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No período em que foram realizadas as visitas in loco para coleta dos dados e informações sobre o funcionamento da alimentação escolar na escola, não foi possível contatar pessoalmente o Diretor. Dados foram colhidos em conversa informal por telefone.

Foram disponibilizados para consulta documentos obrigatórios de execução anual do PEAE-DF, como: Controle Diário da Alimentação Escolar; Demonstrativo Trimestral de Merenda (DTM); Ficha de Prateleira; Recibos de gêneros semiperecíveis e perecíveis (pães, carne resfriada, ovos, legumes, margarina, hortaliças) e gás; Guia de Recolhimento ou Substituição de Alimentos; e o Termo de Guarda e Responsabilidade.

A análise desses documentos permitiu observar se a escola vem cumprindo com as novas diretrizes, princípios e objetivos do PNAE, especialmente em relação à sustentabilidade do programa, com a oferta de cardápios diferenciados aos alunos com problemas alimentares (respeitando a sustentabilidade da saúde); a oferta de cardápios melhorados, acrescentando gêneros que são produzidos na região e passíveis de serem utilizados na alimentação escolar

194 (respeito à sustentabilidade cultural); se os produtos adquiridos e entregues na escola, mediante consulta das notas fiscais, são de fornecedores locais ou da agricultura familiar, tendo em conta que, segundo a EMATER-DF, a região de Planaltina é considerada um cinturão verde ao redor do DF (respeito à sustentabilidade social e econômica).

Os depoimentos dos representantes da Direção revelam que a escola desenvolve diferentes projetos pedagógicos que visam promover a educação nutricional. É proibida a cantina comercial; a presença de ambulantes nas proximidades; e a escola segue cardápios elaborados pela GME. Como a comunidade é bastante participativa, sempre há oferta de cardápios incrementados e diferentes do sugerido, respeitando-se as condicionalidades (sem guloseimas, sal e gorduras). A direção afirmou que há identificação de alunos com problemas alimentares no início de cada ano letivo, inexistindo, no momento, tais alunos na escola.

Neste ponto houve divergência em relação às respostas dos alunos e professores que consideraram os cardápios “sem graça” e muito repetitivos. Também, foram encontrados alunos com anemia (3%) e intolerância ao leite (3%). Foi verificada a oferta de biscoito com leite caramelado, canjica, vitaminas de frutas, iogurte, e cereal de milho com leite, como cardápios oferecidos a estes alunos, inclusive os que têm intolerância à lactose.

A maioria dificuldades levantadas refere-se ao absenteísmo e insuficiência de recursos humanos para atendimento da demanda, logística de preparo, distribuição e limpeza nos moldes desejáveis. Todos os segmentos participantes foram receptivos e evidenciaram objetividade, segurança e transparência em suas opiniões. Não se observou divergências nas respostas, com exceção do ponto de vista de alguns professores, que ainda têm uma visão assistencialista do PNAE, talvez pelo desconhecimento da legislação que o orienta.

A análise documental foi bastante facilitada, tanto pelos órgãos gestores (DAE/GME), pelo CAE-DF, pelas DREs/NAEs e pela escola, oportunizando a consulta minuciosa a diversos documentos norteadores e formulários utilizados na execução do PEAE-DF, e as dúvidas suscitadas sempre eram esclarecidas por outros documentos ou mesmo por telefone.

Dessa forma, foi possível verificar que o PNAE, especialmente o PEAE-DF está em pleno processo de desenvolvimento e consolidação como parte integrante e suplementar à política de educação.

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CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

A criação efetiva, na década de 1930, do modelo escolar público, quando a alimentação passou a ser executada como proposta voluntária e beneficente; sua institucionalização legal como política pública em 1955 para os estados mais pobres; passando por sua nacionalização na década de 1970; a promulgação da CF/1988 que a elevou à condição de direito humano fundamental; a sua descentralização financeira a partir de 1993; e após sua introdução como eixo da PNSAN em 2005; colocou a alimentação escolar como programa suplementar à política educacional, descaracterizando-a do assistencialismo.

Conclui-se, portanto, que a alimentação escolar brasileira, tem mais de 70 anos de história, sendo promovida pelo Estado Nacional desde 1954, e pode ser considerada como um modelo de política pública bem sucedida, que já promoveu mudanças na vida de muitos de seus beneficiários e famílias, e vem, ano a ano, quebrando muitos de seus paradigmas. Observando atentamente o modelo atual, e imiscuindo nas diretrizes, princípios e objetivos, muito se revela sobre sua estreita relação com as dimensões da sustentabilidade, que passaram a ter grande importância após a descentralização legal em 1994.

