holística de Arthur Koestler, Monteiro (1976) elaborou a proposição teórico- metodológica do Sistema Clima Urbano (SCU), que é amplamente utilizada por geógrafos climatologistas nas investigações do clima urbano das cidades brasileiras, desde a década de 1980. Após sua proposição, a metodologia teve suas primeiras
102 aplicações na década de 1980, em cidades como Porto Alegre, São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro.
Neste sentido, Amorim (2010, p. 71) destaca que:
no Brasil, de maneira geral, os estudos do clima nas cidades têm se pautado em adaptações da proposta teórico-metodológica de Monteiro (1976), que considera a inter-relação dos elementos da natureza e da sociedade na perspectiva do Sistema Clima Urbano. Segundo essa concepção, a estrutura interna do Sistema Clima Urbano não pode ser definida pela superposição ou adição de suas partes (compartimentação ecológica, morfológica, ou funcional urbana), mas por meio da conexão entre elas.
De acordo com Lima et al (2012, p. 627):
“O S.C.U. (proposto por Monteiro em 1976), encontrou vasta empregabilidade, norteando a elaboração de inúmeras teses e dissertações no Brasil. Proposta com o intuito de contribuir para a resolução dos problemas socioambientais urbanos, a proposta do S.C.U. se mostrou de grande importância para a elaboração de diagnósticos ambientais/climáticos e para a proposição de ações para a solução dos problemas”.
Segundo Mendonça (1994) “O Sistema Clima Urbano é uma proposição de abordagem geográfica do clima e da cidade, ou seja, envolve tanto os elementos de ordem meteorológica da atmosfera quanto os elementos da paisagem urbana em sua dinâmica [...]”.
O S.C.U é formado por subsistemas (termodinâmico, físico-químico e hidrometeórico) que se articulam através de seus respectivos canais de percepção (conforto térmico, qualidade do ar e impacto meteórico), conforme o quadro 12.
Esta pesquisa aborda o subsistema termodinâmico e seu canal de percepção, visto que um dos objetivos da mesma é o estudo do campo e do conforto térmico em Chapecó/SC.
De acordo com Monteiro (1976) a fonte do subsistema termodinâmico é a radiação solar, a qual sofre transformações no sistema de forma permanente, gerando produtos como a ilha de calor, que provocam entre outros efeitos diretos o desconforto e a redução do desempenho humano.
103 Quadro 12: Sistema Clima Urbano (SCU): articulações dos subsistemas segundo canais de percepção.
Fonte: MONTEIRO (1976, p. 127).
Sobre os canais de percepção dos subsistemas Lima et al (2012, p.630) destacam que:
O canal de percepção do Conforto Térmico, ligado ao subsistema Termodinâmico do S.C.U., engloba as componentes derivadas do calor e da ventilação e umidade, e afeta a todos constantemente. As pesquisas no campo termodinâmico têm grande crescimento em estudos de Arquitetura e Urbanismo, posto que se ligam de maneira direta ao estabelecimento do conforto ambiental humano. O canal Qualidade do Ar, ligado ao subsistema Físico-Químico, se expressa pela poluição atmosférica, considerada pelo mesmo autor um dos males do século, mas que tem uma associação muito direta com os distintos tipos de tempo geradores da concentração ou da dispersão da poluição pelo ar. O canal Meteoros de Impacto agrupa as formas meteóricas, hídricas (como chuvas, neves e nevoeiros), mecânicas (como os
104 tornados) e elétricas (tempestades), que têm a possibilidade de, eventualmente, se manifestar com grande intensidade e resultam em grandes impactos urbanos, causando perturbações e desorganizando a circulação e os serviços urbanos. Nas cidades brasileiras, são constantes os problemas derivados do subsistema hidrometeórico devido a sua configuração climática e aos problemas de ordem socioambientais existentes.
A teoria do S.C.U de Monteiro integra em suas análises a coparticipação do homem e da natureza na produção do clima urbano. As relações homem e natureza são abordadas numa visão sistêmica e holística onde a integração das partes leva a compreensão do conjunto do sistema.
Neste sentido Dumke (2007, p.24) destaca que:
Tratando a cidade do ponto de vista sistêmico, caracterizada por uma permanente interação entre os elementos da natureza e da sociedade, Monteiro (1976) propôs a análise do clima como parte deste sistema, a cidade, análise cuja ênfase não deve ser o fracionamento das partes do todo sistêmico, mas a organização funcional e a relação entre elas.
O SCU de acordo com Monteiro (1976) é um sistema complexo, aberto e adaptativo, que ao receber energia do ambiente maior no qual se insere (energia solar) a transforma a ponto de gerar uma produção exportada para o ambiente.
De acordo com Lima et al (2012, p.629):
A metodologia do S.C.U. projeta-se sobre a cidade e seus problemas, levando como premissa os três elementos que fundamentam a climatologia em geral, sendo eles temperatura, umidade e pressão atmosférica. Apresenta também ousadia, no sentido de inovação, pois coloca uma tentativa de estudo do clima urbano com a conduta de investigação que enxerga o homem e a natureza agindo em coparticipação e não com um antagonismo entre os mesmos.
Ainda de acordo com Lima et al (2012, p. 630) o S.C.U. é centrado na atmosfera, que é vista como o operador do sistema; desta forma, o homem é o operando do sistema. Sendo o homem o operando deste sistema, conclui-se uma característica importante do S.C.U.: ser passível de auto regulação. Considerando o Sistema Clima Urbano como um sistema aberto é necessário considerar, além dos fatores geradores de energia externos, os fatores internos, isto é, o homem e a dinâmica criada pelo mesmo no espaço citadino.
Dumke (2007, p. 24) destaca que:
O SCU leva em conta o complexo fluxo de matéria e energia, no qual os aspectos naturais do território e da atmosfera e a participação antropogênica interagem de forma permanente e dinâmica na constituição do clima urbano. Mas, para além do diagnóstico da realidade urbana, o SCU conduz à perspectiva da solução de problemas ambientais nos três subsistemas do
105 clima urbano e à elaboração de diretrizes para o planejamento da melhoria das condições de vida na cidade.
Na figura 62 extraída de Monteiro (1976) temos uma simplificação do sistema clima urbano (SCU) com suas entradas (input), saídas (output) e aplicações visando o diagnostico climático e o planejamento urbano.
Figura 62: Sistema Clima Urbano: input, output e aplicação. Fonte: Monteiro (1976).
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