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TRB Ortadoğu Anadolu Bölgesinde Bal Üretimi ve Pazarlaması 1. Bal Üretimi ve Pazarlaması

PAREKENDE SATIŞ NOKTASI

4.8.6. TRB Ortadoğu Anadolu Bölgesinde Bal Üretimi ve Pazarlaması 1. Bal Üretimi ve Pazarlaması

Doise (1994) chama a atenção para a pluralidade de abordagens e a diversidade de significações que veiculam e fazem da RS um instrumento de trabalho

difícil de manipular. Na mesma direção, Jodelet (2001) aponta para a necessidade de desenvolver-se uma abordagem que respeite a complexidade dos fenômenos e da noção de RS, mesmo que isso pareça um grande desafio. Para a autora, a multiplicidade de perspectivas da abordagem da TRS em diversos campos do conhecimento desenha territórios mais ou menos autônomos, em função da ênfase dada a aspectos específicos dos fenômenos representativos das RS. Esta pequena introdução serve para justificarmos o uso de mais esse instrumento em nossa pesquisa.

Dada a complexidade do objeto de estudo da investigação (as ideologias subjacentes à representação sobre formação de professores), o modo de aproximação dele deverá cercar-se de cuidados que garantam o seu entendimento na totalidade do que se pretende. Na perspectiva de múltiplos olhares sugerida por Jodelet (2001), considerarmos o que diz Harré (2001) sobre o papel das palavras como suporte das representações sociais:

Uma das características dos trabalhos de Moscovici foi a de enfatizar os vínculos entre a atividade linguística e manifestação das representações sociais [...] Potter e Litton lançaram a ideia de um repertório linguístico como suporte concreto para as representações sociais. O fato de que a partilha de uma teoria seja facilitada pelo domínio comum de um vocabulário adequado é fenômeno conhecido e amplamente difundido (Ibid., p. 105-106).

Conforme essa visão, sendo o discurso o veículo primordial para o compartilhamento dos conhecimentos, é através, pois, das palavras que o compõem que se ‘vetorizam’ as representações. De modo semelhante, ao referir-se à estrutura ideológica que ampara o discurso, van Dijk (2008a, p. 43) afirma que ela é formada por cognições fundamentais, socialmente compartilhadas e relacionadas aos interesses de grupos e seus membros, é adquirida, confirmada ou alterada, principalmente, por meio da comunicação e do discurso.

Cabe, pois, afirmar que adotamos a visão segundo a qual as representações sociais existem nas estruturas formais (morfológicas, lexicais, sintáticas, etc.) das línguas faladas e escritas, tanto quanto na organização semântica de seus léxicos e que muitas representações sociais importantes são adquiridas como crenças individuais no curso da aprendizagem de uma língua, em particular da língua materna (HARRÉ, 2001, p. 107). Em última instância, é essa também a ideia defendida por van Dijk (Ibid.) e que orienta nossas indagações e metodologia de pesquisa.

Pelas razões expostas, apresentam-se os questionários como instrumentos que fornecerão a materialização do que os autores apontam: a espessura ideológica e os vetores léxicos das RS, que nos permitirão entender o objeto de estudo pesquisado. Ajuntados ao material colhido no curso das entrevistas realizadas, dar-nos-ão elementos suficientes para que alcancemos os objetivos propostos.

Passaremos, agora, a descrição da etapa das entrevistas. 4.4.3 Entrevistas

A partir de tudo que foi discutido anteriormente, podemos afirmar que as representações sociais são formas de conhecimento. Além disso, é lícito dizer que são estruturas compostas por elementos cognitivo-afetivos e, por isso, devem ser estudadas levando-se em consideração ambos os aspectos de sua constituição. Dessa forma, devem ser entendidas desde o contexto em que se geram e de seu papel nas interações sociais, ou seja, na orientação de práticas.

Assim, aponta-nos Spink (2002),que o sujeito a ser estudado em pesquisas que usem a TRS, será um sujeito social e que por esse se deve entender:

[...] um indivíduo adulto, inscrito numa situação social e cultural definida, tendo uma história pessoal e social. Não é um indivíduo isolado que é tomado em consideração, mas sim as respostas individuais enquanto manifestações de tendências do grupo de pertença ou de afiliação na qual os indivíduos participam (p. 120).

A descrição é importante para lembrarmos que as representações somente existem quando partilhadas por um grupo e que, por isso mesmo, são parte da criação e da transformação da realidade social. Conforme o discutido no capítulo teórico, elas são produto de uma ressignificação constante do mundo, por parte do indivíduo.

Para a autora citada, a coleta de dados em pesquisa de natureza interpretativista e de associação de ideias como a nossa, exige longas entrevistas semiestruturadas acopladas a levantamentos paralelos sobre o contexto social e sobre os conteúdos históricos que informam os indivíduos enquanto sujeitos sociais. Por essa mesma razão, já anteriormente explicitada, o número de participantes de pesquisas como essas é reduzido e seus participantes apresentam-se sob o conceito já apresentado de “sujeitos genéricos”.

Finalmente, Spink (2002, p. 130) apresenta as etapas para a aplicação desse instrumento de geração de dados, os quais transcrevemos a seguir:

1. Transcrição da entrevista;

2. Leitura flutuante do material, intercalando a escuta do material transcrito de modo a afinar a escuta deixando aflorar os temas, atentando para a construção, para a retórica, permitindo que os investimentos afetivos emerjam.

3. Retorno aos objetivos da pesquisa e, especialmente, definir claramente o

objeto da representação.

Durante a segunda etapa, a autora chama a atenção para o cuidado que o pesquisador deverá ter para detectar possíveis variações ou versões contraditórias que podem emergir do discurso e que podem indicar a forma como esse se orienta. Os aspectos retóricos também deverão ser observados, podendo fazer parte da construção da argumentação contra ou a favor do entendimento construído pelo sujeito sobre o objeto.

Por se tratar de uma representação complexa, a que escolhemos para estudar, o caminho indicado por Spink (2002), na terceira etapa, é aquele que busca mapear o discurso, a partir dos temas emergentes definidos pela leitura flutuante e guiados pelos objetivos do pesquisador. Esses temas constituirão, segundo ela, as dimensões nas quais se organizam as ideias dos sujeitos. A etapa final da análise indicada pela autora diz respeito à construção de gráficos que associem essas dimensões às ideias que as subjazem.

No nosso caso, além de desenvolvermos os passos descritos, a análise avança para um viés crítico dos temas emergidos do discurso dos professores, realizada conforme as bases do que propõe van Dijk (2003) e de acordo com o que descreveremos no próximo item, no qual explicitaremos as categorias e as etapas de análise, para a evidenciação das ideologias que dão suporte às RS, das quais emergem esses elementos léxicos.