3. BÖLÜM
3.4. Yol Vergisi’nin Siyasi Etkileri
3.4.1. Tek Parti Döneminde Yol Vergisi (1929 – 1950 Dönemi)
O principal objeto de análise dos marxistas, no que se refere ao presente tema, é analisar as “novas” condições do sistema capitalista, que historicamente sai da fase concorrencial para a monopolista.
Tais proposições podem ser encontradas na própria obra de Marx (1985), sobretudo quando o autor discute as constantes transformações do capitalismo ocorridas a partir da
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Um exemplo clássico que ilustra essa situação é o da Nestlé, que apesar de ser uma empresa comumente referenciada a partir de diversas características de transnacionalização, limita o direito de votos de estrangeiros a apenas 3% do total.
efetivação do modo de produção tipicamente capitalista da grande indústria, que leva em consideração um novo contexto de reprodução baseado em dimensões globais.
Ademais, Marx (1994) faz referências às formas de expansão do capitalismo, enfatizando o papel que os capitalistas desempenham no desenvolvimento do caráter internacionalista da produção e do consumo.
Baseando-se nesses pontos, Hobson (1996) desenvolve um dos principais estudos acerca do processo de internacionalização da produção, destacando a crescente importância que IED passa a ter a partir do início do XX.
A análise de Hobson (1996) está baseada no conceito de imperialismo, que sucintamente expressa a passagem do capitalismo concorrencial para o monopolista. Essa transformação, segundo o autor, denota uma nova fase do capitalismo que corresponde à concentração derradeira do capital, ao monopólio das patentes, ao controle absoluto sobre os mercados de fatores e ao advento de uma classe financeira que passa a controlar a grande indústria.
O autor considera, ainda, que o desenvolvimento do imperialismo emana do potencial expansivo do grande capital, que não se contem nos limites nacionais, levando-o a uma nova condição em que o seu processo de acumulação passa a se efetivar pela sua expansão internacional.
É importante destacar que um estudo empírico do autor constatou que essa “exportação de capital” ocorreu de maneira generalizada entre os países industrializados da Europa no início do século XX. Porém, o Reino Unido foi o país que mais avançou nesse campo, em função tanto do volume de recursos destinados para esse fim quanto do número de países para os quais os destinou, que, por sinal, não ficaram circunscritos à Europa, muito pelo contrário, os principais países receptores foram o Canadá, os Estados Unidos e a Argentina.
A análise imperialista do capitalismo também foi feita por Hilferding (1985), que ao avaliar a importância do capital financeiro para o desenvolvimento industrial identificou “novas” modalidades de investimento que permitiram um ajuntamento entre os capitais bancário e industrial, e passaram a fomentar, em passo acelerado, o desenvolvimento da exportação de capital.
Esse novo contexto foi considerado uma inovação nas relações econômicas, tendo em vista o fato de que os novos mercados “colonizados” não eram mais meras áreas de venda de mercadorias, mas esferas de investimento de capital.
O autor considera que esse movimento foi fundamental para o sistema capitalista, uma vez que “[...] a abertura de novos mercados é um importante fator para acabar com a depressão industrial, para prolongar a duração da prosperidade e para atenuar os efeitos das
crises.” (HILFERDING, 1985, p. 299)
Outra importante contribuição para essa discussão foi feita por Luxemburgo (1985), para quem o imperialismo representa um processo de constante de busca, por parte dos capitalistas, de novas oportunidades lucrativas de investimentos.
A autora se destaca a partir de uma visão diferenciada desse processo, uma vez que não vê o imperialismo como uma fase específica e distinta ao capitalismo concorrencial, mas como uma seqüência encadeada do processo de acumulação de capital.
Lênin (1985) também é considerado um dos principais autores da escola marxista a tratar dessa questão. Baseando-se em Hobson, o autor abordou o tema a partir da avaliação do movimento de concentração de capital, e sua tendência geradora de capital excedente, que leva à necessidade premente de novas alternativas de investimento, tornando, assim, o fluxo internacional de capital mais importante do que o de mercadorias.
Entre os autores contemporâneos de influência marxista cabe destacar, novamente, Chesnais, que analisa o atual contexto de internacionalização a partir do seu conceito de “mundialização do capital”. Para o autor:
[...] A expressão “mundialização do capital é a que corresponde mais exatamente à substância do termo inglês “globalização”, que traduz a capacidade estratégica de todo grande grupo oligopolista, voltado para a produção manufatureira ou para as principais atividades de serviços, de adotar, por conta própria, um enfoque e conduta globais. O mesmo vale, na esfera financeira, para as chamadas operações de arbitragem (CHESNAIS, 1996, p. 17)
Chesnais (1996) baseia-se em Michalet para tratar as diferentes formas de internacionalização, considerando, para tanto, três de suas dimensões: o intercâmbio comercial, o investimento produtivo no exterior e o fluxo de capital financeiro.
Essas três modalidades, segundo o autor, estão baseadas nos ciclos de movimentação do capital abordados por Marx: o capital mercantil, o capital produtor de valor e de mais-valia e o capital monetário ou capital-dinheiro. Essa segmentação é relevante para o Michalet, uma vez que:
No paradigma tradicional, o capital produtivo fica colocado por fora da mundialização do capital. A transformação da economia internacional em economia mundial coincide justamente com o fim dessa dicotomia. A mundialização do capital
produtivo torna-se parte integrante da mundialização do capital. (apud CHESNAIS, 1996, p. 52)
Essa distinção é relevante para a presente análise, uma vez que a crescente expressão do movimento de capital produtivo também vem ampliando as relações recíprocas entre as três modalidades da internacionalização.
Cabe destacar, que Chesnais (1996) considera, também, a possibilidade de superação
de parte das proposições descritas nessa definição, especificamente aquelas relacionadas à implementação de filiais e às estratégias que as direcionam. Sua crítica se concentra na
impossibilidade, a partir da década de 70, da distinção entre três grupos estratégicos91, uma
vez que os mesmos se fundiram, tornando tênue a linha que os divide.
Ademais, chama a atenção o fato de que o próprio Michalet acrescentou uma quarta
estratégia, denominada “tecno-financeira”, que representa uma forma de internacionalização baseada nos ativos intangíveis da companhia, dos quais se destaca o fornecimento de serviços, especificamente aqueles que estão baseados no know-how e na Pesquisa & Desenvolvimento (P&D).