• Sonuç bulunamadı

Turuncu Devrim ve Sosyal Medya Sonuçları

ULUSALGÜVENLĠK BAĞLAMINDA SOSYAL MEDYA

3.2. SOSYAL MEDYA ve ULUSAL GÜVENLĠK BAĞLAMINDA DÜNYADA MEYDANA GELEN ÖRNEK OLAYLAR

3.2.1. Turuncu Devrim ve Sosyal Medya Sonuçları

O local de construção do Mapa Participativo no PA Flávia Nunes (Figura 21) foi a residência da Rosinha, moradora desde a fase de acampamento em 2001, que também participou de outras ocupações pelo MST em fazendas passíveis de desapropriação na região de Uberlândia. Assim, no espaço de diálogo de Mapeamento Participativo

79 estavam presentes, além do pesquisador, Rosinha e mais dois moradores74 do Flávia Nunes, além da relatora do espaço, totalizando assim, cinco participantes.

Morador A: “então vamos fazer de conta que nóis chegou na fazenda hoje”. Morador B: “então aqui é um rego75

né, vamos começar pela reserva né seu Morador C?” Morador A: “no meu modo de ver tinha que começar lá pela sede, no dia que nóis

chegou”. Morador C: “não lá pela reserva não, eles vieram pra ver como que tá a

Fazenda”. “Então a gente começa na reserva, a gente pontua as nascentes, estradas, e

nóis desce até chegar lá, então a sede é aqui depois cê fecha aqui” (Morador B). Assim,

após discussões sobre onde começar a traçar o Mapa, as referências de localização utilizadas pelos participantes foram, respectivamente, estradas, Sede76 e APPs. Quanto à interpretação sobre o que representa a APP para os participantes, observou-se, assim como no PA Emiliano Zapata, que eles fazem uma ligação direta com a preservação de tais áreas e a preocupação em manter as nascentes protegidas para futuramente não esgotar o recurso comum.

Indagados sobre a localização das RLs e APPs no momento da construção

participativa do Mapa de Recursos Naturais do assentamento, foi esclarecido que “aqui

tudo que está dentro desse cercado aqui ó tudo aqui é reserva legal né, então tinha duas nascentes agora só tem uma, aí as áreas de preservação permanente tão dentro dos lotes, todo lote tem uma” (Morador B). Dessa forma, foram traçadas no Mapa (Figura 21): a delimitação das duas RLs existentes no assentamento, representadas pelas áreas delimitadas com as cores verdes e abreviatura de RL em seu interior, e as APPs, representadas pelas áreas preenchidas em seu interior com pontilhados verdes. Sendo assim, verifica-se que todos os lotes possuem fragmento de APP, que também foi representada no Mapa pelos participantes como áreas úmidas.

A Figura 21 trouxe informações sobre os “fios” de água oriunda das nascentes, representados em cor azul, as nascentes pelo símbolo N, sendo que o símbolo Nx representa as nascentes que, segundo os moradores, secaram e AC faz referência às áreas coletivas do assentamento, que atualmente encontram-se em processo de divisão entre os moradores do Flávia Nunes. De acordo com os participantes, dentro da RL haviam cinco nascentes que secaram, sobrando somente uma que abastece o assentamento. Após perceberem o que tinha secado, “nóis cercou muito depois com

74 A título de não identificação em possíveis falas representada na dissertação, moradores do PA Flávia

Nunes A, B e C.

75

Referente ao Córrego.

80 arame velho e muita peleja, agora que está cercado, pois ela nunca teve cercada, volta e

meio as vaca atolavam” (Morador B).

Figura 21. Mapa de Recursos Naturais construído pelos moradores do PA Flávia

Nunes, Uberlândia - MG. Fonte: Pesquisa de Campo, 2015.

Em continuidade à construção participativa, os moradores explicaram que, quando mudaram para o assentamento havia uma “represa” com a função de armazenar a água oriunda das nascentes existentes no assentamento, mas que essa havia

“estourado”. Dessa forma, foi feito, na época, um pedido de intervenção em áreas

protegidas por lei e tal pedido não foi atendido, não sendo liberada “a licença pra nóis

mexer em nada aqui dentro” (Morador B) por parte do IEF. Mas mesmo assim,

Nóis reativou essa represa né, fez mutirão e reativamos ela, botamos bastante pneu, e fizemos barreira de madeira, plantou bambu, que disse que bambu era bão pra segurar, aí nóis conseguiu refazer a represa, só que aí à medida que foi vindo a crise hídrica também, nóis foi perdendo essas nascentes aqui ó, e falta de cuidar também (Morador B).

81 Portanto, é possível perceber que algumas iniciativas de melhorias no assentamento, em termos de preservação dos recursos naturais, estão intimamente ligadas às necessidades básicas, como o acesso à água e, de acordo com o que foi argumentado pelos participantes na construção do mapa, somado às observações do pesquisador, tais medidas foram, em sua maioria, resultado de iniciativas dos próprios moradores.

Do mesmo modo, os moradores destacaram as dificuldades em relação à captação de água, tanto para uso próprio quanto para as atividades agrícolas. Assim, em muitos casos, são improvisadas estratégias para acumular água como forma de aperfeiçoar sua captação para uso. No PA Flávia Nunes, é muito comum o uso de

“Cacimba que ocê vai lá e fura um buraco onde tem água que ela vem” (Figura 22),

construídas em áreas de solos úmidos, geralmente na parte baixa dos lotes.

Figura 22. Foto de uma Cacimba, PA Flávia Nunes, Uberlândia - MG. Fonte: Pesquisa de Campo, 2015.

Apresentou-se, ainda, que há certa dificuldade de utilizarem outras possíveis formas de captar a água, como a perfuração de poços artesianos que, segundo

82 moradores, além da burocracia dos órgãos ambientais para se conseguir a Outorga77, apresentam um valor financeiro significativo. Vale ressaltar que, tanto no PA Emiliano Zapata quanto no PA Flávia Nunes, o INCRA perfurou poços artesianos para captação de água com o intuito de fazer a distribuição para as famílias do assentamento, mas os mesmos encontravam-se desativados até o período em que foi feita a pesquisa de campo. Segundo os moradores dos dois assentamentos, os poços estavam desativados por falta de conclusão da obra por parte do INCRA.