3. ANONĐM ORTAKLIK YÖNETĐM KURULU VE SORUMLULUK HÜKÜMLERĐ
3.4. ANONĐM ORTAKLIK YÖNETĐM KURULU ÜYELERĐNĐN HUKUKĐ SORUMLULUĞU
3.4.5. Yönetim Kurulu Üyelerinin Sorumluluğunu Gerektiren Haller Anonim şirket yönetim kurulu üyelerinin sorumluluğunu gerektiren haller, diğer
3.4.5.1. TTK md 336 ile Düzenlenmiş Sorumluluk Haller
Esse tema na pesquisa teve como objetivo verificar se as receitas são transmitidas por oralidade ou por registros escritos. O caderno de receitas não é comum para todas as mulheres, sobretudo entre as mulheres mais velhas, acima de 50 anos. Entre elas, são poucas as que possuem receitas escritas, predominando a oralidade na transmissão e o registro na memória das receitas que fazem com mais frequência; do arroz doce ao doce de figo, não se recorre às receitas escritas para elabora-los.
Eliana, por exemplo, não possui cadernos de receitas. Tudo o que aprendeu foi repassado oralmente ao observar e ajudar a mãe e a avó.
Minha mãe não sabia escrever e nem ler então não tinha caderno... ela aprendeu vendo a mãe dela fazer... eu aprendi do mesmo jeito e as minhas filhas também aprenderam a cozinhar comigo assim, me vendo fazer... elas devem ter caderno de receita... eu nem sei... mas devem de ter sim... elas estudaram, são inteligentes... (Eliana, 69 anos, moradora de Itapeva, em Presidente Bernardes, MG, 2015).
A filha que mora aqui em casa não gosta de cozinha não, mas a outra filha casada gosta. Eu aprendi a cozinhar com minha mãe, desde novinha, mas eu não faço nada de receita não... minha mãe nunca teve caderno de receita... minha filha casada aprendeu comigo, ela me ajudava... mas ela tem caderno de receita, ela gosta de experimentar umas coisas diferentes para os filhos... (Naná, 62 anos, moradora de Xopotó em Presidente Bernardes, MG, 2015).
Naná aponta em sua fala que das duas filhas, uma que é casada e tem filhos, gosta de cozinhar e de experimentar novidades e ela associa as “coisas diferentes” das quais a filha gosta como sendo comidas modernas e por isso devem estar registradas em um caderno de receita, pois o que é tradicional fica registrado na mente, é memorizado. Sua outra filha, a mais nova, com 26 anos, que é solteira e estuda na faculdade, não gosta de culinária. No depoimento de Eliana, há uma associação do caderno de receitas com inteligência e a falta dele com o analfabetismo. A sua mãe não sabia ler, ela mesmo lê pouco e justifica isso como motivo pelo qual ela não tem um caderno, mas destaca que as filhas por terem estudado devem possuir um.
Giard (2012) relata depoimentos de mulheres que pesquisou na Europa, sobre cadernos de receitas tradicionais da família, que possuem semelhança ao depoimento de Eliana. Uma das mulheres do trabalho de Giard respondeu que
as avós eram tão pobres que mal tinham uma cozinha e caderno de receitas não tiveram também.
Se a oralidade é ainda a forma mais presente de transmissão dos saberes nas famílias pesquisadas, fica a reflexão de como isso poderá vir a ocorrer no futuro, com a tendência de saída dos jovens das áreas rurais. O maior comprometimento neste sentido seria em relação aos modos de fazer tradicionais nas famílias. A oralidade está muito ligada às mulheres mais velhas, acima de 50 anos. As mulheres mais novas, falando aqui da faixa etária aproximada de 30 a 45 anos, apesar de terem aprendido por oralidade com as mães, não têm aplicado a transmissão das suas práticas culinárias às filhas mesmo porque, segundo mencionaram não observam muito interesse “das filhas” (falaram em relação às filhas e não filhos) na atividade culinária.
Considerando que receitas culinárias atualmente são facilmente encontradas em banca de revista, na internet e no verso de embalagens industrializadas, registrar receitas na memória ou possuir um caderno de receitas personalizado pode não fazer muito sentido para as gerações mais jovens.
Fonte: Romilda Lima, pesquisa de campo, 2015.
Figura 16 – Caderno de receitas que pertenceu à mãe de Anita, moradora da Comunidade Manja, em Piranga.
