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“FARKLILAŞTIRILMIŞ TESELSÜL”

3.6.4. Tasarı 557 Madde Hükmünün Değerlendirmes

A formação dos países da América Latina ocorreu mediante a penetração de culturas estrangeiras, que ocasionaram um processo de mescla cultural. Tal processo vem se dando ao longo dos séculos, por meio do encontro, da reciprocidade e também dos conflitos com as culturas de outros países. Nesse sentido, Canclini (1998), chama a atenção para os processos de hibridismo das culturas latino americanas que foram resultantes do encontro entre a cultura dos conquistadores com a dos conquistados, resultando em processos de diferenciação cultural. O autor estudou o diálogo entre a cultura erudita, a popular e a cultura de massas, especialmente, nos países latino-americanos, nos quais haveria ocorrido um desajuste entre um “modernismo

26 exuberante” e uma “modernização deficiente”3.Para Canclini (1998), a modernidade não deveria ser vista como uma força dominadora que iria substituir o tradicional pelo moderno.

Segundo o autor, haveria uma complexa relação entre a tradição e a modernidade, de modo que o tradicional não seria extinto pela industrialização e massificação dos bens simbólicos. A cultura híbrida estaria sendo gerada pelas novas tecnologias comunicacionais, pela reorganização do público e do privado e pela desterritorialização dos processos simbólicos. As culturas de fronteiras, para Canclini (1998), seriam como formas híbridas, resultantes do fenômeno da desterritorialização. Na concepção do autor, as fronteiras já permitiriam fluxos multidirecionais levando a intercâmbios culturais e econômicos, reforçando a constante (re) construção das mesmas que se tornariam cada vez mais flexíveis. O autor reflete sobre as migrações, tomando-as como uma constante diáspora, como processos que enfraquecem as fronteiras nacionais e redefinem conceitos de nação, povo e identidade.

Esses contextos interculturais são denominados por Canclini de hibridação, pois envolveriam mesclas não apenas raciais, como também fusões religiosas ou de outros processos simbólicos tradicionais. Canclini (1998) destaca a possibilidade de convivência do tradicional com a mudança. O autor destaca a importância da ação do Estado e do mercado quando se quer levar a modernidade às esferas sociais mais desfavorecidas. Para Peter Burke (2003), outro autor que também trata do conceito de hibridismo cultural, no atual período em que vivemos, existe uma tendência a se celebrar o híbrido, pois os encontros culturais são cada vez mais frequentes e intensos. Os processos de globalização cultural envolvem a hibridização, ou seja, existe uma tendência global de mistura e hibridização. A hibridização pode ocorrer na esfera econômica, social, política, bem como cultural. Para o autor, o termo cultura pode ser considerado como uma forma de incluir atitudes, mentalidades, valores e as suas expressões, concretizações ou simbolizações em artefatos, práticas e representações.

Para Burke (2003), o multiculturalismo seria um processo resultante do cruzamento de culturas que produz uma mescla cultural. As práticas híbridas seriam fruto de encontros múltiplos, sucessivos, que adicionariam novos elementos à mistura. Estes encontros contribuiriam para a conversão cultural, voluntária ou forçada, contando com a interveniência

3 Para isso, Canclini (1998) propõe a definição de modernidade como uma etapa histórica relacionada com diversos momentos do Capitalismo. Já o modernismo estaria associado a um movimento artístico e cultural, ou seja, projetos culturais que renovam as práticas simbólicas. O moderno se atrelaria a um modo de refletir sobre esses outros processos, enquanto a modernização seria um processo socioeconômico que constrói a modernidade. A modernidade teria um sentido incerto, pois seria resultado de uma mistura entre a tradição e o moderno.

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de um mediador cultural. Tal fenômeno se manifestaria mediante a ocorrência da circularidade cultural, através da qual os sujeitos sociais incorporariam elementos novos à sua cultura.

