BÖLÜM 1: TERĠMLER ve TANIMLAMALAR
1.3. Yeni Çağ Dini Akımlar ve BaĢlıca Özellikleri
1.3.5. Cinsellik
Se fosse para escolher agora eu escolhia a cooperativa, tem muito mais liberdade, hoje eu produzo o dobro da CERVIN e nem sinto. Na CERVIN a gente não tinha idéia de quanto custava uma peça, às vezes fazia uma peça bonita e queria saber quanto vale e não podia, quando a gente entrou aqui como cooperativa é que a gente foi saber quanto valia, uma pecinha assim [demonstra com a mão uns oito centímetros] R$ 13.000,00. Deu até um orgulho na gente, saber que era a gente mesmo que fazia, foi aí que ficamos sabendo também que quando um gerente ia descontar uma duplicata, ficava com um tanto para ele. (Paulo, Vice-presidente)
O principal motivo alegado para o aumento da produtividade é a preocupação de todos os cooperados (ainda que em medidas diferentes) com o faturamento mensal da cooperativa, o que pode afetar a remuneração (retirada) e o resultado líquido no final do ano, o que afeta diretamente as sobras. Este motivo justificaria, inclusive, as demais mudanças no processo, todas orientadas por um aumento na rentabilidade global da cooperativa. Segundo os cooperados essa preocupação é própria da condição de “donos do negócio”.
Waldir explica como as diferenças entre trabalhador assalariado e cooperado influenciam nas preocupações cotidianas dos cooperados:
Numa empresa tradicional, ela com pouco serviço ou ela com muito
serviço, você tem o seu salário (...) você vai ter seu 13º, não vai afetar em nada. A não ser que seja um corte brusco que você é dispensado da empresa. (...) Então, isso aí é estatutário, na UNIWIDIA o que tiver de faturamento, proporcional é a sua retirada. Então você sempre tem essa
preocupação de buscar novos mercados, mantendo e alcançando mais, maior mercado, que aí você alcança maior fatia do bolo e maior a distribuição de sobras no final do exercício.
Paulo também expõe esta preocupação econômica dos sócios-trabalhadores do empreendimento, mostrando como a condição de dono do negócio “mexe com a
cabeça do trabalhador”, que passa a ser responsável pelo desempenho da empresa: Acho que a responsabilidade aumentou muito. Quando você era empregado você só queria saber do dia 5 e do dia 20, se não tinha
[salário] você fazia greve. Hoje não, você tem que cumprir o
faturamento, se o faturamento vai mal pode afetar sua retirada, as vendas, tudo isso aí mexe com a sua cabeça no dia-a-dia, então você fica mais envolvido. Antes não tinha isso, você só queria saber do seu salário no fim do mês, se não teve, era greve, se teve, queria mais. Hoje não, você como dono do negócio, você tem que pensar mais na UNIWIDIA, coisa que você não pensava antes quando você era empregado.
Pensar na cooperativa afeta também o cotidiano de trabalho na fábrica, inclusive com a intensificação do trabalho em algumas máquinas e setores, como é o caso de Daniel, único Fresador Ferramenteiro da UNIWIDIA neste momento. Daniel explica a relação direta que existe entre a velocidade de seu trabalho na máquina e o faturamento da cooperativa:
Tem bastante serviço, mas eu faço de tudo para não criar gargalo, desempenhar o mais rápido possível e andar pra frente, porque depende às vezes do meu trabalho para ir para o forno, para depois ir para o acabamento, para nós faturarmos aquela peça. Então quanto mais rápido eu conseguir mandar ela para frente, mais rápido ela é faturada.
Junta-se à preocupação com o faturamento o receio de que um eventual erro no trabalho possa causar um prejuízo para a cooperativa, e conseqüentemente para o cooperado, risco esse que não existe nas empresas convencionais. Eucélia conta que este receio, além de existir na fábrica, existe também nas atividades de escritório, como orçamento e compras:
Sou mais atenta nas responsabilidades até por uma questão de saber que é o meu bolso que amanhã pode estar... Posso não ter pagamento porque eu errei num cálculo, posso não ter pagamento porque eu comprei uma matéria-prima errada, prejudiquei o caixa da empresa, sendo que numa empresa convencional eu não corro esse risco, eu trabalharia até menos preocupada com esse lado.
Além da preocupação e dos assuntos cotidianos na fábrica sobre a abertura de novos mercados, a responsabilidade com o faturamento e com os problemas eventuais da cooperativa afetam também a vida doméstica e familiar dos cooperados. Paulo mostra que os cooperados vão para casa pensando na UNIWIDIA:
É a responsabilidade, total. Hoje tem dia que você vai para a casa pensando na UNIWIDIA. Quando era CERVIN, não pensava na CERVIN, pensava na CERVIN quando você entrava aqui. Hoje não, quando você tem algum problema para resolver, até problema de faturamento, você acaba levando para casa e, às vezes você está deitado lá e fica pensando na UNIWIDIA. Acho que isso aí é uma preocupação que não tinha antes, (...) antigamente você ficava preocupado em ficar desempregado, chegava na segunda-feira você não queria olhar no cartão [de ponto]. Mas hoje você leva para casa esses problemas da UNIWIDIA (...). Isso é muito sério, uma mudança importante.
Entretanto, Aziel fala que não foram todos que se deram conta desta importante mudança, mesmo sabendo que os rendimentos deles provêem da cooperativa:
Não adianta querer se iludir: “ah, cem por cento de todos pensam
assim!” Não, tem ainda aqueles que são meio acomodados, que você sempre tem que dar uma cutucada. (...) Pois sabem todos que é daqui que dependem. O rendimento dele tem que sair daqui de dentro.
Apesar desta afirmação de Aziel, é dominante na fábrica um sentimento de responsabilidade pelo faturamento. Tal percepção, entretanto, se apresenta de vários modos, dependendo da pessoa interrogada. A preocupação de Daniel, por exemplo, é tamanha, que cobra de dentro da fábrica que o Conselho de Administração acompanhe a efetivação das mudanças que foram decididas. Daniel explica a importância de acompanhar a implementação das decisões:
Outro princípio é o acompanhamento, hoje nós falamos em mudar alguma coisa, e tem idéias para mudar, só que nós não acompanhamos, hoje nós estamos aqui sentados numa reunião e falamos: “vamos mudar assim, para isso e para isso”, amanhã já esquecemos que tinha que mudar. Porque lá já vem outras coisas e aquilo lá fica no esquecimento. Acho então que a coisa é você acompanhar: “vamos fazer essa peça diferente, vamos, então a partir de hoje nós vamos acompanhar se realmente está sendo diferente, o que melhorou, ou se piorou”, acho que isso que está faltando para a gente ser mais eficiente.
Essa preocupação com o faturamento da cooperativa, que acompanha os cooperados dentro e fora da UNIWIDIA, no trabalho e nas conversas com companheiros e familiares, explica-se pelo risco envolvido em qualquer empreendimento. Como são responsáveis pelos resultados da cooperativa, qualquer oscilação econômica pela qual ela passe afeta diretamente a vida privada dos cooperados, que como quaisquer trabalhadores, não possuem reservas suficientes para longos períodos de crise.
A sensação de estarem “todos no mesmo barco” é também a explicação do porquê de tantas cobranças recíprocas por desempenho entre os cooperados na fábrica, visto que, segundo Daniel: “são todos donos, todos são iguais, e todo mundo
vai chegar no mesmo lugar, se nós andarmos para traz, vai chegar todo mundo para traz, se nós formos pra frente, vai todo mundo para a frente”.