3.3. Geleneksel Türk müziği öğeleri kullanılarak hazırlanmış 14 haftalık program
3.3.14. Üç dil tekniği
Na segunda parte da Crítica da Faculdade do Juízo, na crítica da faculdade do juízo teleológico, Kant desenvolve o conceito de natureza, alicerçado no conceito de organismo. Todo organismo, e a natureza em geral, apresenta um fim em si mesmo. Todavia, do ponto de vista da Crítica da Razão Pura e do entendimento esse organismo não pode ser conhecido em sua finalidade ou em sua autonômia, porque todos os fenômenos permanecem como pressupostos a priori restritos à razão. As relações causais, no entanto, não são capazes
de dar conta da totalidade da natureza em si, na qual o todo está nas partes e as partes estão representadas no todo enquanto ela se transforma.
Na terceira crítica, a natureza determina a si mesma, como se ela tivesse uma razão: uma mimese da vida humana. Portanto, a natureza orgânica não é representada apenas pela lei a priori, física-mecânica, mas também em sua dimensão teleológica. Ela existe com um fim natural, porque ela é causa e efeito de si mesma.
A árvore cria outra árvore da mesma espécie. Por meio dela, perpetua-se a espécie. A árvore possui uma finalidade: autopreservar-se enquanto espécie. “Esta planta elabora previamente a matéria que ela assimila numa qualidade sua específica, que o mecanismo da natureza que lhe é exterior não pode fornecer, e continua a formar-se através desta substância que na respectiva composição é o seu próprio produto” (KANT, 2008, p. 214).
Cada parte da árvore cria-se a si mesma: folhas, galhos etc. Cada parte parece ter uma autonomia, mas ela somente pode existir porque existe o todo. Para que se possa conceber algo como produto e produtor de si mesmo, é preciso um conceito apropriado. Até então, tinham-se as causas eficientes e atuantes da natureza mecânica e as causas finais da natureza suprassensível. Mas o organismo não é explicável por estas duas categorias, pois ele se compõe de partes que só são possíveis a partir do todo. Ele exige um conceito que o caracterize como uma totalidade que se autoengendra – portanto, possuidora de uma causalidade própria – e cada uma de suas partes é pensada como um próprio organismo (SCHÜTZ, 2009).
Kant não considera o organismo, ou a natureza, como um mecanismo. Neste, embora uma peça cause o movimento da outra, ela não é geradora da outra. São partes diferentes que se ligam numa espécie de engrenagem, movimentando mecanicamente a natureza. As partes não derivadas umas das outras. No organismo, uma parte é gerada pela outra por meio de uma força formadora, criadora, que propaga e preserva a si mesma. O conceito necessário para se compreender o organismo não pode ser constituinte nem derivado do entendimento. Segundo Kant, deve ser um conceito regulativo originário da faculdade de juízo reflexivo. O organismo, então, não pode ser conhecido, mas apenas regulado pela atividade reflexiva da razão. “Um produto organizado da natureza é aquele em que tudo é fim
e reciprocamente meio. Nele nada é em vão, sem fim ou atribuível a um mecanismo natural
cego” (KANT, 2008, p. 218).
A causalidade que cria dá forma e se reproduz; ela tem que ser apreciada do ponto de vista teleológico. Ou seja, a finalidade deve aparecer em todos os seus produtos. Assim
deve ser o juízo da natureza, segundo o princípio teleológico. Para Kant, a natureza, enquanto matéria organizada, determina a si mesma.
A intenção kantiana é alargar as possibilidades de compreensão da natureza com base no princípio regulativo, que permite o acesso ao organismo, ou à natureza em geral, enquanto determinada por fins.
Ela acrescenta somente para o uso da razão uma outra espécie de investigação diferente daquela que é feita segundo leis mecânicas, com o objetivo de completar a insuficiência destas últimas, até mesmo em relação à pesquisa empírica de todas as leis particulares da natureza. (KANT, 2008, p. 225).
É somente a partir do juízo reflexivo que se pode vislumbrar a natureza numa dimensão teleológica. Ele se fundamenta numa causalidade diferente da causalidade do entendimento, o que levará Kant a uma antinomia, a um conflito na construção de seus argumentos. A razão não pode optar entre as causalidades mecânicas da natureza e as causalidades finais que regem os organismos. Ambas as compreensões são possíveis para Kant. São apenas princípios diferenciados voltados para o mesmo objeto. A única forma de resolução da antinomia é por meio do princípio regulativo, fazendo com que as duas máximas não se contradigam.
A única coisa que aí se afirma é que a pesquisa da natureza segundo as categorias do entendimento, ou seja, segundo seus mecanismos, jamais possibilitará a tematização da especificidade de uma finalidade enquanto causa da natureza. E, segundo Kant, nossa razão simplesmente não tem condições de unir estas duas máximas (SCHÜTZ, 2009, p. 251).
A ideia do juízo reflexionante apenas indica outra forma possível para se compreender a natureza fundamentada na capacidade de produzir conhecimento também pela contemplação. Kant apresenta a possibilidade de um conhecimento intuitivo que pressupõe a compreensão do todo da matéria, na medida em que este todo é condição da existência das partes, e não um simples efeito de forças mecânicas, como em uma máquina. Por isso, torna- se necessária uma fundamentação diferente para a nova forma de compreender a natureza, que se fundamenta na causalidade mediante os fins. “Ou seja, a diferença entre as duas formas de conhecimento é uma diferença qualitativa. São conhecimentos resultantes de outros princípios investigativos e levam a concepções qualitativamente diferenciadas da natureza, embora não excludentes” (SCHÜTZ, 2009, p. 252).
Para Schütz, a intenção de Kant é unir os mecanismos da física da natureza com o princípio teleológico da técnica, o que implica a autoprodução da natureza a partir de sua
própria dinâmica. É preciso um princípio que esteja fora de ambos, mas que possa se referir aos dois: o princípio do suprassensível. No entanto, dele não se pode construir um conceito objetivo do mundo sensível, pois ele está além do mundo sensível – logo, além da faculdade do entendimento. Kant fundamenta a possibilidade da junção suprassensível entre a natureza mecânica e a natureza orgânica, mas não demonstra essa articulação no plano da sensibilidade ou do entendimento.
Porém, não se trata, para Kant, de escolher entre uma ou outra possibilidade, mas, com referência ao suprassensível, criar possibilidades de se conhecer a natureza como portadora de fins. Assim, ele pode afirmar o reconhecimento da natureza enquanto um todo orgânico, sem desconsiderar as leis mecânicas que a regem. Há sempre, conforme Schütz (2009), em Kant, uma compreensão da organização da natureza, que se utiliza de mecanismos para se restaurar e desenvolver ou, mesmo, para se autopreservar.