Contudo, tal processo seria perpassado por uma apropriação seletiva. Neste sentido, Peter Burke discorda da concepção clássica de “aculturação”, que a toma como a modificação cultural completa, como uma forma de subordinação e adoção das características da cultura dominante. Burke percebe o hibridismo como um processo que possibilita a multiplicidade e a fluidez cultural. Todas as culturas estariam envolvidas entre si, nenhuma delas seria única e pura, mas híbridas e heterogêneas (SAIAD, 1993). Duas culturas ao entrarem em contato se modificariam por meio da mescla, expressando mudanças, mas, também, permanências. Alguns locais, como as fronteiras, seriam particularmente favoráveis à troca cultural. A fronteira não se constitui em um limite espacial, mas cultural. As áreas de fronteira permitem o contato intercultural, não se constituindo apenas em locais de encontro, mas, também, de sobreposições ou de interseções entre culturas. O que começa como uma mistura acaba se transformando na criação de algo novo e diferente. (BURKE, 2003)

Segundo Turner (2008), as mudanças sociais manifestam-se através de uma fase desarmônica do processo social, quando interesses e atitudes de grupos e indivíduos se encontram em uma óbvia oposição. Neste contexto, os sujeitos fariam uma releitura do próprio cotidiano e da visão do mundo que o sustenta. Turner (2008) utiliza o conceito de liminaridade para tratar dos interstícios sociais, que consistem na interposição do centro e das margens, como áreas periféricas do poder. Ou seja, os sujeitos negociam as mudanças através de simbolismos contidos na ação, de modo que ordenam o poder pelos esquemas de significação em uma área fronteiriça.

Para Gupta (1992), a fronteira permite a compreensão da cultura como um fenômeno que não se limita a uma porção espacial. Desta forma, mapear as culturas por ou sobre os espaços é uma missão difícil, visto que haveria um multiculturalismo, que expressaria o fenômeno através do qual as culturas ao longo dos tempos perderam as suas amarras vinculadas a lugares definidos. Deste modo, a mudança social permitiria a percepção da ligação entre os espaços, ao invés de tomá-los de forma desconectada. Para Peter Burke (2003) as consequências das trocas culturais poderiam se manifestar em termos da aceitação, da rejeição (defesa das fronteiras culturais), da segregação e da adaptação. Assim, o autor aponta quatro possíveis cenários para o futuro das nossas culturas: o primeiro seria a resistência ou contra-globalização; o segundo seria a da diglossia cultural, uma combinação de cultura global com culturas locais;

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o terceiro seria a homogeneização, uma fusão de diferentes culturas e, por fim; a possibilidade do surgimento de novas sínteses.

Em suma, os processos de hibridismo cultural permitiriam entender que as transformações do período atual ocorrem em diferentes velocidades e expressam mudanças, permanências e mesclas. As transformações imateriais, aquelas condizentes a mudanças de atitude e de mentalidade podem ser ainda mais lentas do que as transformações materiais. A hibridização consciente permitiria ao sujeito a escolha daquilo que ele considera como apropriado à situação em que se encontra. Mas a hibridização também poderia se dar de forma inconsciente. Uma cultura poderia conquistar outras. Assim, haveria a emergência de uma nova forma de ordem cultural, rapidamente diversificada. Entretanto, as formas híbridas de hoje não se mostrariam, necessariamente, como um estágio no caminho para uma cultura global homogênea.

Identifica-se como característica da contemporaneidade não apenas a mobilidade socioespacial, mas, sobretudo, a simbólica, expressada pela capacidade do indivíduo de mover- se entre vários universos culturais em diferentes escalas espaço-temporais, e de lidar com um amplo repertório de material simbólico, com distintos códigos e fronteiras simbólicas. A coexistência desses diferentes códigos simbólicos em um mesmo grupo, ou com um mesmo indivíduo ou localidade distingue o cenário social das sociedades contemporâneas. Os indivíduos não pertencem mais a um só grupo ou localidade e, portanto, não têm mais uma única identidade distintiva e coerente. As identidades construídas e permeadas pela lógica cultural pós-moderna são híbridas, maleáveis, fluidas e multiculturais (CANCLINI, 1995).

As localidades e os espaços rurais, ao serem perpassados pela intensificação das relações sociais contemporâneas, combinam, a partir de suas matrizes simbólicas, os diversos elementos advindos dos fluxos globais, promovendo um movimento de decomposição-recomposição em suas configurações sócio espaciais. Segundo Canclini (1995), neste movimento, (re) constroem- se novas configurações e identidades sócio espaciais, em que o ‘velho’ e o ‘novo’, o antigo (a

‘tradição’) e o ‘moderno’, compõem-se, justapõem-se ou mesmo se fundem peculiarmente.