SOSYAL MEDYA VE ETKĠLERĠ
2.1. SOSYAL MEDYA OLGUSU
A modernização da agricultura iniciada durante a ditadura militar provocou mudanças no meio rural brasileiro, com a adoção de um modelo agrícola baseado na produção de commodities voltadas para a exportação, com pilares na intensa mecanização agrícola, grande extensão de terra e alta utilização de agrotóxicos. Assim, o atual modelo, em seus vários aspectos, além de ser agressivo ao meio ambiente, causou grande exclusão social de várias famílias rurais. Para Hespanhol (2008), apesar do sucesso aparente do processo modernizador da agricultura, os efeitos da expansão dos monocultivos e do uso indiscriminado de maquinários e pesticidas se traduziram em um considerável comprometimento da qualidade ambiental em amplas áreas do país, resultando em um imenso passivo ambiental nas mesmas.
Para Carvalho (2011), a região do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, por meio de programas governamentais, consolidou-se como importante complexo agroindustrial do país, no qual ficou notável o desamparo às pequenas unidades agrícolas em favorecimento da concentração das propriedades rurais de médio e grande porte. Essa concentração se manteve em meio ao processo de colonização do Cerrado Mineiro.
Nesse sentido, segundo Cardoso (2009), o processo modernizador teve início juntamente com os principais programas governamentais de colonização e exploração, que se iniciaram a partir da década de 1970. Dentre esses, destacam-se como os principais programas direcionados para o desenvolvimento do Cerrado Mineiro o
46 Programa de Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba - PADAP, o Programa de Desenvolvimento dos Cerrados - POLOCENTRO e o Programa de Cooperação Nipo- Brasileira de Desenvolvimento dos Cerrados - PRODECER, (SILVA, 2000).
O principal objetivo desses programas era impulsionar a produção agrícola por meio da ocupação dirigida. Sendo assim, houve atração de mão de obra qualificada, principalmente para a mesorregião do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, para a qual foram destinados consideráveis recursos financeiros para instalação da infraestrutura necessária, além da criação e fortalecimento dos centros de desenvolvimento e pesquisa. Isso implicou em mudanças socioeconômicas, políticas e ambientais nas regiões de abrangência (ARACI et al., 2011).
O PADAP, criado em 1973, foi o primeiro programa iniciado pelo processo de ocupação do Cerrado Mineiro mediante exploração agrícola intensiva, o qual, de acordo com Silva (2000), incorporou uma área aproximada de 60.000 hectares. Segundo a autora, foram gastos pelo governo mineiro aproximadamente US$ 200 milhões com infraestruturas, além de linhas de crédito, de modo a incentivar a mecanização e gastos com insumos agrícolas visando o aumento da produção. Quanto aos problemas ambientais originados com a implantação do programa dirigido, a retirada da vegetação do Cerrado para cultivo extenso causou degradação ambiental de grande parcela desses ambientes, como a erosão dos solos dessas áreas (SAN MARTIN e PELEGRINI, 1984 apud PIRES, 2000). Segundo o autor, o programa necessitou de ampla mão de obra especializada necessária às atividades altamente tecnificadas para época, ou seja, a implantação do programa não ocasionou significativa absorção de mão de obra disponível na região, o que limitou a inclusão dos trabalhadores rurais não capacitados tecnicamente para as funções exigidas.
O POLOCENTRO abarcou os estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, nesse último, principalmente a mesorregião do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba. O programa de modernização da agropecuária teve sua ação perpetuada nas referidas regiões entre 1975 e 1984. Para Jesus (1988), o crédito cedido pelo Estado foi acessado pelos proprietários mais capitalizados financeiramente, assim os recursos públicos financiados pelo programa contribuíram com a concentração de renda no campo para uma parcela de proprietários já capitalizados em detrimento da pequena propriedade de caráter familiar. Além de ter contribuído para a manutenção da concentração fundiária, que já se encontrava bastante intensificada nos anos iniciais de implantação do programa.
