A oferta da alimentação escolar no DF começou oficialmente nas escolas primárias, concomitante com o início das aulas em 1960, apoiada pelo SAPS, e como política multisetorial, facilitada pela proximidade dos órgãos federais (principalmente MEC e MS).
Acompanhou a dinâmica desenvolvida em todo Brasil, com a “nacionalização”; entre
1954-1982, com os programas: PNME (1954-1955) e CME (1955-1956), quando situava-se no município do Rio de Janeiro, no Estado da Guanabara; CNME (1956-1965); CNAE (1965- 1981); e o PNAE (1979-) com a mudança da Capital Federal para o Planalto Central; a partir
de 1983, com a “estadualização” e criação da FAE (1983-1998); e a
“municipalização/escolarização”, iniciada em 1994 legalmente pela FAE, e consolidada pelo FNDE (1998-).
158 Com a instalação da Prefeitura do Plano Piloto e dos poderes da República em Brasília, o sistema educacional a cargo da CASEB, foi transferido para a Fundação
Educacional do Distrito Federal (FEDF)40, vinculada ao MEC, com o dever de assegurar sua
qualidade e a eficácia. O primeiro órgão da FEDF com atribuições exclusivas de recebimento
e distribuição dos alimentos foi o Setor da Merenda Escolar (SME)41.
A partir de 1982, com a extinção da CNAE, as atribuições do PNAE no DF foram transferidas para a FEDF, exigindo um planejamento estratégico-operacional de ações e atribuições, normatizado pelo Convênio nº 18/1981, de 18 de fevereiro de 1982, que redefiniu as competências do órgão e do pessoal envolvido com a alimentação escolar no DF.
O Decreto 6.037, de 19 de janeiro de 1983 instituiu o PEAE-DF sob a responsabilidade da Secretaria de Educação do GDF, que desenvolvia ações integradas ao PNAE, coordenado, então, pela FAE. Entretanto, a FEDF assumiu todas as atribuições do PEAE-DF, ficando a parte técnica e de supervisão a cargo do Departamento Geral de Pedagogia (DGP) a ela vinculado e a parte operacional e de execução a cargo da Divisão de Apoio Escolar (DAE).
Apesar da descentralização de ações com a criação do PEAE-DF, a gestão era centralizada pela FAE, que planejava os cardápios, adquiria gêneros por Concorrência Pública, contratava laboratórios especializados para controle de qualidade e distribuía os alimentos. Até meados de 1984, os cardápios eram planejados apenas com alimentos formulados. O GDF garantia os recursos financeiros necessários para gastos com pessoal, armazenagem, transporte de alimentos, gás, uniformes e material de cantina.
Em 1985 a FAE desenvolveu projeto de regionalização dos cardápios. A FEDF passou, então, a ter autonomia para escolher os produtos para compor as refeições a serem servidas nas escolas da rede, reduzindo a participação dos formulados, intercalando com os alimentos básicos. Mas ainda não tinha autonomia para realizar compras.
A descentralização financeira ocorreu de fato com o Convênio FAE/FEDF nº 12, de 16 de abril de 1992 e posteriores (nº 15, de 23/07/1992; nº 18, de 11/11/1992; nº 21, de 30/06/1993 e nº 1.210, de 10/06/1994) que permitiram, pela primeira vez, a compra de
40 Decreto nº 48.297, de 17 de junho de 1960. 41 Decreto nº 230, de 03 de abril de 1963.
159 alimentos básicos conforme pauta da FAE/FEDF, que garantia 15% das necessidades com a oferta diária de uma refeição (DISTRITO FEDERAL, 1994).
O GDF complementava, com recursos próprios, ações voltadas para alimentação de alunos: “carentes do Curso Magistério; de escolas de educação integral e extensão de jornada; do „Projeto Aceleração da Aprendizagem‟; PROEM, CAB, CAIC; de creches da FEDF; e que participam de eventos escolares”. (DISTRITO FEDERAL, 1994, p. 6).
A Lei nº 8.913, de 12 de julho de 1994 consolidou a descentralização financeira sem a necessidade de convênios. Os cardápios, com alimentos básicos adquiridos pela FEDF e formulados pela FAE, eram: arroz/macarrão com frango, almôndega ou sardinha; arroz carreteiro; baião de dois; feijão tropeiro; sopa de feijão com macarrão; leite caramelado com biscoito; bebidas lácteas, pudim, cremes e mingaus formulados; e sopas de frango, carne ou feijão com massa de cereais e vegetais desidratados (DISTRITO FEDERAL, 1994, p. 11).
