BÖLÜM 1: TERĠMLER ve TANIMLAMALAR
1.3. Yeni Çağ Dini Akımlar ve BaĢlıca Özellikleri
1.3.4. Tek Dünya Ve Tek Din
Quando era CERVIN você seguia as ordens dos seus superiores, então acima da gente tinha supervisão, tinha a engenharia, e tinha a diretoria da empresa. Então você fazia de acordo com a forma que a firma exigia que fosse. O trabalho, a forma de conduzir o trabalho, não a sua forma, mas a forma imposta. (...) Falo imposta porque você tinha uma meta de trabalho, então você tinha que cumprir as metas, cumprir conforme a orientação da chefia. (...) Quando chegava o tamanho e não dava para fazer, ficava aquele embaraço todo. (Waldir, coordenador do Metal Duro)
Vários são os motivos alegados para o aumento da produtividade na UNIWIDIA, que produziu e faturou em 2003, com 42 cooperados e seis terceirizados (na limpeza, vigilância, jardinagem e refeitório), o mesmo que a CERVIN em 1999 com 150 funcionários. Entre os motivos destacam-se: o maior fluxo de informações entre os cooperados e as áreas da cooperativa; a maior versatilidade e capacitação dos trabalhadores devido à mobilidade de funções agora permitida; as possibilidades de mudanças no processo de produção e, principalmente, o controle sobre o trabalho, advindo da preocupação dos cooperados com o faturamento da cooperativa, que será visto no próximo tópico.
Waldir explica que como os limites entre as áreas estão mais difusos, o fluxo de informações está facilitado, possibilitando um aprimoramento no processo produtivo pela aproximação e comunicação entre as atividades de escritório, incluindo as de engenharia, com as atividades fabris:
Hoje a gente já tem mais acesso ao orçamento, que você pode consultar diretamente, não tem intervalo. (...) Digamos que tem uma peça para ser feita. Aos olhos deles, a peça saía, quando chegava na área fabril, tinha N dificuldades, então o que eles imaginavam não batia com a área produtiva. Hoje não, quando você pega o orçamento, direto na parte fabril, você já tem tudo, já tem conhecimento do processo. Às vezes a pessoa que está do outro lado não tem conhecimento, tem a prática do teórico, mas a área fabril, produtiva mesmo, da forma de conduzir a
peça, não tem. Então aproximou bem o serviço, o grau de dificuldade diminuiu bem, as entregas, por exemplo, achatou bastante [o prazo], não tem atrasos, devido a mais comunicação, achatou as passagens, hoje já é via direta, tem contato direto...
Paulo explica que Waldir se refere a uma situação prática, da qual foi protagonista, e que resultou na mudança da forma de coordenação das atividades entre duas áreas da cooperativa, Vendas e Metal Duro:
Waldir deu uma idéia legal, assim: antigamente o serviço chegava na Eucélia, daí o Alexandre mandava o desenho para a Eucélia e ela mandava o desenho para lá [para o Waldir, no Metal Duro], ele pegava e prensava de acordo com aquele desenho. Hoje a gente faz diferente, vou te explicar: quando o pedido chega na Eucélia, tira xerox do pedido e já leva para lá, antes de passar pelo desenho. Quando o desenho chegar já está tudo prensado, já foi para a pré [pré-sinterização], já ganhou aí uma semana, duas semanas. Se fosse esperar o desenho chegar, daí o material não tem, precisa comprar, fazer mistura, prensar, para depois usinar e depois para a Ferramentaria, daí para o cliente, são 15 dias. (...) Ganha 15 dias no mínimo.
Esta simples alteração no fluxo do processo produtivo, que criou um atalho entre Vendas e Metal Duro, desviando do Desenho (ver figura 13), possibilitando uma antecipação do Metal Duro na produção que resultou num ganho importante de produtividade e eficiência para a cooperativa.
Figura 13: Antecipação no processo produtivo, para além do just-in-time Paulo explica porque na CERVIN esta mudança não teria sido possível:
Na CERVIN ele não poderia porque já estava entrando na área do cara, invadindo a área do cara, passando por cima do outro. Na cooperativa você não está interferindo no serviço de ninguém, você está fazendo a sua parte, o outro está fazendo a parte dele, quando chegar aqui vai unir os dois.
Waldir explica que a melhoria da comunicação ocorreu também dentro da fábrica, aproximando os setores, e que agora é possível consultar diretamente o
Cliente
pedido
Desenho
Vendas Metal Duro
trabalhador responsável pela execução de determinado trabalho, evitando que ocorram erros no processo produtivo e reconhecendo os cooperados:
A gente consulta várias pessoas, consulta diretamente a pessoa se é possível ou não. (...) A gente vai na pessoa do torno e consulta, se o serviço é em outra área a gente procura primeiro saber se é possível ou não, antes de tomar a decisão errada que torna mais difícil o serviço. Isso é comunicação, vai direto na pessoa que executa o serviço. A própria pessoa que executa o serviço sempre também se sente bem, ela se sente participante, ela participa se é possível ou não, isso dá um ânimo para a pessoa que trabalha.
Outra possibilidade de mudança no processo produtivo foi verificada com a criação de um pequeno estoque intermediário de anéis para selos mecânicos, nos Fornos, que regula o fluxo produtivo repondo as eventuais perdas na sinterização. Paulo justifica as inovações locais que Seu José, o Zezinho, implementou no setor:
Anel, quando você coloca no forno cem anéis, geralmente um sai
quebrado (...), se é um anel de dois e meio, um e meio, trinca, não tem jeito. O trabalho do Zezinho é com as classes, G1, G2, G4, G5, G8, então você não pode misturar G1 com G8 [na carga do forno], então se quebra um atrasa tudo, de repente não vai ter carga para fazer um anel, nem pode ligar um forno para fazer um anel, é prejuízo. A gente já viu em assembléia e até em reunião que tem empresa que aceita até 10% a mais no pedido, então se são 100, a gente coloca 110, se ele aceita 8%, vai 108, se aceita 5%, vai 105, porque ele aceita assim. (...) É legal a idéia que a pessoa teve, não é para manter um estoque de peças, tem peça que sim, tem peça que não dá.
Outra justificativa alegada por Paulo para o aumento na produtividade foi a entrada de Fábio no grupo que formaria a cooperativa, meses antes da falência da CERVIN, e que resultou na incorporação pelo grupo dos conhecimentos técnicos deste engenheiro cooperado:
Então o Fábio, quando chegou aí, ele é formado em metalurgia do pó, é
um cara que tem muito conhecimento, muitas coisas ele mudou, por exemplo: (...) ele colocou esse negócio de gráfico, agora está tudo certinho, ele conseguiu gráfico da temperatura certa, (...) se ele [quem
estiver trabalhando nos fornos] seguir ali ele sabe que o negócio vai ficar
bom. Antigamente não, a panela entortava, dava bolha na peça porque a temperatura passou, a moagem não tinha controle.
Certamente foi o conjunto destas justificativas, de ordem técnica, profissional e organizacional, o responsável pelo o aumento da produtividade da empresa. É interessante notar, entretanto, que pequenas alterações, realizadas todos os dias, nem são tematizadas entre os cooperados, pois são consideradas necessárias e inerentes ao desenvolvimento de qualquer atividade produtiva. O resultado, lembrando Milton noutra passagem, foi que o faturamento por cooperado subiu de R$ 8.000,00 por mês no início da cooperativa (em 2000), para cerca de R$ 12.000,00 em 2003, um incremento de 50% em três anos de atividade.