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3.3. Geleneksel Türk müziği öğeleri kullanılarak hazırlanmış 14 haftalık program

3.3.13. Çift dil tekniği

É a crítica do juízo teleológico que contém a exposição kantiana sobre o organismo e a finalidade da natureza. Kant, contudo, ressalta na primeira parte da terceira crítica, que a crítica da faculdade do juízo estético é fundamental para a compreensão do seu desenvolvimento. Nela está expresso o princípio a priori que fundamenta uma reflexão sobre a natureza, a saber: o princípio de uma finalidade formal da natureza, segundo suas leis particulares.

A mediação que a crítica do juízo exerce entre a razão prática e a razão teórica, entre o prático e o sensível, advém dos juízos de gosto, individuais ou particulares, que, a partir deles, ganham um sentido geral. Na Crítica da Razão Pura, não era ainda possível problematizar a importância do particular, em sua autonomia, para a compreensão da natureza, pois este interessava para Kant somente enquanto subsumido aos conceitos e categorias puros do entendimento.

O gênio de Kant, ao pensar a necessidade de uma terceira Crítica de uma terceira faculdade mediadora, embora sem terreno próprio, foi por um lado, o de perceber que era na problemática do individual que reside a chave da unidade sistemática e, por outro, que esse novo domínio problemático aproximava indissoluvelmente, através de um princípio comum, o conceito de uma técnica da natureza aos domínios do sentimento estético e do biológico (MARQUES, 1987, p. 35).

Na primeira introdução à crítica do juízo, a técnica da natureza exerce um papel preponderante. Ela é posta pelo juízo reflexivo, que fornece a si mesmo, a priori, a finalidade da natureza como princípio de sua reflexão, mas sem poder determiná-la objetivamente segundo os conceitos universais da natureza, podendo apenas ser usada pelas leis subjetivas da razão. A técnica da natureza é oriunda da subjetividade da faculdade de julgar. Trata-se de um princípio a priori da faculdade do juízo reflexivo, podendo ser chamada também de “princípio de especificação da natureza”, conforme suas leis empíricas. “É verdadeiramente uma lei prescrita a si mesma, e não à natureza, pelo que nunca poderá ser pensada como algo representável objetivamente” (MARQUES, 1987, p. 39). Representar a natureza como se fosse uma arte é apenas um princípio subjetivo que o sujeito encontra para conectar, sempre que possível, o múltiplo e o diverso das leis empíricas.

Kant concede certa primazia ao juízo do gosto em relação ao teleológico, porque é ele que coloca como fundamento a priori da reflexão da natureza uma finalidade formal. Ele se difere do juízo teleológico, que se debruça sobre a materialidade dos objetos naturais e que Kant denomina de “finalidade objetiva material”. O conceito de beleza da natureza é oriundo do conceito subjetivo de finalidade formal e os fins naturais são a exposição do conceito de finalidade real. Enquanto se aprecia a primeira pelo gosto, pelo sentimento de prazer, a segunda (teleológica) é refletida pelo entendimento e pela razão.

O juízo estético é desprovido de qualquer conceito de conhecimento e tal é uma especificidade que lhe advém do simples fato de não determinar nenhum objeto. Nele, pelo contrário, o que é determinado é o sujeito e o respectivo sentimento, o que marca bem seu caráter formal (MARQUES, 1987, p. 40).

O juízo teleológico é, portanto, teórico, envolvendo a determinação de um conceito do objeto. Por isso, não possui relação imediata com o sentimento de prazer subjetivo retirado das coisas. Como, porém, um juízo reflexivo teleológico pode estar dentro da crítica da faculdade do juízo e não possuir nenhum sentimento de prazer ou desprazer? Por que em Kant não se experimenta nenhum sentimento de prazer no conhecimento da natureza dividida em gêneros e espécie, pelos quais são possíveis apenas os conceitos empíricos. Porém, certamente, esse sentimento existiu em seu tempo. Sem ele a experiência mais comum

não seria possível. “A verdade é que na faculdade de julgar estética, entendimento e

imaginação entram numa relação harmoniosa pela apreensão da simples forma do objeto,

relação que é diversas vezes designada por Kant de jogo” (MARQUES, 1987, p. 41). É no jogo entre o poder de apreender e o de expor que reside a finalidade formal subjetiva, que é para Kant o mesmo que o sentimento de prazer.

É natural que na exposição do juízo teleológico o conhecimento da natureza venha com certa “desvirtuação” do juízo teleológico. No juízo estético, não se põe um conceito objetivo, mesmo a reflexão, atribuindo uma finalidade universalmente válida.

Bastaria, pois, esta modalidade estética do juízo reflectinte para nos convencer de que a natureza pode e deve ser representada como arte e que as suas formas múltiplas e diversas, puramente contingentes quando encaradas como resultantes dos princípios gerais a priori do nosso entendimento, ‘devem poder ser consideradas como necessárias a partir de um principio de unidade da multiplicidade, ainda que tal (princípio) nos seja desconhecido (MARQUES, 1987, p. 42).

Mas outro juízo é trazido por Kant para possibilitar uma compreensão teórica da natureza. A partir da exposição do juízo teleológico objetivo e material, a crítica do juízo muda de forma. Em vez de apontar para a autonomia subjetiva do juízo, Kant examina os propósitos de uma de suas figuras, buscando compreender em que medida a razão tem o direito de articular a representação de certos objetos naturais particulares. Qual é, então, para Kant a necessidade de se julgar certos objetos materiais como fins naturais, assim expressos como analogia com os conceitos da razão prática? O conceito de finalidade envolve a razão, na medida em que a razão é que atribui a tal conceito um fundamento de possibilidade do objeto.

