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1.2. Osmanlı Devleti’nde Vergi Yapısının Temel İlkeleri

1.2.2. Osmanlı Vergi Sisteminde Muafiyetler

Em contraposição às proposições globalistas, sobretudo à tese de enfraquecimento dos Estados, os realistas se inserem numa perspectiva cética quanto à globalização. E, em geral,

partem do princípio de que as relações internacionais não são condizentes com um quadro de harmonia social, até porque se apóiam nas premissas teóricas individualistas baseadas numa natureza humana egoísta, bem como num sistema internacional anárquico. Por conseguinte, a luta entre os Estados é recorrente, apesar da possibilidade de tréguas temporárias.

Segundo Gilpin:

O realismo político sustenta que em um sistema internacional anárquico o conflito entre os Estados a respeito de recursos econômicos e na disputa pela superioridade política é endêmico. Da perspectiva realista, o processo de desenvolvimento desigual gera um conflito entre os Estados que crescem e os que entram em declínio, à medida que estes últimos procuram melhorar ou manter sua posição relativa na hierarquia política internacional (2002, p. 73).

Como se sabe, o modelo realista está apoiado em três pontos que representam o pilar de sustentação do seu arcabouço teórico. São eles:

1°) Uma divisão explicita entre a política interna e a externa, na qual coexistem duas áreas distintas e interdependentes entre si. Como a política internacional está voltada para as questões de poder e de segurança, que é superior em relação aos assuntos internos, tais como a economia, de tal sorte que estes são classificados como problemas da política menor.

2°) Apenas os Estados são reconhecidos como atores internacionais, que por sua vez também desempenham os papéis de atores nacionais, pautando suas condutas pela lógica e pela racionalidade, de tal modo que os princípios morais ou democráticos não são relevantes para os assuntos que envolvem as relações internacionais.

3°) O poder e o uso da força representam os principais meios de atuação estatal, uma vez que ao partir da premissa de que relações internacionais são conflitivas, os Estados estão em constante luta pelo poder. Em função disso, a paz e a segurança somente serão alcançados

quando houver um equilíbrio de poder.43

Em resumo, os realistas partem do princípio de que o Estado continua sendo o ator predominante na esfera internacional, bem como qualquer forma de cooperação entre os Estados é improvável, uma vez que tais processos tendem a reduzir o poder de uma das partes envolvidas.

43 Cabe lembrar que boa parte desse paradigma evoluiu durante o período em que sistema internacional era

Além disso, a existência de uma verdadeira ordem internacional está condicionada à imposição hegemônica ou concertada das grandes potências, na qual a distribuição do poder é fundamental para a sua manutenção.

Os Neo-realistas também enfatizam o papel central do Estado, bem como vêem o seu poder político fortalecido, até porque não acreditam que algum ator não-estatal pode se igualar às capacidades do Estado. Apesar disso, os neo-realistas apontam para a necessidade de se repensar o papel do Estado, uma vez que inúmeros atores não-estatais estão atuando de

maneira cada vez mais intensa.44

Waltz (1979), um dos principais precursores do neo-realismo, reafirma essa perspectiva, mas não deixa de enfatizar a sobreposição do político sobre o econômico, bem como a predominância de uma hierarquia nas relações de poder, na qual os Estados exercem a função exclusiva nas tomadas de decisões.

Assim sendo, essa perspectiva também parte da hipótese realista de que o sistema internacional é anárquico, e que os Estados atuam no sentido de sustentar o seu poder e afiançar suas respectivas autonomias. Porém, a manutenção de uma posição dentro da hierarquia do sistema passa a implicar numa atuação estatal que deve levar em consideração as complexas das redes de interação.

Para Waltz (1979), as relações de poder num contexto complexo decorrem de situações em que um agente é mais poderoso do que outro na medida em que afeta os outros mais do que os outros o afetam.

Isso implica, segundo Grieco (1990), que os Estados devem manter suas preocupações com a segurança, mas também devem atuar para manter suas posições relativas no sistema, fato que os leva a uma constante contenda pelo poder. Para o autor: “[...] the fundamental goal of states in any relationship is to prevent others from achieving advances in their relative

capabilities (GRIECO, apud BALDWIN, 1993, p. 3).

