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3.3. Geleneksel Türk müziği öğeleri kullanılarak hazırlanmış 14 haftalık program

3.3.2. Bağ tekniği

As obras kantianas foram organizadas a partir de escritos e reflexões de diferentes períodos, cuidadosamente costurados por ele. Kant, segundo Terra (1995), “pensava escrevendo”; ou seja, escrevia sobre aquilo que estudava, nem sempre construindo um laço conceitual que estruturasse seu pensamento. Daí o grande número de trabalhos e textos com certo grau de independência.

A Crítica do Juízo, por exemplo, elabora questões que não estavam previstas nas duas primeiras Críticas e, mais ainda, reformula o próprio sistema sem destruir as construções anteriores. Não se pode ler a Crítica da razão pura e a Crítica da razão

prática sem levar em conta a terceira Crítica, mas essa não arruína as outras. Junto

com a invenção constante há o esforço sistematizador que engloba as obras anteriores sem superá-las radicalmente (TERRA, 1995, p. 15).

Terra contrapõe as perspectivas dos comentadores que creem numa redução à epistemologia da Crítica da Razão Pura ou na supervalorização do juízo reflexionante da

Crítica da Faculdade do Juízo. O correto seria perceber como Kant escreve e elabora suas

teses, levando em conta as questões fundamentais que norteiam seu pensamento e a organização de cada uma delas no decorrer de sua elaboração.

No Prefácio da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Kant expõe as diferenças de suas metafísicas, já salientadas anteriormente: a Metafísica dos Costumes, que percorre os labirintos da liberdade na elaboração da ética; sua parte empírica é a antropologia prática e a racional, a moral. A outra é a Metafísica da Natureza, que incorpora as leis da natureza, cuja ciência é a física. A metafísica da natureza se encontra, principalmente, na

Crítica da Razão Pura, nos Primeiros Princípios Metafísicos da Ciência da Natureza e nos Prolegômenos. Já a metafísica dos costumes pertence, fundamentalmente, à Crítica da Razão Prática e, logicamente, à própria Fundamentação da Metafísica dos Costumes.

Pode-se chamar empírica a toda Filosofia na medida em que ela se estriba em razões empíricas, mas àquela que apresenta suas doutrinas unicamente a partir de princípios

a priori, Filosofia pura. A última, se ela é meramente formal, chama-se Lógica, mas,

se ela se restringe a objetos determinados do entendimento, então ela se chama

Metafísica.

Dessa maneira tem origem a ideia de uma dúplice Metafísica, uma Metafísica da

Natureza e uma Metafísica dos Costumes. A Física terá, portanto, sua parte

empírica, ma também uma parte racional. A Ética igualmente, muito embora aqui a parte empírica pudesse ser chamada em particular de Antropologia prática; a racional, porém, de Moral em princípio próprio (KANT, 2009, p. 65).

A metafísica é uma parte da filosofia da matéria, aquela que se dedica ao conhecimento de objetos do entendimento que se baseia em princípios a priori. Os objetos plausíveis de um conhecimento a priori são: a natureza, na medida em que esses princípios são a condição mesma dos objetos; e a liberdade, pressuposição necessária para a moral.

Tendo em conta o Prefácio da Crítica da Faculdade do Juízo, parecia claro que o sistema kantiano estaria completo: a ciência da natureza e a ciência da ética, a razão pura e a razão prática se complementariam num todo unificado. Mas Terra (1995) coloca a seguinte indagação: entre a Crítica da Razão Prática e a Metafísica do Costumes tem-se o intervalo de nove anos. Por que motivo, então, Kant atrasou seu trabalho de complemento à Crítica da

Razão Prática? Não se sabe ao certo, mas é característica de Kant sempre extrapolar seu

sistema, aparentemente fechado, quando surgem novas aporias. O pensador não se esquiva; ele procura desvendar cada nuança dos temas que vão surgindo ao longo de sua obra.

Outra característica da estilística kantiana é o procedimento de produzir passagens, transições (übergänge) entre os vários elementos que teoricamente constroem seu sistema de pensamento.

A ‘passagem’ desempenha um papel não apenas na constituição do pensamento kantiano, mas também na articulação interna das obras. As transições, pontes, termos médios são fundamentais na composição dos textos [...], como também estabelecem a relação de algumas obras entre si. (TERRA, 1995, p. 23).

Kant irá, então, modificar seu quadro sistemático presente no Prefácio da

Fundamentação da Metafísica dos Costumes ao elaborar a terceira crítica. Alguns motivos o

levaram a escrever a sua obra. Entre eles, destaca-se a redescoberta da finalidade, já tratada por ele em alguns textos, como: Investigação sobre a Clareza dos Princípios da Teologia

Natural e da Moral, de 1764; Apêndice da Dialética Transcendental, da Crítica da Razão Pura, de 1781; e Sobre o Uso de Princípios Teleológicos em Filosofia, de 1787. O

aparecimento de novos temas na filosofia e na biologia também o motivou, como o gosto e o organismo. Mas parece indiscutível que Kant buscava uma articulação sistemática entre a crítica da razão pura e crítica da razão prática.

