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BÖLÜM 2: YENĠ ÇAĞ DĠNĠ AKIM TÜRLERĠ

2.1. Ezoterik ve Neo-Pagan Kökenli Akımlar

2.1.2. Aetherius Society

Eu acho que tem que trabalhar mais essa parte (...), de sempre estimular mais nas assembléias, eu sempre comento: “gente, esse conselho vai sair um dia, vocês têm que começar a participar”. E você vê, sempre são as mesmas pessoas, sempre que tem um seminário, uma discussão, um debate, sempre são os mesmos que vão. Tem pessoa que diz: “Ah não, eu não tenho mais idade para isso, eu não tenho cabeça para isso”. (Aziel, presidente)

O Conselho de Administração de uma cooperativa é diferente da Administração de uma empresa limitada ou anônima. Na empresa limitada a administração é realizada pelo proprietário majoritário ou profissionalizada a um administrador contratado. No caso da Sociedade Anônima, a Diretoria é escolhida pelo grupo detentor da maioria das ações e a administração é realizada via administradores contratados. Numa cooperativa o Conselho de Administração é eleito pelo voto direto e unitário dos sócios em Assembléia Geral Ordinária e tem um mandato, no caso da UNIWIDIA, de três anos. Tal como nas Sociedades Anônimas, nas Cooperativas os conselheiros eleitos, além de representantes legais do empreendimento, são também responsáveis solidários pelo que possa acontecer durante seu mandato, podendo ser acionados civil e criminalmente.

Apesar do Conselho de Administração ter sido eleito por chapa única nas duas eleições realizadas, e de Aziel ter sido reeleito presidente, ele é considerado legítimo pelos cooperados e diversas falas demonstram isto. Como a de José Carlos:

A cooperativa tem um estatuto registrado lá no cartório, lá diz que todo mundo aqui pode ser presidente, que tem que ter rodízio. Mas se um cara é um presidente muito bom, que visitou muitas empresas, fez a cooperativa crescer, se sabe fazer as atividades com os cooperados, animar os cooperados, aí tem que ficar.

Se a legitimidade, em relação ao Aziel, é proveniente do histórico de luta deste cooperado, em relação aos demais conselheiros pode ser explicada por um processo de proximidade com as questões da cooperativa e de envolvimento com as decisões. Como nos fala Alexandre:

“Quem está na frente, quando chega no conselho de administração, geralmente (...) é quem vinha num processo de envolvimento, de participação no conselho fiscal, de ajuda. [Estes cooperados] foram

chamados para fazer parte do conselho de administração e nós

[cooperados] aceitamos.”

Ainda que o Conselho de Administração atual seja legítimo, não são unânimes os critérios utilizados para a indicação dos cooperados para a composição das chapas. Daniel, por exemplo, considera a capacitação primordial, relegando a um segundo plano a proximidade ou amizade neste processo:

Acho que hoje funciona muito assim: “vou pegar aquele cara para fazer parte da minha chapa, porque ele é meu amigo e ele me entende”, mas esquece que a cooperativa não precisa disso, a cooperativa precisa de capacitação, de pessoas que saibam gerir o negócio, pessoas que fazem crescer o negócio.

A necessidade de escolher pessoas capazes de substituir os atuais conselheiros aparece em diversas falas, bem como a necessidade de capacitá-los para que possam assumir responsabilidades coletivas, tão importantes para o futuro de todos. Milton, perguntado sobre a última eleição, também responde favoravelmente a Aziel, mas problematiza sobre a necessidade de renovação:

O Aziel vai ficar mais três anos [na presidência], não tinha ninguém tão bom quanto ele. Mas da próxima vez vai ter que mudar, só pode ficar duas vezes, depois tem que mudar. É para evitar desconfianças, não pode ficar muito tempo. Dizem que três anos demora, mas passa rápido, vai precisar de alguém bom para assumir [em 2006].

A preocupação com o rodízio também é presente para Waldir:

Acho que deveria escolher um grupo para se preparar lá na frente, na área comercial. Daqui a três anos o Aziel não vai poder ficar mais. Não acho que eles [a administração] tenham que indicar, que ia parecer que eles iriam formar quem eles gostariam que estivesse lá. Mas acho que a gente deveria eleger um grupo para ir lá aprender, a cooperativa não acaba daqui a três anos, tem mais três anos, e mais três, pelo menos até o leilão.

Na percepção deles, entretanto, este grupo capaz de substituir os atuais conselheiros ainda inexiste, o que é considerado um problema para o futuro da cooperativa. Esta inexistência é geralmente atribuída à falta de consciência dos cooperados, ou à falta de vontade de assumir responsabilidades da cooperativa. Alexandre diz: “as pessoas que realmente falam: ‘vamos para a frente, vamos

ainda não têm uma consciência”. Aziel também está ciente do problema e alerta: “que o conselho é passageiro” e que a maioria não quer assumir responsabilidades

da cooperativa, que pensam assim: “eu vou ser sempre do pé da máquina, não quero

ter que cuidar da administração (...), quero fazer meu serviço”. Apesar da

inexistência de nomes considerados aptos a assumir a administração da UNIWIDIA, Aziel tem claro o que espera de quem se candidatar: “Eu gostaria que tivessem aí os

36 com vontade, de tomar a frente da cooperativa, mas com essa visão de empresário (...), visão de fazer isso aqui alavancar, não ter uma visão extrativista, só de tirar, tirar, tirar.”

A única menção de interesse no cargo de presidente identificada no trabalho de campo, foi de Fábio:

Aqui dentro para crescer só se for para virar presidente, eu quero chegar a presidente um dia, eles [Conselho de Administração] conversam com todo mundo, com o sindicato, com o Luiz Marinho, o Lula, trazem coisas boas para a cooperativa. Tenho muitas idéias para isto aqui, esta empresa está ultrapassada, tem muito campo de trabalho, tem muito o quê mudar. Se você vai para uma empresa nova, bonitinha, é só para ver, já está tudo pronto, aqui não, tem muita coisa para fazer.

A UNIWIDIA é um grupo pequeno de trabalhadores, apenas 36, que se conhecem há muitos anos e nesta situação, a falta de nomes para os conselhos, que representam um total de 11 pessoas (que devem ser renovadas), é um problema real a ser enfrentado, visto que eles somente dispõem deles mesmos para ocupar tais cargos. Aziel finaliza com a necessidade de investir nos cooperados:

Quer dizer, daqui mais dois anos, (...) até eu brinco, este conselho aqui houve uma renovação, não ficaram os mesmo. Entrou três pessoas novas, ficaram só dois do anterior, mais daqui a dois anos, estes dois vão ter que sair. Porque, pelo próprio estatuto, tem que entrar gente nova. De repente, chega daqui a dois anos, não tem cinco pessoas que queiram mesmo dar prosseguimento. Tem aparecido gente aí e a gente tem tentado trabalhar com o que tem na mão, estas pessoas, vamos tentar trabalhar elas, capacitá-las para não deixar a peteca cair.