No início de 1995, a Divisão de Apoio Escolar (DAE), que já contava com uma seção específica da área, a Seção de Alimentação Escolar (SAE) investiu nas ações de descentralização do PEAE-DF, quando foram realizadas visitas in loco a alguns estados (MJ, RJ, e GO), que já haviam adotado o modelo na forma municipalizada. Não obstante, o “Projeto de Descentralização da Merenda Escolar do Distrito Federal” visava repassar
recursos transferidos do FNDE às escolas de 1º grau a título de “escolarização” e não
“municipalização”, posto que a CF/1988 não lhe permitia a divisão em municípios.
Seguindo o sistema de descentralização/municipalização do PNAE adotado pela FAE em nível nacional, o projeto visava valorizar a produção local, reduzir custos, melhorar cardápios e atender às especificidades de cada Região Administrativa. Assim, o Decreto 16.831, de 06 de outubro de 1995, nos termos da Lei 8.913/1994, que consolidou a descentralização municipal em todo País, criou Conselhos de Alimentação Escolar vinculados a cada DRE (à época, Divisões), sendo subordinados ao DGP/FEDF.
A iniciativa da descentralização/escolarização constituía-se em uma das diretrizes do governo do então governador Cristóvam Buarque, que instituiu, por meio da Lei 957, de 22 de novembro de 1995, a Gestão Democrática do Ensino Público no DF, que definia:
Art. 1º São princípios da Gestão Democrática do Sistema de Ensino Público do Distrito Federal: [...]. IV – Autonomia das unidades de ensino, no que
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lhes couber pela legislação vigente, na gestão pedagógica, administrativa e financeira de seu projeto educativo, sob responsabilidade de um Conselho Deliberativo Escolar, com representação eleita dos quatro segmentos da comunidade escolar: alunos, pais ou responsáveis, professores/especialistas e servidores da carreira assistência à educação, com presença nata diretor eleito. (DISTRITO FEDERAL, 1995).
Por meio da Gestão Democrática, as escolas do DF já tinham certa experiência na área de escolarização de recursos, vez que administravam Suprimento de Fundos, sistemática especial e excepcional de pronto pagamento de despesas miúdas que, por sua natureza ou urgência, não pode aguardar tramitação normal de execução orçamentária. Embora o processo fosse diferenciado, por se tratar de recursos do GDF, não eram sujeitos ao controle do TCU.
De forma experimental, em 1996, iniciou-se a escolarização parcial do PEAE-DF, sendo os recursos repassados diretamente às APMs, Conselhos de Alimentação, Caixas Escolares e similares. Foi assim operacionalizada:
Diagrama 9 – A descentralização/escolarização do PEAE-DF
Fonte: Projeto de Descentralização da Merenda Escolar. GDF/SE/FEDF. Brasília: 1995. Elaborado pela autora.
Pela organização administrativa peculiar do DF, o processo não se consolidou. Mesmo tendo colocado em xeque a padronização dos cardápios que eram oferecidos na modalidade centralizada, o processo foi dificultado pela falta de autonomia política das RAs a intermitência da oferta pelos atrasos nos repasses, haja vista que, até então, o DF era a única Unidade Federativa que oferecia alimentação escolar durante todo o ano letivo, sem interrupção (FEDF, 1995).
Dadas as alegações, entre outras dificuldades apontadas pelos gestores nas DREs, baseados, principalmente no tripé Tempo/Recursos Humanos/Recursos Financeiros, em 1998, a Gestão Centralizada foi restabelecida, e o PEAE-DF é assim executado até hoje.
FAE Transferência recursos do PNAE para o PEAE-DF SE 1. Repasse e recebimento de prestação de contas de recursos às escolas com
APMs, Conselhos Escolares e congêneres devidamente constituídos,
conforme cálculos efetuados pela FEDF.
2. Atendimento centralizado às demais escolas não participantes.
ESCOLAS SELECIONADAS
Pelo processo experimental de escolarização, recebiam recursos da SE, adquiriam alimentos, armazenavam, consumiam e prestavam contas
à DAE/FEDF.
ESCOLAS NÃO SELECIONADAS
Recebiam os gêneros de forma costumeira: adquiridos pela FEDF (Gestão Centralizada) e distribuídos pelo Depósito Geral de Alimentos
161 O PNAE passou a ser coordenado pelo FNDE com a extinção da FAE em 1988. A parceria FEDF/FNDE perdurou até 2000, quando foi criada a Secretaria de Estado de
Educação do Distrito Federal (SEEDF)42, com competência para gerir o sistema de ensino do
DF e seus respectivos programas e projetos suplementares à política de educação. Desde então FNDE/SEEDF são responsáveis pelo PNAE/PEAE-DF, respectivamente.
4.3 A GESTÃO DO PEAE-DF E SEU ATENDIMENTO ÀS DIMENSÕES DA