BÖLÜM 2: YENĠ ÇAĞ DĠNĠ AKIM TÜRLERĠ
3.2. Vahiy
3.2.2. Hıristiyanlıkta Vahiy ve Tarihi Arka Plan
Na CERVIN às vezes o patrão não pagava o salário, atrasava e não explicava o porquê, daí atrasava de novo e era pior ainda no outro mês. Empresa com patrão, o patrão fica lá no escritório e não sabe o que está acontecendo aqui, aí vai comprar e não sabe o que precisa. Agora tudo é debatido, debate o salário de todo mundo. Se um perde uma hora de trabalho, desconta só uma hora no salário, antes perdia um dia inteiro. Aqui todo mundo têm que trabalhar para ganhar, e não tem greve não, que só prejudica a gente mesmo. (Severino)
Ainda que as remunerações mensais dos cooperados sejam um custo de produção que deve ser considerado no custo das ferramentas, não são apenas isso. Elas são também parte integrante da condição societária da cooperativa, uma vez que legalmente as retiradas mensais fazem parte da distribuição das sobras (já que o ato cooperativo é o trabalho) e são contabilmente caracterizadas como uma antecipação de sobras.
O aparecimento freqüente do termo salário nas falas dos cooperados da UNIWIDIA revela uma similaridade entre retirada e salário. Contudo, não é uma singularidade das cooperativas de trabalho, já que nas cooperativas de comercialização e de consumo acontece fenômeno similar, com a denominação dos cooperados como “clientes” e do ato cooperativo como “compra” ou “venda”.
Conforme referência anterior, a retirada média (2003) na UNIWIDIA era de R$1.200,00, com limitação das diferenças entre retiradas. A maior retirada poder ser, no máximo, cinco vezes o maior que valor da mínima. Como a retirada mínima à época era de R$450,00 (antes da saída de Seu Marcolino e de Seu Adilson da cooperativa), a máxima estava limitada a R$2.250,00. Paulo, na época conselheiro da cooperativa, já demonstrava conhecimento sobre as remunerações, que aliás, sempre foram públicas em função da transparência na gestão: “a gente ganha de R$450,00 a
R$2.200,00. R$450,00 tem só o Seu Marcolino, menos de R$1.000,00 tem só cinco, a maioria ganha uns R$1.200,00, outros R$1.600,00, lá na administração uns com R$2.000,00 e só o Adilson ganha R$2.200,00”.
Com a saída de Seu Marcolino e Seu Adilson (em dezembro de 2003), ambos extremos opostos nos valores da folha de pagamentos, a diferença entre a mínima e a máxima remuneração diminuiu para uma relação de R$800,00 a R$2.400,00, ou seja, a máxima ficou três vezes o valor da mínima, ainda que estatutariamente possa ir até R$4.000,00 (cinco vezes o valor da mínima). Esta mudança, contudo, não foi uma nova decisão da cooperativa, mas representou apenas o efeito, concentrador de renda, de terceirizar as atividades de limpeza, vigília, jardinagem e refeitório, que serão detalhadas em tópico específico.
Como diversos outros cooperados, Paulo conta que teve sua remuneração reduzida com a transição da CERVIN para a UNIWIDIA e frisa que com outros companheiros aconteceu o contrário: “Na CERVIN, em 1998, eu ganhava
R$1.800,00. Hoje estou ganhando quase isto, R$1.600,00 [além da cesta básica e do
plano de saúde], mas também tinha cara que ganhava R$800,00 e hoje está
ganhando o dobro”. Contudo, Paulo conclui dizendo que ganha melhor que muito
profissional de nível superior.
Quase todos os cooperados dizem que não é fácil ganhar fora da UNIWIDIA o que ganham lá, e mesmo quando um deles se queixa da cooperativa, elogia a remuneração: “Só é bom do lado da manutenção dos postos de trabalho, por isso é
que ninguém sai, está todo mundo agarrado nas tetas da cooperativa. Não é fácil ganhar fora o que ganha aqui, não encontra não”. O outro Paulo, da Ferramentaria,
exemplifica esta situação: “Fora da cooperativa o pessoal não ganha bem assim
não. Tem gente que trabalhava aqui e que não acreditou na cooperativa e que agora está doidinho para voltar. É claro, estão ganhando R$600 pelo que aqui paga R$1200, e isso quem está trabalhando, né?!”.
Entretanto, se é do entendimento da maioria que a remuneração praticada na cooperativa é boa, não é uma unanimidade, como aparece nas seguintes falas de cooperados: “Se a CERVIN não tivesse falido eu ia estar ganhando hoje uns
R$3.000,00. Aqui ganho R$1.500,00 e mais nada, a bem dizer nada, não tem FGTS”. “Para o trabalho que eu faço eu ganho mal aqui. Hoje um estagiário ganha numa empresa no mínimo R$2.500,00 Aqui eu ganho R$1.400,00, e olha que é um valor alto aqui”.
Edilson apresenta sua compreensão para o dilema da remuneração: “Tem muitos
que só estão pensando no dinheiro, não entendeu ainda o que é uma cooperativa. Nós já temos nossa retirada, que é boa! Vai ver aí fora se ganha o que ganha aqui? Tem benefício igual firma, tem tudo”. Marcos tem opinião parecida:
Em comparação com empresa estamos bem nos benefícios. Perdemos uma coisa ou outra mas estamos bem, principalmente perdemos o FGTS, mas temos as quotas, se um sair não sai sem nada, é pouco mas tem alguma coisa. Tem abono no fim do ano, tem tudo.
Pela compreensão de Edilson e de Marcos, além da retirada ser “boa” e terem diversos “benefícios”, o fato de serem sócios da cooperativa, compensa a falta de alguns direitos, como o FGTS.
A situação é demonstrativa de um dos conflitos comuns por que passam as cooperativas industriais pois, além da questão já apresentada, de terem que conciliar os custos totais de remuneração com a viabilidade econômica da cooperativa, também necessitam construir critérios de remuneração que considerem aspectos comuns às demais empresas, já que precisam manter na cooperativa alguns trabalhadores socialmente considerados mais qualificados.
O fato dos cooperados compreenderem a política de remuneração da cooperativa, em comparação com empresas convencionais, ora como pior ora como melhor, mostra a complexidade desta questão. Geralmente os cooperados que consideram a remuneração praticada pela cooperativa satisfatória e comparativamente superior à de mercado, são justamente aqueles menos qualificados e que encontrariam maior dificuldade de reinserção no mercado de trabalho. Por outro lado, os que a consideram insatisfatória e inferior à de mercado são geralmente aqueles mais qualificados, o que conflita com a pouca valorização que sentem na cooperativa.
Os cooperados, ao definirem em assembléia, ou fora dela, as políticas de cargos e funções, remunerações e promoções, definem também sua condição societária, na cooperativa, e social, fora dela. Ao escolherem formas de diferenciação, pelo tipo de trabalho, pela distribuição mensal das sobras, escolhem também por diferenciações econômicas entre os cooperados.