Só a finalidade da natureza, ou mesmo o conceito das coisas como fins naturais, coloca a razão como causa numa relação tal com estas coisas em que não as conhecemos como fundamento da sua possibilidade por nenhuma experiência. Porque é somente nos produtos da arte que podemos tomar consciência da causalidade da razão a respeito de objetos a que, por isso, nós chamamos de finais ou fins, e é somente em função de tais objetos que convém designar a razão como técnica, em conformidade com a experiência que temos da causalidade da nossa própria faculdade (MARQUES, 1987, p. 43-44).

A inserção da teleologia na terceira crítica, mais precisamente na teoria do organismo, cria um problema, que é a constituição de uma nova metafísica da natureza colocada na articulação entre a razão prática e a razão teórica. O objetivo é preencher a fenda entre elas por meio do conceito de finalidade.

Em Kant a forma é pensada como parte integrante do processo de apreensão do objeto, mas na crítica do juízo ela tem uma finalidade objetiva interna, não fornecendo nenhum conceito do objeto, apenas um sentimento de prazer. Enquanto o juízo reflexivo teleológico é cognitivo, à procura de um conceito do objeto, o juízo reflexivo estético procura a forma para que ela desperte o sentimento de prazer. A forma do juízo teleológico já contém, relacionado, um conhecimento determinado, justamente porque se trata de um objeto empírico. Não se trata dos objetos em si mesmos, mas da determinação transcendental de sua representação, da regra que tornou possível o conhecimento. “No entanto, não deveremos atribuir esse poder, essa tal aura da bela forma natural, ao objeto em si. Isso seria aniquilar o sujeito transcendental e aproximarmo-nos perigosamente da psicologia animal” (MARQUES, 1987, p. 187).

A técnica real da natureza corresponde à possibilidade interna das próprias coisas. Este ser interno representa a organização que o objeto apresenta em sua forma interna. A relação entre a forma e o juízo reflexivo teleológico é compreendida por Kant por meio da relação entre o todo e suas partes. A apreensão conjunta do objeto é sempre uma representação do todo e de um objeto como parte do todo. Para que um objeto possa ser discernido como um fim natural, tem que se comportar para si mesmo tanto como causa quanto como efeito.

Para uma coisa ser considerada como fim natural é, pois, em primeiro lugar necessário que as partes (segundo a sua existência e a sua forma) somente sejam possíveis mediante a sua relação ao todo. Com efeito, a própria coisa é um fim. Por conseguinte apreendida sob um conceito ou uma ideia que tem que determinar a priori tudo o que nele deve estar contido (KANT, 2008, p. 215).

Na representação da forma que viabiliza a reflexão, deve-se discernir o todo de suas partes e as partes do todo. Kant considera a importância das partes, o seu amálgama na constituição do todo, para que sejam, ao mesmo tempo, causa e efeito de sua forma, para que seja possível a determinação da ideia do todo. As partes produzem sua causa e seu efeito, formando-se umas às outras, desde que o sujeito se utilize do juízo reflexivo teleológico para explicar a possibilidade interna das formas como fim natural.

A natureza orgânica se faz a partir de consertos e reparações, sendo ao mesmo tempo produto e produtora, conformando as características do objeto natural adequado a um fim natural. Kant denomina essa força de “formadora”.

Um ser organizado é por isso não simplesmente máquina: esta possui apenas força motora (bewegende); ele pelo contrário possui em si força formadora (bildende) e na verdade uma tal força que ele comunica aos materiais que não a possuem (ela organiza). Trata-se pois de uma força formadora que se propaga a si própria, a qual não é explicável só através da faculdade motora (o mecanismo) (KANT, 2008, p. 217).

O conceito do todo sistemático fica cada vez mais condicionado ao conhecimento das partes. A força formadora interna, processando uma causalidade reversível entre as partes, traça as especificidades do organismo. A causalidade reversível subtrai a noção de um demiurgo que põe para funcionar os mecanismos de uma máquina. O fundamental é o conceito de força formadora para a compreensão da natureza como organismo.

[...] por isso os seres organizados são os únicos na natureza que, ainda que também só se considerem por si e sem uma relação com outras coisas, têm porém que ser pensados como possíveis enquanto fins daquela mesma natureza e por isso como aqueles que primeiramente proporcionam uma realidade objetiva ao conceito de um fim que não é um fim prático, mas sim um fim da natureza e, desse modo, à ciência da natureza o fundamento para uma teleologia, isto é, um modo de ajuizamento dos seus objetos segundo um princípio particular que doutro modo não estaríamos autorizados a nela introduzir (porque não se pode de maneira nenhuma compreender

a priori a possibilidade de uma tal espécie de causalidade) (KANT, 2008, p. 218).

Quais são as condições em que se torna possível a aplicação de um juízo reflexivo teleológico a certa forma de natureza? No complexo processo cognitivo da terceira crítica, o fundamento do princípio de inteligibilidade do conceito de organismo reside na reflexão da relação do todo com as partes. Vale realçar que a experiência na Crítica da Razão Pura é diferente da experiência na Crítica da Faculdade do Juízo, pois nesta última ela se fundamenta no conceito de finalidade. No organismo, a finalidade interna é a única capaz de reconhecer e apreciar um ser organizado. Ele é um elemento irredutível, dado na experiência, para o uso da razão reflexiva e para a aplicação do juízo teleológico.