política de quem recorre sistematicamente à violência contra as pessoas ou as coisas provocando o terror” (a fonte apresentada é do Dicionário de Política, cujo autor não é mencionado).

O uso da palavra violência ao se referir ao terrorismo nesse tipo de publicação é comum e as imagens são as mesmas das revistas: fumaça, fogo, torres gêmeas, armas. Raras são as vezes em que se faz menção ao Pentágono ou à Casa Branca que, embora não tenha sido atingida na ocasião, também foi alvo de um quarto avião. Parece que o apelo econômico representado pelas Torres Gêmeas

é mais forte que o militar, do Pentágono, e mais ainda que o político, da Casa Branca.

Há no livro mencionado uma contextualização histórica bastante breve sobre o conflito, que faz menção ao Afeganistão de forma mais enfática do que os demais países envolvidos, inclusive com um gráfico mostrando os grupos étnicos presentes em território afegão e um mapa da “Guerra no Afeganistão”. A imagem da torre pegando fogo provém da agência AFP Foundation, a mesma que aparece em algumas imagens na publicação do dia 19 de setembro de 2001 da Carta Capital e também da Veja, que noticiaram o “11 de setembro”.

Ao digitar a palavra “terrorismo” no site de busca google, as imagens se repetem: novamente fogo, armas, sangue, torres gêmeas, homens vestidos de preto com os rostos cobertos e empunhando armas são as mais corriqueiras.

Grande parte dessas imagens são provenientes de sites ligados à educação como educação.uol, brasilescola, portalobjetivo, entre outros. Alguns deles trazem especialistas para falar sobre o assunto, como o site do sistema de ensino Objetivo, por exemplo, que faz menção a uma fala de Noam Chomsky. Apesar disso, a estrutura se repete: as imagens são de fogo, a definição é dada como verdade incontestável e o “11 de setembro” é o principal, quando não o único, acontecimento exemplificador do terrorismo.

A construção de um imaginário social sobre o terrorismo, então, ocorre apartada de uma sistematização do conceito de terrorismo por parte das agências internacionais, uma vez que, enquanto os Estados estão longe de conseguirem delimitar essa forma de guerra, violência, conflito, a mídia e os livros didáticos (que se apoiam na mídia) já têm uma definição clara a respeito do tema.

Nessa perspectiva, entendemos que o “11 de setembro” pode ser tratado como uma guerra de cunho muito mais ideológico, do que militar. Devido à importância que ganhou a mídia nas últimas décadas, motivada pela sua grande difusão entre todos os grupos sociais, esse acontecimento tem nas imagens o seu principal motivador. Isso foi possível devido à presença maciça da mídia na cobertura tanto dos ataques ao World Trade Center - WTC- e ao Pentágono, quanto nos conflitos posteriores ligados a eles: guerra contra o Afeganistão e contra o Iraque.

No campo acadêmico, especificamente da ciência geográfica brasileira, no entanto, as discussões relacionadas ao terrorismo foram e ainda são muito

incipientes, sendo que os acadêmicos fazem mais o papel de especialistas contratados pelas editoras para assinar as matérias de revistas e jornais, que de profissionais que buscam desvendar as ideias. Pensando a respeito desse assunto, colocamos a seguinte reflexão: qual o lugar da academia (e do geógrafo) para a construção de definições que auxiliem na resolução de conflitos? Quais as suas reponsabilidades éticas em relação à conexão do nome das instituições das quais fazem parte aos meios de comunicação, principalmente os privados? As reflexões em torno dessas ideias ficam abrem-se aqui para futuros estudos, uma vez que nossa leitura, embora perpasse o tema, não o tem como foco.