47 Concomitante ao POLOCENTRO, o PRODECER teve início concretamente a partir de 1980, materializado por intermédio da parceria entre o governo brasileiro e japonês, sendo o principal interesse a exportação de produtos agrícolas brasileiros. Esse programa, por sua vez, também apresentou características idênticas àqueles que o antecederam, principalmente no que diz respeito à seleção de crédito e dos colonos para compor os núcleos agrícolas previamente estabelecidos, em sua maioria provenientes das regiões Sul e Sudeste do país (PIRES, 2000). Tanto o POLOCENTRO quanto o PRODECER selecionaram pessoas com nível educacional alto e faixa etária baixa e também os capacitados a seguirem as tecnologias estabelecidas, sendo que o PRODECER se diferiu daquele por ter destinado linhas de crédito fundiário para a compra de terras (CARVALHO, 2011).
Entende-se que o Estado fez a opção pelo modelo modernizador, com o objetivo de expandir a produção agrícola calcada na utilização de grandes extensões de terras e na utilização do pacote tecnológico advindo com a “revolução verde”. Assim, por meio da criação dos programas de ocupação e colonização, principalmente em áreas do Cerrado, o Estado apresentou, objetivamente, o aumento da produção e produtividade agropecuária, sem mais atenção à problemática social e ambiental adquiridas com a adoção de tal modelo que, materializado nos programas colonizadores, manteve a alta concentração de terras em detrimento de uma mudança real na estrutura fundiária. Como consequência, diminuiu as possibilidades de qualquer reforma agrária efetiva e da inclusão social das famílias rurais.
Em meio a esses planos de desenvolvimento e ocupação dos Cerrados, juntamente com o processo de modernização da agricultura implantada na região do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, o período também foi marcado por considerável exclusão social, constituindo efeitos perversos para os trabalhadores rurais, possibilitando, dessa forma, um cenário em que trabalhadores se inseriram na luta pela conquista da terra (GUIMARÃES, 2002).
Em adição, é importante destacar que o processo da modernização conservadora em andamento e difundido complementarmente mediante os programas apoiados pelo Estado se esbarra no processo de redemocratização no Brasil surgido em meados da década de 1980. Ou seja, como reação, outros atores sociais entram em cena nesse período, em especial os movimentos sociais do campo ou de luta pela terra, contestando as contradições geradas pela expansão do modelo agropecuário adotado tanto na dimensão socioeconômica quanto na ambiental. Assim, quanto aos questionamentos
48 sobre a manutenção da concentração fundiária, os movimentos sociais de luta pela terra entram como atores primordiais na luta pela democratização de acesso a essa e em busca das possibilidades de uma reforma agrária. Nesse sentido, de acordo com Vieira (2014) quanto à forma de obtenção de assentamentos em Minas Gerais no período entre 1986 e 2012, em um total de 397 assentamentos criados, 76,8% foram criados através das desapropriações resultantes de ocupação pelos movimentos sociais52 de luta pela terra, 13,9% por reconhecimento, 6% através de compra e 2% entre doação e transferência.
Desse modo, o marco inicial das primeiras lutas pela terra e criação de assentamentos na região do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba se deu com a conquista e criação, em 1986, do PA Iturama, localizado no município de Limeira do Oeste, e consolidado no ano de 2000, e do PA Nova Santo Inácio/Ranchinho, no município de Campo Florido, em maio de 1994 (INCRA, 2013b).
Atualmente, a mesorregião do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba possui 87 Projetos de Assentamentos jurisdicionados pelo INCRA, com 4.649 famílias beneficiadas com a sua criação no período de 1986 a 2013. Nesse cenário, o Município de Uberlândia ocupa a posição de 4º lugar dentro do Estado de Minas e o 1º dentro da Mesorregião em quantidade de PAs criados no período citado (DATALUTA, 2014).
3.2 O Município de Uberlândia: localização e caracterização dos PA Emiliano