No Apêndice, a finalidade é pensada como um recurso heurístico para escapar da teleologia da teologia física. Mais adiante, nos Princípios Teleológicos, este tema foi retomado. Por que, então, trazê-lo à tona novamente? O mesmo vale em relação ao gosto, já tratado também em sua obra. De acordo com Terra (1995), é de se supor que a volta à teleologia e ao gosto está relacionada à busca de formas diversas de reflexão. Não é sem motivo que na primeira introdução à Crítica da Faculdade de Julgar o que está em jogo primeiramente é a reflexão (Reflektieren) em geral, que prepara o terreno para uma nova concepção de finalidade: o juízo reflexionante teleológico.

Também para Lebrun, Kant já descobrira a finalidade e o organismo anteriormente, e a sua terceira crítica vem justamente para colocá-los como síntese de seus juízos e reflexões. “Kant não descobriu a Faculdade de Julgar nos anos 1787-8: ele apenas foi levado, meditando sobre ‘a finalidade da natureza como sistema’ e o pressuposto de especificação, a unificar as diversas figuras da reflexão” (LEBRUN, 2002, p. 380).

A meditação kantiana leva-o a pensar o gosto e a teleologia com foco no juízo. O juízo reflexionante inverte o juízo determinante das críticas passadas. Ele parte do particular, do caso empírico, em busca da regra, enquanto o juízo determinante procura aplicar a regra geral, dada a priori, ao caso particular da experiência.

Para Marques, o organismo também passa a ocupar um lugar central na filosofia kantiana a partir da terceira crítica, sobrepondo-se, até mesmo, à natureza física e mecânica das críticas anteriores:

Pode mesmo dizer-se que em 1788 Kant descobrira o lugar sistemático do

organismo, isto é, já o havia determinado como ponto de partida e fio condutor para

toda organização sistemática e unitária da natureza, a qual, concebida na sua totalidade como decorrendo das “indicações” desse fio condutor, também sofre uma transformação importante na forma como se deixa representar enquanto natureza. Se pensarmos que esta descoberta do lugar sistemático do ser organizado é concomitante à elaboração de uma Crítica do Gosto, torna-se legítimo defender que a transformação daquela numa Crítica da Faculdade de Julgar surge pela determinação de uma modalidade do juízo reflectinte, o teleológico, aplicável necessariamente a determinado tipo de seres, os seres organizados (MARQUES, 1987, p. 112).

O juízo reflexionante leva às ultimas consequências a tarefa da razão, pois nada a

priori fica estabelecido. Tem-se outra aptidão para a atividade crítica: intuir racionalmente o

particular. Esta nova dimensão não leva Kant a elaborar uma outra estética, mas sim a um ajuste em sua filosofia transcendental, que forma, nesse momento, um novo modo de conhecer o gosto e a teleologia a partir de um juízo reflexionante.

Trabalhando várias questões (como a sistematicidade das leis empíricas, o organismo, o gosto), Kant encontra uma maneira de unificar as figuras da reflexão na medida em que chega a um juízo meramente reflexionante, podendo, então, ampliar o projeto crítico-transcendental (TERRA, 1995, p. 25).

Dessa maneira, a Crítica da Faculdade do Juízo permite uma “passagem” entre as duas críticas, abrindo novos caminhos. Na primeira introdução, já se abre a possibilidade de se refletir sobre a natureza, o todo orgânico, não apenas como uma representação a priori, mas também como uma possibilidade da natureza em si mesma. Essa volta à coisa em si parece indicar um retorno à ontologia, mas agora munido dos avanços das ciências naturais, principalmente da biologia, que irá auxiliar na composição reflexiva do todo orgânico (TERRA, 1995). Isso representa uma mudança na filosofia transcendental, quando a natureza, embora fosse preestabelecida pelos conceitos do entendimento, estava apoiada numa reflexão sobre sua forma sensível: estrutura, leis e princípios de uma investigação possível. A mudança é no sentido da retomada da compreensão de uma natureza em si, de uma natureza suprassensível.

É o juízo reflexivo a priori que ordena o particular, a grande descoberta de Kant na Crítica da Faculdade do Juízo. No juízo determinante, o que é particular está subsumido à

lei geral. Portanto, não se apresenta como um problema. No juízo reflexivo, é na representação do particular que se deve procurar a lei geral. Desse modo, é o particular o grande problema a se explorar, diferentemente da Crítica da Razão Pura, em que o particular não é apresentado como um problema em si. O particular, na natureza, ganha novos contornos com as possibilidades do conhecimento da multiplicidade e da heterogeneidade das suas formas.

Todavia, Kant não deixa de afirmar a preponderância dos universais em relação aos particulares. Toda experiência, como as leis particulares empíricas, é derivada e legitimada pela lei universal, pela possibilidade da experiência em geral como resultado da aplicação das categorias do entendimento ao múltiplo da intuição sensível (KANT, 2008).

A finalidade da natureza não é um conceito objetivo, mas não deixa de ser um a

priori que possibilita pensar uma natureza caracterizada pela multiplicidade e pela

heterogeneidade de formas infinitas.

Na verdade não se pode acrescentar aos produtos da natureza algo como uma relação da natureza a fins neles visível, mas sim somente utilizar este conceito, para refletir sobre eles no respeitante à conexão dos fenômenos na natureza, conexão que é dada segundo leis empíricas. Este conceito também é completamente diferente da conformidade a fins prática (da arte humana ou também dos costumes), ainda que seja pensado a partir de uma analogia com aquela (KANT, 2008, p. 25).