Ademais, os neo-realistas não são tão afeitos à cooperação entre Estados quanto os realistas, uma vez que tal processo poderia elevar o poder relativo de um determinado Estado, fato que lhe possibilitaria galgar uma nova posição na hierarquia do sistema internacional. Quanto a atuação das instituições internacionais, Racy ; Onuki apontam que para os neo- realistas a manutenção das atuações estatais tendem a afetar pouco os processos de cooperação internacional, uma vez que essas instituições não conseguiriam desfigurar a natureza e os negócios dos Estados, “[...] pois a estrutura assimétrica do poder mundial é

44 Cabe observar que tais considerações são convergentes com a teoria da interdependência complexa de

refletida na estrutura dessas organizações cujas regras são fragilizadas e cujo processo decisório está sempre submetido ao poder das grandes potências” (2002, p. 84).

Ademais, o atual sistema baseia-se numa relação de poder equilibrada, que está concentrada num grupo de países, no qual os Estados Unidos exercem um papel de liderança, que é compartilhado com outras potências econômicas.

Portanto, percebe-se que tal perspectiva se apóia em algumas das premissas da potência hegemônica, o que pressupõe o domínio do controle dos recursos materiais que possibilita manter a influência nos mercados e as vantagens competitivas na produção de bens de elevado valor agregado, além da superioridade militar para exercer a função de proteção da economia política internacional.

E, dentro da atual conjuntura de elevação dos fluxos comerciais e financeiros, essa potência deve operar em consonância com a disseminação dos princípios do liberalismo, a partir da prerrogativa de atuar sobre o estabelecimento e a manutenção de determinadas normas essenciais a esta ordem econômica liberal, o que implica que o poder hegemônico em si não é suficiente para viabilizar o desenvolvimento de uma economia internacional liberal. Também se faz necessário, para tanto, que a potência hegemônica se comprometa com os valores desse liberalismo, o que implica que os seus objetivos sociais e a repartição interna do poder estejam voltados para a efetivação dessa ordem liberal em nível global.

Tal apreciação é sintetizada em Ruggie, para quem a:

Hegemonia sem um compromisso liberal com a economia de mercado levará, mais provavelmente, a um sistema imperial e à imposição de restrições políticas e econômicas às potências menores – como no bloco soviético, por exemplo. Finalmente, é preciso que haja entre as principais potências econômicas “uma congruência de propósito social” em apoio a um sistema liberal (apud GILPIN,

2002, p. 93).

A presente perspectiva apóia-se numa fundamentação na qual o exercício da hegemonia num mundo de amplas relações interdependentes deve estar sustentada na legitimidade da potência dominante, legitimidade esta que não deva ser imposta, mas aceita por outros Estados poderosos que também seguem as condições de uma economia de mercado, e que precisam ter a certeza de que a potência tem as condições necessárias para o exercício da liderança e da manutenção dos princípios liberais no sistema político internacional.

Algumas dessas considerações chamam a atenção para o fato de que as divergências entre os Neo-Realistas e os Globalistas (Neo-Institucionalistas) não são tão profundas quanto

àquelas que fazem parte dos arcabouços Realista e Liberal. Um dos principais pontos de convergência entre as duas correntes encontra-se na atuação dos atores estatais no sistema internacional, que continuam exercendo suas funções de garantidores do “bom funcionamento” do sistema de mercado.

Baldwin (1993) acrescenta, ainda, que prevalece certa dúvida quanto ao desaparecimento das questões envolvendo a importância da força militar entre os autores das escolas mais recentes. Porém, o autor acredita que o debate entre estas duas perspectivas abre um considerável campo de pesquisa na área de cooperação, que envolve, além de questões militares, outras políticas de Estado, tais como as econômicas e as diplomáticas. Assim sendo, para o autor:

Both neorealists and neoliberals need to move beyond a priori assumptions about the utility of these techniques. More empirical research is desirable.[…] Looking back on the post-World War II debate between realism and idealism, Inis L. Claude (1981, 198-200) challenged the notion of the essential opposition of realism and idealism and suggested that they are more properly regarded as complementary rather than competitive approaches to international affairs. John Herz (1981, 202) agreed with Claude and described his own position as realist liberalism. Joseph Nye (1988, 238-251) has echoed the view that two approaches are complementary […] (BALDWIN, 1993, p. 24).

Em suma, os neo-realistas, apesar de partirem de alguns dos pressupostos da corrente realista, propõem uma avaliação alternativa para explicar a estabilidade do sistema internacional, o que sugere uma formulação teórica sobre a globalização, que parte do pressuposto de que está em andamento, desde o fim da bipolaridade do sistema internacional, uma reordenação do quadro de poder mundial, que a partir da natureza do sistema internacional, na qual as relações de poder são complexas e assimétricas, justifica o papel de liderança dos Estados Unidos.