Por exemplo, a exigência para que as compras da alimentação escolar sejam feitas em 70% de alimentos básicos, têm possibilitado a maior aproximação entre produção e consumo, com o incentivo dos circuitos locais e regionais de abastecimento; estímulo à oferta de produtos diversificados da agricultura familiar; acesso dos pequenos empreendedores aos mercados; e redução do desperdício de alimentos causados pelo transporte a longas distâncias. As exigências legais atendem claramente às dimensões da sustentabilidade social (inclusão e dinamização do capital social), econômica (geração de emprego/renda), ambiental (aproximação do produtor ao consumidor, reduzindo custos de transporte), ecológica (introdução de produtos orgânicos e oriundos da agricultura familiar), territorial (valorização da produção local; circulação de dinheiro de impostos, realocados na própria região) e outras.

Seguindo o ritmo, a conversão da MP 455/2009 na Lei 11.947, de 16/06/2009, assegurou a alimentação escolar para toda Educação Básica e EJA. Pela Lei, estados e municípios deverão usar 30% dos recursos repassados aos PEAEs e PMAEs na compra de gêneros da agricultura familiar. Isso é sustentabilidade no contexto da alimentação escolar.

196 Em resposta às questões e objetivos levantados, é certo afirmar que o modelo atual do PNAE atende à prerrogativa constitucional de suplementar a política educacional na maioria das localidades, em face dos vários exemplos desenvolvidos e aqui relatados, que têm contribuído para o equilíbrio entre os diferentes critérios da sustentabilidade e para o desenvolvimento sustentável local, nacional, regional e internacional, haja vista a ajuda financeira e técnica que os coordenadores vêm prestando a outros países, no sentido de implantar modelos nos moldes brasileiros.

A alimentação escolar deixou de ser uma benesse do Estado; não visa mais atrair o aluno, principalmente o de baixa renda, por meio da oferta de qualquer alimento, que, de certa

forma, visava “tapar o sol com a peneira” sobre as consequências verdadeiras da baixa

freqüência e evasão escolar, advindas de um somatório de fatores.

Muitas políticas socioeducacionais e de segurança alimentar e nutricional implantadas após 2003 também têm contribuído para desmistificar a alimentação escolar como política assistencialista.

Esse é o novo foco dado pelos formuladores das políticas as quais o PNAE e seus congêneres estaduais e municipais fazem parte, visando garantir a refeição ao aluno em termos nutricionais durante o período de permanência na escola, para que as suas funções vitais não alterem seu rendimento e aprendizagem. Isso reitera o papel da alimentação escolar como instrumento da política de educação: complementar a refeição domiciliar, e não mais ser a principal fonte de acesso a um alimento qualquer.

O PNAE é, portanto, um programa que possibilita impactos sociais, econômicos, culturais, entre outros que propiciam o bem-estar, crescimento, desenvolvimento e a melhoria da qualidade de vida de aproximadamente 20% da população, que corresponde às crianças e jovens brasileiros, com um futuro que se propõe ser mais saudável e sustentável.

A pesquisa confirma que, teoricamente, as diretrizes, objetivos e princípios do PNAE atendem ao preceito constitucional de suplementar a política educacional, por refletir os elementos estruturantes do desenvolvimento sustentável e do equilíbrio das dimensões da sustentabilidade. Na prática, em face dessa nova concepção, os gestores vêm modificando seu paradigma, buscando consolidar a alimentação escolar como direito e ato pedagógico, embora em alguns municípios com IDHs muito baixos, e principalmente nas zonas rurais, a refeição

197 escolar ainda pode ser considerada a única do dia do aluno, haja vista a falta de acesso das

famílias aos mínimos sociais, caracterizando a “população dos excluídos”.