A Figura 16 mostra um “caderno” que pertenceu a mãe de Anita (71 anos, moradora da Comunidade Manja, em Piranga), já falecida. Trata-se de um
referência a um “pacote de creme infantil”. Pesquisei sobre isso e verifiquei que produtos da Marca Nestlé já eram vendidos no Brasil na década de 1920, e na fábrica na cidade de Araras, produtos “Lactogeno” (tipo de leite em pó infantil), farinha láctea e leite condensado. Também já se vendia na forma embalada a farinha de trigo, pó Royal e a Maisena. A dúvida que fica é se eram produtos que chegavam facilmente no interior de MG na época. Há que se observar também que o caderno de contas utilizado para anotações estava datado, o que não se sabe é se a receita anotada também pertence ao mesmo período ou se foi aproveitado como cadernos para anotações de receitas e o tal “bolo de Mira”, pode ter sido registrado em data posterior. Sobre anotações de receitas em diversos tipos de materiais reporto a Abrahão (2007) que aponta para registros de receitas culinárias que encontrou anotadas em diversos tipos de lugares e não raro em conjunto com lista de compras, informações sobre plantio etc.
A Figura 17 mostra um caderno feito com capricho, que pertence a Lucia (61 anos, moradora de Manja, Piranga). Ela possui três cadernos de receitas. Um deles pertenceu a sua mãe e os outros dois, ela mesma fez com a ajuda das filhas. Quando queria guardar uma receita, pedia a uma das filhas para copiar no caderno, outras vezes ela mesmo registrava e recortava figuras de revistas que encontrasse para ilustrar. Na ocasião da pesquisa ela mencionou que não tem mais paciência para registrar as receitas, mas como gosta de cozinhar, costuma fazer uma ou outra receita, porém a maioria dos pratos que gosta de fazer já está registrada na memória.
Fonte: Romilda Lima, pesquisa de campo, 2015.
Algumas mulheres demonstraram certo constrangimento em mostrar os cadernos. Diziam que estavam “manchados”, “sujos”, “rasgados”, “bagunçados”,
“mal escritos”, mas outras se sentiram à vontade e mostravam as receitas que
mais gostavam. Apenas um caderno estava mais organizado, o restante possuía folhas soltas, anotações diversas e desordenadas, inclusive endereços de pessoas, contas, lembretes e listas de compra. As anotações eventuais nesses cadernos ocorrem porque eles estão visíveis, em locais de fácil acesso na cozinha e, na falta de outro papel para anotações rápidas, ele assume esta função. Pela mesma razão, muitos possuem manchas de gordura e respingos de ingredientes que estavam sendo usados durante a elaboração da receita. São detalhes que também “falam” da cozinha e dos hábitos alimentares das famílias.
Eu tenho caderno de receita, só que tá tudo rasgado... elas são todas testadas... ou foi por minha mãe, ou minhas avós, ou minhas tias, primas... nada é copiado de televisão ou de revista. As folhas estão quase todas soltas... mas hoje quase tudo que faço, eu já sei de cabeça (Claudia, 66 anos, moradora de Limeira, em Porto Firme, MG, 2015). Tenho uma agenda que uso como caderno de receita... é uma agenda que desde 1977, quando eu casei, que eu anotava tudo, inclusive coisa de costura... e tem até receita também... (Marília, 62 anos, moradora de Mestre Campos, em Piranga, MG, 2015).
Fonte: Luís Pereira, pesquisa de campo, 2015.
Figura 18 – Marília, da Comunidade de Mestre Campos, em Piranga mostrando seus livros e cadernos de receitas.
Folheando o caderno de Marieta (73 anos, moradora de Boa Vista, em Piranga), me deparei com uma receita de brevidade. Comentei que aprecio muito esse bolo, mas que seguindo a receita de minha mãe registrada em seu caderno, a minha nunca fica igual à que ela fazia. Marieta resolveu, então, me ensinar uma receita fácil, que prometi testar.
“Vou te ensinar uma receita fácil e muito gostosa. A receita chama assim: “5, 10, 15” e é assim: Você põe numa vasilha, 5 (cinco) ovos inteiros, 10 (dez) colheres de açúcar, bate bem e ai coloca as 15 (quinze) colheres de maisena e bate mais ainda. Coloca numa forma redonda, untada e põe no forno...” (Marieta, 73 anos, moradora de Boa Vista, Piranga, MG, 2015).
Em relação às receitas e à cozinha, Marieta e Zefa, de Presidente Bernardes, foram as mulheres mais empolgadas. Contaram detalhes de algumas quitandas que fazem e de outras que eram feitas por suas mães e avós. Elas fazem parte das poucas mulheres que entrevistei que confirmaram um grande prazer em cozinhar.
5.8. Os equipamentos da cozinha rural: do fogão a lenha à panela elétrica