Em relação ao programa executado no DF, conclui-se que apesar de representar uma parcela pequena, a escola escolhida como pesquisa de campo respondeu eficazmente às questões. Por ser situada em uma comunidade onde 90% recebe menos do que o salário mínimo para, em média, cinco membros por família; e com o maior percentual de beneficiários dos PTRs federal (Bolsa Família) e do DF (Vida Melhor), conforme consulta à Administração Regional de Planaltina, e à Gerência de Programas de Assistência ao Aluno (GAP), também vinculada à DAE, os dados provam que, apesar da baixa renda, ela tem sido suficiente para a oferta das três refeições principais. Os fatos podem ainda ser ratificados pela última PNAD/IBGE e PDAD/CODEPLAN (2007), que identificaram o DF como a maior renda per capita do Brasil.

A prevalência da salada no almoço demonstra ser hábito alimentar, comum na região, e que o PEAE-DF tem conseguido perpetuar, com a inclusão a cada ano, de novos gêneros hortifrutigranjeiros na alimentação oferecida aos alunos, sempre procurando atender à dimensão cultural.

As respostas sobre a suficiência da alimentação caseira acenam para conformação do PEAE-DF como programa que vem atendendo ao objetivo maior do PNAE de suplementar a política de educação com a oferta de uma refeição em quantidade e qualidade adequada durante o período de permanência do aluno na escola, já que os respondentes afirmaram que têm garantido o mínimo de três refeições diárias no domicílio e pela maioria apontar que não

sente falta da refeição no período das férias escolares.

A ideia de que o aluno do DF vai à escola apenas para comer não se confirmou, posto que, a escola escolhida para a pesquisa de campo é localizada em uma das regiões mais pobres do quadrilátero e até do entorno. Como a clientela tem esse mínimo social garantido,

pode-se deduzir que nas demais, a situação seja igual, ou melhor. A divergência dessa

afirmação com a opinião dos professores deve-se ao fato do desconhecimento dos mesmos das novas diretrizes do programa, e pela pré-existência de um preconceito já formado de que “quem come a merenda é a criança ou o adolescente pobre”, reiterada por outros fatores de que o PNAE continua a padecer dos mesmos males de quando foi criado como política de caráter meramente assistencialista, destinado às classes de baixa renda.

198 Em termos de gestão, percebe-se o esforço da Secretaria de Educação para manter a estrutura do PEAE-DF com um representativo percentual de recursos do GDF, utilizado para cobrir as necessidades emergenciais; aprimorar e melhorar os cardápios oferecidos; incluir maior número de beneficiários (como o ensino médio profissional, os Projetos Especiais, e outros), e consolidar paulatinamente o Programa de Educação Integral nas escolas do DF, cuja alimentação escolar é, praticamente, custeada com recursos locais, o que contribui inconteste, para a sustentabilidade econômica.

Há também uma preocupação dos gestores em oferecer uma alimentação balanceada, rica em nutrientes, sendo muitas vezes superior ao que preconiza a legislação (15%, no mínimo), vencendo as várias adversidades, principalmente em relação aos processos de

aquisição de gêneros, que, por não serem realizados pela UEx, muitas vezes esta “fica refém”

do órgão responsável pelas compras, e os gestores têm que fazer verdadeiros malabarismos para programar cardápios com os alimentos disponíveis nos depósitos das escolas.

A equipe da UEx, representada pela GME/DAE, composta por 11 nutricionistas capacitadas e em capacitação, se preocupa em planejar minuciosamente, com quase um ano de antecedência, os cardápios a serem servidos na rede pública do DF; dada a dificuldade logística das aquisições e distribuições, que demandam prazos longos, considerando, assim, o atendimento da sustentabilidade cultural e social, visando a oferta da alimentação escolar saudável e adequada a todos os alunos e em todos os dias de efetivo trabalho escolar.

São utilizados mais de 70% de produtos básicos, como determina a lei, respeitando-se os hábitos alimentares regionais. Como o DF possui uma população de culturas muito variadas, não há um padrão de comportamento alimentar claramente estabelecido, mas percebe-se uma maior influência dos hábitos nordestinos, goianos e mineiros.

Na alimentação escolar do DF são servidos cardápios diversificados que levam em conta a cultura dessas três regiões: galinhada (cultura goiana), feijão tropeiro com couve (cultura mineira), baião de dois com charque e a canjica (cultura nordestina), foram bem servidos nos quatro anos, caracterizando o atendimento à sustentabilidade cultural.

Em 2006, foram incluídos sortidos alimentos in natura (cenoura, batata, couve, abacate, melancia e tangerina, além de maçã e banana que já faziam parte do Programa desde 2004). Também foram excluídos dos cardápios alguns produtos que, apesar de serem do agrado dos